CNC ajuíza ação no STF contra revogação do Perse

Compartilhe

Adin quer reverter revogação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos feita por MP do governo federal. Pedido de liminar pretende suspender pagamento imediato por parte das empresas de PIS, Cofins e outros tributos

Por Samanta Sallum

Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o artigo da Medida Provisória nº 1.202/2023 que revogou os benefícios fiscais previstos pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). Cautelarmente, a Confederação pede ao STF a suspensão dos mesmos dispositivos legais que preveem o pagamento imediato da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS/Pasep e Cofins e, a partir de janeiro de 2025, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ).

“Instrumento fundamental para a retomada do turismo no Brasil pós-pandemia, o Perse foi criado como uma das principais medidas de enfrentamento da crise sanitária pelo setor, isentando as empresas do pagamento de alguns tributos até março de 2027. Com a extinção progressiva do Perse, doze setores antes beneficiados – dentre eles bares, hotéis e restaurantes – voltaram a pagar, a partir de 1º de abril, CSLL, PIS e Cofins e, a partir de janeiro de 2025, pagarão o IPRJ”, explica a Confederação.

A entidade defende que, ao revogar o programa governamental sem respeitar o prazo concedido pelo Congresso Nacional, a nova legislação (MP 1.202/23) viola o princípio da segurança jurídica, uma vez que frustra as expectativas legítimas das empresas até então favorecidas pelo Perse, obrigando-as a suportar uma carga tributária não esperada e, consequentemente, não planejada.

Pedido de liminar pretende suspender artigo que prevê pagamento imediato de CSLL, PIS e Cofins, bem como IRPJ em 2025

Outro ponto sustentado na ADI afirma que, ao extinguir o benefício fiscal por meio de Medida Provisória, o governo descumpre as regras do processo legislativo previsto na Constituição Federal, pois revoga matéria que foi recentemente ratificada pelo Congresso Nacional. Além disso, a CNC entende estar configurada a inconstitucionalidade pela ausência de relevância e urgência exigidas para a edição de MPs.

Conforme afirma o presidente da CNC, José Tadros, dos 10 estados brasileiros intensivos em turismo, seis estão na Região Nordeste. “Esse setor é um importante empregador de grupos socialmente mais vulneráveis e não pode ser prejudicado pelo fim do Perse”, justifica.

Um estudo da CNC aponta que 1% no valor agregado do setor de turismo representa R$ 3,9 bilhões e, segundo a estimativa da Receita Federal, o Perse custou ao governo um valor entre R$ 17 bilhões e R$ 32 bilhões entre 2021 e 2023.

“A conta final é que o fim do Perse pode retirar da economia brasileira até R$ 244 bilhões por ano, atingindo um setor que emprega uma parcela mais vulnerável da população e que pode ficar na informalidade, – ou pior, desempregada”, conclui Tadros.

samantasallum

Posts recentes

  • Coluna Capital S/A

Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF tem de ser sancionado até 6 de fevereiro

Por SAMANTA SALLUM  Em meio à turbulência politica causada pela crise do BRB, a Câmara…

2 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

“GDF tem muito patrimônio e pode ajudar BRB”, confirma secretário de Economia

Gestor comparou possível ajuda ao BRB  a que foi realizada pelo governo federal aos Correios.…

4 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

Sindiatacadista define chapa única para eleição

Nova gestão será eleita em fevereiro. “O ano de 2026 será, para o atacado, um período…

4 dias atrás
  • Coluna Capital S/A

BRB destitui diretora de Controle e Riscos;e envia nome de substituta ao BC

Ana Paula Teixeira (foto), ex-vice do Banco do Brasil, assumirá o cargo  Por SAMANTA SALLUM …

1 semana atrás
  • Coluna Capital S/A

Efeito Mounjaro nas farmácias: engorda vendas; e prejuízos com assaltos

Empresas registraram milhões em perdas, no último ano, com a ação de quadrilhas que revendem…

1 semana atrás
  • Coluna Capital S/A

BRB quer vender ativos recuperados junto ao Banco Master

Após polêmica sobre sinalização de aportes do governo do DF em socorro ao banco, BRB…

2 semanas atrás