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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Há, nas engrenagens mais discretas do poder, um movimento recorrente que raramente se anuncia de forma explícita, mas que se revela naquilo que deixa de ser dito, no que se oculta sob a justificativa da cautela administrativa, naquilo que se posterga sob o argumento da proteção institucional. Em regimes que se pretendem democráticos, onde a transparência não deveria ser apenas um adorno retórico, mas o próprio alicerce da legitimidade, o avanço do sigilo prolongado sobre informações de interesse público não pode ser tratado como expediente ordinário, mas como sintoma.
Os dados disponíveis, ainda que fragmentados, indicam um cenário que merece exame atento. Em um único ano, milhares de pedidos de acesso à informação foram submetidos a restrições prolongadas, muitos deles sob a justificativa genérica de proteção de dados pessoais. Em paralelo, estima-se que o volume de documentos sob algum tipo de restrição ultrapasse a casa dos milhões, abrangendo desde registros administrativos até informações relacionadas à execução orçamentária. Ainda que o ordenamento jurídico preveja salvaguardas legítimas para situações específicas, a ampliação desse mecanismo como prática recorrente desloca o eixo da exceção para a regra.
A Lei de Acesso à Informação foi concebida como instrumento de fortalecimento institucional e de ampliação do controle social, e baseia-se no princípio de que o sigilo deve ser sempre residual. Quando, no entanto, observa-se a manutenção de índices de negativa semelhantes entre diferentes administrações, independentemente de discursos de campanha que prometiam inflexão, o que se impõe não é apenas a crítica circunstancial, mas a constatação de uma cultura administrativa que resiste à abertura.
No campo orçamentário, a opacidade ganha contornos ainda mais sensíveis. Estimativas apontam que, em anos recentes, dezenas de bilhões de reais foram alocados por meio de instrumentos cuja rastreabilidade permanece limitada, dificultando a identificação precisa de autoria e critérios de distribuição. Em determinados casos, municípios com população inferior a cinco mil habitantes figuram entre os destinatários de repasses milionários, o que, por si só, não configura irregularidade, mas exige, no mínimo, transparência proporcional à magnitude dos recursos envolvidos.
Em 2024, por exemplo, o volume total de emendas parlamentares ultrapassou R$ 20 bilhões, número que evidencia a centralidade desse mecanismo na dinâmica fiscal contemporânea. A questão, portanto, não reside exclusivamente nos valores, mas na arquitetura que os sustenta. A ausência de critérios amplamente publicizados e a dificuldade de acesso a informações detalhadas fragilizam o controle social e ampliam a margem para distorções. Em democracias consolidadas, mecanismos de transparência ativa, publicação em tempo real, detalhamento de beneficiários e justificativas técnicas são considerados parâmetros mínimos. Quando tais práticas não se consolidam de forma sistemática, abre-se espaço para uma zona cinzenta em que a legalidade formal convive com a opacidade prática.
Há ainda um elemento temporal que agrava esse quadro. A imposição de sigilos extensos, que podem alcançar décadas, desloca a possibilidade de escrutínio para um futuro em que, não raramente, os responsáveis já não estarão mais sujeitos a qualquer tipo de responsabilização. Nesse intervalo, a informação perde sua potência fiscalizadora e se converte em registro histórico, incapaz de produzir efeitos concretos no presente. A máxima, segundo a qual a justiça tardia se aproxima da negação da própria justiça, deixa de ser apenas um aforismo e passa a descrever uma dinâmica institucional observável.
Não se trata, contudo, de um fenômeno isolado ou restrito a uma única gestão. A recorrência desse padrão ao longo do tempo sugere a existência de uma lógica mais profunda, na qual a transparência é frequentemente invocada como princípio, mas administrada como contingência. O discurso público reafirma sua centralidade, enquanto a prática cotidiana a submete a filtros, exceções e condicionantes que, pouco a pouco, redefinem seus limites.
Nesse contexto, o cidadão, formalmente titular daquilo que se convencionou chamar de coisa pública, vê-se diante de um paradoxo. Financia, por meio de tributos, a máquina estatal, mas encontra obstáculos crescentes para compreender sua operação em detalhes.
A persistência desse modelo não apenas compromete a eficiência do controle social, mas também alimenta um ambiente de desconfiança difusa. Onde a informação não circula com clareza, proliferam hipóteses, suspeitas e narrativas concorrentes, nem sempre ancoradas em evidências verificáveis. O resultado é um desgaste silencioso da própria ideia de legitimidade, que deixa de se apoiar exclusivamente nos processos formais e passa a depender, cada vez mais, da percepção pública de integridade.
Ao final, a questão que se impõe não é apenas jurídica ou administrativa, mas essencialmente política, no sentido mais amplo do termo. Trata-se de definir se a transparência será tratada como princípio estruturante ou como recurso circunstancial, acionado conforme a conveniência do momento. Em uma democracia que se pretende madura, essa escolha não deveria ser objeto de hesitação. Afinal, quando o silêncio se torna política, o que se compromete não é apenas o acesso à informação, mas a própria qualidade do regime que dela depende.
A frase que foi pronunciada:
“A ausência de corrupção é assegurada pela transparência.”
Liz Truss

História de Brasília
Para uma situação como esta, é necessário que uma represália forte dê um ensinamento aos desonestos, reprimindo os abusos para sempre, de uma vez. (Publicada em 17/5/1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)
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Tomando como base o fato de que uma democracia verdadeira só pode ser aquela em que a transparência é o principal pilar desse regime, vemos que há mais de um ano o governo vem impedindo que mais de 16 milhões de documentos cheguem ao conhecimento do público. Entre esses documentos sigilosos, estão aqueles referentes a obras públicas, aos gastos com ONGs e aos repasses do orçamento para as bases eleitorais dentro do que ficou conhecido por emendas secretas.
A transparência é o pilar de uma democracia saudável. No entanto, hoje há críticas por práticas que comprometem esse princípio. Em 2023, o Governo Lula impôs sigilo de 100 anos a 1.339 pedidos de acesso à informação, número superior ao registrado no último ano do Governo Bolsonaro. Esses sigilos foram justificados com base na proteção de “dados pessoais”, abrangendo informações como a agenda da primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e comunicações diplomáticas sobre o ex-jogador Robinho. Apesar de prometer maior transparência durante a campanha eleitoral, a gestão atual manteve o nível de recusa nos pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) semelhante ao da administração anterior.
O chamado orçamento secreto, prática iniciada em 2020, continuou a ser uma fonte de preocupação. Em 2021, estima-se que cerca de R$ 16 bilhões foram destinados a projetos definidos por parlamentares sem a devida identificação. Essa falta de transparência na destinação de verbas públicas dificulta o controle social e pode favorecer práticas clientelistas. Em 2024, o governo Lula pagou R$ 23 bilhões em emendas parlamentares, com algumas cidades de pequeno porte recebendo valores desproporcionais à sua população. Por exemplo, a cidade de Mar Vermelho, em Alagoas, com apenas 3 mil habitantes, recebeu R$ 6,4 milhões em emendas.
A falta de transparência e o uso excessivo de sigilos comprometem a capacidade da sociedade de fiscalizar o poder público, essencial para o funcionamento de uma democracia. A imposição de sigilos de 100 anos a informações de interesse público impede o escrutínio necessário para coibir abusos e promover a accountability. Além disso, a continuidade de práticas como o orçamento secreto e a destinação de emendas parlamentares sem critérios claros reforçam a opacidade na gestão dos recursos públicos, dificultando a identificação de possíveis irregularidades e o combate à corrupção.
As ações do governo Lula em relação à transparência têm gerado preocupações legítimas sobre o comprometimento com os princípios democráticos e a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle e acesso à informação no Brasil. O problema ao esconder esses documentos da população é que aumentam as dúvidas e as apreensões sobre a possível utilização do dinheiro público em atividades cuja finalidade não é de conhecimento da sociedade, que é, afinal, quem banca essa gastança.
Primordialmente, o que se deseja saber é para onde estão indo os recursos da nação. O próprio sentido de República, como “coisa pública”, é afrontado com medidas impondo silêncio sobre o que é feito no presente. Passado alguns anos, esses sigilos podem ser quebrados, já que, à essa altura, não haverá ninguém para ser responsabilizado. Pois como repetia o filósofo de Mondubim: “Justiça tardia, não é justiça”.
A imposição de sigilos prolongados impede que a sociedade tenha acesso a informações essenciais para o controle das ações governamentais. Como destacado, “Justiça tardia não é justiça”, e a postergação do acesso a dados públicos pode resultar na impunidade de eventuais irregularidades. Além disso, a manutenção de práticas odiosas, como é o caso do orçamento secreto e a destinação de emendas parlamentares sem critérios claros, reforça ainda mais a opacidade na gestão dos recursos públicos, dificultando a identificação de possíveis irregularidades e o combate à corrupção.
A imposição de mais sigilos, nesse que é o terceiro governo de Lula, em mais de 20 anos de petismo, acende a luz vermelha, que indica que mais uma leva de escândalos está a caminho.
A frase que foi pronunciada:
“Sem transparência, não há democracia.”
Presidente Lula

Marco Zero
Obras sempre dão alegria no dia em que começam e no dia em que terminam. Mas o que faz a população da cidade perder a paciência é o tempo demasiado de transtorno gerando filas de carros em mais de seis quadras. O horário de trabalho também é um mistério.

História de Brasília
Uma caravana de jornalistas de Brasília irá a Goiânia, nestes próximos dias, buscar a Carta Sindical da Associação Profissional e o delegado do Trabalho para que a carta seja assinada pelo ministro Franco Montoro. (Publicada em 04/05/1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO Criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Desde que foi encarcerado há um ano, não se conhece minimamente, até hoje, a origem dos vultosos recursos despendidos por Lula para bancar os caríssimos escritórios de advocacia que lutam nos tribunais para livrá-lo das inúmeras condenações de que é alvo nas diversas instâncias da justiça. Muito antes de ser preso, sua banca estrelada já estava em campo, trabalhando diuturnamente com esse objetivo.
Obviamente que esses altos valores, transformados em honorários advocatícios, são lançados no ambiente escuro e hermético do sigilo profissional, ficando bem longe da curiosidade da população e da imprensa. O que se cogita, conhecendo os preços cobrados desses escritórios exclusivíssimos, alguns com bandeirada começando na casa do milhão, é que não será surpresa se o ex-presidente, ou alguém em seu nome, já tenha desembolsado algumas dezenas de milhões de reais.
No meio jurídico, sabe-se que os honorários cobrados por advogados, principalmente aqueles que foram ministros das altas cortes e que trabalham nesses casos, variam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões, dependendo da complexidade de cada processo. O que é fato é que, fossem somados todos os bens do ex-presidente, seus rendimentos ou possíveis aplicações, o total não chegaria nem perto do que está sendo gasto com esses causídicos de ouro.
A hipótese menos fantasiosa, dado o patrimônio sabido de Lula, é que essas bancas estão trabalhando graciosamente em nome de algum ardor idealista ou pendor humanista. Todavia, em face de todo esse mistério atual, importa muito mais constatar que, pela atuação dessa banca famosa, os tribunais superiores, incluindo ai o próprio Supremo, tem, seguidas vezes, interrompido seus afazeres rotineiros, apenas para atender as demandas jurídicas dos defensores do ex-presidente.
Não passa um mês sequer que essas cortes não tenham feito alguma deliberação sobre os inúmeros rolos do ex-presidente que tramitam na justiça. O que também é fato é que, em tempo algum, essas importantes instâncias, que por suas elevadas funções, num país com tantos problemas e em meio a crises profundas, jamais se ocuparam por tanto tempo em julgamentos e decisões envolvendo um único personagem. O que um observador ocasional pode constatar, diante desses acontecimentos contínuos, é que fica muito difícil, para não dizer impossível, acreditar que todos os brasileiros são iguais perante a lei, conforme reza o Art. 5º da Carta da República.
Quando se verifica o empenho persistente em atendimento a pleito de um único cidadão, a quem se imputa não crimes políticos, mas crimes comuns como corrupção passiva e lavagem de dinheiro e, sabendo-se que muitos outros processos de igual teor estão por vir na sequência, o cidadão comum, como diria o jurista Rui Barbosa, “chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” E o que é pior: desconfiar na ação e isenção da própria justiça e dessa pretensa igualdade.
A frase não que pronunciada:
“Alegoria da equidade não tem nada a ver com escola de samba nem com o Joquey Club!”
Conversa entre risos na porta da faculdade
Competência
Professor Dr. Rodrigo More é o candidato do Brasil no Tribunal do Mar. O órgão jurisdicional é contemplado pelo Direito Internacional. Trata dos mecanismos para solução de controvérsias marítimas. Foi a Convenção de Montego Bay que estabeleceu a independência da entidade. O Brasil estará muito bem representado se conquistar a cadeira que pleiteia.
Novidade
Vejam a seguir tudo sobre o Fashion Revolution Natal, movimento global que aconteceu no auditório do Sebrae, o maior apoiador.
Leia mais em: Sebrae apoia e abraça a causa do Fashion Revolution Natal
Redome
Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea tem um banco de dados nacional. É preciso que os doadores mantenham o cadastro atualizado. Hoje o número de doadores ultrapassa 5 milhões de pessoas.

Guará
A banca da Alice, na feira do Guará, e banca Doce de Araxá são os únicos lugares da redondeza onde se encontram pastel sem glúten ao queijo da Serra da Canastra. Produtos e atendimento continuam a fazer valer a pena a visita.
Só alegria
Notícia boa. A aeroflap divulgou que o aeroporto de Brasília é o primeiro mais pontual do país.
Consumidor
Por falar em aeroporto, os passageiros da Avianca continuam na peleja. Voos cancelados e atendimento sofrível deixam os consumidores que não vão buscar a justiça, no prejuízo.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Ninguém põe em dúvida o alto gabarito dos engenheiros do DTUI. Há, entretanto, uma ressalva a fazer quanto à conservação de linhas, Hoje completa, exatamente, onze dias que o telefone 2-2902 está dando sinal de interrompido, sem que ninguém chegue a uma conclusão, apesar das reclamações diárias. (Publicado em 18.11.1961)



