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Presidente do Banco Central, nos bastidores, queria a ajuda do governo federal para salvar BRB; mas ministro da Fazenda, Dario Durigan, já foi taxativo em dizer que problema deve ser resolvido pelo GDF
Por SAMANTA SALLUM
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou no Senado que liquidar uma instituição financeira não pode ser confundida com medida de punição a gestores; e que não pode ser aplicada como forma de julgamento. Mas apenas diante de um contexto técnico. Isso foi entendido como um lance de esperança e de disposição para salvar o BRB. Ele prestou esclarecimentos sobre o caso Master aos parlamentares. “Líquidar uma instituição não é punir os gestores. Liquidar uma instituição você só vai fazer, porque ela chegou num ponto específico”, afirmou.
Galípolo não citou o BRB. Mas, nos bastidores, atuou para tentar construir um saída que evite a liquidação do banco. Não por benevolência, mas para evitar o prejuízo ainda maior ao sistema financeiro depois da liquidação do Master e de outras instituições arrastadas pelo escândalo das operações fraudulentas articuladas por Daniel Vorcaro.
O Fundo Garantidor de Crédito já sofreu perdas de caixa para cobrir a indenização de correntistas e investidores destas instituições. Seria outro rombo para o Fundo e para o sistema financeiro do país ter de arcar com mais um banco sendo fechado.
“Liquidar banco de maneira nenhuma se confunde com investigar, julgar e punir quem possa ter feito mal feito. São duas coisas absolutamente separadas. Punir uma instituição que foi vítima de maus gestores é um equívoco, é dobrar a punição em quem é vítima, que são inclusive os correntistas daquela instituição”, argumentou.
Banco não é iogurte
“Às vezes, as pessoas perguntam, qual é o prazo para liquidar um banco. Me permitam aqui a liberdade poética: banco não é iogurte que tem prazo de validade. Banco é liquidado, porque deixou de cumprir alguns requisitos e condições objetivas sobre a sua liquidez”, frisou.
O presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou à coluna Capital S/A que o impacto de uma liquidação do banco provocaria o equivalente a uma década de prejuízo à economia do Distrito Federal. Em números, calcula a perda de R$ 215 bilhões nos próximos 10 anos. “O impacto será tão grande que significará um retrocesso de uma década no desenvolvimento econômico da capital federal”, frisou. Acrescentou que iriam para o lixo, também, R$ 8 bilhões em dividendos que seriam pagos pelo banco nos próximos anos.
O Palácio do Planalto, no entanto, não está disposto a gastar energia para ajudar a consertar a má gestão de Paulo Henrique Costa no BRB e de um governo ainda de oposição. A governadora do DF, Celina Leão, está pedindo ajuda a área federal. A missão será bem espinhosa devido também a próxima relação politica e pessoal com Michelle Bolsonaro (PL).
O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, já teria freado o movimento da Caixa Econômica Federal de entrar numa solução de ajuda ao BRB. A instituição poderia absorver parte do banco de Brasília num processo de federalização. Nelson de Souza, atual presidente do BRB, já comandou a Caixa e estava abrindo caminhos de negociação.
No entanto, Durigan, após assumir a Fazenda, teria deixado claro, tanto para a Caixa como para o Banco do Brasil, que o governo federal não vai se meter em problema que não criou. E afirmou em entrevista que o crise do BRB não poderia ser “empurrada” para o governo federal.
Risco declarado na fiscalização
Questionado sobre a suposta demora do Banco Central em identificar as fraudes no banco Master, Galípolo afirmou que não houve falha de fiscalização. E que rapidamente afastou servidores envolvidos. Mas apontou que o BC enfrenta quantitativo insuficiente de servidores.
“Gradativamente a gente vai ter que fazer um estudo de apetite de risco declarado, a gente não vai conseguir fiscalizar como se deveria, porque não há recurso, nem humano, nem capital para poder fazer. O meu mandato é preservar a instituição até o último momento e tentar reduzir o impacto para a população e para o sistema financeiro”, alertou.
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