Dia das Mães sofre efeitos da guerra, do crédito caro e do endividamento das famílias

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Projeção de faturamento do comércio é de R$ 14,47  bilhões. Mas setor avalia que diversos fatores travam o crescimento das vendas para data, que é tradicionalmente a mais movimentada depois do Natal. Segmento de bens duráveis sofrerá retração de 4,4%

Por SAMANTA SALLUM

Mesmo diante de condições favoráveis do mercado de trabalho e da desaceleração da inflação, outros fatores travam o que poderia ser um maior crescimento do volume de vendas para o dia das Mães dos últimos anos. A diminuição do movimento no comércio se dá pelo contínuo encarecimento do crédito, e pelo avanço significativo do endividamento das famílias. Ambos puxados pela alta Selic de 2025, que começou a ser reduzida em março, mas ainda não atingiu o índice necessário para a retomada do consumo em melhores patamares.

O cenário internacional gerado pela guerra dos Estados Unidos com o Irã, como o impacto no preço dos combustíveis, também afeta o comportamento do consumidor brasileiro. Além disso, os presentes típicos estão 4,5% mais caros que no ano passado. Esse é o diagnóstico do varejo para o Dia das Mães, segundo análise da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Menos vendas de móveis e eletrodomésticos

Segmentos historicamente dependentes das condições de crédito, como os bens duráveis (móveis e eletrodomésticos, utilidades domésticas, informática e comunicação), deverão sofrer retrações nas vendas em comparação com a mesma data do ano passado. Devem registrar redução de 4,4% nas vendas na comparação com o ano passado.

Maior juros desde 2017

“A deterioração das condições de crédito elevou os índices de inadimplência e endividamento. Atualmente, a taxa média de juros de 62% ao ano se encontra no maior patamar desde 2017 para esta época do ano’, aponta o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes.

Vestuário e cosméticos puxarão as vendas

O Dia das Mães é considerado o Natal do primeiro semestre do varejo brasileiro e a segunda data comemorativa mais relevante do calendário do comércio nacional.

Os setores relacionados à moda (vestuário, calçados e acessórios), juntamente com farmácias, perfumarias e lojas de cosméticos respondem, novamente, por mais da metade da fatia das vendas. A previsão de faturamento dos setores em 2026, quando somadas, é de R$ 8,94 bilhões.

samantasallum

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