Alerta ao Banco Central, Anatel e governo para combate a golpes digitais em idosos

Compartilhe

Auditoria inédita do TCU aponta descontrole das operadoras de telecomunicações na venda de chips. E ações mais concretas do governo federal para proteger faixa etária da população que é maior alvo de estelionato digital

Por SAMANTA SALLUM

O Tribunal de Contas da União finalizou um relatório inédito de auditoria sobre a proliferação de golpes digitais que têm como alvo os idosos. E pretende cobrar ações mais concretas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Anatel e do Banco Central. O relatório traz à tona a ineficácia dos órgãos responsáveis pela prevenção e resposta a essas fraudes. A falta de coordenação entre instituições. Entre as recomendações para o combate ao problema, estão a criação de diretrizes claras para portais de denúncia e uma fiscalização mais rigorosa que evite a manipulação de linhas telefônicas por golpistas. O relatório será apresentado pelo ministro Augusto Nardes, no plenário do TCU, na próxima quarta-feira.

Em relação à Agência Nacional de Telecomunicações, o TCU alerta para que a agência demande mais controle das operadoras na venda de chips. A auditoria aponta que estão sendo vendidos e distribuídos sem identificação de cpfs ou cnpjs. Quando a polícia tenta rastrear a ligação dos criminosos não encontra o nome do responsável pelo chip. Há casos de uma mesma pessoa comprando 1 mil chips sem CPF sem CNPJ.

O Banco Central publicou, na semana passada , resoluções proibindo a chamada conta-bolsão ou conta-blindada que dificultava muito as Polícias rastrear o dinheiro.

A auditoria aponta que os impactos do crime nós idosos vão além da perda patrimonial: há comprometimento da autonomia financeira, danos psicológicos e grande dificuldade de recomposição do patrimônio, o que reforça a necessidade de resposta coordenada do Estado, do setor privado e da sociedade.

O cenário atual torna os idosos os mais vulneráveis aos crimes no meio digital. Há acentuado envelhecimento da população brasileira – com crescimento superior a 50% no contingente de pessoas com mais de 65 anos em pouco mais de uma década ; e a escente inserção digital desse grupo. Cerca de dois terços dos brasileiros acima de 60 anos utilizam a internet.

Houve uma escalada de golpes contra idosos entre 2021 e 2024, principalmente o crescimento dos estelionatos virtuais. A população idosa, embora mais conectada, tornou-se alvo privilegiado de quadrilhas especializadas em crimes cibernéticos, com combinação de vulnerabilidade cognitiva, menor familiaridade tecnológica e elevado grau de confiança em interlocutores aparentemente institucionais.

Insuficiência de ações preventivas e educativas dos órgãos federais

O relatório evidencia que a política pública federal de prevenção de golpes digitais contra idosos é fragmentada, descontinuada e carente de diretrizes estratégicas claras. Apesar da existência de múltiplos órgãos com competência formal na matéria – em especial o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a Secretaria Nacional da Pessoa Idosa e o Ministério da Justiça e Segurança Pública –, não há planejamento articulado de comunicação, estratégia nacional de prevenção nem modelo de governança que organize ações permanentes sobre o tema.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa chegou a lançar uma cartilha, no ano passado, de Apoio à Pessoa Idosa: enfrentamento à violência patrimonial e financeira alertando para 15 tipos de golpes.

No entanto, para o TCU, há ainda ausência de campanhas nacionais específicas para o público idoso, bem como predominância de materiais genéricos, muitas vezes com linguagem técnica ou excessivamente digital, veiculados em canais que não alcançam a maioria das pessoas idosas (redes sociais e aplicativos), sem avaliação sistemática de efetividade.

“Imperativo ético”, diz Nardes

“Essas ações não são apenas necessárias; são um imperativo ético em um país que deve garantir a segurança e a dignidade de todos os cidadãos. Os idosos merecem um espaço seguro no mundo digital, e é nossa responsabilidade coletiva garantir que medidas efetivas sejam tomadas”, frisa o ministro Augusto Nardes.

Acompanhe a Capital S/A na TV Brasília todas as terças e quintas-feiras, 18h no JL ao vivo

samantasallum

Posts recentes

  • Coluna Capital S/A

Itaú Unibanco confirma que vai comprar ativos do BRB

Bradesco também está na negociação. em consórcio e informou à CVM Por SAMANTA SALLUM  O…

22 horas atrás
  • Coluna Capital S/A

“Tenho plena convicção de que estamos no caminho certo”, diz presidente do BRB

Por SAMANTA SALLUM Elevar o nível de exigência de todas as decisões, foco em eficiência…

1 dia atrás
  • Coluna Capital S/A
  • Sem categoria

Celina Leão diz que governo federal não tem vontade de ajudar BRB

Governadora do DF apontou que banco Digimais foi socorrido com R$ 9 bilhões. Mas o de…

1 dia atrás
  • Coluna Capital S/A

Jornada 5×2: CNI aponta impacto de R$ 267 bilhões por ano com empregados formais

Cerca de 800 entidades do setor industrial fazem manifesto, alertando congressistas sobre o custo à…

2 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

Celina troca presidente da CEB e mercado reage

Por SAMANTA SALLUM  Em meio ao pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, chegou…

3 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

A nota fiscal do DF vai mudar, e prazo para adesão termina em abril

Mais de 100 mil empresas serão atingidas. Secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira,…

3 dias atrás