O país está num ponto de inflexão e reforma do Estado é urgente

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A discussão sobre a reforma do Estado no Brasil não é nova. No entanto, poucas vezes ela se mostrou tão urgente quanto agora. Em meio a um cenário de estagnação econômica, descrédito institucional e crescente insatisfação social, as ideias defendidas pelo deputado e pensador político Luiz Philippe de Orléans e Bragança voltam a ganhar força. Consequentemente, seu diagnóstico de que o Brasil vive um “ponto de inflexão” institucional ecoa em diferentes setores da sociedade. Isso ocorre especialmente entre aqueles que percebem que o modelo estatal concebido pela Constituição de 1988 já não responde com a agilidade e a eficiência que o país demanda.

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  • Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) no Correio Braziliense
  • Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com
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O Diagnóstico da Arrecadação e dos Serviços Públicos

O ponto de partida dessa leitura é simples e incômodo. Atualmente, o Brasil arrecada como país rico, mas entrega como país que ainda não resolveu seus problemas básicos. De acordo com dados recentes do Tesouro Nacional, a carga tributária no país ronda 33,07% do PIB, ou seja, cerca de um terço da produção nacional. Esse patamar é perfeitamente comparável ao de economias desenvolvidas da OCDE.

Por outro lado, o cidadão paga por saúde, educação, segurança e infraestrutura que raramente chegam com a qualidade proporcional ao que se cobra. O crescimento econômico, por sua vez, oscila em voos curtos. Dessa forma, ele é sempre interrompido por crises fiscais, instabilidade regulatória ou disputas entre os Poderes. Para os defensores da reforma, essa situação não representa mera coincidência de conjuntura. Em vez disso, é sintoma direto de um desenho institucional que concentra decisões, dilui responsabilidades e premia a manutenção do próprio aparato.

Origens Históricas e o Modelo da Carta de 1988

Nesse ponto, o argumento de Orléans e Bragança, desenvolvido em seus escritos e em sua atuação parlamentar, é o de que o problema é estrutural e histórico. O Estado brasileiro nasceu patrimonialista e centralizador. Por esse motivo, a Carta de 1988, embora tenha restaurado direitos e liberdades essenciais, consolidou um Estado extenso, caro e de difícil governo.

A Constituição brasileira é detalhista ao extremo. Assim, ela trata como matéria constitucional o que em outras democracias seria assunto de lei ordinária. Desse modo, ela transforma toda mudança de rumo em uma batalha permanente de emendas, interpretações judiciais e negociações de bastidor. O resultado prático é um país em que governar exige menos um projeto de nação do que uma capacidade constante de barganha política.

O Desgaste do Presidencialismo de Coalizão

A atualidade dessa crítica salta aos olhos quando se observa a rotina recente da vida pública. O presidencialismo de coalizão dependia de uma engrenagem delicada de cargos e emendas para sustentar maiorias. Contudo, esse sistema mostra sinais claros de desgaste. Por exemplo, o Executivo negocia cada votação em condições cada vez mais onerosas. Além disso, o Congresso ampliou seu controle sobre fatias do orçamento sem que a prestação de contas acompanhasse esse poder.

Impactos da Instabilidade na Economia do País

Ao mesmo tempo, o Judiciário, em especial a Suprema Corte, ocupa espaço crescente na arbitragem de questões políticas e administrativas. Em consequência disso, alimenta-se a percepção de que as fronteiras entre os Poderes se tornaram nebulosas. Pouco importa, para este debate, de que lado se está em cada disputa específica. O dado relevante é que a confiança nas instituições, medida por pesquisas como Datafolha e IPEC ao longo dos anos, permanece em níveis baixos. Por conseguinte, uma democracia que não é acreditada por seus cidadãos torna-se uma democracia vulnerável.

O sapo na viola

Há ainda a dimensão econômica, que torna a discussão menos abstrata do que parece. Investidores, nacionais e estrangeiros, tomam decisões com base em previsibilidade. Por isso, eles querem saber quais serão as regras tributárias nos próximos anos. Querem entender se contratos serão respeitados, se a política fiscal tem âncora crível e se disputas regulatórias serão resolvidas em prazo razoável.

Quando o ambiente institucional gera dúvidas permanentes sobre cada um desses pontos, o custo é alto. Desse modo, o país paga o preço em juros mais altos, em projetos que deixam de sair do papel e em empregos que não são criados. A reforma do Estado no Brasil, nesse sentido, não representa uma pauta exclusiva de gabinete. Pelo contrário, é condição indispensável para que o país cresça de maneira sustentada e deixe de depender de ciclos de entusiasmo seguidos de frustração.

Custo Burocrático e Complexidade do Sistema Tributário

A própria complexidade do sistema tributário brasileiro ilustra esse ponto com clareza. Especialistas de todos os espectros apontam esse fator como um dos maiores entraves à produtividade nacional. Segundo dados históricos do relatório Doing Business do Banco Mundial, empresas no Brasil gastavam cerca de 1.500 horas por ano apenas para apurar e pagar tributos.

Além disso, a multiplicidade de regimes especiais, criados ao sabor de pressões setoriais, produz sérias distorções. Essas distorções beneficiam os setores mais bem organizados em detrimento dos demais. Mudanças pontuais avançaram nos últimos anos. Entretanto, a lógica de fundo permanece. Trata-se de um Estado que cria exceções para sustentar sua base de apoio. Por essa razão, a máquina pública enfrenta enorme dificuldade em simplificar a si mesma.

Os Pilares para a Reforma do Estado no Brasil

É nesse contexto que as propostas associadas a Orléans e Bragança ganham sentido prático. Acompanhe a seguir os três eixos principais dessa agenda reformista:

1. Descentralização e Fortalecimento dos Municípios

O Brasil é formalmente uma federação. Todavia, na prática o país funciona com estados e municípios dependentes de transferências, normas e autorizações emitidas em Brasília. Devolver competências, receitas e responsabilidades a quem está mais próximo do problema é a lógica de qualquer sistema em que o gestor local responde diretamente ao eleitor local.

Um prefeito que arrecada mais do que recebe de favores federais tende a sofrer fiscalização mais rigorosa pela própria comunidade. Adicionalmente, a experimentação de políticas públicas em escalas menores permite que os acertos sejam copiados e os erros, contidos.

2. Revisão do Sistema de Governo e Governança

O diagnóstico sobre o presidencialismo brasileiro é antigo e reúne defensores de diferentes matizes ideológicos. Ele aponta que o sistema concentra, em uma só figura, as funções de chefe de Estado e chefe de governo. Consequentemente, a estrutura expõe o país a crises sucessivas toda vez que o titular perde apoio ou popularidade.

Orléans e Bragança vai além e discute, de forma aberta, modelos alternativos de governança. Ele analisa arranjos nos quais a chefia de governo responda de maneira mais direta ao Parlamento. Nesses modelos, busca-se criar uma instância de estabilidade institucional acima da disputa partidária.

Certamente, esse debate desperta resistências na sociedade. Isso ocorre também pelo simbolismo de sua origem familiar e de sua defesa histórica da monarquia parlamentar. Porém, a discussão merece atenção com base em argumentos sólidos. Afinal, o plebiscito de 1993 encerrou uma consulta popular específica, mas não encerrou o debate sobre o aperfeiçoamento do sistema.

3. Redução do Aparato Estatal e Eficiência do Gasto

Reduzir a máquina pública, simplificar o sistema tributário e abrir espaço para a iniciativa privada são medidas fundamentais. Além disso, garantir previsibilidade às regras que regem contratos e investimentos destravaria um potencial de crescimento sufocado pela burocracia.

Trata-se de reconhecer que um Estado que tenta fazer tudo acaba executando mal o essencial. Menos privilégios corporativos, mais foco em serviços básicos, mais transparência e responsabilização sintetizam essa agenda. Portanto, essa proposta dialoga tanto com o contribuinte exausto quanto com o jovem empreendedor que enfrenta labirintos para manter um negócio.

Separação Institucional e Limites Entre os Poderes

Outro aspecto central aborda a separação e o equilíbrio entre os Poderes da República. Em qualquer arranjo republicano saudável, cada instituição possui atribuições claras e responde por elas perante a sociedade.

Entretanto, problemas graves surgem quando o Legislativo delega ao Judiciário a solução de impasses que deveria resolver pela via política. Da mesma forma, o equilíbrio se rompe quando decisões individuais de ministros produzem efeitos nacionais antes de qualquer deliberação colegiada. Nesses casos, a previsibilidade do sistema sofre forte abalo.

A reforma do Estado no Brasil inclui, portanto, redesenhar mecanismos de controle mútuo. Exige definir com precisão os limites de cada esfera de poder. Por fim, requer criar incentivos para que cada instituição cumpra seu papel sem invadir a competência alheia.

Janelas de Oportunidade para Mudanças Institucionais

Vale lembrar que reformas dessa envergadura nunca ocorrem no calor de uma crise aguda. Em vez disso, elas avançam na janela de lucidez que antecede ou sucede o momento crítico. Países que modernizaram suas instituições o fizeram porque lideranças e sociedade reconheceram a tempo o esgotamento do modelo anterior.

O Brasil encontra-se hoje diante de uma oportunidade semelhante. Há diagnóstico amplamente compartilhado entre analistas. Há desconforto generalizado com o status quo. Por fim, existem, no Parlamento e fora dele, vozes dispostas a transformar insatisfação em proposta concreta. Desperdiçar esse momento seria repetir o hábito nacional de adiar decisões difíceis até que elas se imponham de forma desordenada.

O Impacto da Estrutura Estatal na Cultura Cívica

Também importa considerar o efeito dessa estrutura sobre a cultura cívica da população. Quando o cidadão percebe que o Estado é distante, lento e pouco responsável, a participação política se reduz ao voto periódico e à indignação episódica.

Por outro lado, instituições mais próximas geram dinâmicas diferentes. Com responsabilidades claras e resultados verificáveis, elas ajudam a reconstruir o vínculo entre eleitor e representante. Isso constitui condição básica para que a democracia se renove por dentro.

Visões Contrárias e Objeções ao Modelo Reformista

Há, é claro, quem discorde dessa abordagem, e a honestidade intelectual exige registrar essas visões. Críticos lembram que a Carta de 1988 sustentou o mais longo período democrático da história republicana. Além disso, o texto constitucional ampliou direitos sociais que reduziram desigualdades históricas.

Outros analistas sustentam que a descentralização fiscal, sem mecanismos adequados de compensação, pode aprofundar disparidades entre regiões ricas e pobres. Apontam também que alterar o sistema de governo não resolve, por si só, vícios da cultura política. Por fim, argumentam que propostas de forte teor reformista, quando conduzidas sem amplo consenso, podem aumentar a instabilidade política.

Essas objeções são sérias e relevantes. Consequentemente, qualquer proposta de reformulação precisará respondê-las com dados consistentes, simulações econômicas e debate público transparente.

O Risco da Inércia e os Desafios do País

Contudo, o risco de nada fazer não é menor para o futuro do país. Instituições que perdem a capacidade de entregar resultados não permanecem inertes. Pelo contrário, elas se deterioram continuamente, e o vácuo resultante é ocupado pela desconfiança, pela polarização e por soluções populistas de ocasião.

Por isso, mais do que aderir integralmente a um projeto específico, o momento exige reflexão profunda. O país precisa voltar a discutir, com franqueza e sem tabus, como deseja ser governado. As ideias de Luiz Philippe de Orléans e Bragança possuem o mérito de recolocar a pergunta no centro do debate público e de apontar caminhos para respondê-la.

Cabe à sociedade, ao Congresso Nacional e à imprensa examinar essas propostas com rigor técnico. Cabe aceitar o que resistir ao escrutínio racional e descartar o que não resistir. O ponto de inflexão está posto. O que a nação fará dele é uma decisão que pertence exclusivamente aos brasileiros.

A frase que foi pronunciada:

“O Brasil vive um ponto de inflexão institucional onde o modelo de 1988 já não responde com a agilidade necessária.”

Luiz Philippe de Orléans e Bragança

História de Brasília

História de Brasília

A pena de tudo isto é, ainda, porque Claudionor Machado é ex-pracinha, tem medalha de campanha, e o presidente do IAPB não hesitou em jogá-lo na rua. É uma injustiça que o Ministro da Guerra bem poderia corrigir em despacho com o presidente da República. Há decreto amparando os ex-combatentes. ( Publicada em 26.05.1962)

Hipertrofismo do Judiciário compromete a futura governabilidade e o equilíbrio da República

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Você não precisa ser nenhum vidente em predições do futuro. Além disso, não precisa ser um embasado especialista em ciências políticas para antever o cenário. Caso o futuro presidente não esteja devidamente alinhado ideologicamente com a maioria dos ministros do Supremo, governar será um exercício demasiadamente estressante. De fato, haverá impossibilidades reais de mando no Poder Executivo. O visível hipertrofismo do Judiciário molda hoje os rumos do país.

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O hipertrofismo do Judiciário nas eleições

Tais são as seguidas interferências dessa corte desde o início da campanha. Por conseguinte, a situação toda tem levado a maioria da população a entender algo grave. O Supremo tornou-se o principal personagem dessas eleições. Dessa forma, a corte possui mais protagonismo do que os próprios candidatos.

Por conseguinte, as evidências mostram um nítido hipertrofismo do Judiciário entre os poderes da República. Isso, mesmo na visão mais otimista dos constitucionalistas, não deverá acabar bem. Pesquisas do Instituto AtlasIntel apontam que mais de 51% dos eleitores percebem uma interferência excessiva do STF na política nacional.

“A Suprema Corte não pode agir como um poder político alternativo, sob pena de esvaziar a vontade das urnas.” — Prof. Ives Gandra Martins, jurista e constitucionalista

Com isso, fica mais uma vez constatado o antigo dizer popular. Um homem ou grupo só mostra seu caráter por completo quando recebe poder sobre outros indivíduos. Não há garantias para quem quer que seja diante de uma situação como essa. Ou seja, indivíduos ou um pequeno grupo se arvoram em ditar os rumos nacionais. A grande maioria das pessoas sequer lhes concedeu poder para tal tarefa.

O avanço do STF e a incerteza do futuro

Portanto, não chega a ser exagero afirmar que toda uma nação segue tateando no escuro. O país espera uma saída para essa situação surreal. O cenário atingiu os píncaros da excentricidade institucional.

Em contrapartida, o que há hoje é um medo profundo diante do futuro. Não há dúvidas de que caminhamos para um processo de ruptura. Isto ocorrerá se nada for feito para libertar a nação deste verdadeiro labirinto do Minotauro.

Dados do Anuário da Justiça indicam que o STF julga mais de 80 mil processos por ano. Esse volume contrasta drasticamente com a Suprema Corte dos Estados Unidos, que analisa cerca de 80 casos anualmente. Consequentemente, essa hiperatividade gera um volume colossal de intervenções nas decisões do Congresso e da Presidência.

A quebra do sistema de freios e contrapesos

A origem dessa encruzilhada reside no paulatino desmanche do arranjo tripartite concebido para equilibrar a República. O sistema originalmente deveria funcionar como uma engrenagem de freios e contrapesos. No entanto, transformou-se em uma balança viciada.

Nessa nova estrutura, um único prato acumula o peso da caneta, da interpretação final e da execução sumária de decisões. O cidadão comum, ao se dirigir às urnas, nutre a ilusão de estar escolhendo os diretores do país. Contudo, ele assiste à anulação sistemática de prerrogativas dos outros Poderes por expedientes canetados em gabinetes fechados. Assim, ele descobre que o sufrágio universal virou uma formalidade decorativa.

“O Judiciário é o guardião da Carta Magna, mas não pode se tornar seu único autor e intérprete absoluto.” — Ministro Marco Aurélio Mello, ex-vice-presidente do STF

A ascensão da oligarquia togada no Brasil

Esse agigantamento não ocorre por acaso. Ao contrário, resulta de uma ocupação progressiva de espaços que a própria classe política deixou abertos. A classe política, fragilizada e acuada por inquéritos, recuou sucessivamente.

O resultado direto é a consolidação de uma oligarquia togada. Essa casta não presta contas a ninguém e tampouco submete seus integrantes ao crivo das urnas. Da mesma forma, esse grupo não padece dos riscos da rejeição popular.

Quando o julgamento técnico cede lugar à militância política travestida de direito, a lei deixa de ser um porto seguro. Em vez disso, transforma-se em uma teia tecida para enredar adversários e blindar aliados. Criou-se um estado de exceção permanente sob o pretexto de defesa das instituições. Nesse ambiente, a própria Constituição é rasgada em nome de sua suposta proteção.

A vassalagem institucional do Poder Executivo

Sob essa ótica, o exercício do cargo do próximo governante não passará de uma vassalagem institucional. O hipertrofismo do Judiciário inviabilizará a governabilidade diária.

Qualquer plano de governo e qualquer diretriz aprovada pelo voto popular sofrerão bloqueios. Da mesma maneira, qualquer medida provisória desenhada na esplanada dos ministérios correrá o risco diário de engavetamento. Bastará uma decisão individual de um único magistrado para paralisar o país.

       CONGRESSO NACIONAL           PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
      (Propostas e Leis)               (Atos Executivos)
               │                               │
               └───────────────┬───────────────┘
                               │
                               ▼
                   SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
             (Decisões Monocráticas & Veto Final)
                               │
                               ▼
                  PARALISIA ADMINISTRATIVA

Instala-se, assim, a paralisia administrativa plena. Governar deixa de ser a busca pela concretização de promessas de campanha. Torna-se, em vez disso, uma maratona humilhante de pedidos de vênia. O chefe do Executivo operará sob a constante espada de Dâmocles de um processo ou de uma cassação iminente.

“Governar tornou-se um ato de permanente negociação cautelar com o STF, onde o mandato popular perdeu sua força originária.” — Declaração recorrente em debates da campanha presidencial de 2022

O esgotamento do contrato social brasileiro

É preciso encarar sem rodeios a extrema gravidade do momento. Nenhuma sociedade prospera ou se mantém coesa quando a imprevisibilidade jurídica vira norma. Ademais, uma nação degrada-se quando a vontade soberana do povo é substituída pelo arbítrio de um punhado de iluminados.

O sentimento de desamparo que hoje ecoa das ruas não nasce de histeria coletiva. Pelo contrário, surge da constatação direta de que o contrato social foi quebrado unilateralmente. A nação foi empurrada para um beco sem saída.

O país tornou-se refém de um ecossistema punitivo e sufocante. Esse modelo restringe a liberdade de expressão, atropela o devido processo legal e trata qualquer discordância como ameaça à ordem constitucional.

Os caminhos para restaurar os limites constitucionais

O desfecho dessa crise não virá do conformismo ou da passividade. As ilegalidades não podem continuar sendo naturalizadas pela sociedade civil.

Se as lideranças políticas continuarem anestesiadas, a ruína das liberdades individuais será inevitável. Aceitar o papel de meras espectadoras dessa usurpação de poder custará caro ao país.

     1. Fim das decisões monocráticas sobre leis federais
2. Fixação de mandatos por tempo determinado no STF
3. Respeito estrito ao devido processo legal





A frase que foi pronunciada:
“Ditadores não têm interesse em permitir eleições que possam destituí-los do poder.”
Gene Sharp


História de Brasília
A pena de tudo isto é, ainda, porque Claudionor Machado é ex-pracinha, tem medalha de campanha, e o presidente do IAPB não hesitou em jogá-lo na rua. É uma injustiça que o Ministro da Guerra bem poderia corrigir em despacho com o presidente da República. Há decreto amparando os ex-combatentes. ( Publicada em 26.05.1962)

O calote silencioso de 2027

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A inadimplência das empresas atingiu o maior nível da série histórica no Brasil. O levantamento divulgado nesta semana pela FecomercioSP, com base em dados do Banco Central, mostra que há nuvens negras se aproximando além do horizonte das eleições de outubro. Apenas no segundo trimestre de 2026, as empresas brasileiras acumulavam R$ 86,1 bilhões em operações de crédito com atraso superior a três meses. Em apenas um ano, o montante cresceu 24% — o equivalente a quase R$ 17 bilhões a mais, já descontada a inflação do período. Este recorde não é sazonal, pois vale quando comparado a qualquer outro trimestre do calendário.

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O raio-x do endividamento

O detalhe mais incômodo do estudo não está no valor absoluto, mas sim na sua origem. O volume total de crédito concedido às empresas avançou apenas 2,3% no período. Portanto, o país não se endividou mais; o setor produtivo simplesmente parou de conseguir pagar as contas. A parcela da carteira em atraso subiu de 2,7% para 3,3%. A FecomercioSP atribui o movimento, sobretudo, ao efeito defasado do ciclo de juros elevados entre 2022 e 2025. Consequentemente, esse impacto só agora se reflete com força no caixa das corporações. Isso equivale a dizer que a conta de hoje foi contratada há cerca de um ano ou mais.

Asfixia

A distribuição desse peso transforma um dado técnico em um grave problema social. As pequenas e médias empresas respondem por aproximadamente 43% da carteira de crédito, mas concentram três de cada quatro reais em atraso. As pequenas devem R$ 33,4 bilhões (39% do total) e as médias, R$ 31,7 bilhões (37%), apresentando uma alta de 34% em doze meses. Além disso, entre as microempresas, o salto foi de 45%, subindo de R$ 6,9 bilhões para R$ 9,9 bilhões.

Orçamento secreto bem escondido nas algibeiras

Setor produtivo

Por outro lado, as grandes companhias, que detêm quase metade de todo o crédito, mantêm o atraso bem abaixo da média. Elas possuem caixa, tesouraria e maior poder de negociação. Assim, não estamos diante de uma crise geral do setor produtivo, mas sim de uma asfixia seletiva das empresas mais frágeis.

Dispersão geográfica

Tampouco se trata de um fenômeno regional. A inadimplência das empresas bateu o maior nível da história em 18 das 27 unidades da Federação simultaneamente. As maiores altas em doze meses vieram de economias muito distintas entre si:

  • Paraíba: alta de 123%
  • Amapá: alta de 73%
  • Rio Grande do Sul: alta de 67%
  • Amazonas: alta de 66%

São Paulo, como seria de esperar, concentra o maior valor absoluto: R$ 23 bilhões, o equivalente a 27% de todo o atraso empresarial do país. Contudo, é longe dos grandes centros urbanos que a deterioração corre mais rápido.

Serasa

Os dados da Serasa Experian completam esse retrato preocupante. Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, somando R$ 232,9 bilhões em dívidas. Trata-se de uma alta de 16,67% em um ano e um recorde na série iniciada em 2016. São Paulo lidera o ranking nacional, registrando 3,12 milhões de empresas negativadas.Além disso, no ano passado, 2.466 empresas ingressaram com pedidos de recuperação judicial, o maior número já registrado. A proporção de companhias que acabam falindo depois da recuperação subiu para cerca de 30%, ante uma média histórica próxima de 20%. Em suma, o instrumento jurídico é mais acionado, porém funciona menos.

Desaceleração econômica

A moldura macroeconômica explica por que o quadro não deve se resolver sozinho. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, após registrar 1,1% no primeiro. Simultaneamente, o consumo das famílias recuou 0,4%. O mercado projeta uma expansão de cerca de 1,9% em 2026, sendo o primeiro ano abaixo de 2% desde a pandemia.

Teto

O Copom cortou a taxa Selic para 13,75% em 16 de setembro, realizando o quinto corte consecutivo. No entanto, manteve o tom cauteloso. A inflação cheia desacelerou para 4,22% em doze meses até agosto, mas as projeções para o ano rondam 4,9%, permanecendo acima do teto da meta.

Pressão sobre o varejo

Em São Paulo, o faturamento real do varejo da capital caiu 8,8% no primeiro semestre. Houve recuo até mesmo em setores essenciais como supermercados (-6,9%) e farmácias (-2,1%) — segmentos que, por definição, não deveriam ser adiáveis.

Dívidas

O que há de verdadeiramente novo nesse conjunto é a combinação dos fatores. Nas outras ocasiões em que o atraso empresarial atingiu patamares semelhantes — como no início dos anos 2000 e em 2016-2017 —, o país vivia uma recessão aberta ou tinha um mercado de crédito muito mais estreito. Desta vez, a inadimplência das empresas se aproxima do maior nível histórico com a economia ainda crescendo perto de 2% e com o emprego formal resistente. Este é um sinal grave: significa que a atividade existe, mas a receita não chega ao caixa das empresas na velocidade necessária para quitar as obrigações.

Maldita herança

Quem vencer as urnas em outubro não tomará posse em um cenário de crise espetacular, com corridas bancárias ou disparada cambial. O eleito tomará posse, em 1º de janeiro de 2027, sobre uma corrosão lenta, difusa e já contratada.

Cenário

A política monetária opera com defasagem temporal. Mesmo que os cortes da Selic continuem, leva cerca de um ano para que a queda dos juros alcance as contas em atraso. Da mesma forma, levará mais tempo para que as corporações recomponham o caixa e voltem a investir. Em outras palavras, boa parte do ajuste que será cobrado do próximo governo já decorre de decisões tomadas entre 2022 e 2026.

Restrição fiscal

A restrição fiscal agrava consideravelmente o quadro. A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do PIB em junho, o maior nível desde 2021. O déficit primário acumulado atingiu R$ 157,2 bilhões em doze meses, com despesas de juros próximas de 9% do PIB. Projeções de mercado e da Instituição Fiscal Independente colocam a dívida acima de 86% do PIB em 2027.

Balança

Portanto, não há espaço para que o novo mandatário compre a paz social com aumento de gastos públicos. Tampouco será possível financiar a sobrevivência de empresas por meio de crédito público barato e indiscriminado. Esse seria o caminho mais rápido para transformar um problema de fluxo de caixa privado em um passivo fiscal permanente.

Espaço para subsídios

Também não haverá lua de mel com a inflação. As expectativas para 2027 já rondam 4,3%, ficando acima do centro da meta, enquanto o Copom mantém a avaliação de riscos assimétricos para cima. Um governo que estreie prometendo estímulo à demanda encontrará o Banco Central obrigado a interromper — ou reverter — o ciclo de cortes. Isso jogaria de volta sobre as pequenas e médias empresas exatamente o custo financeiro que hoje as sufoca.

A agenda econômica realista para o próximo governo

A agenda realista é menos vistosa e mais árida do que qualquer palanque admitirá até outubro. Ela exige obrigatoriamente:

  • Credibilidade fiscal: adoção de regras sustentáveis que sobrevivam ao próprio mandato.
  • Transição tributária: implementação disciplinada da reforma, que começará a afetar o caixa das empresas nos primeiros anos do próximo governo.
  • Redução do custo do crédito: avanço por vias microeconômicas (garantias, informação e execução previsível de contratos), e não por subsídios artificiais.
  • Reestruturação de dívidas: tratamento sério para micro e pequenas empresas, que hoje chegam à recuperação judicial tarde demais para viabilizar a recuperação.

75%

Há ainda um risco estrutural que os indicadores atuais escondem: o mercado de trabalho. O emprego aquecido tem sido o principal amortecedor social desta desaceleração. Por essa razão, a inadimplência das famílias, medida mensalmente pela PEIC da FecomercioSP na capital paulista, oscila em torno de 20% sem explodir. Isso ocorre embora o endividamento dos lares ronde 75% e o comprometimento da renda esteja no maior patamar já medido pelo Banco Central.

Sem trabalho

Entretanto, o emprego é a última variável a ceder em momentos de crise. Empresas com caixa apertado cortam investimentos, reduzem estoques, suspendem fornecedores e só então demitem pessoal. Se o atraso recorde de hoje ainda não virou desemprego em massa, é porque a fila está andando. O próximo governo pode receber justamente a etapa final dessa sequência.

Inadimplência

Há ainda um risco estrutural que os indicadores atuais escondem: o mercado de trabalho. O emprego aquecido tem sido o principal O silêncio do debate eleitoral e a urgência do tema

Indiferença

Portanto, nada disso aparecerá no debate eleitoral com a devida franqueza por uma razão simples: não há solução de curto prazo compatível com o horário eleitoral. Além disso, a solução não dependerá apenas do Palácio do Planalto. A agenda de crédito, tributação e reestruturação de dívidas depende do Congresso Nacional que será eleito em outubro. Como resultado, a experiência recente sugere que a fragmentação parlamentar costuma cobrar seu preço em emendas e renúncias fiscais, exatamente o oposto do que a trajetória da dívida pública comporta.

Sem ideias?

Mas o eleitor tem o direito de exigir dos candidatos, ainda durante a campanha, que expliquem como pretendem tratar os R$ 86 bilhões que as empresas brasileiras já não conseguem pagar. Neste contexto, o silêncio é uma resposta clara.

No vermelho, literalmente

De acordo com a FecomercioSP o aspecto mais preocupante do estudo aponta a ausência de qualquer sinal de melhora. Sem alarmismo, resta a constatação de que, quando 9,1 milhões de empresas estão negativadas e a inadimplência das empresas bate recorde em dois terços dos estados ao mesmo tempo, o problema deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural.

Vencedor de quê

Por outro lado, o vencedor de outubro herdará um país economicamente fragilizado, cujo tecido empresarial já opera sem margem de manobra. Convém que os candidatos ao governo compreendam essa realidade bem antes da posse, evitando surpresas no primeiro balanço trimestral de 2027, quando já será tarde demais.

A frase que foi pronunciada

“O problema deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural. Não há qualquer sinal de melhora no curto prazo.”

FecomercioSP, em relatório sobre a inadimplência empresarial no Brasil.

História de Brasília

A Quadra 48 ainda é a grande sem sorte da W-3. Começaram o serviço de urbanização. Deixaram pelo meio, com esgotos e telefones cortados. Consertaram, e deixaram a poeira. Agora, está sendo preferida pelos ladrões de automóveis. .( Publicada em 26.05.1962)