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Por SAMANTA SALLUM
Somado o montante recebido pela gestora de investimentos Quadra, o Governo do Distrito Federal conseguiu, nos últimos dias, cerca de R$ 2 bilhões dos R$ 8 bilhões necessários para comprovar solidez ao Banco Central. O banco BTG repassou ao Tesouro do DF R$ 1,017 bi. Esse pagamento se refere a negociações no mercado financeiro da securitização de dívida ativa do DF. Outro montante de R$ 1 bilhão foi pago pela gestora Quadra Capital, como 1ª parcela de um total de R$ 4 bilhões — fruto de uma negociação de ativos do Master, no valor total de R$ 15 bilhões.
Prestação de contas ao Banco Central
Nos cálculos da área técnica financeira do governo, até a próxima sexta-feira, dia 29, quando termina o prazo dado pelo BC, o BRB terá já o aporte de, pelo menos, R$ 6 bilhões. Isso porque são esperados ainda nesta semana mais repassas da Quadra e do BTG.
As fontes ouvidas pela coluna acreditam que o Banco Central, ao constatar a captação e ver que há novos aportes encaminhados, vai ter a segurança necessária para confirmar a capitalização e solidez do banco público. Representantes do GDF vêm se reunindo com técnicos do BC e também já estiveram com Gabriel Galipolo. A governadora Celina Leão, o presidente do BRB, Nelson de Souza; e o secretário de Economia, Valdivino Oliveira foram ao Banco Central tratar das negociações.
Mesmo sem aval do Tesouro, banco não desiste de empréstimo
O GDF trabalha com três frentes de ação para capitalizar o BRB: empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC); negociação de ativos do Master no mercado financeiro; e securitização da dívida ativa do DF. Dessas, a primeira não avançou porque o Tesouro Nacional não deu aval necessário para a operação. No entanto, o governo local não desistiu de conseguir um financiamento. Está buscando outras instituições e pode até conseguir junto a pool de bancos. O próprio mercado financeiro não tem interesse em que o BRB seja liquidado, pois será mais um rombo a ser coberto pelo FGC.
Dívidas de empresas
Sobre a securitização da dívida ativa, empresas e contribuintes devem cerca de R$ 52 bilhões aos cofres públicos locais. Em vez de esperar ou cobrar essas dividas, o governo pode transferir esses direitos para um fundo de investimentos e receber o dinheiro logo — com um desconto. Negociar essa dívida no mercado, com deságio, pode render, a curto prazo, R$ 5 bilhões referentes à parcela do total da dívida que o mercado financeiro tem mais interesse por ser de mais rápido resgate.
Contrato de 2024
Antes mesmo de estourar o escândalo das operações fraudulentas entre o Master e o BRB, o Governo do Distrito Federal já pensava em criar um fundo de investimento com a dívida ativa. Em 2024, foi assinado contrato com o BTG para que fosse o gestor. O contrato estava adormecido, não tinha avançado na execução. Mas o GDF, por meio da Secretaria de Economia, diante da necessidade de ajuda financeira ao BRB, desengavetou a ideia e ofereceu ao mercado financeiro a parceria.
O BTG que, em primeiro momento, não parecia empolgado em levar adiante, teve o interesse novamente despertado quando percebeu a movimentação receptiva da ideia em outras instituições financeiras.
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