Quebra de sigilo telefônico de integrantes da corporação vai revelar bastidores de acirramento entre altas patentes
Por Samanta Sallum
Uma lista de nomes foi definida pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Legislativa do DF para acesso ao conteúdo das mensagens trocadas principalmente por oficiais da PMDF. A CPI foi criada para investigar as responsabilidades pelos atos antidemocráticos na Esplanada dos Ministérios em 8 de janeiro.
A comissão ouvirá o primeiro depoimento presencial na próxima quinta-feira, às 10h. Começará com o ex-secretário executivo de Segurança do DF delegado federal Fernando Oliveira. Ele ficou famoso pelos repetidos áudios que enviou ao governador afastado Ibaneis Rocha, na fatídica tarde de 8 de janeiro, afirmando que “tudo estava tranquilo”.
O relator da comissão na CLDF, deputado João Hermeto (MDB), apontou, em entrevista ao vivo ao programa CB Poder de hoje, a suspeita de que houve sabotagem na operação policial também por anseio de poder dentro da corporação. Afirmou ainda que achou “injusta” a prisão do ex-comandante coronel Fábio Augusto.
“Vamos apurar a fundo exatamente o que se passava dentro da PM naquele período. Sabemos que havia uma divisão interna, e queremos investigar as consequências disso naquela operação policial de 8 de janeiro”, ressaltou.
Hermeto não quis apontar nomes. Disse que ainda é cedo. Mas as declarações reforçam as suspeitas de conduta do coronel Jorge Eduardo Naime, que foi preso recentemente pela Operação Lesa Pátria, da PF. Ele seria rival do comandante Fábio.
“Governador foi pego com calças curtas”
O deputado defende o retorno imediato de Ibaneis Rocha ao GDF. “Ele não teve dolo, de forma alguma compactuaria com aqueles crimes. Eu digo que ele foi pego de calças curtas. Não imaginou que aquilo aconteceria. Confiou no seu secretário de Segurança, que era o Anderson Torres”, disse Hermeto.
A CPI, no entanto, não terá poder para convocar o governador afastado Ibaneis Rocha por um impedimento do STJ.
O distrital joga o foco da investigação mais sobre Anderson, o ex-secretário de Segurança do DF. “Por que ele viajou e deixou no seu lugar uma pessoa que não conhecia a cidade, que estava recém-chegada à Secretaria de Segurança? Isso que queremos que expliquem”, reforça o distrital, referindo-se ao delegado Fernando.
O relator da CPI repercutiu a fala do ministro da Justiça, Flávio Dino, em entrevista ao Correio no domingo. O ministro revelou que depoimentos de policiais militares do DF apontam para participação de integrantes do Exército nos atos antidemocráticos.
”Vamos olhar para isso também. Sabemos que a PM tentou mais de uma vez retirar o acampamento do QG e foi impedida pelo Exército”, completou.
Hermeto foi policial militar por 30 anos. “Eu sei o que é uma operação, como ela se faz. Então, tenho experiência para saber identificar falhas”, sustenta. No entanto, a vida política do distrital foi construída como administrador regional da Candangolândia. “Entrei em 2007 para ficar como interino 15 dias e permaneci por 8 anos”, conta.
Além da missão espinhosa de ser o relator da CPI, ele terá muito trabalho neste ano porque assumiu a presidência da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF).
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