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Há regiões que crescem apenas em número de moradores. Outras crescem em renda, infraestrutura e valorização imobiliária. O Lago Norte, em Brasília, cresceu em tudo isso. Mas há algo essencial que ficou para trás: a criação de um grande espaço de convivência comunitária capaz de reunir seus moradores em torno da vida social, cultural e recreativa da área.
Hoje, o Lago Norte abriga uma população superior a 40 mil habitantes. Trata-se de uma das regiões administrativas com elevados índices de escolaridade e renda do Distrito Federal. Levantamentos recentes apontam renda domiciliar média superior a R$ 15 mil mensais e mais de 70% dos adultos com ensino superior completo. A população também apresenta forte presença de idosos, ao lado de milhares de crianças e jovens que vivem nas diversas quadras, condomínios e setores habitacionais da região. São números que revelam uma comunidade consolidada, madura e economicamente relevante para o Distrito Federal. Uma população que paga elevados impostos, contribui para a arrecadação pública e ajuda a sustentar boa parte da economia local.
Mas basta observar a rotina do bairro para perceber um paradoxo. Apesar de toda sua pujança econômica, o Lago Norte não possui um verdadeiro centro de convivência comunitária. Não há um local amplo, público e permanente onde moradores possam encontrar amigos, participar de atividades culturais, assistir a apresentações artísticas, frequentar cursos, praticar esportes, caminhar em segurança ou simplesmente conviver. Os encontros acabam migrando para os shopping centers, restaurantes e bares. São opções legítimas, mas que dependem do consumo como condição de permanência. Quem deseja apenas passear, conversar ou participar da vida comunitária encontra poucas alternativas. O resultado é uma espécie de isolamento social silencioso. As pessoas moram próximas, mas convivem pouco. Conhecem os vizinhos de vista, mas raramente compartilham experiências coletivas.
A situação chama ainda mais atenção porque o Lago Norte possui características únicas dentro de Brasília. Poucas regiões dispõem de tanta área verde, proximidade com o Lago Paranoá, qualidade urbanística e potencial paisagístico. Em teoria, poderia ser um dos melhores lugares da capital para desenvolver um modelo moderno de convivência urbana, capaz de integrar diferentes gerações em torno de atividades culturais, esportivas e recreativas. É justamente nesse contexto que ressurge a discussão sobre o futuro do antigo Clube do Congresso.
Localizado em uma área privilegiada e pertencente à União, o espaço possui dimensões, estrutura e localização capazes de transformá-lo em algo muito maior do que um clube tradicional. Sua vocação natural talvez já não seja servir a um grupo restrito de associados, mas tornar-se um equipamento público voltado para toda a comunidade. A ideia de transformá-lo em um Clube de Unidade de Vizinhança merece ser debatida com seriedade. O conceito não é novo. Diversas cidades ao redor do mundo investiram em centros comunitários multifuncionais que reúnem bibliotecas, auditórios, espaços esportivos, áreas para idosos, atividades infantis, cursos profissionalizantes e programação cultural permanente. São locais onde a população encontra não apenas lazer, mas também pertencimento.
Num bairro onde vivem milhares de aposentados, profissionais liberais, servidores públicos, estudantes e famílias jovens, um equipamento dessa natureza teria enorme potencial de utilização. Os idosos encontrariam espaços adequados para atividades físicas, convivência e prevenção do isolamento social. As crianças teriam acesso a atividades educativas e esportivas. Os jovens poderiam participar de oficinas culturais, eventos e programas de formação. As famílias ganhariam um ponto permanente de encontro. Mais do que isso, o próprio Lago Norte passaria a possuir uma identidade comunitária mais forte.
Brasília nasceu sob a inspiração das chamadas Unidades de Vizinhança, conceito urbanístico que previa escolas, comércio, áreas verdes e equipamentos públicos capazes de fortalecer os laços sociais. Em muitos aspectos, esse ideal perdeu força ao longo das décadas. Recuperá-lo seria, de certa forma, resgatar uma das ideias mais interessantes presentes no projeto original da capital. A proximidade das eleições distritais oferece uma oportunidade rara para colocar essa discussão na agenda pública. Os candidatos costumam falar de trânsito, segurança e obras viárias. São temas importantes. Mas a qualidade de vida também depende da existência de espaços que permitam às pessoas viver a cidade para além do deslocamento entre casa e trabalho.
Em tempos onde as relações humanas se tornam cada vez mais virtuais e fragmentadas, investir em espaços reais de convivência pode ser uma das políticas públicas mais inteligentes que uma cidade pode adotar. Falta apenas vontade política para transformar esse potencial em realidade.
A frase que foi pronunciada:
“Mais de uma década de rezoneamentos em toda a cidade, especulação imobiliária e guerras de lances corporativos por espaços comerciais disponíveis criaram um habitat darwiniano onde o varejo corporativo prolifera e onde os pequenos comércios familiares se tornaram uma espécie em extinção.”
Alessandro Busà
História de Brasília
Agora as notícias: o Ministério da Educação autorizou o Tesouro a liberar 610 milhões para serem utilizados pela Fundação Educacional. (Publicado em 20.05.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Repetia o filósofo de Mondubim que “é, no vácuo de autoridade, que as irregularidades encontram meios para se expandir”. Trata-se aqui de uma máxima que pode ser constatada em todo e qualquer local onde o caos urbano é o fator dominante.
Em se tratando de um bairro como o Lago Norte, um dos endereços nobres da capital e onde o metro quadrado das casas e lotes estão entre os mais caros do país, e onde os impostos e taxas são altíssimos, a presença e a proliferação silenciosa da desordem urbana pode ser vista logo na entrada do bairro, no primeiro endereço comercial, situado nas cercanias do supermercado Pão de Açúcar, antiga SAB, na SHIN QI 02.
Ali o descaso e a falta de fiscalização, ao longo dos anos, favoreceu a fixação de diversos barracos de madeira improvisados, onde se vende de tudo e onde a vigilância sanitária parece ter esquecido de atuar. São inúmeras instalações de madeira, dispostas desordenadamente em volta do estacionamento local e que cresce ano a ano, sob os olhares compassivos e até suspeito das autoridades.
A área não oferece os mínimos requisitos de urbanidade, sem projeto, sem infraestrutura permanente, sem desenho urbanístico, sem projeto paisagístico, tudo numa improvisação que deixa, a cargo dos ocupantes dessa área, todo e qualquer cuidado.

Mais recentemente, os ocupantes dessa área resolveram, por conta própria, cercar toda a área, inclusive para preservar os puxadinhos que construíram ao arrepio da lei. Trata-se de uma situação que se prolonga ao longo das décadas e que pode ser verificada ainda em outras áreas comerciais do mesmo bairro, como é o caso da chamada Quituarte, um imenso barracão de madeira, lata e alvenaria que há anos funciona na SHIN QI 10, canteiro central.
No passado, a ideia dos moradores locais era implantar, nesse canteiro, uma espécie de jardim gastronômico, onde, em meio aos quitutes servidos, haveria uma exposição semanal de arte e de artesanato. Com o tempo, e com o descaso do governo em regularizar uma situação ideal, a Quituarte foi se consolidando, seguindo apenas a intuição dos novos ocupantes do local e hoje é uma realidade improvisada, e onde a vigilância sanitária e outros órgãos de fiscalização passam longe.
São situações consolidadas que, ao olhar de urbanistas, caracterizam-se como aleijões construtivos que prejudicam não só esteticamente o bairro, como deixam, a claro, a pouca ou nenhuma vontade das autoridades em dar um rumo correto a essas situações. Segundo moradores que se preocupam com situações desse tipo, pressões políticas e o lobby poderoso de pessoas na capital impedem que essas situações de descalabro urbano sejam resolvidas para o bem da comunidade.
A frase que foi pronunciada:
“Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.”
Lima Barreto

Novidade
Hoje será inaugurado, no estacionamento 10 do Parque da Cidade Sarah Kubitschek, um espaço especial para que cadeirantes possam praticar atividades esportivas e de lazer. Tudo com orientação de instrutores e professores. Tiro com arco, Yoga, Canoagem, Tênis Mesa, Teqball, dança, horta comunitária. É bom começar logo, porque o projeto inicialmente vai durar 2 meses.

Monte de ninguém
Shopping no Aeroporto, Shopping no DEFER. Parece que as vozes das superquadras de Brasília estão roucas e não são ouvidas.

Absurdo Federal
Por falar em shopping, todos abertos, lojas recebendo gente de todos os endereços. Não faz sentido, portanto, que o INSS e agências da Previdência Social estejam de portas fechadas para o contribuinte, sob a chancela viral.

Crime&Castigo
Com a lei na ponta da língua, viciados se reúnem livremente em grupinhos, compartilhando drogas ilícitas. Aos olhos da Lei 11.343/06, a prática continua sendo criminosa e deve levar o cidadão para a cadeia. Até oferecer droga sem fins lucrativos pode ser motivo de clausura.
História de Brasília
Mais uma emenda à Constituição será tentada novamente. O sr. Anísio Rocha insiste na pena de morte, e não sabemos a quem isto vai favorecer. Nem prejudicar também. (Publicada em 17.02.1962)

