Que venham as CPIs

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Foto: Reprodução/ Facebook Milton Ribeiro

 

         Existe razão de sobra para que apenas uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seja instalada no Congresso, justamente a que investigará o Ministério da Educação. A outra, relativa à Petrobras, ficará para o dia de “São Nunca”. Os motivos são óbvios. Ao pretender investigar a Pasta da Educação, o alvo pode ser, diretamente, o atual Presidente da República. Investigar a Petrobras, mesmo que tenha como objetivo os elevados preços dos combustíveis, poderá, no decorrer dos trabalhos e dado o clima de intensa polarização política, descambar para questões relativas ao Petrolão e à gestão petista no comando da estatal.

         De qualquer forma, experiências passadas demonstram que CPIs, sejam quais forem, começam numa toada lenta e acabam em desabalada agitação, indiciando até o porteiro. De qualquer forma, caso a CPI da Educação aconteça de fato, nesses poucos meses que antecedem as eleições gerais, os prognósticos, embora impossíveis de serem previstos, apontam para desgastes profundos, tanto da situação como da oposição.

         Uma das razões é que, no que diz respeito à gestão petista, de modo geral, onde quer que a enxada prospectora atinja o solo, dali sairá grande quantidade de minhocas, todas elas dispostas a contar o que viram. É bom os parlamentares que apoiam o governo irem logo providenciando o material que poderão usar para desvendar o desastre que foi a área de educação, durante a era petista, com o sucateamento das universidades, violência nas escolas, o conto do vigário do caso do Fundeb e até com relação ao aumento do analfabetismo no país.

         Há material de sobra relatando a era petista na educação, que fala da grande evasão escolar, dos números fictícios apresentados naquele período, da criação de universidades fantasmas, dos cabides de emprego nessa pasta. Em 2010, pouco antes de Lula deixar a presidência, jornais de todo o país davam conta de que 21 estados deixaram de aplicar mais de R$ 1,2 bilhão no ensino básico. O dinheiro, que iria para o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), foi desviado e acabou sendo destinado para outras atividades distantes da educação.

          Durante aquele governo,as universidades públicas foram invadidas, ou como eles diziam na época, “ocupadas”, 176 vezes. Nessas invasões, dezenas de reitorias, por todo o país, foram tomadas de assalto, com estudantes pressionando pela demissão de reitores, com aulas paralisadas, planfetarismos, pichações de instalações, ameaças de professores que se recusavam a seguir a cartilha gramsciana pregada pelo PT e outras barbaridades.

         Nesse período, os funcionários de mais de 40 universidades entraram em greve por tempo indefinido. As paralisações de aulas eram uma constante, com semestres inteiros sendo perdidos, tudo isso, sem contar nessa fase que centenas de professores entraram com pedido de aposentadoria ou de afastamento da cátedra, por medo das incertezas quanto ao futuro.

         Ensino, pesquisa e extensão, que são atividades fundamentais nas universidades, tiveram, nessa fase conturbada em que as greves de professores, de funcionários e outros eram uma constante, seu menor índice de aproveitamento. Muitos educadores falam desse período como a era perdida.

         Que venha a CPI que vier, o material é farto para testemunhar o caos experienciado tanto na estatal do petróleo, como na educação em outras eras.

A frase que foi pronunciada:

“Se você pega um cão faminto e lhe dá um bom trato, ele não morderá você. Essa é a principal diferença entre os homens e os cachorros.”

Mark Twain

Mark Twain. Foto: cmgww.com

 

Ponto cego

Faixas de pedestres e lombadas estão completamente invisíveis pela cidade. Nas N2 e S2, é um susto atrás do outro pela falta de visibilidade. Em tempos secos, vale o investimento no visual da cidade.

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

Perigo constante

Os setores hospitalares da cidade deveriam ser exemplo de limpeza e acessibilidade. Não é o caso.

 

 

Reprodução: g1.globo.com
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Uma pena

Caiu muito a qualidade de serviço e produtos da Casa do Pão, na 506 sul. Um comércio antigo em Brasília que está definhando.

Foto: casadopao.com

 

De graça na feira

Querido de toda a gente, Geraldo Vasconcelos, pioneiro da cidade, chegou na Feira do Livro para doar exemplares do seu último livro “Transformando o Impossível em Possível”, escrito a quatro mãos com Sueli Navarro Vasconcelos. O resultado foi o esperado. A primeira banca pegou todos. Afinal, o livro é uma inspiração para quem quer enriquecer trabalhando.

Geraldo Vasconcelos. Foto: facebook.com/letreriaeditora

 

Informe

Em 2022, o 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação será organizado pela Universidade Federal da Paraiba – UFPB, de Joao Pessoa/PB, de 5 a 9 de setembro de 2022, e terá como tema “Ciências da Comunicação contra a Desinformação”.

Logotipo: portalintercom.org

 

História de Brasília

Falta chegar, quanto antes, ao setor residencial HP3 e HP5, que são os grandes prejudicados no Plano Pilôto. AC. (Publicada em 01.03.1962)

Cuidado, ilusões e fantasias

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JK? / Foto: Ivan Mattos

 

           Sem engano: a melhor e mais eficaz maneira de comemorar os 62 de Brasília não é tecendo loas e congratulações melodiosas pelas seis décadas de fundação da capital de todos os brasileiros. Melhor do que todo o tipo de foguetório e comemorações é a população e, principalmente, os políticos, empresários e outros próceres da cidade tomarem consciência e, mais do que isso, tomarem prumo sobre a importância e urgência de salvar a capital da especulação imobiliária, da degradação progressiva de muitas áreas dentro do perímetro urbano, da invasão de terras públicas, da violência que todo dia deixa, ao menos, algumas famílias de brasilienses enlutadas e da falta de compromisso de muitos com o tombamento do Plano Piloto.

              Essa coluna que, desde as primeiras horas de abril de 1960, vem empreendendo essa incansável cruzada em defesa da concepção original da cidade, sem tergiversações e sem as costumeiras bajulações dos poderosos locais, vem nessa data, mais uma vez, alertar os brasilienses que para aqui vieram nos primeiros anos de construção da cidade e para as gerações posteriores que aqui encontraram um lugar para viver, para criar seus filhos e para crescer profissionalmente, que não baixem a guarda em defesa da cidade, de seus valores e de sua história singular.

        Temos, em nossas mãos, uma herança magnífica e única, que nos foi legada por candangos, muitos, inclusive, desconhecidos e anônimos. Todos eles liderados por uma radiação ímpar de esperança e ânimo, impossível de estarem juntos em um só tempo e lugar, hoje em dia, e que tornaram possível erguer essa cidade, numa área antes esquecida e remota do país.

             Mais do que comemorar, devemos estar prontos para proteger e manter um patrimônio que é de todos nós e que não pode ser replicado mais em tempo algum. A tarefa que caberá às novas gerações que aqui estão é imensa e se estende não apenas pelo Plano Piloto, Administrações Regionais e outras áreas do entorno mais distantes. É preciso levar nosso cuidado para além do quadrilátero da capital, pensar nas bacias hidrográficas e sua preservação. Não pode existir cidade onde não há água.

          Precisamos de união para defender a preservação de nossos parques naturais, tanto os próximos como os que se encontram a quilômetros da capital. Temos a urgência de lutar pela manutenção da área original do Parque da Chapada dos Veadeiros contra a especulação imobiliária e contra a invasão de terras nativas por grileiros, garimpeiros e todo o tipo de predadores, muitos dos quais residentes em Brasília. Temos que nos unir para a manutenção do Parque Nacional de Brasília, impedindo sua degradação, feita pelas bordas e de modo contínuo. Temos muito mais que trabalhar para manter o que temos em mãos do que comemorar e depois esquecer. Cena rara para quem acompanha a capital do país desde o nascimento: ver políticos locais erguendo a bandeira da preservação da cidade com a qualidade planejada por seus idealizadores.

             Essa é uma missão que parece caber apenas aos que aqui vivem, desde o barro vermelho, e entendem que esse é um destino que não podemos abrir mão. Como uma senhorinha, que agora vai adentrando a terceira idade de existência, dona Brasília precisa de cuidados e atenção e não de ilusões e fantasias.

A frase que foi pronunciada:

Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida.”

Oscar Niemeyer

Sob a batuta de Lúcio Costa, Oscar se diverte grafite e aquarela, 29x21cm, 2010 (evblogaleria.blogspot.com)

 

Economia

Até agora, pouca repercussão na imprensa brasileira sobre a iniciativa do presidente francês, Emmanuel Macron, publicada no jornal oficial, sobre a abolição do corpo diplomático. Políticos e funcionários públicos estão em polvorosa. Por volta de 800 altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores são afetados por esta medida. Os executivos da categoria serão incentivados a mudar para o novo órgão interministerial, sem muita visibilidade no restante de sua carreira. Muitos deles criticam essa medida e denunciam um “rebaixamento da diplomacia francesa”. Se a moda pega…

Foto: Guillaume Horcajuelo/ EFE

Arte

Até o dia 31 de julho, a comunidade brasiliense poderá visitar a mostra Poema em Cartaz sob a curadoria de Newton Lima, na Biblioteca Nacional. De segunda a sexta, sempre das 8h às 20h. Nos fins de semana, às 14h.

Foto: cultura.df.gov

 

PL 735/22

Proposta do deputado federal tocantinense, Carlos Henrique Gaguim, fundamentado em estudo da Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais, cria o Selo Investimento Verde, que seria práticas sustentáveis no âmbito do mercado financeiro e de capitais brasileiros. O projeto também estimula acesso aos recursos federais de programas de crédito a instituições que receberem o Selo Investimento Verde. Esse é o projeto de Lei 735/22.

Carlos Henrique Gaguim. Foto: camara.leg

Ibama

Coronel Chrisóstomo divulgou, em discurso na Voz do Brasil, dados do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. Veja, a seguir, a quantidade e o destino de eletroeletrônicos, baterias, latas, entre outros objetos em desuso.

Coronel Chrisóstomo. Foto: camara.leg

–> O SR. CORONEL CHRISÓSTOMO (PL – RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sra. Presidente, estou muito grato por esta oportunidade. Estou acabando de chegar de um encontro no Ministério do Meio Ambiente, mais especificamente, no IBAMA, a que fui para tratar do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. Foi um encontro muito importante para que o Brasil tome conhecimento do que está sendo feito quanto ao meio ambiente. Eu vou ler, Brasil e Rondônia, exatamente o que foi tratado lá. Atenção, mundo do meio ambiente! Lata de alumínio: 98,7%; 409 mil toneladas; 33 bilhões de latas recicladas. Novo recorde. Óleo lubrificante usado: 566 milhões de litros coletados — coletados! — e enviados para reciclagem. Novo recorde. Embalagem de defensivos agrícolas: 53,5 mil toneladas de embalagens recicladas. Novo recorde. Processamento de cimento: substituição de 28% de coque de petróleo por resíduos sólidos. Novo recorde. O setor utilizou 2 milhões de toneladas de resíduos como combustível, das quais, 200 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, na forma de combustível derivado de resíduos. Eletroeletrônicos: 3.417 pontos de entregas voluntárias implantados, com 1.244 toneladas coletadas e enviadas para reciclagem. Novo recorde. Medicamentos vencidos: implantação de mais de 3.634 PEVs — pontos de entrega voluntária, aonde, voluntariamente, as pessoas vão entregar os medicamentos. Novo recorde. Baterias automotivas: 99%; 272 mil toneladas de baterias recicladas e enviadas para reciclagem; 15.548.316 baterias, o que apresentou maior autonomia para o País, que não precisou importar 144.477 toneladas de chumbo. Novo recorde. Todos os sistemas acima, com exceção dos que dizem respeito a embalagens e a defensivos, foram implantados ou aprimorados, por meio de atos normativos, durante a nova gestão. Parabéns para o Governo Bolsonaro, que está tratando o meio ambiente da melhor forma possível!

 

História de Brasília

Diz o deputado Ernani Sátiro, que o garção teria oferecido ao embaixador vinho do sul de Minas e teria, ainda, recebido do sr. Afonso Arinos, esta declaração: “não, quero do Rio rande, que manda mais…” (Publicada em 21.02.1962)

Buraco de Tatu

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          Por suas consequências imprevisíveis, um erro de estratégia, cometido por apenas um indivíduo, do alto do Monte Olimpo de seu próprio ego, poderá levar à extinção da vida, como a conhecemos, sobre todo o planeta. Aliás, essa é uma das questões a atormentar a humanidade, desde os primórdios da civilização: como pode um único indivíduo decidir o destino de bilhões de outros? Milhares de anos de história do homem sobre o planeta, com todo aprendizado que acumulou ao longo dos séculos, e essa é ainda uma incógnita sem solução.

        Essa é também uma questão a ser resolvida o mais urgentemente possível, para pôr fim à escalada da guerra que Putin declarou à Ucrânia. O que os analistas dos mais diferentes matizes ideológicos e, principalmente, aqueles que acompanham de perto esse conflito dizem é que o poderoso exército russo parece ter caído numa espécie de areia movediça, afundando cada vez mais e a cada movimento.

        O que muitos comandantes parecem ir percebendo é que tomar a Ucrânia no braço e na bala, e em poucos dias como estava programado no início da invasão, é uma tarefa impossível. Mesmo os bombardeiros cegos contra alvos e contra a população civil, como meio de baixar a moral dos ucranianos, parecem não surtir efeito.

        De fato, Putin encontrou o que buscava há anos: seu Vietnan, atolando centena de milhares de soldados numa guerra sem fim e cujo desfecho, caso o ditador russo resolva essa parada com um artefato nuclear, significará uma vitória de pirro, obtida a um alto preço, com o preço de milhões de vidas e onde os benefícios da conquista ficarão sempre aquém das perdas e prejuízos. Essa, inclusive, poderá ser a derradeira batalha em que se mete o tirano eslavo.

        Seu prestígio pessoal e daqueles que interesseiramente o apoiam internamente é igual a zero no lado ocidental do planeta. Mesmo para a China, que apoia esse e outros ditadores como o Kim Jong-un, da Coreia do Norte, Putin vem se tornando um peso difícil de carregar. O pior nessa história toda, e que parece ter tido início numa noite mal dormida do presidente da Rússia, é que o efeito dominó, gerado pela invasão da Rússia a um pais democrático e soberano, vem provocando uma corrida, sem precedentes, desde a Segunda Grande Guerra, aos armamentos.

        Países como Alemanha, que se acreditava nunca mais pensar em armas de guerra, afirmam que investirão bilhões de euros em produtos bélicos. Do mesmo modo, o Japão vem reforçando seu poderio militar. O mesmo para a maioria dos países que faziam parte do bloco da antiga União Soviética, todos assustados com as possibilidades reais de futuras invasões. Nessa altura dos acontecimentos, vai ficando claro que a resistência dos ucranianos se deve muito aos investimentos feitos polos Estados Unidos, no treinamento e no fornecimento de armamento para seus exércitos.

        Também o envolvimento da OTAN nesses episódios mostra que já existe uma escalada dessa guerra a envolver outros atores, o que indica não só um agravamento do quadro, mas uma possibilidade de que essa crise irá se estender por muito tempo. As vias de fato, envolvendo muitos países diretamente nesse conflito, virão quando for percebido que os resultados do bloqueio econômico e das retaliações já não surtirem o efeito desejado.

        Nós que nos encontramos aqui no Planalto Central do Brasil, a milhares de quilômetros de distância desse conflito, temos, também e forçosamente, que ficarmos preocupados com os efeitos dessa guerra que recrudesce a cada dia. Caso todo esse conflito resulte na utilização de armas nucleares, não haverá buraco de tatu ou coruja, por mais profundo que seja, para nos esconder e abrigar.

A frase que foi pronunciada:

Não vamos desistir e não vamos perder, vamos lutar até o fim… custe o que custar.”

Volodymyr Zelensky da Ucrânia (2022) e Winston Churchill (1945)

Falta aluno

Até o dia 31 deste mês, o Jardim de Infância “21 de abril” estará aceitando crianças do 2º período, com 5 anos completos. A demanda está baixa. A escolinha fica na Entrequadra Sul 708/908. Contato: 995756526

Foto: facebook.com/jardimdeinfancia21deabril/

Dona Norma

Muita gente não sabe, mas a mãe do jornalista Chico Sant’Anna foi uma das primeiras professoras na Casa Thomas Jefferson em Brasília. Norma Corrêa Meyer Sant’Anna, conhecida como Mrs. Sant’Anna. Depois lecionou inglês no Gila-Ginásio do Lago, francês na Aliança Francesa e português na Escola Americana. Chegou em Brasília em abril de 58, com os 4 filhos. Chico Sant’Anna tinha 6 meses de vida.

 

Norma Corrêa Meyer Sant’Anna, sentada no banco de trás. O local é o canteiro de obra da SQS 106. Foto: Cláudio Sant’Anna

De olho

Região de proteção ambiental sob a jurisdição do Paranoá está sendo invadida. Cercaram e destruíram o cerrado. Moradores da região vão formalizar a denúncia aos órgãos competentes. É hora de a população participar da proteção da cidade.

 

Celeuma

Por falar nisso, moradores estão de lupa na LUOS. O deputado distrital Eduardo Pedrosa elaborou emendas que autorizam escolas em residências e, em breve, serão votadas em plenário. Manifestem-se enviando um e-mail para o deputado (dep.eduardopedrosa@cl.df.gov.br).

Imagem: lagosul.com.br

História de Brasília

O professor Soriano Neto, que dizem, inspirou o desenhista Péricles a criar o Amigo da Onça, foi, ontem, exonerado do cargo de diretor da Faculdade de Direito do Recife. (Publicada em 20.02.1962)

Putin o novo Kzar

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Jornais, revistas, livros e boa parte da mídia em todo o mundo, de repente, passaram a se interessar pela biografia de Vladimir Putin. Na verdade, o que muitos estão fazendo é buscar conhecer quem é esse personagem e o que tem feito até aqui, para entender até onde ele irá nessa sua nova empreitada, regada a sangue de invasão à vizinha Ucrânia e que possíveis planos prepara, posteriormente, para saciar sua sanha de recriação do antigo poderio da União Soviética.

Ao contrário do que muitos historiadores fazem ao ir pesquisar na fonte os documentos que necessitam para compor seus relatos, no caso de Putin, a metodologia tem que ser outra. De fato, em relação ao russo, fica difícil, se não impossível, nessa altura dos acontecimentos, encontrar qualquer documento oficial que indique quem é esse indivíduo que governa o maior país da Europa com mão de ferro desde 1999.

Até mesmo a ONG Memorial Internacional, fundada em 1989 para apurar fatos e crimes contra os direitos humanos pelos go vernos russos, apesar do trabalho de alto nível que vinha realizando, angariando respeito e admiração mundo afora, foi fecha da por ordem de Putin, acusada de criar uma imagem distorcida da União Soviética, prejudicando a memória “sagrada dos russos” durante a Segunda Grande Guerra.

Os documentos oficiais que traçam uma biografia de Putin foram, todos eles, “maquiados” e suavizados para emprestar ao líder supremo uma imagem de intocabilidade. Para pesquisadores ingleses e alemães que têm ido em busca de decifrar esse personagem, Putin chegou ao comando do país pelas trilhas mal afamadas da KGB, a temida e eficaz organização de serviços secretos da antiga União Soviética, criada em 1954 e extinta, oficialmente, em 1991.

Por sua capacidade em cumprir as mais duras missões, principalmente a eliminação de suspeitos e outros oponentes ao regime, com frieza e precisão, logo ascendeu dentro da organização. Dali para a política, sob a sombra de Boris léltsin, foi um pulo. A crise desencadeada com a invasão da Ucrânia acendeu nos pesquisadores o desejo de escanear a vida desse mandatário, como meio de antever suas pretensões futuras e quiçá, livrar o mundo e a Europa de novas e nefastas surpresas.

O congelamento de recursos da Rússia, dentro das medidas de retaliações contra a invasão da Ucrânia, mira secretamente na verdadeira fortuna estimada pela mídia, por baixo, em U$ 200 bilhões, que Putin e os oligarcas sob sua proteção, ainda segundo notícias, teriam desviados do país.

A oposição russa, pelo menos aquela que ainda não foi envenenada, diz que Putin possui pelo menos US$ 40 bilhões mantidos secretamente fora do país. O fato é que a corrupção, uma praga que conhecemos muito bem, também é um flagelo que acompanha a história da Rússia, sendo mais significativa após a dissolução da União Soviética em setembro de 1991.

Compreender a trajetória do homem e sua história ajuda a assimilar parte significativa de suas ações, facilitando no entendimento geral de toda a conjuntura, principalmente quando esse personagem enfeixa em suas mãos todo o poder, calando a imprensa, mandando prender ou matar opositores, controlando a Justiça e o Legislativo e mantendo sob seu controle total as Forças Armadas do país.

Observadores políticos asseguram que, após a invasão da Ucrânia, outros movimentos expansionistas e de controle das regiões próximas estão na cabeça de Putin, aguardando o tempo certo para serem deflagradas. No Ocidente foi aceso o alerta vermelho, não apenas por paranoia, mas pela certeza de que novos desdobramentos virão. Primeiro, para os países próximos. Depois, para os demais onde conceitos como democracia e respeito pelos direitos humanos ainda estão presentes, sendo que são essas mesmas características, comuns ao Ocidente, que mais parecem ameaçar os planos de Putin.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A mídia ocidental tende a dar muita ênfase às instituições oficiais da Ucrânia, como sua Suprema Corte, a comissão eleitoral central e o parlamento. Na realidade, o povo da Ucrânia agora controla seu destino.”

Bob Schaffer, senador estadunidense

Bob Schaffer. Foto: denverpost.com

 

Mobilidade

É preciso ouvir a população em relação às calçadas. Muitos dos que ajudaram a construir esta cidade não podem se locomover por falta de conservação nos passeios. Um deles é o da 105 Sul. A mensagem é de Inas Valadares, pioneira. Já viu pessoas tropeçando e caindo por causa dos desníveis constantes. Outro local é o corredor da quadra interna para o Pão de Açúcar. Frutas podres e folhas pelo chão escondem as calçadas irregulares. As fotos estão a seguir.

 

Visual

Melhor forma de reconhecer um país subdesenvolvido é olhar para a paisagem. Quanto mais fios e postes, pior a situação do PIB.

Foto: José Carlos Vieira/CB/DA Press

 

Expert

Procurado pelo Citibank de Stamford, em Connecticut, o senador Flavio Arns deve dar uma entrevista para o podcast da instituição. Como autor do PL 3825, que disciplina os serviços referentes a operações realizadas com criptoativos em plataformas eletrônicas de negociação, o senador despertou a atenção da brasileira Ana Figueiredo, responsável pelo assunto no banco internacional.

Senador Flavio Arns. Foto: senado.leg

 

História de Brasília

Quanto ao sr. Ibrahim Sued, também. Mas o colunista social não conhece Brasília. Esteve aqui uma vez, para o lançamento da superquadra da família imperial, que ficou somente no cercado, sem que nenhuma prestação tenha sido paga. (Publicada em 18/02/1962)

       Thêmis, a deusa protetora dos poderosos

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Notório saber é tudo o que não é preciso para um candidato ocupar uma vaga no mais alto tribunal do país. Essa deficiência, vista em muitos titulares do presente, é facilmente contornada com a possibilidade de contratação ilimitada, feita pelo gabinete do escolhido, dos mais ilustres profissionais do Direito, o que torna a tarefa de envergar a toga e caminhar pelos labirintos da justiça, com toda a pompa e circunstância, uma tarefa mais fácil do que tirar pirulito de criança.

Com isso fica claro que o verdadeiro ministro está oculto, na equipe montada dentro do gabinete, ficando à cargo do titular, apenas a leitura do parecer, previamente elaborado. Essa realidade ficaria ainda mais exposta ao público em geral, caso o candidato fosse sabatinado nos moldes como ocorre nos Estados Unidos, onde não é possível ascender à Suprema Corte em caso de carências e lacunas no saber jurídico.

Entre nós, a indicação do candidato, pelo Chefe do Executivo e sua posterior sabatina, feita de maneira superficial e vaga, está na raiz dos problemas e contramarchas que a sociedade hoje assiste nas decisões tomadas pela Corte. Há , de fato, uma contaminação, do tipo ideológica e partidária, visível no modelo de aprovação para esse tão elevado cargo e de vital importância para o país.

A “descondenação” do ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, bem como o desmanche de toda a Operação Lava Jato, são apenas alguns exemplos desse descompasso gerado ainda na escolha do candidato, e que produzem decisões e sentenças finais, que têm deixado a população de cabelo em pé.

A reversão da prisão em segunda instância e todo o chamado garantismo jurídico que parece guiar a atual formação da corte, esconde, entre suas causas primeiras, a pouca ou nenhuma seleção feita para o assento na suprema corte. A não criminalização da política, como deixou claro em sua sabatina o último escolhido para esse Olimpo, ao soar como o cântico das sereias aos ouvidos dos políticos, abre como um mantra as portas desse novo paraíso, almejado por muitos.

Dizer também que pode detrás de todo o criminoso e político se abriga um ser humano que deve ser respeitado em sua integridade pessoal, mesmo que não colabore para a efetivação da lei, como deve ser, ainda abre brechas para o continuísmo dos casos escabrosos de corrupção que rói o país pelas beiradas.

Também a caracterização do indicado como sendo um indivíduo terrivelmente evangélico, apoiado inclusive, pelos mais controversos e espertos pastores dessas congregações, pode ajudar o chefe do Executivo a angariar votos entre os devotos dessa religião, mas deixa de lado, não só a laicidade do Estado, como abre caminho para tornar essa alta corte numa espécie de puxadinho do templo religioso.

Notório mesmo pode não ser o saber o saber jurídico desses novos membros da suprema corte, mas um fato o é por demais confirmado: quase todos os ministros que compõem a atual formação do Supremo, jamais votaram contra os interesses de seus padrinhos e daqueles que formam o grupo político deste. O aparelhamento político da corte, tem peso maior do que qualquer notório saber jurídico.

É o que está à vista de todos e não há como esconder esses fatos do cidadão comum. Thêmis, a deusa da justiça, deveria, para atualização dos caminhos tomados por nosso Direito atual, deslocar a venda que cobre seus dois olhos, deixando apenas um deles em coberto. Faria todo o sentido.

 

A frase que foi pronunciada:

“Quando se tira o voto ao povo, o povo é expelido do centro para a periferia da história, perde o pão e a liberdade, o protesto passa a ser agitação e a greve rotulada de subversão.”  Ulysses Guimarães

 

Abuso

Há cartórios na cidade que são campeões em erros, trazendo prejuízo financeiro aos cidadãos. Além da demora para a emissão do documento, o contribuinte é obrigado a cobrir os custos se atrasar em qualquer quesito. O interessante é que o cartório erra diversas vezes, declara que foi erro próprio e sem cerimônia. Fica a dica para os distritais que se interessarem em estudar o caso.

 

Perigo e Prevenção

Está na hora de a Defesa Civil e Bombeiros verificarem a situação de segurança nas salas comerciais nas entrequadras. Na 213 Norte, bloco D, por exemplo, um supermercado instalou várias caixas d’água na laje que não foi construída para esse fim.

 

Violência consentida

Mais uma vez o desequilíbrio entre o poder policial e o poder judicial atinge vítimas. Quando o criminoso recebe a liberdade pela justiça, todos os inocentes correm risco. A vítima da policial ciumenta é mais uma prova disso. Assistimos ao segundo ataque. Vamos aguardar pelo terceiro?

 

História de Brasília

Quando o engenheiro esperava sua visita, foi informado de que voltara ao Rio, e “só depois êle vai ver os esqueletos dos prédios”. (Publicada em 15/02/1962)

 

Concertação à brasileira

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Com a possibilidade, apontada até aqui pelas pesquisas de opinião, de uma polarização final, entre esquerda e direita nas próximas eleições para presidente , com tudo aquilo que essas duas tendências ideológicas possuem de mais radical e anacrônica, os cidadãos brasileiros, conscientes desse momento delicado que se aproxima , possuem a chance única de interceder nesse processo, provocando um verdadeiro ponto de inflexão no desafortunado destino político do país, revertendo, pelo voto, a tendência para o caos que se anuncia para todos nós.

É preciso que os cidadãos se inteirem do momento grave, atalhando o prolongamento dessas desventuras que parecem nos perseguir, praticamente desde o período da redemocratização nos anos oitenta. Nessa altura, já se sabe, que não será por meio da miríade de partidos, que parasitam o Estado, transformados em autênticos valhacoutos de garimpeiros dos cofres públicos, que irão propiciar a mudança de rumos e a salvaguarda da nossa cambaleante democracia.

O que se apresenta no horizonte, não serve aos cidadãos de bem. Tampouco as futuras gerações. Aliado as possibilidades tétricas da nova onda de enfermidades e mortes trazidas pelo estreante Ônicrom, vemos, paralelamente, a formação de algumas candidaturas, já testadas no poder e que se provaram tão ou mais letais para o país que o próprio vírus.

Não há meios termos para definir o que parece vir pela frente com esses estafermos, que bafejados pelos ventos do mal fado, que parecem soprar por essas bandas desde a chegada do primeiro invasor europeu no século XV, surgem em suas mulas mancas.

Ciente de que  a democracia corre sério risco, o eleitor deve acautelar-se, tomando o voto como um bote que pode salvá-lo do naufrágio certo. Lições sobre como proceder ante esse desastre, existem em grande número. Em todo o tempo e lugar.

Mais recentemente Espanha, nos anos setenta e o Chile, nos anos oitenta, se viram igualmente diante do impasse, que bifurcava os destinos do país. Diante da possibilidade ou não do prolongamento do pesadelo da ditadura, escolheram sabiamente o caminho do meio, reunindo, numa mesma frente única, todos aqueles que queriam o caminho da liberdade.          Partidos, sindicatos, intelectuais, organizações sociais e todas as forças vivas da sociedade se reuniram num movimento de “concertación” para decidir imbicar seus países em direção à democracia e à estabilidade política e institucional.

Em nosso país e em pleno século XXI, as esperanças são poucas, dada a baixa qualidade ética e social de nossas legendas políticas, preocupadas apenas em se instalar no poder e dele extrair o que puder em benefícios materiais.

A “concertación” à moda brasileira pode vir a se tornar uma realidade, caso o mais destacado candidato da chamada terceira via, consiga persuadir as forças sociais e políticas do país, na realização de um pacto, para caminharem juntos até as eleições, com um compromisso, assumido de, em caso de vitória, começar as mudanças do país pelas reformas políticas. Sem essas reformas de base, não vamos longe. Nunca.

 

A frase que foi pronunciada:

“A censura é a inimiga feroz da verdade. É o horror à inteligência, à pesquisa, ao debate, ao diálogo. Decreta a revogação do dogma da falibilidade humana e proclama os proprietários da verdade.”

Ulysses Guimarães

Passo importante

Em audiência pública a Câmara Legislativa inicia um trabalho importante de conscientização do etarismo, forma de preconceito e violência contra a pessoa idosa. Interessante notar que as crianças, naturalmente não têm preconceitos. Elas são o canal mais forte para educar a família em relação ao idoso. Um momento nas aulas com os contadores de histórias de cabeça branca é um passo singelo pela valorização e interação dessa parcela da sociedade tão negligenciada.

 

Defensoria

Na Câmara Legislativa a movimentação foi feita pelo deputado Martins Machado, presidente da Frente Parlamentar do Idoso, na Casa. Presente na reunião, Bianca Cobucci Rosière , defensora pública, disse que com a vulnerabilidade do idoso, ele passa a sofrer vários tipos de violência, inclusive a curatela indevida. A afirmação foi feita com a experiência da defensora na Central Judicial do Idoso no TJDFT.

 

Defesa

Segundo Jairo de Souza, militante do Fórum Distrital da Sociedade Civil em Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa no DF são 360 mil idosos, 10% da população. E chama a atenção para o fato de a rede pública de saúde no DF ter apenas 10 geriatras para atender essa população e que não houve uma política pública voltada para o seguimento durante a pandemia.

 

Simples

Reconhecimento, capacitação e a vontade de ser útil à sociedade. São reivindicações simples como a revitalização do Conselho dos Direitos do Idoso no DF. É bom que os deputados fiquem atentos às leis sobre os idosos. Um dia todos seremos enquadrados.

 

História de Brasília

E provando a má vontade do comandante do IAPFESP para com Brasília, basta que se diga que o general Aloísio de Andrade Moura estêve em Brasília, foi muito bem recebido na delegacia, ouviu palavras de elogio, recebeu sorrisos, mas não se dignou, sequer a visitar o canteiro de obras. (Publicada em 15/02/1962)

 

 

População resiliente com espertos à frente

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Charge do Dum

 

           Não fosse essa mania recorrente de bisbilhotar os bastidores e as idas e vindas dos políticos desse país, realizadas por uma parte da imprensa, que ainda acredita que o dinheiro público, num país falido financeiramente, deve ser respeitado como algo sagrado e gasto, portanto, com parcimônia, pouco ou nada saberíamos sobre o festim permanente que essas elites no poder têm feito com os recursos suados dos pagadores de impostos.

          Tem sido uma festa sem fim, desde que o imperador Pedro II foi banido do Brasil em 17 de novembro de 1889, por um golpe militar que instaurou, da noite para o dia, uma forma de governo muito particular, em que a coisa pública ou Res pública permaneceria à disposição daqueles que comandam a máquina do Estado para gastá-lo da maneira que melhor lhes aprouverem.

         De lá para cá, esse apossamento dos recursos públicos, extraídos à fórceps da população, só vem aumentando, na contramão dos investimentos necessários para a população, que diminuem a cada dia. Foi assim que chegamos à situação esdrúxula em que os recursos para o atendimento das necessidades básicas da população, como saúde, segurança, transporte, educação, entre outros, simplesmente deixaram de existir, enquanto o dinheiro para a atendimento clientelista e sem lastro ético, de uma elite política e poderosa é abundante e despendido em mordomias que fariam corar de vergonha os marajás das Mil e Uma Noites.

         Não é por outra razão que somos de um país onde mais de 50 milhões de brasileiros passam fome e onde os Poderes e as instituições públicas são as mais caras e ineficientes de todo o mundo. Não se sabe até quando esse modelo peculiar de República poderá resistir sem que a sociedade tome as devidas providências para estancar essa derrama injusta. Graças à bisbilhotice do Jornal Folha de S, Paulo, em sua edição de 22/11, que ficamos informados que autoridades dos Três Poderes da República, passaram uma semana na aprazível cidade portuguesa de Lisboa, sob o pretexto de participarem do IX Fórum Jurídico de Lisboa, entre os dias 15 e 17 desse mês. Para o “dolce e bel far niente”, torraram a módica quantia de R$ 500 mil, entre passagens, hospedagens e diárias, pagas pelo contribuinte, não se sabe com que finalidade nem propósito. Nesse Fórum, organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, nome pomposo dado à uma entidade privada, que o jornal Folha de S. Paulo afirma ser de propriedade do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e de seu filho, onde estiveram presentes autoridades dos Três Poderes da República, inclusive do Tribunal de Contas da União (TCU) para o caso de haver alguma interpelação pública sobre esses gastos de “extremo” interesse da nação.

         De concreto o que resultou desse Fórum, um convescote político feito às expensas da população, que fica sabendo dessas reuniões, graças apenas a mania de parte da imprensa em mexericar a vida opulenta das elites instaladas nos Três Poderes, ninguém sabe, nem mesmo aqueles que estiveram nessa reunião, aproveitando também a camaradagem gratuita dispensadas à essa gente pelos aviões da Força Aérea, há muito transformados numa espécie de empresa de turismo à disposição das elites do Estado.

A frase que foi pronunciada:

“Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”.

Margareth Thatcher

Margaret Thatcher. Foto: britannica.com

Coerente

Tudo sobre a mesa preparada para a volta de Heloísa Helena à Brasília. O partido Rede, do senador Randolfe Rodrigues, articula a candidatura da ex-senadora, dessa vez, provavelmente para a Câmara dos Deputados.  Pode ser que o partido se decepcione, Heloísa Helena não é de se unir com inimigos para atacar outros inimigos.

Heloísa Helena. Foto: Sérgio Amaral / Editora Globo.

Nosso jornal

Vale à pena o Correio Braziliense resgatar as matérias feitas pelo jornal sobre vida e obra de Leda Watson. Artista internacional que vive em Brasília merece o reconhecimento pela dedicação em levar a arte para o mundo. Fica a dica.

Leda Watson. Foto: correiobraziliense.com

 

Baiano

Irreverente, nosso leitor, o Baiano, sugere que, no centro de São Paulo, no lugar do touro imitando Wall Street, o animal brasileiro mais realista para ocupar lugar, em frente à Bolsa de Valores, seria um bodinho magro de circo mambembe.

 

Via Crucis

Pelo número de documentos que a Caixa exige para financiar a casa própria, é impossível haver corrupção. O estressante percurso até a assinatura do contrato ignora as pessoas de bem.

História de Brasília

Os empréstimos para desconto em consignação da Caixa Econômica, não foram cedidos a todos. Agora, fala-se em nova inscrição, mas há gente utilizando prestígio para conseguir sem fila. (Publicada em 14/02/1962)

Democracia sem emoção e com razão

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Charge do Benett

 

Para um país que, ao longo da maior parte de sua história, nunca deu a devida atenção à educação e ao ensino público de qualidade, assimilar lições e torná-las práticas usuais do cotidiano é também uma tarefa difícil, senão impossível. Reter lições do passado e do presente é fundamental para evitar o cometimento dos mesmos erros e ter alguma previsibilidade quanto ao futuro. E é também uma das lições que se aprende nas escolas.

Com isso, fica evidente que um povo devidamente instruído não se torna presa fácil nas mãos dos prestidigitadores políticos, muito menos se deixa levar pelos discursos encantatórios de demagogos e populistas da hora. Ensinar a pensar talvez seja a primeira e mais importante missão que cabe à educação. A segunda, talvez seja ensinar a pensar de modo próprio, depois de perscrutado o ambiente em volta. Sem essas premissas, um povo se torna alvo fácil para a investida dos chamados “peritos em habilidades”, os mascates de vãs esperanças.

Essa talvez seja a principal característica que falta à média dos cidadãos desse país, sobretudo aos eleitores. O que a prática demonstra é que, desde a redemocratização, não parece haver sinais de que o eleitorado venha aprendendo com as seguidas eleições. E isso é ruim, pois traz reflexos negativos para toda a nação, mesmo para aqueles que dizem desprezar a política. Pelo menos, é o que as atuais urnas mostram.

No embate em que nos vemos metidos agora, açulado de modo proposital pelo chefe do Executivo, contra parte das altas cortes do Judiciário, a parte que se dizia ser: “briga de cachorro grande” deveria render lições proveitosas para a elevação na qualidade de nossa democracia.

Não basta a um Estado ser democrático, é preciso que essa democracia tenha um mínimo de qualidade. Ocorre que essa melhoria na qualidade só pode advir de eleitores cônscios de sua importância nesse sistema. Ou a população aprende com erros cometidos por seus representantes, banindo-os definitivamente da vida política, ou estaremos fadados a experienciar crises e mais crises, com efeitos danosos sobre todos.

É nesse contexto que se insere a atual crise, gestada no Palácio do Planalto e ampliada no Supremo. Trata-se de uma contenda em que nenhuma das partes possui razão. Fôssemos julgar essa querela atual, à luz da racionalidade e dos episódios que foram se sucedendo num crescendo insano, o veredito, por certo, levaria à condenação de ambas as partes. Apenas à guisa de exemplo, tomemos a faxina ou o remendo ilegítimo, feito à meia sola, no currículo de Lula, de forma apenas a torná-lo apto a concorrer às próximas eleições.

De cara, trata-se aqui de um acinte contra o cidadão de bem e uma violação contra a própria democracia. Caso a população não entenda, de uma vez por todas, que o desmanche forçado da Operação Lava Jato foi um atentado contra a democracia e um crime de lesa-pátria, mais uma vez, estaremos sendo impelidos a repetir erros sérios.

É esse upgrade que nos falta e que só poderá vir por meio das boas escolas públicas e de um ensino que leve o brasileiro a reconhecer, em qualquer ocasião, o valor preciosíssimo de uma democracia de qualidade, em que a razão suplante a emoção.

A frase que não foi pronunciada:

Por falar nisso, o finado Bruno Maranhão arrebentou o Congresso Nacional. O que aconteceu com ele?”

Dona Dita, enquanto tricota.

Bruno Maranhão. Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Ordem e progresso

Se existe um colégio que desperta a ira dos maus professores e administradores escolares, esse é o Colégio Militar. Primeiro, porque as crianças que o frequentam já são educadas em casa, só vão para a escola pela instrução. Segundo, porque em qualquer olimpíada de conhecimento, o Colégio Militar é imbatível. Essa ira de alguns deveria se transformar em humildade para copiar a fórmula. Essa celeuma sobre a filha do presidente estudar no Colégio Militar é inútil. A escola é ótima e quem pode, pode!

Divulguem

Veja, a seguir, as obras da afegã Shamsia Hassani. Descreve bem a situação da mulher no atual Afeganistão. As fotos foram enviadas para um grupo de jornalistas pelo colega Fernando Ladeira. Sigam a artista na sua página oficial no Instagram: @ShamsiaHassani.

À flor da pele

Uma das sequelas dessa fase pandêmica é a falta de paciência de pais que não estavam acostumados a conviver com os filhos. Outro dia, uma mãe gritando com o pequeno o obrigava a colocar a máscara antes de entrar no carro. É o mesmo que obrigar alguém a passear a pé atado em um cinto de segurança.

Foto: ozgurdonmaz/Getty Images

História de Brasília

No supermercado UV-1 faltavam, ontem: cebola, carne, batata, verdura, arroz e álcool. Muitos outros produtos faltavam, igualmente. Estes, porém, são de um rol de uma dona de casa. (Publicada em 07/02/1962)

A insensibilidade diante da vida

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Charge do Cícero

 

Somente aquelas pessoas que, do dia para a noite, necessitaram de um atendimento urgente dos planos de saúde e de todo o intrincado labirinto burocrático, envolvendo exames, cirurgias e tratamento para os pacientes diagnosticados com câncer severo, conhecem, de perto, a realidade fria e crua desse sistema.
Vida e morte, assim como saúde e doença, são para os planos de saúde e para os hospitais particulares, apenas um negócio como outro qualquer. Aliás, um grande e promissor negócio, o que comprova o número exagerado de hospitais e clínicas tocados pela iniciativa privada e espalhados por todas as capitais do país. A arquitetura espetacular desses estabelecimentos comerciais, que intermedeiam a sobrevivência dos indivíduos com o barqueiro Caronte, chamam a atenção dos vivos e nada lembra os tradicionais hospitais e santas casas, sóbrios e acolhedores.
O tempo passou rápido. Hoje tão rendoso quanto escolas particulares, que também existem em grandes números, são esses centros comerciais de saúde. Nem mesmo à antiga classe média, formada por pequenos profissionais liberais, é dada a chance de frequentar esses novos espaços. Trata-se de um privilégio ofertado só à diminuta parcela da sociedade brasileira. Desse modo, não chega a ser surpreendente que a saúde e a educação, dois itens destacados na Constituição de 1988 como direito do cidadão e dever do Estado, não passem de letra morta.
A realidade fez dessas leis magnas o que se faz com os brasileiros de segunda classe. Tanto a Lei nº 9.656/98 quanto o Código de Defesa do Consumidor que regulamentam, na teoria, a atuação das operadoras dos planos de saúde, que contam com cerca de 50 milhões de consumidores, não têm, do ponto de vista dos pacientes com câncer, a capacidade de atendimento adequado, a tempo e a hora. Por isso mesmo, não são poucas as reclamações endereçadas aos órgãos de controle, sempre míopes ou pressionados pelo lobby poderoso dessas empresas. Na hora em que a situação aperta, muitos cidadãos podem verificar o quanto funciona, na prática, a presteza e a eficiência desses planos.
Inúmeros e repetidos são os casos de pacientes enfermos que se valem de ações e mandados emergenciais ante a Justiça para o cumprimento dos contratos ou, simplesmente, para ordenar aos hospitais obediência às formalidades de internação, exames e outros procedimentos. O desespero de familiares, apanhados com a notícia súbita de uma doença grave, ao mesmo tempo em que retira a lucidez para os trâmites burocráticos exigidos, é aproveitado pelas seguradoras e pelos hospitais para introduzirem exigências e elevar os custos dos atendimentos.
É uma situação desigual, experimentada por inúmeras famílias brasileiras. Num país onde ser preso ou ser solto, ser condenado ou absolvido ou ser aceito ou rejeitado depende do poder do dinheiro, não surpreende que viver ou morrer passe a ser também uma questão entre possuir ou não recursos financeiros. Para os idosos e os acometidos de tumores malignos, que precisam de pronto atendimento, essa tem sido uma situação deveras dramática, embora não tenha sido capaz, até o momento, de sensibilizar e mobilizar a classe política e os dirigentes. Mesmo aqueles que, por suas posições de relevo e de decisão na máquina do Estado, poderiam cuidar de tão delicada questão, ela não parece ser um problema que mereça decisão rápida.
O veto do presidente Bolsonaro ao projeto de autoria do senador brasiliense Antônio Reguffe, abrindo espaço para a incorporação pelas operadoras dos planos de saúde da adoção de 23 novos medicamentos orais para pacientes com câncer, complicou uma situação que, em si, era grave e defendida, inclusive, por entidades médicas de todo o país. Mais uma vez, venceram os planos de saúde e, por tabela, os hospitais particulares, que parecem operar em um conluio conjunto com essas empresas. Perdem os brasileiros que querem viver.
A frase que foi pronunciada
“Para isso, é que serve o nosso mandato. Para servir à população. Não podem os diretores da ANS serem aprovados aqui de forma automática. Há artimanhas das operadoras de planos de saúde.”
Senador Antônio Reguffe
Senador Reguffe. Foto: senado.leg.br
História de Brasília
Notícia excelente para o Setor de Indústria e Abastecimento: chegou ontem a Brasília a primeira turbina termoelétrica do SIA. Amanhã ou depois, chegará outra e, até maio, estarão as duas funcionando. (Publicada em 7/2/1962)

As janelas quebradas da capital

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Foto: Carlos Vieira/CB/DA Press

 

Desde os anos sessenta, que o filósofo de Mondubim dizia que a desordem conduz, obrigatoriamente, à desordem. Esse é um tema conhecido de todos aqueles que observam as interações sociais, sobretudo numa cidade populosa, onde a aglomeração de pessoas tem reflexos diretos na qualidade de vida de todos, indistintamente. Não duvide: as atitudes de seu vizinho, ou o que é feito em bairros limítrofes ao seu, tudo possui o poder de repercutir em ações visíveis ou invisíveis na sua própria rua. E tudo será capaz de alterar, significativamente, a qualidade de vida em sua comunidade. O todo está intrinsecamente conectado, numa rede viva e dependente.

O experimento conhecido como “Teoria das Janelas Quebradas”, desenvolvido pelos pesquisadores da Escola de Chicago, nos Estados Unidos, James Q. Wilson e George Kelling, demonstrou, naquela época, que um carro abandonado, num bairro de classe rica ou pobre, tem maiores possibilidades de ser vandalizado ou mesmo furtado, caso uma de suas janelas esteja quebrada. O mesmo ocorre em edifícios, onde as janelas ou partes dele estejam danificadas por um tempo e não passem por pronta manutenção. Logo, logo esse prédio começa a ser depredado, invadido, passando, em pouco tempo, a se constituir em local de moradia de desocupados, sem tetos ou de usuárias de drogas.

A partir desse ponto, toda uma série de crimes passam a ocorrer, afetando não só a população que por ali circula, mas outros pontos da cidade. Exemplo desse fenômeno pôde ser confirmado no antigo Torre Palace Hotel, próximo à Torre de TV, que, a partir de 2014, gerou uma série de acontecimentos negativos e perigosos, não só para o Setor Hoteleiro Norte, onde se localizava, mas para toda a área adjacente. A situação chegou a um crescendo tal que foi necessária uma verdadeira estratégia de guerra para esvaziar o local, com a utilização de helicópteros e de um conjunto de forças de segurança jamais vistas para desocupar o imóvel. Isso depois de muita reclamação, muitos crimes e muitos prejuízos, para o turismo, já que o local onde está a edificação é no Setor Hoteleiro. A imagem de capital moderna acabava por ali.

O mesmo ocorre hoje na conhecida Cracolândia, fincada bem no centro de São Paulo, gerando problemas que nenhum governo foi capaz de sanar nesses últimos anos. O setor Comercial Sul, também possui a sua Cracolândia, sendo formada bem debaixo dos olhos das autoridades e já representa um enorme prejuízo para toda essa antiga e ainda valorizada área da cidade. Também as W3 Norte e Sul, depois da consolidação do modelo dos shoppings fechados, foi perdendo sua importância ao logo dos anos, com muitas lojas sendo fechadas e abandonadas.

A deterioração paulatina dos edifícios nessa localidade também confirma a Teoria das Janelas Quebradas, demonstrando que a falta de zelo e, principalmente, de fiscalização pelos órgãos encarregados desse serviço serviram para aumentar, além da decadência física do local, um atrativo a mais para moradores de rua, viciados e criminosos de todo o tipo que trafegam nessas áreas de dia e de noite.

Nesse particular, a W3 Norte tem sofrido, sobremaneira, nessas últimas décadas, tanto os efeitos da pouquíssima fiscalização pelos órgãos de segurança e vigilância, como dos serviços de postura e de engenharia, que simplesmente deixaram de olhar para essa importante parte da cidade. Outra ilustração clara e oposta à teoria da Janela Quebradas são as estações de metrô da capital. Todas impecavelmente limpas e organizadas e são mantidas assim pela população que, instintivamente, é levada ao desejo de preservação.

Com o desleixo das autoridades em relação aos imóveis da W3 e entrequadras e seguindo a Teoria das Janelas Quebradas, os proprietários desses imóveis passaram a agir e a construir seus puxadinhos à margem do que mandam os códigos de postura e de padrões urbanos, quer expandindo para as áreas públicas seus estabelecimentos comerciais, quer erguendo horripilantes terraços sobre as antigas edificações, não obedecendo questões de gabarito ou mesmo de sobrecargas.

Como resultado desse descaso, há poucos dias um prédio praticamente inteiro na quadra 713 Norte veio abaixo. Por sorte não deixou mortos. Agiriam corretamente as autoridades, se depois desse sinistro e de outros que vêm ocorrendo com certa frequência, mandassem demolir esses andares extras e todas essas obras ilegais, para o bem da população e para o futuro da cidade.

Apenas seguindo o que orienta o código de postura urbana já seria possível frear a decadência dessas vias de comércio. O que ninguém pode permitir, em nenhuma hipótese, é que sejam os próprios donos dessas edificações, junto à omissão da fiscalização, os responsáveis diretos por esses crimes contra a cidade e o futuro dos brasilienses.

História de Brasília

O governador Leonel Brizola chegou ontem pelo Viscount. No mesmo aparelho, viajou, também, o sr. Ranieri Mazzilli, que era o presidente da República à época da Campanha da Legalidade.(Publicada em 06/02/1962)