Coluna Eixo Capital, publicada na domingo, 04 de outubro de 2026, por Ana Maria Campos
Depois de 50 dias de campanha, o eleitorado brasiliense vai às urnas neste domingo para escolher seus candidatos ou candidatas à Presidência da República, ao governo, para duas vagas no Senado, e seus representantes para Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa. Cada um dos 2.562.067 eleitores vai votar seis vezes na urna, escolher os respectivos números e confirmar na tecla verde. É a décima eleição dos brasilienses. Os eleitores receberam em suas casas e ouviram nos rádios e nas tevês as mais diferentes mensagens dos 643 candidatos registrados oficialmente no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). Mas, como sempre, a eleição que mais atraiu as atenções dos eleitores, políticos e jornalistas é a do Palácio do Buriti, que protagonizou vários embates.
A campanha principal
Desde o começo da campanha, seis nomes se destacaram, mas com diferentes graus de aprovação da população nas mais pesquisas realizadas: a governadora Celina Leão (PP), o ex-governador Arruda (PSD), o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), o ex-presidente da OAB-DF Kiko Caputo (Novo) e o ex-presidente da ABDI, Ricardo Cappelli (PSB).
Combate implacável
Nos 50 dias oficiais de campanha, todos se voltaram exclusivamente contra a líder de todas as pesquisas, a governadora Celina Leão, alvo comum dos adversários no combate implacável à sua reeleição. A estratégia não deu certo, porque ela se manteve na liderança das pesquisas.
Sem confronto
Numa campanha atípica, os cinco adversários de Celina evitaram confrontos entre si. A intenção era criticá-la pessoalmente e ao seu governo e derrubá-la do topo das pesquisas, o que não aconteceu.
Ataque ao segundo colocado
Somente nos dois últimos debates — com a ausência da governadora e de Arruda, impedido por decisão do TSE — os demais candidatos acordaram e perceberam que o colega do púlpito ao lado podia impedir uma ida ao segundo turno. Talvez tarde demais. Cappelli e Paula Belmonte passaram a criticar Leandro Grass, o segundo colocado nas pesquisas e considerado o adversário com mais chances de chegar ao segundo turno para enfrentar Celina.
O Bem Amado
Afastado da disputa eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-governador Arruda se tornou o político brasiliense mais assediado pelos candidatos de oposição a Celina Leão. Até mesmo tradicionais partidos de esquerda (PT e PSB especialmente) o defenderam. Nesse aspecto, Arruda sai vitorioso da campanha.
Professores estão bem longe de ganhar como juízes
Na campanha de 2018, o então candidato ao Palácio do Buriti Ibaneis Rocha (MDB) defendeu que os professores deveriam receber o mesmo salário dos juízes. Oito anos depois, em média, os docentes recebem um terço das remunerações dos magistrados no DF, sem contar os penduricalhos que ampliam os contracheques na Justiça.
Anote para cobrar
A saúde foi um dos temas mais debatidos nas eleições. Todos os candidatos fizeram promessas de acabar com as filas de cirurgias e de exames na rede pública de saúde. Também se comprometeram a melhorar o atendimento preventivo e contratar médicos, enfermeiros e dentistas.
Debate sobre BRB continua
Outro tema que surgiu em todos os debates, sabatinas e entrevistas: a crise no BRB. Todos os candidatos cobraram a divulgação do balanço do banco, e a governadora Celina Leão prometeu uma solução para cobrir o rombo, para, então, liberar os números do banco. Uma coisa é certa: o BRB não vai sumir da ordem do dia pelos próximos meses.
Segundo mandato de crises
Falando em balanço de governo, é possível dizer que, mesmo com a pandemia, a primeira gestão de Ibaneis Rocha no Palácio do Buriti foi mais tranquila que a segunda. Já no primeiro mês, Ibaneis foi afastado pelo caos na Praça dos Três Poderes, no 8 de Janeiro, e terminou o mandato com o escândalo da fraude BRB-Master. O primeiro governador reeleito no primeiro turno da história de Brasília deixou o cargo sem condições de se candidatar ao Senado. Mesmo assim, sua sucessora, Celina Leão, chega hoje à votação com chance de vencer no primeiro turno, em grande parte pelas entregas do governo Ibaneis.
Felipe Belmonte: “Nosso apoio a Flávio é inconteste”
A candidata Paula Belmonte (PSDB) precisou explicar, ontem, aos eleitores que não se aproximou do PT ao gravar vídeo em que elogiou Érika Kokay (PT), concorrente ao Senado. A inserção divulgada na última sexta-feira desagradou o eleitor de centro e centro-direita de Paula. Para tentar amenizar a confusão, o advogado Felipe Belmonte, marido de Paula, foi às redes sociais para lembrar que atuou, durante o mandato de Jair Bolsonaro, para criar o Aliança do Brasil, partido que daria sustentação ao bolsonarismo. “O nosso apoio a Flávio Bolsonaro é inconteste. Ele é a solução para o nosso país nesse momento conturbado. Precisamos eleger Flávio Bolsonaro e, se possível, no primeiro turno”, afirmou Felipe. Segundo ele, o respeito a outros candidatos não significa apoio.
Estratégia
O vídeo com Érika Kokay atrapalhou uma estratégia de campanha de Paula Belmonte que sempre se desvinculou da polarização nacional entre Lula e Bolsonaro. Ela adotou uma posição neutra e, ao contrário do marido, Felipe Belmonte, nunca declarou voto em Flávio Bolsonaro.
Hungria pede: “Não me decepcionem”
O rapper Hungria gravou mensagem em que anuncia voto em Celina Leão (PP) pela amizade com o vice, Gustavo Rocha (Republicanos). Também afirma apoio à candidatura de Marcela Passamani (MDB) à Câmara Legislativa. Ela é ex-secretária de Justiça e Cidadania do DF, e mulher de Gustavo. Hungria pede que o governo olhe pela Ceilândia, pela cultura e não decepcione os eleitores. O vídeo está bombando nas redes sociais.
Liga da Justiça
O advogado Kiko Caputo (Novo) passou toda a campanha dizendo que representa verdadeiramente a direita na disputa eleitoral, enquanto os demais candidatos são de esquerda, centro ou centro-direita. Ele também se colocou como a única novidade da campanha e brincou muito com a inteligência artificial, com postagens criativas.
Obstáculos
Ricardo Cappelli, candidato do PSB ao Palácio do Buriti, dormiu na casa de moradores de regiões administrativas, andou de ônibus e dirigiu transporte por aplicativo. Foi o primeiro a denunciar as fraudes do BRB-Master. Tem um estilo provocador e é bom de debates. Mas foi sozinho para a disputa eleitoral. O PSB não conseguiu construir uma coligação e também não apostou alto na candidatura. O presidente Lula fez comício em Brasília e pediu votos para Leandro Grass (PT). Ficou sem espaço numa eventual terceira via. Agora Cappelli pede uma chance para chegar ao segundo turno. Mas as pesquisas indicam que dificilmente ele estará lá.
Enquanto isso… na sala de Justiça
A votação dos candidatos a procurador-geral de Justiça do DF será nesta terça-feira. Será uma eleição apenas para a avaliação da preferência da classe na sucessão de Georges Seigneur. Pelas regras, seria escolhida uma lista tríplice a ser encaminhada ao presidente Lula, mas apenas dois candidatos se apresentaram para a disputa: a promotora Claudia Tomelin e o promotor Libânio Rodrigues. Será a chefia do MPDFT nos dois primeiros anos — e possivelmente nos quatro anos, se houver recondução — da gestão do próximo governador ou governadora do DF.

