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Indústria reage decepcionada com Banco Central: “Economia brasileira é penalizada”

Publicado em Coluna Capital S/A

45% do setor projeta alta do endividamento bancário nos próximos três meses 

Por SAMANTA SALLUM

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual (p.p) para 14,25% ao ano (a.a.) foi considerada insuficiente e incapaz de reverter “o quadro de estagnação dos investimentos e asfixia financeira das empresas e das famílias brasileiras”, afirma a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo a entidade, o novo nível da Selic está 3,1 pontos percentuais acima do patamar de equilíbrio, de 11,1% a.a., que conseguiria balancear o pleno emprego e o controle da inflação. Na avaliação da CNI, o acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra abre cenário para o Banco Central intensificar o ciclo de cortes da Selic na próxima reunião.

“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, Ricardo Alban, presidente da CNI.

O passivo das empresas deve aumentar no próximo trimestre em meio a maior necessidade de financiamento para honrar o pagamento de despesas do dia a dia. O levantamento inédito divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 45% das empresas industriais projetam alta do endividamento bancário nos próximos três meses.

A necessidade de financiamento em contas a receber surge quando uma empresa vende produtos a prazo, mas precisa de dinheiro imediato para pagar despesas do dia a dia.

Capital de giro

“A política monetária atual tem afetado as empresas industriais, principalmente, pelo encarecimento do crédito e pelo aumento das despesas financeiras. Com o juro real em torno de 10% ao ano, as empresas enfrentam mais dificuldade para financiar capital de giro, rolar dívidas e sustentar investimentos”, afirma Maria Virginia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

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