Pobreza e fome

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: CNN Brasil

 

Ao longo de toda a história humana, a pobreza sempre pareceu uma espécie de condição ou norma natural da maioria e tem permanecido assim desde a formação das primeiras civilizações. De forma mais superficial, é possível verificar que, em lugares onde não exista segurança jurídica adequada, onde não é permitido o empreendedorismo e a propriedade privada, bem como a acumulação de capital e investimento, a pobreza parece ser a regra geral.

Dizer, simplesmente, que toda riqueza ou fortuna é montada num roubo não esclarece a questão. Assim como culpar a concentração de renda pela miséria também não. Um fato, porém, é inconteste: o capitalismo, ao permitir a liberdade humana para a competitividade e a inventividade, não deu, às diversas camadas sociais, condições idênticas de partida. Com isso, aqueles que possuem renda começam a se preparar para essa corrida para longe da pobreza em melhores escolas, com melhor atendimento de saúde e melhores condições de alimentação. A desigualdade se mostra logo no início da partida e isso já faz a grande diferença.

O aumento exponencial da população mundial, assim como os fatores hodiernos que provocaram as mudanças climáticas bruscas, como o aquecimento global, só fizeram elevar o problema da pobreza a uma condição absolutamente preocupante, levando a humanidade à sua mais complexa e urgente encruzilhada, desde o aparecimento dos homens neste planeta.

Não há desenvolvimento possível e eticamente aceitável, diante de um passivo como esse. Pobres existem em todas as partes do mundo, inclusive nos países desenvolvidos. E essa realidade tem experimentado um crescimento preocupante. As grandes ondas de emigração, que tem se verificado dos países pobres para os ricos, só têm feito aumentar esse problema, acrescentando-lhe uma forte dose de outros elementos também preocupantes.

De acordo com estatísticas produzidas pelo Banco Mundial, pobres são aqueles indivíduos que vivem com até US$ 1,9 por dia. Mas ainda assim é possível classificar os níveis de pobreza naquelas pessoas que vivem com uma renda um pouco superior. O século XXI tem pela frente o desafio de encontrar soluções para esse problema, que aumenta dia a dia, agora agravado com a pandemia.

Foto: Twitter/The Nobel Prize

Cientistas sociais correm contra o tempo em busca de fórmulas e modelos que permitam minorar essa situação antes que esse dilema atinja o patamar de questões insolúveis. O Prêmio Nobel de Economia, dado a três pesquisadores que propuseram estudos que abordam esse problema sob uma nova ótica, pode possibilitar também novas soluções. Banerjee, Duflo e Kremer apresentaram estudos que tratam do fenômeno da pobreza como um problema multidimensional, que ultrapassa a questão simples da falta de recursos e outros fatores. Para esses estudiosos, como já havia sido abordado anteriormente em 1998 por outro Prêmio Nobel, Amartya Sen, a pobreza é também a “privação de capacidades”.

Com isso, ele quis dizer acesso restrito à educação e saúde, e exclusão social e financeira. Para os novos premiados, a ação de combate à pobreza deve mirar esforços em fatores específicos em cada uma das dimensões. Levantamento feito por Banerjee em 13 países de vários continentes, e apresentado no livro “A vida econômica dos pobres”, mostrou que aquelas pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza renunciam, diariamente, à aquisição de bens, inclusive de alimentos para prosseguir. Com isso, ficam diminuídas as possibilidades de maior produtividade.

O estudo mostra ainda gastos acima da renda em artigos como entretenimento. Houve ainda indicativos de falta de reação contra a qualidade do ensino, da saúde, dos transportes, o que motiva a perpetuação precária dessas questões estruturais. Para esses cientistas é preciso fortalecer todos os itens ligados à educação, saúde e infraestrutura, para dar início ao processo de superação da pobreza extrema. Para os premiados, é preciso também que essas populações superem a ideia de que gastar com educação é uma perda de tempo e desperdício de recursos. Nesse ponto, eles incentivam a interação entre setores público e privado, inclusive veículos de comunicação.

A frase que foi pronunciada:

Não fortaleceras os fracos por enfraqueceres os fortes. Não ajudarás o assalariado se arruinares aquele que o paga. Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos.”

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln. Foto: wikipedia.org

Coité

Daquelas promessas de escrever um livro, mais uma deu certo. Djalmir Bessa resolveu atender aos chamados de seus personagens e passou para o papel uma história gostosa de ler: Coité. A vida humana no Nordeste. Os ingênuos, os espertos e os brasileiros que interpretam a vida nas letras do Divino. Por enquanto, ainda não foi publicado. É caro demais. Quem tiver alguma alternativa que se manifeste. Vale a pena!

História de Brasília

Já que o assunto é W-3, ninguém pode esquecer os benefícios para toda a cidade que tem prestado a CAT, o pequeno hospital do IAPI, próximo às casas da ECEL. (Publicado em 03.02.1962)

O lado bom da coisa ruim

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Foto: Gov. SP/Divulgação

 

Deixando de lado, apenas por uns momentos, os muitos malefícios trazidos a todos pela pandemia, é possível encontrar, em meio ao caos que se instalou na vida de todos, alguns elementos que, por força das circunstâncias, acabaram gerando pontos benéficos indiscutíveis e que só poderiam existir em condições excepcionais como essa.

Tomando como ponto de partida a questão do trânsito no Brasil, um país reconhecidamente recordista em mortes nas estradas e que, por vários anos, tem ocupado a triste posição de 4º colocado no mundo nessa categoria, superado apenas por China, Índia e Nigéria, é preciso destacar que, durante a pandemia, tem havido uma expressiva redução nesses índices.

Em 2019, algo em torno de 40 mil pessoas perderam a vida em acidentes nas estradas do país. Em 2020, esse número caiu para menos de 35 mil. Uma redução que, embora não sinalize uma mudança de hábitos e, sim, uma diminuição no número de veículos circulando, tem servido para poupar vidas, desafogar leitos hospitalares e poupar recursos econômicos de toda a ordem.

Coisas do confinamento e do esfriamento do comércio, principalmente na área de transporte de mercadorias. Houve, além de uma diminuição do trânsito nas estradas do país, uma nítida diminuição do fluxo de automóveis nas zonas urbanas, aliviando os congestionamentos, reduzindo a poluição do ar, a poluição sonora e o excesso de acidentes em todas as vias de nossas cidades. São milhares de vidas poupadas e bilhões de reais economizados. Basta ver que a cada 10% de redução nos acidentes correspondem à economia de R$ 25 bilhões aos cofres públicos.

Há, também, dados trazidos pelo Índice de Exposição a Crimes Violentos (IECV), elaborado pelo Instituto Sou da Paz, que mostram que os crimes violentos sofreram retração de 11% em 71% dos municípios paulistas em 2020. O isolamento social foi responsável por esses números, na medida que a diminuição de circulação de pessoas nas cidades tem reflexos na dinâmica criminal, reduzindo as oportunidades de crimes.

Também no Mato Grosso do Sul houve redução geral da violência, com destaque para as mortes decorrentes de intervenção policial que foi de (-53%). Contrariamente ao que acreditava o próprio governo, que chegou a traçar cenários de saques e invasões de supermercados, boa parte dos estados brasileiros registrou, em 2020, diminuição no número de crimes diversos.

Diminuíram os indicadores de roubos e furtos nos domicílios em todo o país. Obviamente que são reduções que não alteram o fato de o Brasil ainda ser um dos campeões mundiais em violência, mas dão uma certa perspectiva de que há possibilidades reais em trazer os índices de violência para patamares próximos de países desenvolvidos.

Claro que esses indicadores não possuem a capacidade de esconder que estamos na iminência de atingir a cifra de quase meio milhão de mortes em decorrência da Covid-19 e outras doenças muitas vezes penduradas na conta da pandemia.

Deixando as estatísticas nacionais num canto, é preciso notar, com relação especificamente à capital do país, uma expressiva diminuição de mortes tanto no trânsito quanto nos crimes de forma geral. Em Brasília, em 2020, houve queda de nada menos do que 50% nos crimes de feminicídio. De acordo com levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) indica que, em 2020, foram registrados 11,4 homicídios por 100 mil habitantes, índice mais baixo desde 1980. Também efeitos trazidos pela pandemia. É o lado bom da coisa ruim.

A frase que foi pronunciada

Todo mundo acha que nós criamos problemas com a China, menos a China.”

Ex-chanceler Ernesto Araújo

Ministro Ernesto Araújo. Foto: Folhapress / Pedro Ladeira

Estacionamento

Enorme área na Granja do Torto com postes de iluminação funcionando bem e iluminando o nada. Veja a seguir.

Sacrifício

Hoje, das 7h às 23h, o fornecimento de água na parte norte da cidade será suspenso. Lago Norte, Taquari e Sobradinho. “Os serviços vão aumentar a capacidade de transferência de água para a região norte e garantir maior confiabilidade na operação do sistema.”

Caesb. Foto: destakjornal.com.br

Lógica científica

Se um governo não tem oposição é porque algo está errado. Durante os governos Lula e Dilma, não houve oposição que engrossasse a voz contra qualquer atitude suspeita, verba desviada, até a inutilidade de uma tomada com padrões novos foi recebida de braços abertos. Havia algo de podre e não era no governo da Dinamarca. É bom ver oposição a um governo que o povo apoia. A urna eletrônica com o voto impresso vai chancelar a vontade do brasileiro. Se deixarem…

Foto: bbc.com

História de Brasília

Mas havia esperança no país. Apenas meia dúzia de pelegos estrebuchava espumante, conta o homem. Forças Armadas, a favor. Povo a favor. Trabalhadores a favor. E veio a notícia bomba: o homem renunciou. (Publicada em 02.02.1962)

Estamos sós

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Charge do Fred

 

Lições vindas de todo o tempo e lugar na história humana demonstram que, em tempos de guerra contra um inimigo comum, como é o caso da atual pandemia, foi contando com a união comandada de esforços que nações, das mais diversas culturas, lograram sair-se vencedoras. É em períodos assim que despontam aqueles que possuem liderança capaz de reunir, em torno de si, populações ordeiramente encorajadas para enfrentar momentos de grande agonia.
Não há outro caminho possível, exceto a rendição. No caso específico do Brasil, esses exemplos e ensinamentos de nada serviram, uma vez que nossas lideranças, momentâneas, todas elas, mostraram, na prática, o quão incapazes são para, ao menos, coordenar um esforço conjunto em defesa da nação. Falharam as lideranças e falhou, também, boa parte da população, ao se mostrar arredia às mínimas recomendações de saúde pública.
Temos um longo caminho pela frente para preparar os indivíduos, transformando-os em cidadãos cônscios de seus direitos e deveres e, dessa massa formada, retirar verdadeiras lideranças, capazes de se mostrarem eficazes e éticas na paz e na guerra. O que temos visto até aqui, em torno dessa virose até então desconhecida e traiçoeira, que oscila em ondas cada vez mais mortais, é um suceder de disputas e rinhas políticas, mesquinhas e pessoais, que nada trazem de benefício à população.
Mesmo aqueles que se mostram insistentes para que a população seja o mais rapidamente possível vacinada, o fazem para forçar o retorno a uma normalidade utópica, de modo a facilitar a retomada de seus intentos pessoais. Uma leitura atenta ao que ocorre neste momento em todos os noticiários do país, e mesmo do exterior, mostra que o Brasil está sem lideranças à altura dos acontecimentos atuais.
A população, que a tudo assiste espantada e perplexa, não sabe como proceder, encontrando-se entre a clausura extrema e o relaxamento total das medidas de segurança. Ruas comerciais, shoppings, aeroportos e feiras lotados dão uma mostra de quanto estamos perdidos em meio ao tiroteio geral.
Incrivelmente, temos, à frente do Ministério da Saúde, um general intendente, mas que, por ordens superiores, não pode exercer e pôr em prática seus conhecimentos de logística. A essa altura da batalha, todos os hospitais do país, inclusive os particulares e especializados que, em tese, não cuidam desse tipo de enfermidade, estão todos reunidos no combate à pandemia.
Não vale aqui citar esses centros de excelência médica que, nessas horas, fingem-se de mortos para não participarem do esforço coletivo. Na ausência de lideranças com voz e razão, seguimos na base do improviso, entregando todo o grosso do problema nas mãos de médicos e enfermeiros já sobrecarregados, exaustos e sem recursos.
Os planos de saúde que, neste momento extraordinário, deveriam relevar questões de lucros, só estão agindo por força de medidas judiciais, por meio de processos de Ação Civil Pública (ACP) que obrigam os planos a prestarem atendimento de emergência e urgência a todos os filiados, mesmo fora do período de carência contratual.
A logística de guerra que outros países puseram em prática para fazer a máquina do Estado dar uma resposta forte à pandemia, por aqui, não foi sequer ensaiada. A coordenação desse gigantesco esforço de guerra, que deveria vir de cima, das altas esferas, não veio.
Em lugar algum se viu, até aqui, qualquer desses políticos e outras falsas lideranças em visita aos hospitais, à frente dos pelotões, comandando o esforço de guerra pessoalmente. Estamos sós, entregues ao acaso, ao sabor das correntes e à deriva, em meio à tempestade em alto mar.

 

Imperdível

Quem não foi ainda há tempo. A partir das 19h30, na Torre de TV, um espetáculo de luz, imagem e som.

 

Ao contribuinte

Cada recibo impresso de impostos e taxas pagos à Secretaria da Fazenda do DF não há discriminado a que imposto ou taxa se refere: IPTU, IPVA, ITCD, ou qualquer outra taxa. A única relação com a cobrança é o código de barras. Seria pensar na segurança e organização do contribuinte detalhar no recibo pago a referência completa.

 

Online

Uma das melhores páginas do Governo Federal para se navegar é a do Ministério da Infraestrutura. Simples e amigável, além do conteúdo que aponta uma excelente gestão, a forma facilita o acesso às informações. Ministro Tarcísio Gomes e equipe acertaram.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Tente

Por falar em gestão, seria uma surpresa, no comércio, que os donos da loja aparecessem para verificar o atendimento. Ou nas grandes empresas, que os donos telefonem para pedir informações. Veriam com os próprios olhos e ouviriam com os próprios ouvidos o que passam os contribuintes.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Quando falo em política, não cito nenhum dos nomes acima. Cito Carvalho Pinto, como exemplo de equilíbrio, de hombridade e de decência. (Publicado em 21/01/1962)

Um passivo de morte para as próximas gerações

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Foto: blog.aegro

 

Quem quer se iludir e se encantar com os pretensos lucros imediatos que o agronegócio tem trazido para a tão festejada balança comercial pode seguir tranquilo em seu delírio. O que não se pode, em hipótese nenhuma, é destruir e comprometer irremediavelmente o bioma brasileiro, como se tem visto até aqui, às custas de monoculturas para a exportação, que remete o Brasil ao período colonial, a cinco séculos atrás, quando nosso país se inseriu, como economia complementar da metrópole, dentro do que preconizava o capitalismo mercantilista.
Esse tempo, que se pensava ter ficado num passado longínquo e que tanto exauriu nosso país em troca de lucros, que também se desmancharam no ar, está de volta. Dessa vez, potencializado por máquinas gigantescas, que aceleram o processo de degradação e de contaminação do solo. Vivemos uma revolução agrícola às avessas, com todos os malefícios que essa atividade pode render num futuro que vai chegando de mansinho, encoberto pelo manto mágico dos agrodólares.

Tão enorme quanto esse apetite pela produção agrícola são os meios usados para que essa atividade não sofra processo de descontinuidade. Na mídia, no parlamento, no governo e em praticamente todos os canais institucionais existentes, inclusive nos diversos órgãos de controle do país, todos os esforços são empreendidos para que esse tipo de agricultura arraste terras, prossiga sua marcha.

O lobby é poderoso e desafia qualquer um. A censura e a repressão contra aqueles que ousam protestar em nome do futuro são pesadas. Cientistas e pesquisadores renomados, que, há anos, estudam esse fenômeno de pauperização da nossa biodiversidade, são publicamente enxovalhados. O desmantelamento dos órgãos que poderiam fiscalizar de perto todas essas atividades perversas foi feito dentro de um plano preestabelecido para ocultar as irregularidades que, seguidamente, aconteceram. Nunca, em tempo algum, a indústria de pesticidas e de produção de espécies transgênicas, lucraram tanto.

Biomas, como é o caso do cerrado, onde o agronegócio reina absoluto, impávido e intocável vão virando cinzas. O conhecido cientista Carlos Afonso Nobre, especialista nos fenômenos do aquecimento global, há anos, alerta para o processo de savanização de extensas áreas do cerrado e das bordas da região amazônica. Segundo ele, estamos há menos de duas décadas de distância para que isso ocorra, de forma irreversível e descontrolada.

As estações secas vão se prolongando cada vez mais, com o clima úmido dando lugar ao clima de savanas e a extinção das espécies da Amazônia. “Já desmatamos 1 milhão de metros quadrados na Amazônia, cerca de 800 mil quilômetros e a região tem uma produtividade que é 1/4 a 1/5 da produtividade de um estado como São Paulo”, alerta o cientista, ao acrescentar que 70% das emissões de CO² do Brasil vem do desmatamento e do agronegócio. Estamos em rota direta contra uma tragédia anunciada.

Somados, o agrobusiness, os grileiros, os garimpeiros, os contrabandistas de madeira e minérios, juntamente com a cobertura política que recebem em várias instâncias do Estado, estão, segundo Carlos Nobre, propondo uma espécie de crime organizado que é hoje uma verdadeira potência, um “PCC Amazônico”. O pior, para esses malfeitores, é que os efeitos desse crime continuado por décadas não podem ser escondidos da população, que, todo ano, assiste ao aumento das queimadas e das ondas crescentes de calor e de estiagem.

O mais penoso é saber que esse tipo de crime ocorre, também, simultaneamente em todo o Brasil. No Sul, os vinicultores, que produzem vinhos finos, estimam em mais de R$ 200 milhões os prejuízos causados pelos defensivos do tipo 2,4-D, usados em larga escala nas lavouras da monocultura da soja e que envenenaram grande parte das parreiras naquela região, impossibilitando a produção de vinhos, justamente num momento em que aquelas áreas tinham obtido o certificado de região demarcada.

A expansão da soja na região, toda ela para exportação para a China, inviabilizou outras colheitas, o que depõe contra a qualidade dos vinhos do Sul, tornando o produto totalmente impróprio para o consumo, interno e externo. O produto final de toda essa incúria criminosa é que o aumento paulatino das ondas de calor, vai, mais e mais, conduzindo as terras brasileiras rumo a desertificação e a consequente perda de capacidade de plantio.

Quando isso ocorrer, os verdadeiros protagonistas internos e externos, terão garantido sua parte nos lucros e esse será um problema, sem solução, sine die e sem condenados, empurrado para as novas gerações como um passivo de morte.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Ninguém está qualificado para se tornar um estadista que desconhece totalmente o problema do trigo.”
Sócrates, pensador ateniense

Sócrates – A estátua de Sócrates na Academia de Atenas. Obra de Leonidas Drosis (d. 1880). Foto: wikipedia.org

 

História de Brasília
Era por isto: o “sindicato” da W-4 não dá guarida a ninguém que quer negociar a preços honestos. Eles fazem os preços, recebem verduras de São Paulo e desprezam o local para que, mantendo o comércio a preço alto, e sob regime de monopólio, possam sufocar os produtores locais. (Publicado em 20/1/1962)

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Foto de Pool / Getty Images AsiaPac

 

Na primeira quinzena de novembro de 2004, o governo Lula anunciava, com grande pompa e para a alegria das esquerdas, reconhecimento oficial do status de economia de mercado para a China. Na ocasião, o então presidente, inebriado com o que parecia ser uma grande conquista de seu governo e uma diretriz básica de seu partido para reunificar as esquerdas de todo o mundo, declarou que, com aquele gesto, o Brasil dava uma demonstração de que essa relação estratégica era para valer. Demonstrava a prioridade que seu governo, leia-se seu partido, devotava às relações entre China e Brasil. No mesmo tom, o então chefe máximo do Partido Comunista Chinês, Hu Jintao, que viera para o Brasil especialmente para se certificar, de perto, de que esse reconhecimento seria de fato selado, depois de forte pressão, respondeu, ao discurso de seu colega de ideologia, que essa postura do Brasil iria criar as condições para uma relação estratégica e muito mais rica e que iria também favorecer a cooperação econômica e comercial entre esses dois países.

Note-se que, em ambos discursos, tanto o governo Lula quanto seu colega chinês usam a expressão “estratégica” para definir a avaliação que cada um dos mandatários fazia desse acordo. Pelo lado brasileiro, a expressão “estratégica”, contida no discurso de euforia de Lula, possuía um significado que unia elementos de uma ideologia utópica e orientada a reerguer o Muro de Berlim, derrubado alguns anos antes, juntamente com uma vitória do própria partido, que, com esse gesto, fortalecia sua presença no mundo das esquerdas, abrindo, simultaneamente, espaço para a entrada massiva de um regime dessa orientação nos negócios brasileiros.

Não se sabe ainda com exatidão que benefícios diretos, do tipo utilitarista e argentário, o Partido dos Trabalhadores colheu desse acordo exótico, já que, em todos os “negócios” envolvendo o Estado brasileiro, essa sigla encontrou meios de obter altos lucros indevidos e enviesados. Pelo lado chinês, a expressão “estratégia”, contida no discurso do chefe do PCC, tinha o significado próprio dado por aquele governo a todos os outros acordos e negócios feitos com o resto do planeta, sobretudo com os países do terceiro mundo, onde o lucro máximo com riscos mínimos é sempre a fórmula acordada.

Ambos os mandatários não escondiam sua satisfação de que esse acordo, em especial, iria se expandir rapidamente, conforme foi confirmado pouco tempo depois. Pela diferença no tamanho dessas duas economias e pelo fato de se conhecerem, em outros cantos do planeta, como funciona na prática esse tipo de acordo com os chineses, o ministro do desenvolvimento naquela época, Luiz Furlan, apressou-se em garantir que essa atitude do Brasil, reconhecendo um país onde claramente os mecanismos da economia de livre mercado simplesmente inexistem, não traria prejuízos ao país, pelo contrário, seria um verdadeiro “negócio da China”.

Realmente, o balanço depois de uma década desse reconhecimento da China como uma economia de mercado, com todos os encargos que isso, na teoria, poderia representar, foi um “negócio da China”. Só que para os chineses, que fisgaram, com um único lançamento de anzol n’água, dois peixes graúdos. Um representado pelo Partido dos Trabalhadores, notoriamente uma sigla gananciosa e, ao mesmo tempo, infantilizada, crente de que os comunistas, conforme reza a cartilha dessa religião pagã, são, acima de tudo, solidários com seus companheiros em todo o mundo.

Nas comemorações que se seguiram após esse acordo, dá para imaginar o sorriso secreto de cada um dos lados. No íntimo, as autoridades chinesas devem ter festejado com a certeza de que haviam vendido, a alto preço, um pirulito chupado a uma criança faminta. Esse reconhecimento foi uma decisão pessoal e política do próprio presidente Lula, conforme afirmou o ministro Furlan naquela ocasião, ressaltando, ainda, que o Brasil era o primeiro grande país a dar tal privilégio à China. Os chineses não perderam tempo e miraram seus investimentos em áreas estratégicas, como ferrovias, portos, geração e transmissão de energia. Nesse caso, não investiram à moda dos capitalistas Ocidentais, aportando capital e tecnologia, mas simplesmente comprando esses setores e transferindo imediatamente esses lucros para a matriz, no caso o Partido Comunista Chinês, que é, de fato, o único patrão naquele país.

 

 

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A condição própria dos homens soberbos e vis é mostrarem-se insolentes na prosperidade e abjetos e humildes na adversidade .”

Maquiavel, filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico de origem florentina do Renascimento. (1469-1527)

Maquiavel (wikipedia.org)

 

Choro

Funcionários da empresa Apecê, terceirizada que atendia à creche de filhos de funcionários do Tribunal Superior do Trabalho, foram realocados ou estão de férias coletivas. O TST encerrou o contrato por não haver mais crianças no berçário. A suspensão dos trabalhos se deu durante a pandemia.

Foto: reprodução da internet

 

Etanol & gasolina

Usineiros estão mais sossegados. Com a queda de até 52% do preço da gasolina, que é vendida nas refinarias, o etanol está com o preço mais competitivo.

Charge: institutoparacleto.org

 

DataSenado

Publicado o relatório do Instituto de Pesquisa DataSenado, ligado à Secretaria de Transparência sobre o Coronavírus. Veja a íntegra no link Brasileiros acreditam que número de contaminados é maior que o noticiado.

 

Mobilidade

Alguns lojistas da W3 conseguiram transformar as calçadas em passagem uniforme e transitável. Mas continua um risco enorme para idosos andarem por ali. Desníveis constantes, buracos sem tampa, degraus.

Foto: mobilize.org.br

 

Por dentro

Veja, no link MP 966 quer livrar da cadeia os operadores do golpe de trilhões?, a explicação do Monitor Mercantil sobre a MP 966. É coisa séria.

 

Aqui não!

Bancos são implacáveis. Juros de cheque especial, juros sobre juros em cartões de crédito, juros sobre empréstimo, tudo corre, lado a lado, em tempos de pandemia. Nada de perdão. Se houver sacrifícios, que sejam dos clientes. Ao final do ano, todos se orgulham em anunciar, aos quatro ventos, os bilhões de lucros.

Charge: bancariosirece.com.br

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Foi determinada a revisão no plantio de árvores na W3. Não ficarão mais árvores junto aos postes. Foi corrigido o erro e será obedecida a modulação dos pontos de luz. (Publicado em 07/01/1962)

A hora e vez do tele trabalho

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Foto: Shutterstock

 

Se antes existia alguma resistência e preconceito ao trabalho realizado em casa (home office), taxado erroneamente de ineficiente e improdutivo, hoje essa realidade parece estar mudando do dia para a noite, forçada pela situação crítica de uma pandemia que impôs a necessidade de todos permanecerem fechados em casa.

Na verdade, essa já era um sistema que vinha ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo afora, mesmo antes da quarentena, se firmando como uma alternativa aos deslocamentos de horas, principalmente nas cidades com tráfego congestionado e transportes públicos deficientes. Também a economia com gastos em edifícios, equipamentos, contas de luz e água entre outros infinitos encargos, vem fazendo do teletrabalho a grande aposta de modelo laboral para o século XXI.

Pesquisas realizadas ainda em 2019, em 34 países pelo Estudo Global de Tendências e Talentos 2020, da Mercer, indicou que essa é a modalidade de prestação de serviço que mais ganhará fôlego a partir desse ano em diante. As novas tecnologias somadas à uma metodologia de trabalho mais dinâmica e enxuta, necessariamente teria que revolucionar a maneira como muitos serviços são rotineiramente realizados. A introdução da informática e da Internet nas mais variadas formas de trabalho, acabaria por criar um novo e radical fenômeno, chamado de “não lugar”.

Ficou demonstrado, na prática, que a interação virtual e instantânea entre os indivíduos, independe do ambiente e do lugar físico onde se realiza determinada tarefa, pode ser feita sem prejuízo algum para a qualidade do trabalho. Se por um lado as novas tecnologias irão eliminar algumas modalidades de serviço, por outro, criarão outras mais adequadas às novas aos tempos atuais, sem prejuízos maiores.

Interessante notar que no serviço público, e as resistências, que por anos dificultava e atrasavam a implantação definitiva da modalidade de trabalho à distância, foi vencida em questões de dias por conta da quarentena obrigatória. O prolongamento do confinamento, poderá também acelerar a implantação definitiva dessa nova forma de trabalho em grande parte da cadeia dos serviços públicos, acentuando também conceitos até aqui rejeitados como a produtividade e principalmente os aspectos da chamada meritocracia, aferida agora pelo desempenho de cada um dos servidores envolvidos nesse processo.

Obviamente que nesse contexto haverá a necessidade de investimentos no aperfeiçoamento educacional desses profissionais, sujeitos à um novo ambiente de trabalho, que, ao contrário do que muita imagina, exigirá muito mais dedicação e empenho de cada um. A Câmara e o Senado virtuais, deram a partida, em grande estilo nessa nova modalidade de trabalho à distância no Poder Legislativo. O poder judiciário também já desafogou o trânsito de inúmeros processos.

No início dessa nova experiência, ficou patente que muitos aperfeiçoamentos na questão das votações, terão que ser efetuados para impedir que a democracia e pluralidade de opiniões e votos não venham a ser prejudicadas pelo controle daqueles que estão presentes em plenário, comandando todo o processo. Mas esse parece ser o começo de um novo tempo e uma novidade ainda para nós todos.

Outro fator interessante que será trazido pelo trabalho à distância, diz respeito à um maior acompanhamento individual de cada uma das pessoas envolvidas no processo, sua satisfação, suas contrariedades e outros elementos necessário a abastecer de dados o departamento de recursos humanos, permitindo que essa importante seção encontre as melhores formas de relação entre o trabalhador e seu serviço ou função.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade.”

Voltaire, escritor, ensaísta deísta e filósofo iluminista francês (1694-1778)

Foto: reprodução da internet

 

Emprego

Está garantido o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda. Em sessão por videoconferência, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou pela preservação da MP e pela validade dos acordos individuais firmados entre empregados e empregadores durante o enfrentamento da Covid-19.

Foto: Nélson Jr. (SCO/STF)

 

Livro

Cidadão honorário de Brasília, membro do Instituto Casa de Autores e professor PhD em Educação, Simão de Miranda é autor de diversas obras infantis. Simão é fonte especialista sobre a importância da leitura no meio educacional. “Para ser ainda mais feliz todo o dia”.

 

Ativa

IBDFAM – Instituto Brasileiro de Direito de Família segue promovendo transmissões ao vivo, por meio das redes sociais, abordando assuntos relevantes para os operadores do Direito sobre os impactos da pandemia do coronavírus no Direito das Famílias. Ricardo Calderón, diretor nacional do IBDFAM, e Maria Rita de Holanda, presidente do IBDFAM seção Pernambuco, comandam o debate. Veja a programação no link http://www.ibdfam.org.br/eventos/1775/Live%3A+Humanizando+a+manuten%C3%A7%C3%A3o+dos+conflitos.

Cartaz: ibdfam.org

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A Associação Comercial que está se formando tem uma grande responsabilidade. Fazer com que seus associados entendam que o comércio de Brasília, para se firmar melhor, terá que baixar seus preços. (Publicado em 05/01/1962)

O Brazil não merece o Brasil

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Foto: revistadeagronegocios.com

 

Para turbinar a escalada de preços, aumento de demanda mundial por alimentos, restrições de ofertas e outras incógnitas de difícil solução, o aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas elevam às alturas tanto as incertezas sobre o futuro como os preços do pão de cada dia.

Além dessas variáveis de características globais, pode ser acrescentado ainda o aumento exponencial da população mundial, acima dos sete bilhões de habitantes. A maioria sem recursos e com fome, muita fome. O agronegócio envolve uma cadeia de produção, que pode ser dividido em três grandes atividades básicas. Num primeiro patamar estão os grandes produtores de insumos como sementes transgênicas ou híbridas), adubos químicos e agrotóxicos e as empresas que fabricam as máquinas agrícolas.

No segundo estágio estão os produtores propriamente ditos, que aram a terra, adubam, plantam, pulverizam as plantações e colhem as safras, e que dentro do mundo fabuloso do agronegócio, se assemelham aos antigos peões ou trabalhadores da roça e que, obviamente, ficam com a menor parte do lucro ou com os prejuízos.

Num terceiro estágio estão outras enormes atividades, responsáveis pela recepção da produção, armazenamento, distribuição dos produtos para o mercado interno e externo, além das indústrias de transformação dos alimentos para a produção de óleos, rações, combustíveis, etc. Existe ainda um outro setor ligado a esse estágio que é mercado financeiro, que transforma os alimentos em ações a serem vendidas nas bolsas, especulando e elevando os preços dos alimentos.

Quem controla a primeira etapa, dos insumos, são multinacionais gigantescas e oligopolistas como a Monsanto-Bayer; Dow-Dupont e a Syngenta-Chem China-Adama, além dos dois fabricantes de máquinas como a Jhon Deere e New Holland. No estágio final da distribuição logística está outro pequeno grupo de multinacionais como a ADM; Bunge; Cargil e Dreyfuss. Finalmente na etapa final ficam as indústrias de alimentos, também formada por um conjunto de multinacionais poderosas com a Nestlé, Kraft, Coca-Cola, Unilever, Pepsico e outras.

A parte verdadeiramente nacional dentro do vasto mundo do agronegócio é formada por empresas brasileiras e familiares que trabalham, como se diz, da porteira para dentro. Por fora agem as multinacionais que ficam com a maior parte dos lucros. O governo, que conduz uma economia com uma das maiores cargas tributárias do planeta, fica com a outra parte gorda. Também os bancos e financeiras cuidam de lucrarem especulando com alimentos. O que sobra mal dá para pagar os custos de produção.

Correndo por fora desse gigantesco mercado podem ser encontrados ainda outros que direta ou indiretamente acabam lucrando com o agronegócio. São especuladores de todo o tipo, políticos das bancadas ruralistas e lobistas prontas a colherem o que não plantaram. Para os produtores, que formam a parte verdadeiramente nacional do agronegócio e que realmente são os responsáveis por colocar diariamente alimentos no prato de milhões de brasileiros, há ainda um indicador preocupante que é a possibilidade de venda de extensas áreas agricultáveis à estrangeiros conforme prevê o projeto (PL 2963/2019).

Quando isso acontecer, todo o agronegócio vai estar nas mãos de estrangeiros, internacionalizando em 100% todo o setor. Nesse ponto o governo perderá totalmente a capacidade de regular e fiscalizar o setor. Nesse estágio da evolução acelerada do agronegócio os brasileiros perderão a posse da terra o que pode marcar o início de um outro país, um Brasil com Z.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:            

“A consciência fala, mas o interesse grita.”

Jules Petit-Senn, de Genebra. Poeta.

Imagem: Reprodução da Internet

 

 

Regulado

Dado interessante divulgado pelo Ipea. Ipea: trabalho doméstico é exercido por mulheres mais velhas. Em 2018, 80% das domésticas no Brasil tinham entre 30 e 59 anos.

Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

 

 

Aos poucos

É possível ver por Brasília diversos meios de transporte elétricos. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, do Observatório do Clima, apontam para 430 milhões de toneladas de resíduos no ar no ano passado. Desse total, 48% foram emitidos por transportes.

Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

 

 

Consumidor

Foi uma catástrofe geral o trabalho de encomendas para o Natal na padaria Pães e Vinhos do Lago Norte. Uma fila enorme, pessoas alteradas com o atendimento sofrível e muitos produtos pagos com antecedência não estavam prontos na hora marcada.

Foto de viajante enviada por: Vinny491, em agosto de 2019 (tripadvisor.com)

 

 

SUS

Sem fonte de custeio, não foi possível aprovar o projeto do deputado Marconi Perillo que garantia a oferta de sangue, hemoderivados, medicamentos e demais recursos necessários para o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças, a todos os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Imagem: Reprodução da Internet

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Rush do Trânsito, contra o excesso de velocidade nas avenidas de Brasília. O dr. Valmores Barbosa voltou disposto dos Estados Unidos. (Publicado em 13/12/1961)

Exportar importa mais do que a fome

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Foto: Reprodução/TV Gazeta

 

Sob a ótica da população, sobretudo aquela formada pela grande maioria de brasileiros de menor poder aquisitivo, governo bom é aquele que consegue levar adiante um conjunto de medidas políticas capaz de encher diariamente a dispensa e a panela das famílias com alimentos de qualidade a preços justos. Quaisquer outras ações oriundas do Estado ficam subordinadas a essa premissa.

Revoluções populares não se fazem com base em ideologias ou por decisão desse e de qualquer outro mandatário. Revoluções e outras turbulências sociais acontecem induzidas apenas pela barriga vazia do povo e por uma situação de fome e desespero com a falta de alimentos. Nesse aspecto, nada mudou desde o tempo em que os homens viviam em cavernas.

O advento da civilização também se deu pelo mesmo motivo. A união de esforços para defender os iguais, garantir alimentos e segurança para todos. Dito dessa maneira, é possível afirmar que o que move a humanidade em direção ao futuro é o combustível do alimento. Nesse sentido, a história da humanidade está repleta de exemplos e de lições práticas. Por essa razão e não outra qualquer, governos são lembrados apenas por esse quesito básico e essencial.

Em um país continental como o nosso, identificado como o maior produtor de proteína, animal e de grãos do planeta, com mais de 7.000 km de litoral, os preços dos alimentos vendidos internamente para a população continuam, governo após governo, como os mais altos do mundo. Peixe, carne, frutas e legumes com preços que fogem à razão. O motivo invocado está nos preços dessas chamadas commodities, cotadas em dólar.

Essa política, assentada no agronegócio, um poderoso e influente conglomerado, beneficia apenas a esses empresários. Para a população, restam peixes menos nobres, carnes de terceira, com muito osso e gordura, ou a opção pelo frango ou ovo. Assim, mesmo esses alimentos pesam muito na cesta básica do trabalhador.

Pressionado pela moeda estrangeira e madrasta do dólar, os preços da carne bovina, do maior rebanho do planeta subiram 35%, afastando a maioria dos compradores. Com o aumento da procura por outras proteínas animais, como o frango ou ovo, o mercado, essa entidade fantasma onde procuras e ofertas lutam umas contra as outras, os preços saltaram também, assustando e indignando a população com essa onda especulativa que continua retirando alimentos da panela.

O custo internacional da proteína sobe também pela fome de um mundo cada vez mais populoso. A prioridade no abastecimento interno de alimentos ainda é uma ficção e se reduz a ações do tipo paternalistas longe de uma política sensata de segurança nacional. Para a população, incapacitada de concorrer com os chineses, resta esperar que essa onda que anseia exportar, mesmo às custas de um racionamento interno, cesse um dia.

 

A frase que foi pronunciada
“Pode guardar as panelas que hoje o dinheiro não deu.”
Paulinho da viola, músico brasileiro.

Novos tempos
Para crianças de 2 a 5 anos, recomenda, a Sociedade Brasileira de Pediatria, que o período de exposição a aparelhos eletrônicos não exceda uma hora diária.

GETTY IMAGES

 

 

Inspiradora
Quem está atraindo a atenção dos internautas é a jovem de 19 anos Débora Dantas, que sofreu um acidente em Recife, andando de Kart. Seus longos cabelos prenderam e ela foi escalpelada. Mas agora está tudo bem. Sorriso em pessoa, segura de si, Débora fala dos planos para o futuro compartilhando nas redes sociais sua alegria de viver. Veja a seguir a entrevista publicada com a jovem no JC.

 

Urbanidade
Tem custado muita paciência dos moradores do final da Asa Norte desviar o trânsito por causa das obras nas passagens subterrâneas. Mas tudo sob controle. No fim da tarde, acrescente meia hora no cálculo de seus compromissos naquela região.

 

Nosso
No blog do Chico Santana, um apanhado geral das frutas do cerrado mais conhecidas. Para quem mora em  Brasília, é quase uma obrigação navegar no site para conhecer.

Será?
Nenhuma guerra eleitoral terminará justamente se a urna eletrônica não for adaptada para o voto impresso. Sem auditoria, não há democracia. A vontade do povo é que é suprema.

Foto: blogdoeliomar.com.br

História de Brasília
A volta do dr. Jânio Quadros está sendo anunciada para o carnaval. Nova máscara, nova cantiga, e Deus salve o nosso povo. (Publicado em 03/12/1961)

Reparando os danos

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Edifício sede do Mercosul (Foto: mercosur.int)

Com as prioridades impostas pelo petismo nas relações internacionais do Brasil, voltadas para o eixo Sul-Sul, com atenção especial para nosso continente e a seguir para os países africanos e do Oriente Médio, surgiram novos blocos como Brics, Unasul, Celac e outros de importância mais ideológicos do que práticos e econômicos.

A reanimação de um bloco como o Mercosul, uma entidade até então natimorta, entrou também na mira do governo, apenas sob o ângulo de afinidade ideológica. Com o desmanche no ar do petismo, transmutado em lulismo, o que ainda era sólido naquele governo foi se juntar no transatlântico à deriva, que se tornaram as esquerdas mundo afora, principalmente aquelas que ficaram presas nos anos sessenta, quando o tempo era outro e o mundo, obviamente, era outro também.

Desfazer mais de uma década de equívocos nos mecanismos complexos das relações internacionais não será tarefa das mais fáceis. Nesse sentido, e abrindo aqui um parêntese, a pretensa nomeação de um consanguíneo do atual presidente para o mais importante posto das relações internacionais, conforme tem sido anunciado, atrapalha muito esse processo de reparo nos estragos feitos e não ajuda, absolutamente, no processo do chamado concerto das nações em que o Brasil, num passado recente, ocupou lugar de destaque. Ainda é cedo para avaliar, com mais acuidade, a nova orientação que vem sendo dada às relações do Brasil com as outras nações.

Mas uma questão, nesse momento, também se impõe: é preciso aprender com o passado recente e não repetir os mesmos erros que levaram essas relações a trilhar um caminho de fundo ideológico com o sinal trocado, obrigando esse ministério a seguir numa direção com viés de direita. Antes de tudo é preciso retirar esse ministério de orientações político-partidárias do momento, livrando esse importante serviço para o País as amarras da pequena política. Pelo o que se tem visto, não será tarefa fácil. Para tanto, a ideologia deverá ser substituída pela razão. Uma razão de Estado, conforme é visto em todo o mundo desenvolvido do Ocidente. Claro que não baseada apenas em aspectos materiais e quantitativos e na busca cega pelo lucro a qualquer preço, o que nos forçaria a retornar ao período do mercantilismo do século XVI, dos superávits e do protecionismo. Pelo o que se tem visto, lido e ouvido do atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não se pode mais estabelecer uma política externa num terreno cercado de grades (ideológicas) onde a razão e pensamento livres não penetrem. Para tanto, em sua opinião, é preciso, antes de tudo, não limitar o raciocínio a definições de ideologias e aprender a escutar a Nação brasileira para se fazer uma política externa em consonância com o que necessita e deseja sua população. Para ele, é necessário, antes de tudo, entender nossos paradigmas e nossa identidade para depois nos relacionarmos com o mundo.

Ao retomar a sua identidade, o Brasil pode, na visão desse ministro, trazer, para as suas relações externas, um novo enfoque num mundo globalizado que não é construído a partir das nações, onde não há fronteiras e onde todos parecem ter perdido sua própria personalidade.

Nesse contexto de globalização, desenfreada e irracional, é preciso, em seu entender, que o Brasil reafirme sua posição em prol de um mundo composto de povos com pretensões e desejos nacionais, com liberdade de ideias dentro da política externa, com soberania e contra essa “geleia geral” onde não há fronteiras e identidades de seus povos. “A independência nacional, evidentemente, foi conquistada em 1822 e não parece estar diretamente ameaçada. Então, às vezes, a gente se pergunta por que esse princípio continua figurando na Constituição, mas acho que o Constituinte de 1988 foi muito sábio nesse sentido, porque a independência não se trata apenas da independência jurídica, mas precisa ser uma atitude, tem que ser uma independência, por exemplo, em frente aos dogmas politicamente corretos que em muitos setores tendem a presidir o relacionamento internacional; tem que ser uma independência frente a essa ideologia de apagamento das fronteiras e de encerramento das nações; tem que ser também uma independência no sentido de capacitar a nossa economia com mais tecnologia, mais investimento, investimento privado gerando abertura econômica, mais competitividade, mais eficiência e inovação”, afirmou o ministro.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Em todas as eras, a humanidade produz indivíduos demoníacos e ideias sedutoras de repressão. A tarefa do estadismo é impedir sua ascensão ao poder e sustentar uma ordem internacional capaz de dissuadi-los, se conseguirem alcançá-lo ”.

Henry Kissinger, diplomata dos Estados Unidos

Foto: rocco.com

 

 

Ari Cunha

Será na quarta-feira a missa de um ano sem nosso titular nessa coluna. Na Paróquia São Francisco de Assis, SGAN 915, às 19h.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Brasília está ameaçada pela eleição para vereadores. No regime presidencialista, defendíamos a tese do voto, pelo cidadão brasiliense, apenas para presidente e vice-presidente. (Publicado em 26/11/1961)

Relações contaminadas

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Foto: Infoglobo

 

Um dos passivos, e talvez um dos mais nefastos, gerado pelos treze anos de governo petista, com suas pretensões extemporâneas de reerguer o Muro de Berlim, pulverizado com o fim da União Soviética, incidiu, sobremaneira, sobre as relações exteriores do Brasil com o restante do mundo.

A nova reorientação nessas relações imposta de cima para baixo, desprezando mais de um século de experiências acumuladas nesse complexo ofício, fazendo o país voltar as costas para seus antigos parceiros, mais do que desconstruir, da noite para o dia, esse intrincado relógio, levou-nos a uma posição de unilateralidade, de onde passamos a enxergar apenas parceiros ligados e simpáticos ao governo de turno. Com isso, foi estabelecida uma nova metodologia nas relações com o exterior, na qual o que importava agora não eram os benefícios reais para o Brasil, mas uma construção abstrata que fazia do Brasil uma espécie de farol a guiar o imenso transatlântico à deriva que se tornou o mundo bipolarizado depois de 1989.

Obviamente que, numa posição como essa, os ônus para o Brasil em suas relações com o restante do mundo seriam, como a prática assim confirmou, muito maiores. O que amainou e tornaria esses estragos um pouco menores, num primeiro momento, foram fatores alheios a essa reorientação de viés ideológicos e mais fincados no mundo real e representados, principalmente, pelo boom nos preços das commodities. Não fosse por esse momento insólito, propiciado pelas exportações de produtos in natura, e que traria um certo alívio nas finanças públicas, dificilmente o Brasil suportaria a continuação dessa orientação requentada de terceiro mundismo.  Como parte didática desse novo Ministério das Relações Exteriores que nascia, artificialmente, de fora para dentro, foi providenciada uma espécie de cartilha ou catecismo a ser seguido pelos profissionais desse métier.

Até mesmo o titular da pasta, num gesto inusitado e sintomático, filiou-se ao partido do governo, transformando-se num executor, dentro do ministério, das diretrizes do partido, alheio, portando, aos interesses do Estado. O preço pago pelo País, por conta dessa nova reorientação, poderia até ser medido em termos quantitativos como, por exemplo, no atraso do programa espacial, no que diz respeito ao mercado de satélites de telecomunicações, entre outros passivos. É de se salientar também que, para os planos puramente materiais de nosso País, o novíssimo modelo adotado pelas relações exteriores resultou numa transferência de bilhões de reais, por meio de um BNDES ardilosamente remodelado para atuar no exterior, aos países que comungavam o mesmo credo e que, como é sabido, não honraram, até hoje esses “empréstimos”.

Os prejuízos mais significativos, e talvez mais duradouros, viriam com a perda de credibilidade perante o mundo, construída, a duras penas, ao longo de mais de um século de diplomacia. Deu no que deu.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Antes mesmo das reformas política, tributária e previdenciária, o Brasil precisa é de uma reforma psicanalítica”.

Nelson Motta, jornalista brasileiro

Foto: Reprodução/Instagram

 

 

Belo dia

Uma beleza passar o dia no Jardim Botânico. Belas trilhas para seguir pedalando. O porteiro e outros funcionários muito educados, brinquedos diversificados para a meninada, latas de lixo para manter o ambiente saudável. Apenas os banheiros estão em estado deplorável: velhos e sem manutenção. Com pouca verba, é possível uma restauração. Nenhuma depredação no local.

Foto: curtamais.com

 

 

Institucional

Um batalhão de servidores públicos do Judiciário, do Legislativo e do Executivo, tanto federal quanto distrital, aposentado. São pessoas experientes que muito têm a contribuir com o país e com a capital. É hora de termos um conselho de notáveis para ser ouvido pela sociedade.

 

 

 

Regras

Governador Ibaneis Rocha disse que população não admite o pagamento de um salário de R$ 17 mil para o jardineiro da Novacap. Quem não deveria admitir é o GDF. A Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) faz pente fino nas folhas salariais das empresas públicas, e cargos de diretores também extrapolam a linha do bom senso quanto ao pagamento. O que vai ser feito não foi anunciado.

Foto: jornaldebrasilia.com.br

 

 

Exposição

Hoje e amanhã Felipe Morozini (A cidade inspira – Palavras) e Jean Matos (Pulso), apresentam Itinerante em Casa. Na Praça Central do Casapark. Veja mais detalhes a seguir.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Lamentamos o ocorrido, e louvamos a atitude da Sousenge, prometendo pagamento de cem por cento. Gente honesta, que se meteu num bom negócio, que de uma hora para outra se transformou, por causa do governo inimigo de Brasília, em grandes dificuldades. (Publicado em 25/11/1961)