Comércio e indústria nacional se sentem traídos por presidente Lula. O vice Geraldo Alckmin, que era interlocutor do setor produtivo junto ao governo, foi voto vencido no caso. Arrecadação com o imposto foi mais de R$ 3 bilhões desde julho de 2024
Por SAMANTA SALLUM
Como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin ajudou a articular a criação da taxa das blusinhas, em 2024, atendendo aos apelos da CNC e da CNI. As confederações do comércio e da indústria apresentaram, à época, estudos que mostravam os prejuízos causados à economia nacional com a isenção da taxa de importação de compras até US$ 50. Até o início do mês, ele defendia a manutenção. Mas, diante da proximidade das eleições, a convicção esmoreceu.
O governo Lula vem numa ofensiva em busca de popularidade com medidas como o programa Desenrola. Agora, zera o imposto das “blusinhas” importadas. O empresariado do comércio e da indústria chiou com o anúncio feito e alega que o país perde empregos com a medida.
Forte reação
Pegos de surpresa e sem direito a preparação para a medida que acabou com a taxa das blusinhas. Assim o setor empresarial reagiu à decisão do presidente Lula de zerar imposto federal sobre importação de produtos até 50 dólares, o equivalente a R$ 250.
Lula assinou a medida na tarde de terça-feira. Os representantes do setor produtivo afirmam que o impacto será nefasto para pequenas empresas que não conseguem concorrer com os produtos chinesas em preços.
Para o empresariado, Lula favoreceu à indústria chinesa. Sem aviso prévio, a medida foi considerada eleitoreira, desconsiderando os levantamentos das entidades empresariais sobre impacto social do aperto financeiro dos pequenos negócios. Com a taxa das blusinhas, o governo arrecadou mais de R$ 3 bilhões desde junho de 2024.
Desequilíbrio competitivo
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ressaltou que a taxação de importações representava instrumento necessário de compensação para o empresário brasileiro diante de um cenário marcado por desequilíbrios.
“O Brasil corre o risco de ampliar a dependência externa e fragilizar cadeias produtivas locais, caso o debate seja conduzido apenas sob o prisma do consumo imediato. O tema precisa ser tratado sob a ótica da defesa do emprego, da competitividade e da soberania econômica”, destacou a entidade.
Fim da taxa das blusinhas causará perda de empregos e prejuízo à economia brasileira, avalia CNI
Pouco tempo depois do anúncio da medida pelo presidente Lula, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já emitiu uma reação. Afirmou que representa uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional. A entidade enfatizou que a medida impactará, principalmente, micro e pequenas empresas e resultará na perda de empregos.
Dificuldade para o setor têxtil
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
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