Relações contaminadas

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil

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Foto: Infoglobo

 

Um dos passivos, e talvez um dos mais nefastos, gerado pelos treze anos de governo petista, com suas pretensões extemporâneas de reerguer o Muro de Berlim, pulverizado com o fim da União Soviética, incidiu, sobremaneira, sobre as relações exteriores do Brasil com o restante do mundo.

A nova reorientação nessas relações imposta de cima para baixo, desprezando mais de um século de experiências acumuladas nesse complexo ofício, fazendo o país voltar as costas para seus antigos parceiros, mais do que desconstruir, da noite para o dia, esse intrincado relógio, levou-nos a uma posição de unilateralidade, de onde passamos a enxergar apenas parceiros ligados e simpáticos ao governo de turno. Com isso, foi estabelecida uma nova metodologia nas relações com o exterior, na qual o que importava agora não eram os benefícios reais para o Brasil, mas uma construção abstrata que fazia do Brasil uma espécie de farol a guiar o imenso transatlântico à deriva que se tornou o mundo bipolarizado depois de 1989.

Obviamente que, numa posição como essa, os ônus para o Brasil em suas relações com o restante do mundo seriam, como a prática assim confirmou, muito maiores. O que amainou e tornaria esses estragos um pouco menores, num primeiro momento, foram fatores alheios a essa reorientação de viés ideológicos e mais fincados no mundo real e representados, principalmente, pelo boom nos preços das commodities. Não fosse por esse momento insólito, propiciado pelas exportações de produtos in natura, e que traria um certo alívio nas finanças públicas, dificilmente o Brasil suportaria a continuação dessa orientação requentada de terceiro mundismo.  Como parte didática desse novo Ministério das Relações Exteriores que nascia, artificialmente, de fora para dentro, foi providenciada uma espécie de cartilha ou catecismo a ser seguido pelos profissionais desse métier.

Até mesmo o titular da pasta, num gesto inusitado e sintomático, filiou-se ao partido do governo, transformando-se num executor, dentro do ministério, das diretrizes do partido, alheio, portando, aos interesses do Estado. O preço pago pelo País, por conta dessa nova reorientação, poderia até ser medido em termos quantitativos como, por exemplo, no atraso do programa espacial, no que diz respeito ao mercado de satélites de telecomunicações, entre outros passivos. É de se salientar também que, para os planos puramente materiais de nosso País, o novíssimo modelo adotado pelas relações exteriores resultou numa transferência de bilhões de reais, por meio de um BNDES ardilosamente remodelado para atuar no exterior, aos países que comungavam o mesmo credo e que, como é sabido, não honraram, até hoje esses “empréstimos”.

Os prejuízos mais significativos, e talvez mais duradouros, viriam com a perda de credibilidade perante o mundo, construída, a duras penas, ao longo de mais de um século de diplomacia. Deu no que deu.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Antes mesmo das reformas política, tributária e previdenciária, o Brasil precisa é de uma reforma psicanalítica”.

Nelson Motta, jornalista brasileiro

Foto: Reprodução/Instagram

 

 

Belo dia

Uma beleza passar o dia no Jardim Botânico. Belas trilhas para seguir pedalando. O porteiro e outros funcionários muito educados, brinquedos diversificados para a meninada, latas de lixo para manter o ambiente saudável. Apenas os banheiros estão em estado deplorável: velhos e sem manutenção. Com pouca verba, é possível uma restauração. Nenhuma depredação no local.

Foto: curtamais.com

 

 

Institucional

Um batalhão de servidores públicos do Judiciário, do Legislativo e do Executivo, tanto federal quanto distrital, aposentado. São pessoas experientes que muito têm a contribuir com o país e com a capital. É hora de termos um conselho de notáveis para ser ouvido pela sociedade.

 

 

 

Regras

Governador Ibaneis Rocha disse que população não admite o pagamento de um salário de R$ 17 mil para o jardineiro da Novacap. Quem não deveria admitir é o GDF. A Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) faz pente fino nas folhas salariais das empresas públicas, e cargos de diretores também extrapolam a linha do bom senso quanto ao pagamento. O que vai ser feito não foi anunciado.

Foto: jornaldebrasilia.com.br

 

 

Exposição

Hoje e amanhã Felipe Morozini (A cidade inspira – Palavras) e Jean Matos (Pulso), apresentam Itinerante em Casa. Na Praça Central do Casapark. Veja mais detalhes a seguir.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Lamentamos o ocorrido, e louvamos a atitude da Sousenge, prometendo pagamento de cem por cento. Gente honesta, que se meteu num bom negócio, que de uma hora para outra se transformou, por causa do governo inimigo de Brasília, em grandes dificuldades. (Publicado em 25/11/1961)

Turismo, as novas invasões bárbaras

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Foto: AFP/PROJECT POSSIBLE (bbc.com)

 

Desde que o veneziano Marco Polo empreendeu sua viagem às longínquas terras chinesas de Kublai Kan, no século XIII, narrando o que viu no famoso Livro das Maravilhas do Mundo, o interesse dos ocidentais em explorar o planeta ganhou um impulso que jamais perderia.

De lá para cá, novos mundos foram sendo descobertos e explorados e a ânsia em viajar e ver novas culturas cresceu e invadiu o espírito de muitos. Dando um salto de sete séculos no tempo, esse desejo em conhecer novas terras não amainou nos homens e ainda foi enormemente multiplicado, gerando um fenômeno moderno e que vem chamando a atenção das autoridades por todo planeta. Trata-se do crescimento exponencial do turismo de massa, que vem ocupando, como uma tropa invasora, não apenas as principais metrópoles do planeta, mas também muitas áreas que, a princípio, deveriam ser preservadas da ação predatória das grandes multidões de viajantes curiosos.

A situação tem chegado a um tal ponto de inflexão que, em muitas cidades, como é o caso de Veneza, na Itália, as hordas de turistas incontroláveis, que chegam a bordo de grandes navios superlotados, acabam causando prejuízos e danos ao patrimônio artístico e histórico local. Não é por outra razão que, em muitas dessas cidades famosas, já se observam a adoção de medidas legais que visam limitar o número de pessoas em trânsito nesses delicados sítios famosos.

Para entender melhor esse fenômeno atual, nada melhor do que observar com atenção uma foto que tem corrido pelas redes e que explica essa invasão irracional melhor do que mil palavras. Na fotografia, tirada recentemente a poucos metros do cume do Monte Everest, anteriormente um dos maiores desafios de escalada para os solitários alpinistas profissionais, uma imensa fila, formada por centenas de escaladores amadores de todas as partes da Terra, aguardam sua vez de chegar ao cimo e de lá tirar sua selfie para recordação e álbum de família.

Despreparados e afoitos em se tornar também uma celebridade, muitos desses alpinistas, atraídos por guias gananciosos, têm perdido a vida nesse tipo de turismo improvisado e arriscado. Também causam enormes prejuízos ao meio ambiente local, onde deixam, todos os anos, toneladas de lixos e de materiais que não suportam carregar na empreitada louca.

Somente no ano passado, onze pessoas morreram durante a escalada, transformando a inóspita paisagem num verdadeiro cemitério de turistas aventureiros. De tão intenso e com alto poderio de transformação das culturas locais, o turismo vem, em muitos lugares, deixando de ser uma atividade geradora de renda e de incremento na economia, para se transformar numa dor de cabeça para as autoridades.

Nos lugares mais famosos e, portanto, mais atrativos para os turistas, multiplicam-se também os casos de maus tratos aos viajantes, principalmente aqueles grupos que demonstram pouca educação e respeito aos costumes locais. Existe hoje, inclusive, algumas localidades onde os turistas não são bem-vindos, mesmo aqueles com as malas cheias de dinheiro para torrar. São sinais do tempo e que mostram, por outro ângulo, no tempo e no espaço, as novas invasões bárbaras.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.”

Chico Xavier

Foto: ebc.com.br

 

Direitos

Problema sério continua na Asa Norte: prostitutas, brigas, drogas. Falta cortar pela raiz. Em área residencial, não é lugar para isso.

 

 

Maçante

Os musicais de Nova York não são mais os mesmos. Transformaram-se em matinê. Frozen, Rei Leão, Aladim, Harry Potter. Interessante que, nas filas, crianças, jovens e mulheres.

 

 

Tensão

Um drone foi destruído no Irã, pela Guarda Revolucionária, por ter violado o espaço aéreo. Imediatamente, os EUA proibiram aviões americanos de sobrevoar o espaço aéreo sob a guarda do Irã no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Houve preparo para um contra-ataque, mas foi abortado, segundo a Associated Press.

Reprodução: g1.globo.com

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O deputado Dirceu Cardoso fez um discurso pedindo um inquérito para o número de telefones feitos em nome da Câmara. Agora, os usuários dos telefones, que fazem ligações interurbanas, continuam pedindo as mesmas ligações, mas dão o nome do deputado do PSD do Espírito Santo. (Publicado em 23/11/1961)

Para onde vai a educação?

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

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Foto: agenciabrasil.ebc.com.br
Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

         No domingo, o caderno Cidades do Correio Braziliense estampou em sua manchete, sob o título “Para onde vai a UNB”, a questão da crise que assola a principal Universidade de Brasília. Posta, em números, a questão do déficit nas finanças da instituição por conta do aumento no custeio de R$ 800 milhões, verificado a partir de 2013, para os atuais R$ 1,4521 bilhão, que poderia ter um equacionamento mais racional, já que as receitas no mesmo período variam para cima, indo de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,7 bilhão.

         Seu prestigiado departamento de economia, por onde vagueiam cérebros treinados e aparentemente ociosos nas artes do balanço contábil, poderiam se debruçar sobre o assunto e, nesse caso, não surpreenderia que a UnB viesse a constatar a existência de inúmeras saídas sensatas para o vermelho nas contas, sem a necessidade de empurrar a instituição ladeira abaixo no quesito respeitabilidade pública, item importantíssimo quando se trata de um centro de estudo e pesquisa, vital para o desenvolvimento da sociedade.

         Só que, por detrás desse pano, aparentemente atropelado por números, se esconde um problema muito maior, até que a própria instituição, e que, nesses dias conturbados, vem permeando não só as instituições de ensino público em todo o país, mas a própria estrutura organizacional do Estado, colocando em risco a sustentação do principal pilar que escora toda a República.

         Para além de uma crise financeira, o que a UnB e outras universidades do gênero vêm experimentando na pele decorre da corrosão provocada pela ausência do cimento da ética, o que tem levado a nação ao mergulho no seu mais tenebroso momento. É sob a esteira desse imenso triturador de moral que foi ardilosamente organizado no andar de cima do governo e que tem levado dirigentes importantes a conhecer, por dentro, o sistema carcerário, que a UnB vê seu antigo prestígio sendo levado aos poucos de roldão.

          Mesmo as questões relativas aos debates ideológicos, tão necessários numa casa do saber, perdem importância e substância filosóficas e racionais quando se assiste a cada dia a transformação dessa universidade num ambiente em  que a erudição e o saber perderam espaço para hostilidades primitivas que, ao fim ao cabo, revelam o despreparo intelectual de professores e alunos, com muitas exceções, para os grandes debates nacionais, acabando também por colocar essa instituição na mesma vala comum onde hoje jazem as principais lideranças do país.

         Permitir, nessa altura dos acontecimentos, que a UnB adentre por atalhos rumo a uma anacrônica revolução gramsciana, visando a hegemonia do pensamento, como demonstra a apatia cúmplice de sua reitoria frente à crise, é decretar a morte da instituição e confiná-la embalsamada no mesmo mausoléu de vidro onde repousa hoje a figura sinistra de cera de Lenin.

          Para os pagadores de impostos, já demasiadamente arrochados pelo fisco, interessa uma instituição que possa pensar e apontar caminhos para o país. É justamente em prol dos muitos que jamais terão oportunidade de acesso a esse time de elite que a UnB tem que trabalhar, pondo suas tropas bem fornidas em campo.

A frase que foi pronunciada:

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

Paulo Freire

Tirinha: gazetadocerrado.com.br
Tirinha: gazetadocerrado.com.br

Participação

“Criou-se no Brasil a falsa necessidade de privatização da Eletrobrás e suas subsidiárias para, aparentemente, fazer com que um patrimônio, com valor da ordem de R$ 300 bilhões, gere lucros privados. Nesse processo, o Estado receberia irrisórios R$ 12,2 bilhões e os consumidores brasileiros seriam os reféns geradores dos lucros privados, a partir do aumento da tarifa de energia elétrica.”

Raul Bergmann

Charge: tijolaco.com.br
Charge: tijolaco.com.br

Incompreensível

Eucaliptos italianos que davam graça à paisagem da entrada do Pontão e que ficavam na pista oposta foram todos derrubados.

Gana

O parque, que era cercado na entrada do Lago Norte, já não possui limites. É fácil a Câmara Legislativa mudar a destinação de um parque para moradia. Principalmente se a população interessada não ficar de olho ou não reagir.

Preleção

Na pizzaria Dom Bosco, da Asa Sul, uma discussão sobre política terminou com a conclusão de que tinham que acabar com o Congresso. O orador deve ter esquecido que quem faz as leis recebeu voto da população. Com uma urna segura, a escolha pode mudar.

Charge: artesmendes.wordpress.com

Mais uma

Um dos balconistas da Dom Bosco, o William, Marcão ou Rodrigo, indagou: “Já reparou que as leis de arrecadação são certinhas? Água, Luz, IPTU, IPVA, até as multas de trânsito funcionam? Já os investimentos na saúde, educação, transporte e segurança não seguem a mesma rigidez.”

Charge: desafiosensino.blogspot.com.br
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Manutenção

Por falar em Asa Sul, os viadutos entre as 207/107 estão com o teto despencando.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Enquanto isto, os moradores que sofram lama, poeira, barulho de gerador, mosquitos e toda sorte de desconforto. (Publicado em 20.10.1961)