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Coluna Capital S/A de 20 de julho
Por SAMANTA SALLUM
O programa Nova Indústria Brasil (NIB já conta com cerca de R$ 750 bilhões em linhas de crédito para a modernização do setor. Atende seis missões, ou seja, seis prioridades definidas pelo governo federal. Mas agora, diante do tarifaço dos EUA, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) está pedindo a criação da sétima missão do NIB.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, conversou com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, para que, em conjunto, formem um grupo para a criação de uma sétima missão para o programa Nova Indústria Brasil.
A iniciativa de se criar mais um pilar no NIB não substitui a continuidade e o empenho nas negociações diplomáticas. Mas a preocupação é apresentar logo uma alternativa para reduzir os danos do novo tarifaço norte-americano, que vai atingir 26,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos com taxa adicional de 25%. Isso afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras.
“Precisamos dar uma resposta construtiva aos setores industriais prejudicados e aproveitar que o governo está empenhado em construir soluções para as empresas impactadas. Neste momento, o mais importante é que nem o ano eleitoral nem questões políticas interfiram em um debate que exige responsabilidade, equilíbrio e visão de longo prazo”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Incentivos fiscais
Lançada em janeiro de 2024 pelo governo federal, a Nova Indústria Brasil definiu seis prioridades nacionais, que são as missões estratégicas que orientam investimentos públicos e privados e definem setores prioritários. Também estruturam os principais instrumentos de apoio.
Na prática, empresas que estruturam projetos alinhados às diretrizes do programa tendem a acessar com mais facilidade linhas de crédito, subvenções, chamadas públicas e incentivos fiscais, ampliando a competitividade e a capacidade de investimento. A atual política de desenvolvimento industrial tem vigência até 2033, com foco na neoindustrialização.
Missões estratégicas
A primeira das seis prioridades nacionais foca em cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para assegurar a segurança alimentar, nutricional e energética. A segunda é direcionada a um complexo econômico-industrial resiliente para reduzir vulnerabilidades do SUS. A terceira prioriza infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para o bem-estar urbano. A missão quatro é transformação digital da indústria para ampliar a produtividade. Na sequência, vêm bioeconomia, descarbonização e transição energética para resguardar os recursos às gerações futuras. E a missão seis é voltada ao domínio de tecnologias para garantir a soberania e a defesa do país.
Mais uma empresa no seleto grupo do Confia, da Receita Federal
Lançado no fim de 2025 pelo governo federal, o programa Confia já tem 37 grandes empresas admitidas, entre elas Petrobras, Volkswagen, Nestlé, Shell e Gerdau. A mais recente integrante da lista é a EDP de São Paulo e do Espírito Santo. O programa é voltado a grandes contribuintes com práticas de governança e transparência tributária.
Com a admissão, as empresas passam a utilizar o Selo Confia e a integrar um novo modelo de relacionamento com o Fisco. As duas distribuidoras da EDP tiveram suas concessões renovadas recentemente por mais 30 anos. Até 2030, a companhia portuguesa, que também atua em Goiás, planeja investir R$ 10 bilhões.
Redução de litígios
O programa Confia da Receita Federal tem como objetivo central substituir o modelo tradicional de fiscalização punitiva por uma relação baseada na transparência e no diálogo preventivo, reduzindo litígios e garantindo maior segurança jurídica para as empresas.
Histórico de alerta: El Niño de 2023, quando 3 milhões de hectares precisaram ser replantados no Brasil
O El Niño é um fenômeno climático que no Brasil provoca tipicamente inundações no Sul e seca grave no Centro-Oeste. Os impactos serão diversos, incluindo redução na produção agropecuária, aumento de custo de energia elétrica, dificuldades de escoamento logístico de produtos e ruptura no fornecimento nos casos mais graves (trigo, por exemplo).
O atraso no calendário de plantio da safra de grãos 2026/27 devido ao El Niño desencadeia um efeito dominó que vai prejudicar a produtividade, elevar custos operacionais e ameaçar a rentabilidade do produtor. Analistas relembram o El Niño de 2023, quando cerca de 3 milhões de hectares precisaram ser replantados no Brasil devido ao estresse hídrico inicial.
Quatro gargalos
Conforme análises de consultorias como a Safras & Mercado e a FGV Agro, os impactos operacionais e biológicos na agricultura dividem-se em quatro grandes gargalos:
Encurtamento da janela do milho safrinha; Risco elevado de replantio da soja; Pressão precoce de pragas e doenças; Compressão das margens financeiras.
Crédito restrito
Com juros elevados do Plano Safra 2026/27 e endividamento de ciclos passados, o agricultor tem menos margem financeira para absorver os erros provocados pelo clima. O cenário aponta para a pressão sobre preços de alimentos nos próximos meses.
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