“Não dá mais para populismo. Quem vai pagar a conta de tantos absurdos?”, desabafa presidente da CNI

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Ricardo Alban fez um manifesto hoje contra a escalada de gastos públicos e a sobrecarga de impostos. “Basta da falta de compromisso com a racionalidade dos gastos de todos os Poderes. Não vai ser possível mais jogar poeira debaixo do tapete”, frisou em mensagem de fim de ano

Por SAMANTA SALLUM

Em tom de grande preocupação, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, gravou hoje uma mensagem de fim de ano com posicionamentos fortes sobre o cenário político e econômico do Brasil. “Basta de tanto populismo, basta de medidas econômicas que só visam cumprir receita e basta da falta de compromisso com a racionalidade dos gastos de todos os Poderes ”, frisou.

Alban é considerado um empresário de posicionamento politico moderado e com bom diálogo com a esquerda. Vinha sempre criticando o Banco Central pelos altos juros aplicados no país.  Mas agora direciona críticas  fortes à gestão do governo federal. E aos gastos dos Três Poderes. Soltou o grito atravessado da base empresarial da indústria. E também expressou que o extremismo político não pode contaminar mais a economia.

“Não dá mais para que a ideologia política se sobressaia ao interesse maior, ao interesse do país. Essa é a convocação. Precisamos nos unir”, afirmou. As declarações foram divulgadas, no início da tarde.

Alban condenou a escalada de medidas que classifica como populistas do Executivo com eco no Legislativo. “Quem vai pagar a conta de tantos absurdos? Nós não podemos continuar tendo uma carga tributária tão grande. A sociedade vai pagar essa conta no final. O que vai ser a previdência no futuro ? E o SUS, um  programa de sucesso, que já está em risco num futuro próximo. Como é que nós estamos onerando mais ainda esse Brasil?”, alertou em vídeo nas redes sociais. Veja um dos trechos:

Jornada de trabalho 6×1

Sobre a escala 6×1 de trabalho, disse que é “particularmente” a favor; mas que na prática o Brasil não tem condições para implantar. E disse que a escala no país já é de 5 por 1 dia e meio. “O Brasil pode nesse momento fazer isso? Claro que não ! Nós estamos falando de taxa de pleno emprego,  de uma produtividade no Brasil ridícula, de um custo Brasil que é absurdo, dentre eles: juros, energia …”

O presidente da CNI apontou como situação grave a ser enfrentada o déficit público no Brasil, o maior déficit nominal que o país já registrou. Em diversos momentos se mostrou bastante angustiado e indignado.

“Quem gera riqueza é o setor produtivo, para que o setor público possa fazer ações sociais, possa fazer políticas públicas. Como é que nós vamos pagar esse custo adicional ? Não dá mais para o populismo.”

Código de ética

O  líder empresaria baiano, defendeu ainda código de ética na gestão pública:  “Nós precisamos criar uma consciência realmente cidadã, nos setores públicos, no setor judiciário, porque não discutir efetivamente, de uma forma aberta, clara e transparente, um código de ética ? Se a sociedade está cobrando isso. Qualquer que seja a nossa definição política, não vai ser possível mais jogar poeira debaixo do tapete, nós temos que enfrentar seriamente o problema fiscal, seriamente a estrutura política desse país, cada vez mais complexa, cada vez mais pesada.”

Acompanhe a Capital S/A na TV Brasília todas as terças e quintas-feiras, 18h, no JL ao vivo.

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