Saúde pública no DF e o retrato de um amanhã sombrio

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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

Crise da saúde pública no Distrito Federal deixou de ser percepção isolada para se tornar um diagnóstico amplamente documentado por pesquisas, órgãos de controle e pela própria experiência cotidiana da população. O que se vê hoje não é um problema pontual ou conjuntural, mas um colapso progressivo de gestão, planejamento e execução de políticas públicas em um dos setores mais sensíveis do Estado.

Levantamentos recentes mostram que a saúde é, de longe, a área mais mal avaliada pela população do DF. Pesquisa do ObservaDF indica níveis persistentes de insatisfação, com críticas concentradas na má qualidade do atendimento, longas filas e escassez de médicos. Os números ajudam a dimensionar o problema. Estima-se que a fila por consultas, exames e procedimentos ultrapasse a marca de 100 mil demandas reprimidas. Em paralelo, há registros de espera que chegam a meses ou até anos para atendimentos especializados, o que, na prática, significa agravamento de doenças, perda de qualidade de vida e, em muitos casos, risco real à vida dos pacientes.

Esse quadro não surge do nada. Ele é resultado direto de uma combinação de fatores estruturais: falhas de planejamento, gestão ineficiente de recursos, déficit de profissionais e problemas logísticos. Relatórios e ações recentes do Ministério Público do Distrito Federal apontam, por exemplo, falta de equipamentos, carência de pessoal e falhas operacionais como entraves concretos ao funcionamento da rede.

A atenção primária, que deveria funcionar como base do sistema de saúde, também apresenta fragilidades. Embora unidades básicas sejam amplamente utilizadas, a dificuldade de acesso a consultas e a baixa cobertura de acompanhamento preventivo revelam um modelo que não consegue atuar de forma eficaz na prevenção o que acaba sobrecarregando hospitais e emergências.

E é justamente nas emergências que o colapso se torna mais visível. Filas extensas, tempo de espera elevado e sobrecarga de profissionais compõem um cenário que já foi descrito como alarmante por entidades da área. Hospitais operam no limite, enquanto pacientes enfrentam jornadas exaustivas em busca de atendimento básico.

Outro aspecto que agrava a crise é a gestão dos recursos. Apesar de orçamentos bilionários destinados à saúde, há relatos recorrentes de ineficiência na execução, incluindo devolução de verbas federais por incapacidade de planejamento e aplicação. Esse tipo de situação revela um paradoxo típico de sistemas mal geridos: faltam serviços, mas sobram recursos mal utilizados.

Além disso, decisões orçamentárias recentes indicam compressão de investimentos na área, com cortes significativos que impactam diretamente a capacidade de atendimento. Em um cenário já fragilizado, a redução de recursos tende a aprofundar ainda mais os gargalos existentes. Quando cidadãos deixam de acreditar na capacidade do Estado de oferecer atendimento digno, abre-se espaço para soluções improvisadas, judicialização da saúde e aumento da desigualdade no acesso aos serviços.

Há ainda um elemento mais grave, frequentemente apontado no debate público: o risco de que estruturas frágeis se tornem suscetíveis a práticas irregulares. Sistemas com baixa transparência, como já apontado em outras ocasiões nesse espaço, falhas de controle e grande volume de recursos são, historicamente, mais vulneráveis a desvios e corrupção. A saúde pública não admite improviso, nem pode ser gerida sob lógica de curto prazo.

Responsabilidade política, nesse contexto, é inevitável. Gestores atuais e passados respondem, em maior ou menor grau, pelas decisões que moldaram o sistema. No entanto, mais importante do que a atribuição de culpas é a construção de soluções efetivas. Essas soluções passam, necessariamente, por alguns pilares já conhecidos: planejamento estratégico, fortalecimento da atenção primária, gestão eficiente de recursos, valorização de profissionais e implementação de mecanismos rigorosos de controle e transparência.

Sem isso, qualquer tentativa de reforma será superficial. O problema não é a falta de diagnóstico ele está amplamente disponível. O problema é a incapacidade de transformar diagnóstico em ação consistente. O Distrito Federal, por sua importância institucional e capacidade orçamentária, deveria ser referência nacional em saúde pública. O fato de ocupar hoje posição de destaque negativo revela o tamanho do desafio. Se nada for feito de forma estrutural, o cenário tende a se agravar. Mais do que uma crise administrativa, o que está em jogo é a dignidade de uma população que depende do sistema para viver. E esse é um ponto que não admite relativizações: quando a saúde falha, falha o próprio Estado.

 

A frase que foi pronunciada:
“O SUS sofre mais de problemas de gestão do que de concepção.”
Drauzio Varella

Foto: istoe.com.br

 

História de Brasília
Está marcado para amanhã, o julgamento mais sensacional do Tribunal do Juri de Brasília. Será julgado o delegado João Pelles. (Publicada em 17. 05.1962)

Sistema de Saúde no Brasil continua uma vergonha

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil

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Universalizar o atendimento em saúde, e de modo minimamente decente, ainda é uma realidade distante em nosso país. Nesse quesito, não há necessidade de pesquisas, dados estatísticos ou outro indicador métrico ou científico. Basta ir a um hospital público. E não precisa ser no interior do Nordeste ou da Amazônia, onde esse serviço, em muitos lugares, sequer existe. Aqui mesmo, em Brasília, é comum o cidadão procurar atendimento médico, mesmo com quadro de fortes dores ou suspeita de caso grave, e o atendimento, dentro de padrões aceitáveis, não ser realizado.

Nessa situação, o jeito, para aqueles que não possuem outra opção, é esperar até 24 horas sentado em uma cadeira desconfortável até que algum profissional se apiede do paciente. Num quadro desses, não chega a ser surpresa que os próprios doentes ou seus acompanhantes se revoltem e, no desespero, partam para a violência, inclusive com xingamentos e agressões. Quando isso ocorre, o atendimento é feito na hora, mas pela tropa de choque da polícia militar, com o medicamento na ponta do porrete.

Uma ida a um desses maiores hospitais, como por exemplo, o Hospital Regional do Paranoá é, como descreveu um paciente, experimentar uma descida ao inferno, tamanho é o caos e o abandono em que se encontram aqueles que buscam ajuda médica. De fato, como muitos desses doentes que precisaram de pronta ajuda médica já notaram que, enquanto não existir uma legislação impondo que as autoridades responsáveis, ocupantes de cargos no governo, sejam obrigatoriamente atendidos apenas em hospitais públicos, essa realidade não irá mudar.

Enquanto os hospitais continuam patinando na ineficiência por conta de uma gerência que se faça obedecer, principalmente por parte dos médicos e plantonistas, as pequenas clínicas, que cobram preços populares e que nessa mesma região se proliferaram como capim, estão lotadas. Obviamente que esses lugares sequer são fiscalizados adequadamente pelos órgãos de saúde e, onde o dinheiro é que conta, os serviços são uma interrogação e um perigo.

O mais incrível é que esses fatos ocorrem com frequência justamente na capital do país, onde existe o maior número de médicos (nem sempre disponíveis) por habitantes. Dos mais, 13.400 registrados no sistema de saúde local ou, 435 médicos para cada grupo de mil habitantes, o dobro da média nacional.

Em conversa reservada, para não intimidar e causar mal-estar, um especialista no assunto e que conhece bem os mecanismos internos da máquina de saúde do Distrito Federal reconheceu que, entre outros problemas, o estrangulamento do sistema está justamente na ponta do atendimento e tem os médicos como os maiores sujeitos e nó dessa engrenagem perversa.

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“No Brasil, o sistema de saúde não funciona desde o sistema até a saúde.”

Pensamento unânime dos impacientes

 

 

Previdência

O Sindicato do Comércio Varejista do DF foi o primeiro em Brasília a externar apoio à reforma da Previdência. Para o presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, a reforma injetará R$ 1,4 trilhão em investimentos no país, gerando empregos e renda.

Capa: facebook.com/Sindivarejista

 

 

Dia de festa

Padre Michael Keneth e equipe preparam festa de aniversário da paróquia do Espírito Santo Paráclito, no Park Way/Vargem Bonita. Serão duas surpresas para os presentes. A Cavalhada e um almoço oferecido pela comunidade. Mais informações a seguir.

 

 

Divulgação

Além do Programa de Consultoria Financeira, o BRB também abriu as inscrições para mais uma edição do curso de educação financeira. As aulas serão realizadas entre os dias 4 a 6 de junho, gratuitamente, no Centro de Treinamento do BRB (EQS 410/411 Sul). Todos são bem-vindos. Mais informações pelo educafinan@brb.com.br.

Foto: facebook.com/BRB.BancodeBrasilia

 

 

Negligência

Se os redutores de velocidade, pardais, têm mesmo o objetivo de assegurar a segurança dos motoristas, o DER está deixando de cumprir esse objetivo. A curva antes de chegar no trecho 9 do Setor de Mansões do Lago Norte, a cada dia, está mais perigosa. Há uma saída de veículos no meio da curva e, sem redutor de velocidade, o perigo de um choque é constante. A Associação dos Moradores do Trecho 9, capitaneada por Cláudio Castello Branco, já deu entrada na documentação, mas não foi sequer respondida.

Foto: google.com.br/maps

 

 

Muito estranho

Na agência do Banco do Brasil, na 214 Norte, no domingo, um grupinho estranho rodeava quem usava os caixas eletrônicos. Seria bom verificarem nas câmeras de segurança o que acontecia por ali no fim de semana. O clima era bem tenso.

Foto: google.com.br/maps

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

 

E por falar em dr. Vasco, o dr. Ataualpa ainda não mandou os caminhões consertarem as valetas do Eixo Rodoviário, das superquadras, e do Trevo de Distribuição sul. (Publicado em 22/11/1961)