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Custo político
Muito tem se falado e especulado sobre os entraves seculares ao desenvolvimento do país, reunidos num conjunto que passou a ser conhecido como Custo Brasil. Educação, saúde, segurança nas estradas, portos, aeroportos, ferrovias, burocracia, logística, energia e uma infinidade de setores mal resolvidos têm adiado, sine die, o verdadeiro dia da independência dos brasileiros. As raízes dessas mazelas, perdidas nas brumas do tempo, têm ramificação comum, bem identificável e sempre presente ao longo de nossa história. Mesmo reconhecendo a inutilidade na busca de culpados por nosso compromisso com o futuro, não deixa de ser sintomático que, na origem de nossos males, figuram em primeiro plano e isoladamente, as lideranças políticas. Não todas elas, mas a grande e significativa maioria. Desse modo, não é exagero afirmar que à baixa qualidade de nossos representantes políticos devemos todo o subdesenvolvimento.
A razão dessa tragédia nacional situa-se muito além das características pessoais de cada um deles, totalmente alheios ao que se entende por espírito público. Ao reuni-los em núcleos maiores, denominados partidos políticos, que nada mais são do que espécie de clube fechado, multiplicam-se as forças, ao mesmo tempo em que se tornam impermeáveis às influências das ruas e de qualquer fiscalização externa.
Excetuando os períodos monocráticos experimentados pela sociedade, não seria demais conjeturar que as urnas eleitorais, muito mais do que portais de entrada para o mundo da democracia, têm representado verdadeira caixa de Pandora, que, uma vez aberta, libertam o que há de pior para os brasileiros.
Ao Custo Brasil se agrega como fundamental o Custo Político. Essa sensação ficou ainda mais evidenciada para a população em geral com a eleição e posses da nova legislatura e com a eleição e posse dos membros do Executivo. Em ambos os casos, houve o tradicional festejo dos eleitos, com familiares e apoiadores. Muita comida, muita bebida, tapinhas nas costas aos novos membros do clube que chegam. Tudo muito animado e distante, anos-luz, da população, convidada apenas para bancar os festejos, cada vez mais caros, na forma de impostos crescentes.
A frase que não foi pronunciada
“Eu conheço a minha aldeia
e os caboclos que moram lá.”
Sonho de muitos caciques
Sangue
» Antes de cada Olimpíada, a Tocha Olímpica percorrerá 256 cidades. A notícia foi divulgada como sendo uma pira brasileira, mas a tocha que aparece nas imagens é totalmente vermelha. Sem verde
nem amarelo.
Caixinha
» Qualquer que tenha sido a intenção do funcionário público que retirou a roupa em protesto, o acontecimento deveria servir para os órgãos do governo federal,
municipal e distrital.
Desiguais
» Levantamento mostra que há quase 40 deputados federais respondendo a processos criminais. Isso nada quer dizer, até que seja dada a sentença. O problema é que aquele funcionário que varre o Congresso precisou entregar mais de 10 documentos para ser contratado por empresa terceirizada e poder exercer a função no parlamento.
Mas hein?
» Foi benfeito o trabalho de marketing pelos rincões do Brasil. Milhares de brasileiros repetem o discurso sobre as elites brasileiras. “Eles não querem que o pobre viaje com os ricos. Eles não querem os aeroportos transformados em rodoviárias… Só gostam de loiros com os olhos claros.” Enquanto isso,
o autor do discurso viaja de jatinho particular emprestado e tem a esposa galega. Vai entender.
Catálogo
» Gê Orthoff é um dos expositores no Museu Nacional de Brasília, que exibe acervo multimídia. As obras doadas e adquiridas em prêmios dão o nome à mostra: Aquisições e Doações. Até 5 de abril, a população da cidade poderá conferir a beleza da coleção.
Nota legal
» Ao todo, são 916.986 contribuintes cadastrados no Programa Nota Legal. Infelizmente, manobras diminuíram as vantagens que os contribuintes ganhavam no projeto do então deputado Reguffe. A procura pelo cadastro vem diminuindo a cada ano. Com isso ganham os sonegadores.