Programa Desenrola ainda não consegue frear endividamento dos brasileiros

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Cresce pelo 6º mês consecutivo o número de famílias com o problema no país. Nem a redução pelo Banco Central da taxa de juros foi considerada suficiente para tirar do sufoco quem tem dívidas

Por SAMANTA SALLUM

O mês de julho registrou pelo sexto mês consecutivo o maior patamar de endividamento das famílias brasileiras da série histórica. Com três meses do Desenrola 2.0, programa do governo federal para ajudar a renegociar as dívidas, a inadimplência geral até recuou. Mas não conseguiu frear o aumento da fatia de consumidores endividados. E também cresceu a população com mais da metade da renda comprometida.

O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer alcançou 82% em julho. Os dados são da Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio.

O levantamento sinaliza um ponto preocupante: a pressão no orçamento doméstico com o aumento da parcela de consumidores com alto comprometimento financeiro. Aumentou o número de famílias que têm mais de 50% dos seus rendimentos mensais comprometidos com o pagamento de dívidas. O problema atinge 19% dos endividados no país, atingindo o maior nível desde março deste ano.

Redução dos juros

O Banco Central reduziu, na quarta-feira, a taxa de juros em 0,25%, baixando a Selic para 14% ao ano. Mas essa queda não foi considerada suficiente para tirar do sufoco quem tem dívidas. Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a redução da Selic é um passo importante para melhorar gradualmente as condições de crédito, mas seus efeitos não serão imediatos.

“Existe uma defasagem entre a decisão do Copom e a ação dos bancos na redução desses juros, porque o banco percebe um risco de crédito ainda muito elevado, com uma inadimplência ainda muito alta. Então, o x da questão é o nível dos juros básico, o nível na ponta, é o nível da inadimplência. Todos muito elevados”, avalia.

Segundo o economista, é “tímida” a queda da Selic de 15% para 14%, entre o início de 2026 e esse início de segundo semestre. “Enquanto isso, a taxa de juros ao consumidor só fez subir, encostando em 64% ao ano, agora no mês de junho. Em algum momento o afrouxamento monetário vai chegar na ponta, ao consumidor, mas vai levar um tempo, não é imediato”, pontua.

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