Por Samanta Sallum
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou o Conselho de Política Monetária (Copom) pelo aumento de um ponto percentual na Selic, levando-a para 13,25%. “A decisão não considera, no entanto, os efeitos impactantes dos juros e na taxa de câmbio na própria inflação. O comprometimento com o equilíbrio fiscal e com a racionalidade dos gastos públicos precisam ser exercidos e cobrados por todos”, destacou o presidente da entidade, Ricardo Alban.
A entidade aponta como o ciclo da alta de juros vem afetando as atividades econômicas do país. Em novembro de 2024, a produção industrial caiu 0,6% em relação ao mês anterior, sendo o segundo mês consecutivo de queda. Ainda, ocorreu redução no volume vendido no varejo de 1,8% no mesmo mês, revertendo o crescimento que havia sido registrado em outubro. Já nos serviços, houve recuo de 0,9%, praticamente anulando a alta que tinha sido obtida no mês anterior.
“Diante disso, fica evidente que o aumento dos juros representa mais custos financeiros para as empresas”, reforça Alban.
Para a CNI, a alta da Selic decidida ontem, por unanimidade dos membros do Copom, é “injustificada”. Segunda a entidade, a decisão não leva em conta os efeitos da aprovação do pacote fiscal, que ainda deve ser ampliado este ano, segundo declarações do governo federal, e a forte desaceleração do impulso fiscal, observada desde o segundo semestre de 2024 e que seguirá em 2025.
Pelas projeções da CNI, as despesas federais devem apresentar um crescimento real de 2,3% este ano, em comparação com um crescimento próximo a 4% em 2024.
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