Inadimplência no país é a maior dos últimos 15 anos

Compartilhe

Cerca de 80% das famílias no país estão endividadas. Aumento das dívidas em atraso sinaliza que o atual nível de endividamento começa a ultrapassar o limite da capacidade de pagamento dos brasileiros

Por Samanta Sallum

O índice de famílias brasileiras com dívidas em atraso atingiu o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), iniciada em 2010, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual chega a 30,4%. O número das que não têm condições de quitar as dívidas atrasadas também subiu, atingindo 12,8% — o maior nível desde dezembro de 2024.

No mesmo sentido, o endividamento seguiu sua trajetória ascendente pelo sétimo mês consecutivo, em agosto, alcançando 78,8% dos lares — o maior patamar desde novembro de 2022.

O resultado de agosto se dá especialmente em um cenário de crédito mais caro e prazos mais curtos. O avanço da inadimplência sinaliza que o atual nível de endividamento começa a ultrapassar o limite da capacidade de pagamento das famílias. “É um sinal de alerta importante para a economia doméstica”, destaca o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Educação Financeira

A tendência é, segundo as projeções da CNC, de aumento de 3,1 p.p. no endividamento e 1,6 p.p. na inadimplência ao final do ano. “O avanço contínuo da inadimplência reforça a importância de iniciativas de educação financeira e do uso consciente do crédito”, afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

A inadimplência avançou, sobretudo, entre as famílias com renda acima de três salários mínimos, com destaque para o grupo que recebe mais de 10 salários.

Um dos poucos indicadores positivos do mês foi a queda no comprometimento médio da renda com dívidas, que passou de 29,6%, em agosto do ano passado, para 29,3% — o menor patamar desde maio de 2019.

A Peic também mostra que o endividamento tem ocorrido em prazos cada vez mais curtos. O percentual de famílias com dívidas superiores a um ano caiu pelo oitavo mês seguido, para 31,0%. Ao mesmo tempo, cresceu o número de compromissos entre três e seis meses, o que eleva a pressão sobre o orçamento no curto prazo.

Acompanhe a Capital S/A na TV Brasília todas as terças e quintas-feiras, 18h10 no JL ao vivo.

samantasallum

Publicado por
samantasallum
Tags: #CNC #economia #economiadoméstica #endividamento #FabioBentes #inadimplência #JoséRobertoTadros #Senac Sesc

Posts recentes

  • Coluna Capital S/A

Dia das Mães sofre efeitos da guerra, do crédito caro e do endividamento das famílias

Projeção de faturamento do comércio é de R$ 14,47  bilhões. Mas setor avalia que diversos…

1 hora atrás
  • Coluna Capital S/A

“Continuaremos apoiando o BRB, mantendo o pagamento dos salários do Sesc e Senac no banco”, afirma Fecomércio

Por SAMANTA SALLUM  As folhas salariais do sistema S, vinculado à Federação do Comércio de…

11 horas atrás
  • Coluna Capital S/A

“Quem tem de resolver o problema do BRB é o GDF”, sentencia ministro da Fazenda

O chefe da área econômica do governo Lula afirmou que a conta dos prejuízos do…

1 dia atrás
  • Coluna Capital S/A

Distritais aprovam regime emergencial para garantir abastecimento de diesel

Lei autoriza a subvenção econômica de R$ 1,20 por litro de óleo diesel, contribuição a ser partilhada…

1 dia atrás
  • Coluna Capital S/A

Liquidação do BRB daria prejuízo de R$ 215 bilhões ao DF, diz presidente do banco

Executivo disse que “confia na sensibilidade do governo Lula” para dar o aval ao pedido…

5 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

CEB aprova contas de 2025 com lucro líquido de R$ 235 milhões

Por SAMANTA SALLUM  Em contraponto ao BRB, os acionistas da Companhia Energética de Brasília (CEB),…

5 dias atrás