Por Samanta Sallum
O Luis Barroso que iniciou a quarta-feira passada foi bem diferente do que encerrou o membro dia. O ministro, que tinha sido bastante habilidoso e cauteloso com as palavras, ao ser painelista de congresso de empresários, passou para o outro extremo: foi descuidado horas depois na fala ao participar desta vez do congresso da UNE. Empresários que participaram do primeiro evento ficaram supresos com o Barroso que se manifestou depois à noite.
“Juiz não tem preferência política”
O ministro do STF tinha conseguido com desenvoltura e serenidade quebrar a resistência de uma plateia empresarial de mais 1 mil pessoas no CICB, em Brasília. Um público mais conservador, em que a maioria votou em Bolsonaro. Não houve sobressaltos na sua apresentação. Lá, fez questão de frisar, o que está gravado também em vídeo: “Juízes não podem ter amigos e nem inimigos. Juiz não tem preferência política”.
Integridade antes de ideologia
No entanto, Barroso, com jeitinho, salientou que há duas coisas que vêm antes da liberdade de escolha ideólogica. “A integridade e a civilidade, que é a capacidade de conviver com quem pensa diferente a tratando com respeito”.
Começou bem, terminou mal
De manhã, Barroso para um público mais de direita defendeu a livre iniciativa na economia e saiu aplaudido. À noite, recebeu vaias da UNE por ser considerado “golpista” no caso do impeachment de Dilma Rousseff. Tentou reverter o constrangimento ao bradar “derrotamos o bolsonarismo!”. O ônus foi bem maior que as vaias de antes. Barroso acabou caindo na berlinda dos dois lados. E a quinta-feira passada foi de crise com a repercussão negativa.
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