Crédito: José Cruz, Agência Brasil
Por Samanta Sallum
Com as investigações apontando para um leque maior de responsáveis pelos atos criminosos em 8 de janeiro, inclusive para um setor do Exército, a situação de Ibaneis Rocha vai ficando menos complicada. Começa a arrefecer o clima de indignação da esfera federal em relação a ele. E já se desenha um ambiente mais favorável ao seu retorno ao cargo.
Pedido de revogação
As críticas de juristas à decisão do juiz ministro Alexandre de Moraes, de que o afastamento foi um excesso, aumentam. Advogados apontam que teria sido fácil fundamentar um pedido judicial de revogação do afastamento ao STF. Ibaneis sabe, como bom advogado, que seria possível. Mas pouco adiantaria, por melhores que fossem os argumentos, diante de um clima tão desfavorável a ele na alta Corte até dias atrás.
Mostrar-se diferente de Bolsonaro
Ibaneis avaliou que sua melhor defesa seria acatar, sem retórica de descontentamento, a decisão de Moraes. E, com isso, frisar um comportamento bem diferente do de Jair Bolsonaro, que sempre esperneava em relação ao STF.
Atravessado
Moraes vinha irritado com Ibaneis desde o 7 de setembro de 2021, quando a PM do DF também foi acusada de ser leniente com os manifestantes extremistas ligados a Bolsonaro. Chegou a mandar recados para Ibaneis. Então, o afastamento no dia 8 também é consequência de um mal-estar dos últimos dois anos.
Momento mais pacífico
A postura colaborativa do GDF com o interventor federal na Segurança Pública do DF, Ricardo Capelli, e com o Ministério da Justiça, de pessoas próximas a Ibaneis que permanecem no governo local ajuda também a abrir o caminho para o retorno. O final da intervenção pode ser antecipado e o ambiente para revogação do afastamento ficar mais favorável.
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