Celina Leão faz desabafo sobre mágoa e traição em encontro do Lide Mulher

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A vice do GDF afirmou que quer ser “governadora eleita” e também falou de Janja e Michelle Bolsonaro

Por Samanta Sallum

Em reunião do Lide Mulher, em Brasília, a vice-governadora Celina Leão, perguntada sobre o desafio de ter assumido o comando do GDF durante o afastamento de Ibaneis Rocha e como lidou com os comentários sobre sua atuação de protagonismo, respondeu, em tom de desabafo:

“O que mais me magoou foram insinuações de que eu iria derrubar o governador. Eu teria aliança política, mas nunca fiz algo nesse sentido. Sempre fui leal. Não há, no meu histórico, traição. Eu defendi sempre nosso governador.”

Celina contou que imprimiu o mesmo perfil de trabalho como governadora em exercício por cerca de 60 dias e atribuiu ilações sobre sua lealdade a Ibaneis como machismo também.

“Não entendo por que algumas pessoas se surpreenderam com minha atuação tão presente na gestão. Eu não podia ser incompetente, ainda mais sendo mulher”, reforçou.

Segundo ela, diriam exatamente que não teria “dado conta” por ser mulher. “Nesses 60 dias, como governadora em exercício, eu fui a Celina de sempre, trabalhando muito. Não podia deixar que a população e as instituições achassem que o DF estava abandonado”, completou.

Em bate-papo intimista com as presentes ao encontro, na tarde de ontem, no salão Athos Bulcão, do Brasília Palace, Celina contou que assumir o comando do GDF nesse período “não foi a realização de um sonho”, como muitos pensaram.

“Fui firme, cumpri minha missão, mas não era meu sonho ser governadora desse jeito, em meio a um momento tão difícil para o Distrito Federal. Eu quero ser governadora, mas eleita!”, esclareceu.

A vice ainda elogiou o ministro da Justiça, Flávio Dino, dizendo que recebeu apoio dele para enfrentar a situação. “Ele foi muito correto conosco”, destacou.


Ela ainda lamentou o preconceito e o machismo entre as próprias mulheres. Defendeu que deve haver solidariedade entre as representantes femininas na política e em cargos de poder. “Isso deve estar acima da divisão entre direita e esquerda. Eu sou amiga da Michelle Bolsonaro. E, nem por isso, vou criticar agora a Janja. Ela está sendo alvo também de críticas. E tem machismo nisso. Acho que Janja está ocupando muito bem o espaço, que é dela”, comentou referindo-se à primeira-dama do país.

A vice-governadora do DF, Celina Leão, foi a convidada especial da reunião do Lide Mulher. A anfitriã foi a empresária Janine Britto, presidente da entidade na capital federal. A secretária da Mulher, Gisele Ferreira, e a deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania) também participaram do debate sobre os desafios delas na política e no meio empresarial, que reuniu empreendedoras e lideranças femininas da cidade.

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