Comércio perdeu R$ 144 bilhões para apostas on line: o equivalente a vendas de dois natais

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Levantamento divulgado hoje aponta que gastos dos brasileiros com bets cresceram 500% nos últimos dois anos. E que isso impacta  em aumento do endividamento no país. Cerca de 260 mil famílias entraram em nível de “endividamento severo”

Por SAMANTA SALLUM

Um estudo inédito da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que o crescimento das apostas on-line, as chamadas de bets, no Brasil deixou de ser um fenômeno de entretenimento para se tornar um problema macroeconômico. Desde a regulamentação em 2023, o gasto anual com essas plataformas já supera os R$ 30 bilhões.

O montante, que antes iria para o pagamento de contas essenciais, gerando “efeito substituição” que deteriora o consumo real. O diagnóstico consta no estudo apresentado nesta terça-feira (28), no Observatório do Comércio, em Brasília.

Publicidade agressiva das bets e descontrole nas apostas por parte do usuário fazem com que perfil das dívidas piore à medida que o gasto com jogos de azar aumenta. O nível de endividamento da população brasileira bateu recorde em março, chegando a 80%.

O estudo aponta que o grupo mais vulnerável ao endividamento por jogos é composto por homens, pessoas com 35 anos ou mais e famílias de baixa renda. Contudo, há um alerta também para o público com maior escolaridade: a facilidade de acesso digital e a exposição à publicidade agressiva têm feito com que esse estrato também apresente uma exposição de risco acentuada.

“Não somos contra apostas online, somos a favor de qualquer atividade formalmente estabelecidas. Não entendemos que seja necessariamente danoso para a economia, mas qualquer excesso pode ser prejudicial”, explica o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Publicidade e dívida crônica

A pesquisa da CNC indica que a publicidade agressiva das plataformas é um dos principais combustíveis para o agravamento da situação financeira. O estudo aponta que as famílias afetadas pelas bets enfrentam um agravamento da dívida, demorando significativamente mais tempo para resolver suas pendências financeiras do que em ciclos de endividamento comuns (como cartão de crédito ou crédito pessoal).

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