Escolas cívico-militares ainda em pauta

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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Colégio Cívico-Militar CED 03 de Sobradinho. Foto: Nikolas Rodrigues

 

Com o avanço da violência urbana nas periferias brasileiras e a crescente sensação de insegurança no entorno das escolas públicas veio à tona um debate que vai além da pedagogia: qual modelo de gestão escolar é capaz de garantir não apenas aprendizado, mas também ordem, previsibilidade e ambiente seguro para alunos e professores? Nesse contexto, as chamadas escolas cívico-militares passaram a ocupar espaço central na discussão educacional do Brasil. Implementadas com maior visibilidade a partir de 2019, dentro do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), essas instituições propõem um modelo híbrido: gestão compartilhada entre educadores e militares da reserva, com foco em disciplina, organização e melhoria do ambiente escolar.

A proposta rapidamente ganhou apoio em comunidades marcadas por problemas recorrentes de indisciplina, evasão e violência. Dados divulgados pelo Ministério da Educação ao longo dos primeiros anos do programa indicaram avanços em indicadores como redução da evasão escolar, diminuição de ocorrências disciplinares e maior assiduidade de alunos e professores. Em algumas unidades, também foram registrados aumentos no desempenho em avaliações internas e externas. Relatórios e reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão trouxeram casos concretos de escolas que, após a adoção do modelo, apresentaram melhora no clima escolar.

Diretores e professores frequentemente relatam maior respeito às regras, redução de conflitos e ambiente mais propício ao ensino. Um dos pontos mais enfatizados por gestores dessas escolas é a previsibilidade. Rotinas mais estruturadas, cumprimento rigoroso de horários e regras claras de convivência contribuem para criar um ambiente onde o processo de aprendizagem encontra menos obstáculos externos. Em contextos marcados por vulnerabilidade social, essa estabilidade pode fazer diferença significativa.

Outro aspecto frequentemente destacado é a participação da comunidade. Em diversas localidades, pais e responsáveis demonstraram apoio à implantação do modelo, associando disciplina a melhores condições de aprendizado. Essa percepção social ajuda a explicar a adesão voluntária de algumas redes estaduais e municipais ao formato.

No entanto, a análise do tema exige cautela e equilíbrio. Especialistas em educação lembram que melhorias observadas em determinadas escolas não podem ser automaticamente generalizadas para todo o sistema. O número de unidades cívico-militares ainda é relativamente pequeno quando comparado ao total de escolas públicas do país, o que limita conclusões mais abrangentes.

Além disso, críticas recorrentes apontam para o risco de confundir disciplina com qualidade pedagógica. A presença de ordem e controle pode melhorar o ambiente, mas não substitui investimentos em formação de professores, currículo, infraestrutura e políticas educacionais de longo prazo. Educação de qualidade depende de múltiplos fatores, e nenhum modelo isolado resolve todas as deficiências estruturais.

Outro ponto levantado por pesquisadores diz respeito ao custo do modelo. A presença de militares da reserva implica despesas adicionais, o que levanta questionamentos sobre a viabilidade de expansão em larga escala. Em um sistema educacional já pressionado por limitações orçamentárias, a alocação eficiente de recursos torna-se questão central.

Também há debate sobre o papel institucional das Forças Armadas e das polícias militares em atividades educacionais. Enquanto defensores argumentam que a participação desses profissionais contribui para a organização e segurança, críticos questionam se essa é a função mais adequada para esses agentes dentro de uma sociedade democrática.

Apesar dessas divergências, um ponto parece consensual: o ambiente escolar importa. Em regiões onde a violência se aproxima das escolas e onde o Estado frequentemente falha em garantir segurança básica, qualquer modelo que consiga restabelecer ordem e previsibilidade tende a ser bem recebido pela população.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a violência em áreas urbanas periféricas continua sendo um desafio significativo, afetando diretamente a rotina de estudantes. Nesse cenário, a escola não é apenas espaço de aprendizado, mas também de proteção social. Editorialmente, a discussão sobre escolas cívico-militares não deve ser reduzida a uma disputa ideológica. Trata-se de avaliar, com base em evidências, quais práticas efetivamente contribuem para melhorar o ambiente escolar e o desempenho dos alunos. Se a disciplina e a organização trazidas por esse modelo geram resultados positivos em determinados contextos, esses elementos merecem ser considerados.

Por outro lado, é necessário evitar soluções simplistas para problemas complexos. A crise da educação pública brasileira envolve questões estruturais profundas, que vão desde desigualdades socioeconômicas até deficiências históricas de gestão e financiamento. O desafio, portanto, está em identificar o que funciona, adaptar boas práticas e integrá-las a uma política educacional mais ampla. Escolas cívico-militares podem representar uma alternativa em determinados contextos, especialmente onde a desordem compromete o aprendizado. Mas não substituem a necessidade de reformas estruturais no sistema educacional. No fim, a pergunta central permanece: como garantir que milhões de estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade, em ambiente seguro e estimulante? Qualquer resposta séria a essa questão exigirá menos rótulos e mais compromisso com resultados concretos. Se a disciplina é parte da solução, ela deve ser incorporada de forma inteligente. Se a segurança é condição básica, ela precisa ser garantida. E se a educação é prioridade, todas as estratégias que comprovadamente contribuam para seu fortalecimento devem ser analisadas com rigor, sem preconceitos, mas também sem ilusões.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Todos os líderes mundiais desejam educação de qualidade para seus filhos. Eles precisam pensar nas crianças do resto do mundo como se fossem seus próprios filhos.”

Malala Yousafzai

Malala Yousafzai. Foto: © Malala Fund

 

História de Brasília
Está marcado para amanhã, o julgamento mais sensacional do Tribunal do Juri de Brasília. Será julgado o delegado João Pelles. (Publicada em 17. 05.1962)

 

A hora da disciplina nas escolas

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VISTO, LIDO E OUVIDO Criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960 Com Circe Cunha  e Mamfil

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Ainda é cedo para avaliar o projeto-piloto Escola de Gestão Compartilhada, até por uma razão bastante lógica: trata-se de um projeto-piloto, ou seja, de um teste para ser avaliado, à posteriori, as consequências desse modelo de gestão, administrativa e disciplinar, a ser implantado em algumas escolas da rede pública do Distrito Federal.

A bancada de esquerda na Câmara Legislativa, obviamente, se posicionou contra o projeto, assim como o Sindicato de Professores, dominados há anos por esses mesmos partidos. Pressionados pelos sindicalistas, muitos professores, com medo do patrulhamento ideológico intenso, têm não só se colocado contrário à proposta, como induzido os alunos a adotarem a mesma oposição.

Essa antecipação de posição por parte do pessoal de esquerda, que ainda domina a educação em todo o Distrito Federal, além de preconceituosa e reacionária, prova, mais uma vez, que essa gente não deixa espaço aberto para o diálogo e não abre mão do status quo mantido por décadas. O fato é que, sob a gestão e orientação desse grupo ideológico, ao longo de todos esses anos, a qualidade do ensino só tem declinado. E o que é pior, a violência e as drogas, dois dos grandes males sociais de nossa época, já adentraram nas escolas fazendo de professores e alunos as novas vítimas.

É certo que a entrada da disciplina de característica militar, em algumas escolas, não tem o dom de, por si só, melhorar os índices de qualidade da educação, mas, em casos específicos, podem melhorar, e muito, a questão da disciplina nesses ambientes conturbados. Há muito os dirigentes das escolas, e principalmente os professores, perderam o respeito dos alunos.

Hoje, em muitas escolas, os professores simplesmente não conseguem dar aula, não conseguem manter os alunos dentro das salas de aula e muito menos estudando. Professor que ousar chamar a atenção de algum aluno corre risco de vida. A disciplina é não só no Brasil, mas em todo o mundo, reconhecida como o requisito fundamental para o processo de aprendizagem.

Muitos países com tradições democráticas, muito mais antigas e aperfeiçoadas que a nossa, colocam a questão da disciplina à frente de todo o processo educativo. Não é por outro motivo que muitos pais de alunos têm expressado receio em colocar seus filhos nas escolas públicas e optado pelo ensino em casa (homeschooling).

Na verdade, quando os partidos de esquerda e seus satélites, representados pelos sindicatos, se posicionam contra a chegada da disciplina nas escolas, estão cumprindo à risca o que diz a cartilha da revolução gramsciana para a tomada do poder: “Não tomem quartéis, tomem escolas e universidades, não ataquem blindados, ataquem ideias.”

 

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A frase que foi pronunciada:

“A disciplina é a chama refinadora através da qual o talento se transforma em capacidade.”

Roy Smith, treinador

Imagem: se.df.gov.br

 

Perigo

Em se tratando de estrutura, o ICC Norte, mais conhecido como Minhocão na UnB, parece que não vai bem das pernas. Pelo menos, o que os leigos veem são marcas de infiltração e plantas nascendo em crateras nos pilares.

 

Insanos

Infelizmente, os trotes não progridem com o passar do tempo. Os alunos da UnB comemoram com os veteranos jogando farinha ou com humilhações já conhecidas.

 

Desleixo

Enquanto isso, as mãos dos novatos e veteranos poderiam estar em mutirão recolhendo os entulhos do Centro Olímpico, ou mesmo revigorando a pista de atletismo, que atualmente está entregue ao mato alto. Além disso, as placas de sinalização das distâncias estão todas ilegíveis. O alambrado enferrujado é um risco permanente.

 

Pouco

Mais de R$9 mil reais em notas fiscais deram R$ 452 de desconto no Nota Legal. Veja a imagem da tela do leitor, no blog do Ari Cunha. Aliás, o projeto, original do senador Reguffe, teve as alíquotas totalmente modificadas. Até o crédito para compra de medicamentos, um programa que o então governador Rollemberg prometeu fazer valer ao parlamentar, não funcionou.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

De mais a mais, o radioamadorismo é para se incentivar, e não para se proibir. Não há um mundo, um único radioamador que não tenha prestado, com seu equipamento, um grande serviço a uma comunidade, alguma vez. (Publicado em 10.11.1961)