Bacalhau e azeite também ficaram bem mais caros, segundo pesquisa do comércio. O que vai resultar em retração de vendas no período comparado com o de 2024
Por Samanta Sallum
A disparada dos preços de produtos típicos da celebração da Páscoa, especialmente o chocolate, provocou a redução da projeção de vendas para o período. O item deverá registrar aumento médio de 18,9%, o maior reajuste em 13 anos. A alta é atribuída à valorização do cacau no mercado internacional e à desvalorização do real ante o dólar, que passou de R$ 5 para R$ 5,80 em um ano.
As vendas para a data deverão somar R$ 3,36 bilhões, número que representa uma retração de 1,4% no volume de vendas, em comparação ao ano anterior, já descontada a inflação. Os dados são da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC),
No total, a cesta de bens e serviços ligados à Páscoa, composta por oito itens, deve ter um aumento médio de 7,4% nos preços, em relação a 2024. Além dos chocolates, destacam-se, também, os reajustes do bacalhau (+9,6%) e do azeite de oliva (+9,0%), dois produtos tradicionais nas ceias comemorativas.
Outro indicativo de desaquecimento é a queda das importações. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, em março, a entrada de chocolates importados recuou 17,6%, enquanto o bacalhau teve retração de 11,7% em volume.
Série interrompida
Desde 2021, o varejo vinha registrando uma trajetória consistente de recuperação das vendas de Páscoa, impulsionada pela retomada do consumo após os impactos da pandemia.
A data, que em 2020 marcou patamar de faturamento equiparável a 2007, passou a apresentar avanços reais nos anos seguintes, refletindo a reabertura da economia e a melhora gradual do mercado de trabalho. Essa série histórica de crescimento deve ser interrompida agora em 2025.
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