Cuidado, ilusões e fantasias

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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JK? / Foto: Ivan Mattos

 

           Sem engano: a melhor e mais eficaz maneira de comemorar os 62 de Brasília não é tecendo loas e congratulações melodiosas pelas seis décadas de fundação da capital de todos os brasileiros. Melhor do que todo o tipo de foguetório e comemorações é a população e, principalmente, os políticos, empresários e outros próceres da cidade tomarem consciência e, mais do que isso, tomarem prumo sobre a importância e urgência de salvar a capital da especulação imobiliária, da degradação progressiva de muitas áreas dentro do perímetro urbano, da invasão de terras públicas, da violência que todo dia deixa, ao menos, algumas famílias de brasilienses enlutadas e da falta de compromisso de muitos com o tombamento do Plano Piloto.

              Essa coluna que, desde as primeiras horas de abril de 1960, vem empreendendo essa incansável cruzada em defesa da concepção original da cidade, sem tergiversações e sem as costumeiras bajulações dos poderosos locais, vem nessa data, mais uma vez, alertar os brasilienses que para aqui vieram nos primeiros anos de construção da cidade e para as gerações posteriores que aqui encontraram um lugar para viver, para criar seus filhos e para crescer profissionalmente, que não baixem a guarda em defesa da cidade, de seus valores e de sua história singular.

        Temos, em nossas mãos, uma herança magnífica e única, que nos foi legada por candangos, muitos, inclusive, desconhecidos e anônimos. Todos eles liderados por uma radiação ímpar de esperança e ânimo, impossível de estarem juntos em um só tempo e lugar, hoje em dia, e que tornaram possível erguer essa cidade, numa área antes esquecida e remota do país.

             Mais do que comemorar, devemos estar prontos para proteger e manter um patrimônio que é de todos nós e que não pode ser replicado mais em tempo algum. A tarefa que caberá às novas gerações que aqui estão é imensa e se estende não apenas pelo Plano Piloto, Administrações Regionais e outras áreas do entorno mais distantes. É preciso levar nosso cuidado para além do quadrilátero da capital, pensar nas bacias hidrográficas e sua preservação. Não pode existir cidade onde não há água.

          Precisamos de união para defender a preservação de nossos parques naturais, tanto os próximos como os que se encontram a quilômetros da capital. Temos a urgência de lutar pela manutenção da área original do Parque da Chapada dos Veadeiros contra a especulação imobiliária e contra a invasão de terras nativas por grileiros, garimpeiros e todo o tipo de predadores, muitos dos quais residentes em Brasília. Temos que nos unir para a manutenção do Parque Nacional de Brasília, impedindo sua degradação, feita pelas bordas e de modo contínuo. Temos muito mais que trabalhar para manter o que temos em mãos do que comemorar e depois esquecer. Cena rara para quem acompanha a capital do país desde o nascimento: ver políticos locais erguendo a bandeira da preservação da cidade com a qualidade planejada por seus idealizadores.

             Essa é uma missão que parece caber apenas aos que aqui vivem, desde o barro vermelho, e entendem que esse é um destino que não podemos abrir mão. Como uma senhorinha, que agora vai adentrando a terceira idade de existência, dona Brasília precisa de cuidados e atenção e não de ilusões e fantasias.

A frase que foi pronunciada:

Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida.”

Oscar Niemeyer

Sob a batuta de Lúcio Costa, Oscar se diverte grafite e aquarela, 29x21cm, 2010 (evblogaleria.blogspot.com)

 

Economia

Até agora, pouca repercussão na imprensa brasileira sobre a iniciativa do presidente francês, Emmanuel Macron, publicada no jornal oficial, sobre a abolição do corpo diplomático. Políticos e funcionários públicos estão em polvorosa. Por volta de 800 altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores são afetados por esta medida. Os executivos da categoria serão incentivados a mudar para o novo órgão interministerial, sem muita visibilidade no restante de sua carreira. Muitos deles criticam essa medida e denunciam um “rebaixamento da diplomacia francesa”. Se a moda pega…

Foto: Guillaume Horcajuelo/ EFE

Arte

Até o dia 31 de julho, a comunidade brasiliense poderá visitar a mostra Poema em Cartaz sob a curadoria de Newton Lima, na Biblioteca Nacional. De segunda a sexta, sempre das 8h às 20h. Nos fins de semana, às 14h.

Foto: cultura.df.gov

 

PL 735/22

Proposta do deputado federal tocantinense, Carlos Henrique Gaguim, fundamentado em estudo da Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais, cria o Selo Investimento Verde, que seria práticas sustentáveis no âmbito do mercado financeiro e de capitais brasileiros. O projeto também estimula acesso aos recursos federais de programas de crédito a instituições que receberem o Selo Investimento Verde. Esse é o projeto de Lei 735/22.

Carlos Henrique Gaguim. Foto: camara.leg

Ibama

Coronel Chrisóstomo divulgou, em discurso na Voz do Brasil, dados do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. Veja, a seguir, a quantidade e o destino de eletroeletrônicos, baterias, latas, entre outros objetos em desuso.

Coronel Chrisóstomo. Foto: camara.leg

–> O SR. CORONEL CHRISÓSTOMO (PL – RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sra. Presidente, estou muito grato por esta oportunidade. Estou acabando de chegar de um encontro no Ministério do Meio Ambiente, mais especificamente, no IBAMA, a que fui para tratar do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. Foi um encontro muito importante para que o Brasil tome conhecimento do que está sendo feito quanto ao meio ambiente. Eu vou ler, Brasil e Rondônia, exatamente o que foi tratado lá. Atenção, mundo do meio ambiente! Lata de alumínio: 98,7%; 409 mil toneladas; 33 bilhões de latas recicladas. Novo recorde. Óleo lubrificante usado: 566 milhões de litros coletados — coletados! — e enviados para reciclagem. Novo recorde. Embalagem de defensivos agrícolas: 53,5 mil toneladas de embalagens recicladas. Novo recorde. Processamento de cimento: substituição de 28% de coque de petróleo por resíduos sólidos. Novo recorde. O setor utilizou 2 milhões de toneladas de resíduos como combustível, das quais, 200 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, na forma de combustível derivado de resíduos. Eletroeletrônicos: 3.417 pontos de entregas voluntárias implantados, com 1.244 toneladas coletadas e enviadas para reciclagem. Novo recorde. Medicamentos vencidos: implantação de mais de 3.634 PEVs — pontos de entrega voluntária, aonde, voluntariamente, as pessoas vão entregar os medicamentos. Novo recorde. Baterias automotivas: 99%; 272 mil toneladas de baterias recicladas e enviadas para reciclagem; 15.548.316 baterias, o que apresentou maior autonomia para o País, que não precisou importar 144.477 toneladas de chumbo. Novo recorde. Todos os sistemas acima, com exceção dos que dizem respeito a embalagens e a defensivos, foram implantados ou aprimorados, por meio de atos normativos, durante a nova gestão. Parabéns para o Governo Bolsonaro, que está tratando o meio ambiente da melhor forma possível!

 

História de Brasília

Diz o deputado Ernani Sátiro, que o garção teria oferecido ao embaixador vinho do sul de Minas e teria, ainda, recebido do sr. Afonso Arinos, esta declaração: “não, quero do Rio rande, que manda mais…” (Publicada em 21.02.1962)

Buraco de Tatu

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          Por suas consequências imprevisíveis, um erro de estratégia, cometido por apenas um indivíduo, do alto do Monte Olimpo de seu próprio ego, poderá levar à extinção da vida, como a conhecemos, sobre todo o planeta. Aliás, essa é uma das questões a atormentar a humanidade, desde os primórdios da civilização: como pode um único indivíduo decidir o destino de bilhões de outros? Milhares de anos de história do homem sobre o planeta, com todo aprendizado que acumulou ao longo dos séculos, e essa é ainda uma incógnita sem solução.

        Essa é também uma questão a ser resolvida o mais urgentemente possível, para pôr fim à escalada da guerra que Putin declarou à Ucrânia. O que os analistas dos mais diferentes matizes ideológicos e, principalmente, aqueles que acompanham de perto esse conflito dizem é que o poderoso exército russo parece ter caído numa espécie de areia movediça, afundando cada vez mais e a cada movimento.

        O que muitos comandantes parecem ir percebendo é que tomar a Ucrânia no braço e na bala, e em poucos dias como estava programado no início da invasão, é uma tarefa impossível. Mesmo os bombardeiros cegos contra alvos e contra a população civil, como meio de baixar a moral dos ucranianos, parecem não surtir efeito.

        De fato, Putin encontrou o que buscava há anos: seu Vietnan, atolando centena de milhares de soldados numa guerra sem fim e cujo desfecho, caso o ditador russo resolva essa parada com um artefato nuclear, significará uma vitória de pirro, obtida a um alto preço, com o preço de milhões de vidas e onde os benefícios da conquista ficarão sempre aquém das perdas e prejuízos. Essa, inclusive, poderá ser a derradeira batalha em que se mete o tirano eslavo.

        Seu prestígio pessoal e daqueles que interesseiramente o apoiam internamente é igual a zero no lado ocidental do planeta. Mesmo para a China, que apoia esse e outros ditadores como o Kim Jong-un, da Coreia do Norte, Putin vem se tornando um peso difícil de carregar. O pior nessa história toda, e que parece ter tido início numa noite mal dormida do presidente da Rússia, é que o efeito dominó, gerado pela invasão da Rússia a um pais democrático e soberano, vem provocando uma corrida, sem precedentes, desde a Segunda Grande Guerra, aos armamentos.

        Países como Alemanha, que se acreditava nunca mais pensar em armas de guerra, afirmam que investirão bilhões de euros em produtos bélicos. Do mesmo modo, o Japão vem reforçando seu poderio militar. O mesmo para a maioria dos países que faziam parte do bloco da antiga União Soviética, todos assustados com as possibilidades reais de futuras invasões. Nessa altura dos acontecimentos, vai ficando claro que a resistência dos ucranianos se deve muito aos investimentos feitos polos Estados Unidos, no treinamento e no fornecimento de armamento para seus exércitos.

        Também o envolvimento da OTAN nesses episódios mostra que já existe uma escalada dessa guerra a envolver outros atores, o que indica não só um agravamento do quadro, mas uma possibilidade de que essa crise irá se estender por muito tempo. As vias de fato, envolvendo muitos países diretamente nesse conflito, virão quando for percebido que os resultados do bloqueio econômico e das retaliações já não surtirem o efeito desejado.

        Nós que nos encontramos aqui no Planalto Central do Brasil, a milhares de quilômetros de distância desse conflito, temos, também e forçosamente, que ficarmos preocupados com os efeitos dessa guerra que recrudesce a cada dia. Caso todo esse conflito resulte na utilização de armas nucleares, não haverá buraco de tatu ou coruja, por mais profundo que seja, para nos esconder e abrigar.

A frase que foi pronunciada:

Não vamos desistir e não vamos perder, vamos lutar até o fim… custe o que custar.”

Volodymyr Zelensky da Ucrânia (2022) e Winston Churchill (1945)

Falta aluno

Até o dia 31 deste mês, o Jardim de Infância “21 de abril” estará aceitando crianças do 2º período, com 5 anos completos. A demanda está baixa. A escolinha fica na Entrequadra Sul 708/908. Contato: 995756526

Foto: facebook.com/jardimdeinfancia21deabril/

Dona Norma

Muita gente não sabe, mas a mãe do jornalista Chico Sant’Anna foi uma das primeiras professoras na Casa Thomas Jefferson em Brasília. Norma Corrêa Meyer Sant’Anna, conhecida como Mrs. Sant’Anna. Depois lecionou inglês no Gila-Ginásio do Lago, francês na Aliança Francesa e português na Escola Americana. Chegou em Brasília em abril de 58, com os 4 filhos. Chico Sant’Anna tinha 6 meses de vida.

 

Norma Corrêa Meyer Sant’Anna, sentada no banco de trás. O local é o canteiro de obra da SQS 106. Foto: Cláudio Sant’Anna

De olho

Região de proteção ambiental sob a jurisdição do Paranoá está sendo invadida. Cercaram e destruíram o cerrado. Moradores da região vão formalizar a denúncia aos órgãos competentes. É hora de a população participar da proteção da cidade.

 

Celeuma

Por falar nisso, moradores estão de lupa na LUOS. O deputado distrital Eduardo Pedrosa elaborou emendas que autorizam escolas em residências e, em breve, serão votadas em plenário. Manifestem-se enviando um e-mail para o deputado (dep.eduardopedrosa@cl.df.gov.br).

Imagem: lagosul.com.br

História de Brasília

O professor Soriano Neto, que dizem, inspirou o desenhista Péricles a criar o Amigo da Onça, foi, ontem, exonerado do cargo de diretor da Faculdade de Direito do Recife. (Publicada em 20.02.1962)

Putin o novo Kzar

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Jornais, revistas, livros e boa parte da mídia em todo o mundo, de repente, passaram a se interessar pela biografia de Vladimir Putin. Na verdade, o que muitos estão fazendo é buscar conhecer quem é esse personagem e o que tem feito até aqui, para entender até onde ele irá nessa sua nova empreitada, regada a sangue de invasão à vizinha Ucrânia e que possíveis planos prepara, posteriormente, para saciar sua sanha de recriação do antigo poderio da União Soviética.

Ao contrário do que muitos historiadores fazem ao ir pesquisar na fonte os documentos que necessitam para compor seus relatos, no caso de Putin, a metodologia tem que ser outra. De fato, em relação ao russo, fica difícil, se não impossível, nessa altura dos acontecimentos, encontrar qualquer documento oficial que indique quem é esse indivíduo que governa o maior país da Europa com mão de ferro desde 1999.

Até mesmo a ONG Memorial Internacional, fundada em 1989 para apurar fatos e crimes contra os direitos humanos pelos go vernos russos, apesar do trabalho de alto nível que vinha realizando, angariando respeito e admiração mundo afora, foi fecha da por ordem de Putin, acusada de criar uma imagem distorcida da União Soviética, prejudicando a memória “sagrada dos russos” durante a Segunda Grande Guerra.

Os documentos oficiais que traçam uma biografia de Putin foram, todos eles, “maquiados” e suavizados para emprestar ao líder supremo uma imagem de intocabilidade. Para pesquisadores ingleses e alemães que têm ido em busca de decifrar esse personagem, Putin chegou ao comando do país pelas trilhas mal afamadas da KGB, a temida e eficaz organização de serviços secretos da antiga União Soviética, criada em 1954 e extinta, oficialmente, em 1991.

Por sua capacidade em cumprir as mais duras missões, principalmente a eliminação de suspeitos e outros oponentes ao regime, com frieza e precisão, logo ascendeu dentro da organização. Dali para a política, sob a sombra de Boris léltsin, foi um pulo. A crise desencadeada com a invasão da Ucrânia acendeu nos pesquisadores o desejo de escanear a vida desse mandatário, como meio de antever suas pretensões futuras e quiçá, livrar o mundo e a Europa de novas e nefastas surpresas.

O congelamento de recursos da Rússia, dentro das medidas de retaliações contra a invasão da Ucrânia, mira secretamente na verdadeira fortuna estimada pela mídia, por baixo, em U$ 200 bilhões, que Putin e os oligarcas sob sua proteção, ainda segundo notícias, teriam desviados do país.

A oposição russa, pelo menos aquela que ainda não foi envenenada, diz que Putin possui pelo menos US$ 40 bilhões mantidos secretamente fora do país. O fato é que a corrupção, uma praga que conhecemos muito bem, também é um flagelo que acompanha a história da Rússia, sendo mais significativa após a dissolução da União Soviética em setembro de 1991.

Compreender a trajetória do homem e sua história ajuda a assimilar parte significativa de suas ações, facilitando no entendimento geral de toda a conjuntura, principalmente quando esse personagem enfeixa em suas mãos todo o poder, calando a imprensa, mandando prender ou matar opositores, controlando a Justiça e o Legislativo e mantendo sob seu controle total as Forças Armadas do país.

Observadores políticos asseguram que, após a invasão da Ucrânia, outros movimentos expansionistas e de controle das regiões próximas estão na cabeça de Putin, aguardando o tempo certo para serem deflagradas. No Ocidente foi aceso o alerta vermelho, não apenas por paranoia, mas pela certeza de que novos desdobramentos virão. Primeiro, para os países próximos. Depois, para os demais onde conceitos como democracia e respeito pelos direitos humanos ainda estão presentes, sendo que são essas mesmas características, comuns ao Ocidente, que mais parecem ameaçar os planos de Putin.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A mídia ocidental tende a dar muita ênfase às instituições oficiais da Ucrânia, como sua Suprema Corte, a comissão eleitoral central e o parlamento. Na realidade, o povo da Ucrânia agora controla seu destino.”

Bob Schaffer, senador estadunidense

Bob Schaffer. Foto: denverpost.com

 

Mobilidade

É preciso ouvir a população em relação às calçadas. Muitos dos que ajudaram a construir esta cidade não podem se locomover por falta de conservação nos passeios. Um deles é o da 105 Sul. A mensagem é de Inas Valadares, pioneira. Já viu pessoas tropeçando e caindo por causa dos desníveis constantes. Outro local é o corredor da quadra interna para o Pão de Açúcar. Frutas podres e folhas pelo chão escondem as calçadas irregulares. As fotos estão a seguir.

 

Visual

Melhor forma de reconhecer um país subdesenvolvido é olhar para a paisagem. Quanto mais fios e postes, pior a situação do PIB.

Foto: José Carlos Vieira/CB/DA Press

 

Expert

Procurado pelo Citibank de Stamford, em Connecticut, o senador Flavio Arns deve dar uma entrevista para o podcast da instituição. Como autor do PL 3825, que disciplina os serviços referentes a operações realizadas com criptoativos em plataformas eletrônicas de negociação, o senador despertou a atenção da brasileira Ana Figueiredo, responsável pelo assunto no banco internacional.

Senador Flavio Arns. Foto: senado.leg

 

História de Brasília

Quanto ao sr. Ibrahim Sued, também. Mas o colunista social não conhece Brasília. Esteve aqui uma vez, para o lançamento da superquadra da família imperial, que ficou somente no cercado, sem que nenhuma prestação tenha sido paga. (Publicada em 18/02/1962)

População resiliente com espertos à frente

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Charge do Dum

 

           Não fosse essa mania recorrente de bisbilhotar os bastidores e as idas e vindas dos políticos desse país, realizadas por uma parte da imprensa, que ainda acredita que o dinheiro público, num país falido financeiramente, deve ser respeitado como algo sagrado e gasto, portanto, com parcimônia, pouco ou nada saberíamos sobre o festim permanente que essas elites no poder têm feito com os recursos suados dos pagadores de impostos.

          Tem sido uma festa sem fim, desde que o imperador Pedro II foi banido do Brasil em 17 de novembro de 1889, por um golpe militar que instaurou, da noite para o dia, uma forma de governo muito particular, em que a coisa pública ou Res pública permaneceria à disposição daqueles que comandam a máquina do Estado para gastá-lo da maneira que melhor lhes aprouverem.

         De lá para cá, esse apossamento dos recursos públicos, extraídos à fórceps da população, só vem aumentando, na contramão dos investimentos necessários para a população, que diminuem a cada dia. Foi assim que chegamos à situação esdrúxula em que os recursos para o atendimento das necessidades básicas da população, como saúde, segurança, transporte, educação, entre outros, simplesmente deixaram de existir, enquanto o dinheiro para a atendimento clientelista e sem lastro ético, de uma elite política e poderosa é abundante e despendido em mordomias que fariam corar de vergonha os marajás das Mil e Uma Noites.

         Não é por outra razão que somos de um país onde mais de 50 milhões de brasileiros passam fome e onde os Poderes e as instituições públicas são as mais caras e ineficientes de todo o mundo. Não se sabe até quando esse modelo peculiar de República poderá resistir sem que a sociedade tome as devidas providências para estancar essa derrama injusta. Graças à bisbilhotice do Jornal Folha de S, Paulo, em sua edição de 22/11, que ficamos informados que autoridades dos Três Poderes da República, passaram uma semana na aprazível cidade portuguesa de Lisboa, sob o pretexto de participarem do IX Fórum Jurídico de Lisboa, entre os dias 15 e 17 desse mês. Para o “dolce e bel far niente”, torraram a módica quantia de R$ 500 mil, entre passagens, hospedagens e diárias, pagas pelo contribuinte, não se sabe com que finalidade nem propósito. Nesse Fórum, organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, nome pomposo dado à uma entidade privada, que o jornal Folha de S. Paulo afirma ser de propriedade do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e de seu filho, onde estiveram presentes autoridades dos Três Poderes da República, inclusive do Tribunal de Contas da União (TCU) para o caso de haver alguma interpelação pública sobre esses gastos de “extremo” interesse da nação.

         De concreto o que resultou desse Fórum, um convescote político feito às expensas da população, que fica sabendo dessas reuniões, graças apenas a mania de parte da imprensa em mexericar a vida opulenta das elites instaladas nos Três Poderes, ninguém sabe, nem mesmo aqueles que estiveram nessa reunião, aproveitando também a camaradagem gratuita dispensadas à essa gente pelos aviões da Força Aérea, há muito transformados numa espécie de empresa de turismo à disposição das elites do Estado.

A frase que foi pronunciada:

“Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”.

Margareth Thatcher

Margaret Thatcher. Foto: britannica.com

Coerente

Tudo sobre a mesa preparada para a volta de Heloísa Helena à Brasília. O partido Rede, do senador Randolfe Rodrigues, articula a candidatura da ex-senadora, dessa vez, provavelmente para a Câmara dos Deputados.  Pode ser que o partido se decepcione, Heloísa Helena não é de se unir com inimigos para atacar outros inimigos.

Heloísa Helena. Foto: Sérgio Amaral / Editora Globo.

Nosso jornal

Vale à pena o Correio Braziliense resgatar as matérias feitas pelo jornal sobre vida e obra de Leda Watson. Artista internacional que vive em Brasília merece o reconhecimento pela dedicação em levar a arte para o mundo. Fica a dica.

Leda Watson. Foto: correiobraziliense.com

 

Baiano

Irreverente, nosso leitor, o Baiano, sugere que, no centro de São Paulo, no lugar do touro imitando Wall Street, o animal brasileiro mais realista para ocupar lugar, em frente à Bolsa de Valores, seria um bodinho magro de circo mambembe.

 

Via Crucis

Pelo número de documentos que a Caixa exige para financiar a casa própria, é impossível haver corrupção. O estressante percurso até a assinatura do contrato ignora as pessoas de bem.

História de Brasília

Os empréstimos para desconto em consignação da Caixa Econômica, não foram cedidos a todos. Agora, fala-se em nova inscrição, mas há gente utilizando prestígio para conseguir sem fila. (Publicada em 14/02/1962)

Democracia sem emoção e com razão

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Charge do Benett

 

Para um país que, ao longo da maior parte de sua história, nunca deu a devida atenção à educação e ao ensino público de qualidade, assimilar lições e torná-las práticas usuais do cotidiano é também uma tarefa difícil, senão impossível. Reter lições do passado e do presente é fundamental para evitar o cometimento dos mesmos erros e ter alguma previsibilidade quanto ao futuro. E é também uma das lições que se aprende nas escolas.

Com isso, fica evidente que um povo devidamente instruído não se torna presa fácil nas mãos dos prestidigitadores políticos, muito menos se deixa levar pelos discursos encantatórios de demagogos e populistas da hora. Ensinar a pensar talvez seja a primeira e mais importante missão que cabe à educação. A segunda, talvez seja ensinar a pensar de modo próprio, depois de perscrutado o ambiente em volta. Sem essas premissas, um povo se torna alvo fácil para a investida dos chamados “peritos em habilidades”, os mascates de vãs esperanças.

Essa talvez seja a principal característica que falta à média dos cidadãos desse país, sobretudo aos eleitores. O que a prática demonstra é que, desde a redemocratização, não parece haver sinais de que o eleitorado venha aprendendo com as seguidas eleições. E isso é ruim, pois traz reflexos negativos para toda a nação, mesmo para aqueles que dizem desprezar a política. Pelo menos, é o que as atuais urnas mostram.

No embate em que nos vemos metidos agora, açulado de modo proposital pelo chefe do Executivo, contra parte das altas cortes do Judiciário, a parte que se dizia ser: “briga de cachorro grande” deveria render lições proveitosas para a elevação na qualidade de nossa democracia.

Não basta a um Estado ser democrático, é preciso que essa democracia tenha um mínimo de qualidade. Ocorre que essa melhoria na qualidade só pode advir de eleitores cônscios de sua importância nesse sistema. Ou a população aprende com erros cometidos por seus representantes, banindo-os definitivamente da vida política, ou estaremos fadados a experienciar crises e mais crises, com efeitos danosos sobre todos.

É nesse contexto que se insere a atual crise, gestada no Palácio do Planalto e ampliada no Supremo. Trata-se de uma contenda em que nenhuma das partes possui razão. Fôssemos julgar essa querela atual, à luz da racionalidade e dos episódios que foram se sucedendo num crescendo insano, o veredito, por certo, levaria à condenação de ambas as partes. Apenas à guisa de exemplo, tomemos a faxina ou o remendo ilegítimo, feito à meia sola, no currículo de Lula, de forma apenas a torná-lo apto a concorrer às próximas eleições.

De cara, trata-se aqui de um acinte contra o cidadão de bem e uma violação contra a própria democracia. Caso a população não entenda, de uma vez por todas, que o desmanche forçado da Operação Lava Jato foi um atentado contra a democracia e um crime de lesa-pátria, mais uma vez, estaremos sendo impelidos a repetir erros sérios.

É esse upgrade que nos falta e que só poderá vir por meio das boas escolas públicas e de um ensino que leve o brasileiro a reconhecer, em qualquer ocasião, o valor preciosíssimo de uma democracia de qualidade, em que a razão suplante a emoção.

A frase que não foi pronunciada:

Por falar nisso, o finado Bruno Maranhão arrebentou o Congresso Nacional. O que aconteceu com ele?”

Dona Dita, enquanto tricota.

Bruno Maranhão. Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Ordem e progresso

Se existe um colégio que desperta a ira dos maus professores e administradores escolares, esse é o Colégio Militar. Primeiro, porque as crianças que o frequentam já são educadas em casa, só vão para a escola pela instrução. Segundo, porque em qualquer olimpíada de conhecimento, o Colégio Militar é imbatível. Essa ira de alguns deveria se transformar em humildade para copiar a fórmula. Essa celeuma sobre a filha do presidente estudar no Colégio Militar é inútil. A escola é ótima e quem pode, pode!

Divulguem

Veja, a seguir, as obras da afegã Shamsia Hassani. Descreve bem a situação da mulher no atual Afeganistão. As fotos foram enviadas para um grupo de jornalistas pelo colega Fernando Ladeira. Sigam a artista na sua página oficial no Instagram: @ShamsiaHassani.

À flor da pele

Uma das sequelas dessa fase pandêmica é a falta de paciência de pais que não estavam acostumados a conviver com os filhos. Outro dia, uma mãe gritando com o pequeno o obrigava a colocar a máscara antes de entrar no carro. É o mesmo que obrigar alguém a passear a pé atado em um cinto de segurança.

Foto: ozgurdonmaz/Getty Images

História de Brasília

No supermercado UV-1 faltavam, ontem: cebola, carne, batata, verdura, arroz e álcool. Muitos outros produtos faltavam, igualmente. Estes, porém, são de um rol de uma dona de casa. (Publicada em 07/02/1962)

A insensibilidade diante da vida

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Charge do Cícero

 

Somente aquelas pessoas que, do dia para a noite, necessitaram de um atendimento urgente dos planos de saúde e de todo o intrincado labirinto burocrático, envolvendo exames, cirurgias e tratamento para os pacientes diagnosticados com câncer severo, conhecem, de perto, a realidade fria e crua desse sistema.
Vida e morte, assim como saúde e doença, são para os planos de saúde e para os hospitais particulares, apenas um negócio como outro qualquer. Aliás, um grande e promissor negócio, o que comprova o número exagerado de hospitais e clínicas tocados pela iniciativa privada e espalhados por todas as capitais do país. A arquitetura espetacular desses estabelecimentos comerciais, que intermedeiam a sobrevivência dos indivíduos com o barqueiro Caronte, chamam a atenção dos vivos e nada lembra os tradicionais hospitais e santas casas, sóbrios e acolhedores.
O tempo passou rápido. Hoje tão rendoso quanto escolas particulares, que também existem em grandes números, são esses centros comerciais de saúde. Nem mesmo à antiga classe média, formada por pequenos profissionais liberais, é dada a chance de frequentar esses novos espaços. Trata-se de um privilégio ofertado só à diminuta parcela da sociedade brasileira. Desse modo, não chega a ser surpreendente que a saúde e a educação, dois itens destacados na Constituição de 1988 como direito do cidadão e dever do Estado, não passem de letra morta.
A realidade fez dessas leis magnas o que se faz com os brasileiros de segunda classe. Tanto a Lei nº 9.656/98 quanto o Código de Defesa do Consumidor que regulamentam, na teoria, a atuação das operadoras dos planos de saúde, que contam com cerca de 50 milhões de consumidores, não têm, do ponto de vista dos pacientes com câncer, a capacidade de atendimento adequado, a tempo e a hora. Por isso mesmo, não são poucas as reclamações endereçadas aos órgãos de controle, sempre míopes ou pressionados pelo lobby poderoso dessas empresas. Na hora em que a situação aperta, muitos cidadãos podem verificar o quanto funciona, na prática, a presteza e a eficiência desses planos.
Inúmeros e repetidos são os casos de pacientes enfermos que se valem de ações e mandados emergenciais ante a Justiça para o cumprimento dos contratos ou, simplesmente, para ordenar aos hospitais obediência às formalidades de internação, exames e outros procedimentos. O desespero de familiares, apanhados com a notícia súbita de uma doença grave, ao mesmo tempo em que retira a lucidez para os trâmites burocráticos exigidos, é aproveitado pelas seguradoras e pelos hospitais para introduzirem exigências e elevar os custos dos atendimentos.
É uma situação desigual, experimentada por inúmeras famílias brasileiras. Num país onde ser preso ou ser solto, ser condenado ou absolvido ou ser aceito ou rejeitado depende do poder do dinheiro, não surpreende que viver ou morrer passe a ser também uma questão entre possuir ou não recursos financeiros. Para os idosos e os acometidos de tumores malignos, que precisam de pronto atendimento, essa tem sido uma situação deveras dramática, embora não tenha sido capaz, até o momento, de sensibilizar e mobilizar a classe política e os dirigentes. Mesmo aqueles que, por suas posições de relevo e de decisão na máquina do Estado, poderiam cuidar de tão delicada questão, ela não parece ser um problema que mereça decisão rápida.
O veto do presidente Bolsonaro ao projeto de autoria do senador brasiliense Antônio Reguffe, abrindo espaço para a incorporação pelas operadoras dos planos de saúde da adoção de 23 novos medicamentos orais para pacientes com câncer, complicou uma situação que, em si, era grave e defendida, inclusive, por entidades médicas de todo o país. Mais uma vez, venceram os planos de saúde e, por tabela, os hospitais particulares, que parecem operar em um conluio conjunto com essas empresas. Perdem os brasileiros que querem viver.
A frase que foi pronunciada
“Para isso, é que serve o nosso mandato. Para servir à população. Não podem os diretores da ANS serem aprovados aqui de forma automática. Há artimanhas das operadoras de planos de saúde.”
Senador Antônio Reguffe
Senador Reguffe. Foto: senado.leg.br
História de Brasília
Notícia excelente para o Setor de Indústria e Abastecimento: chegou ontem a Brasília a primeira turbina termoelétrica do SIA. Amanhã ou depois, chegará outra e, até maio, estarão as duas funcionando. (Publicada em 7/2/1962)

As janelas quebradas da capital

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Foto: Carlos Vieira/CB/DA Press

 

Desde os anos sessenta, que o filósofo de Mondubim dizia que a desordem conduz, obrigatoriamente, à desordem. Esse é um tema conhecido de todos aqueles que observam as interações sociais, sobretudo numa cidade populosa, onde a aglomeração de pessoas tem reflexos diretos na qualidade de vida de todos, indistintamente. Não duvide: as atitudes de seu vizinho, ou o que é feito em bairros limítrofes ao seu, tudo possui o poder de repercutir em ações visíveis ou invisíveis na sua própria rua. E tudo será capaz de alterar, significativamente, a qualidade de vida em sua comunidade. O todo está intrinsecamente conectado, numa rede viva e dependente.

O experimento conhecido como “Teoria das Janelas Quebradas”, desenvolvido pelos pesquisadores da Escola de Chicago, nos Estados Unidos, James Q. Wilson e George Kelling, demonstrou, naquela época, que um carro abandonado, num bairro de classe rica ou pobre, tem maiores possibilidades de ser vandalizado ou mesmo furtado, caso uma de suas janelas esteja quebrada. O mesmo ocorre em edifícios, onde as janelas ou partes dele estejam danificadas por um tempo e não passem por pronta manutenção. Logo, logo esse prédio começa a ser depredado, invadido, passando, em pouco tempo, a se constituir em local de moradia de desocupados, sem tetos ou de usuárias de drogas.

A partir desse ponto, toda uma série de crimes passam a ocorrer, afetando não só a população que por ali circula, mas outros pontos da cidade. Exemplo desse fenômeno pôde ser confirmado no antigo Torre Palace Hotel, próximo à Torre de TV, que, a partir de 2014, gerou uma série de acontecimentos negativos e perigosos, não só para o Setor Hoteleiro Norte, onde se localizava, mas para toda a área adjacente. A situação chegou a um crescendo tal que foi necessária uma verdadeira estratégia de guerra para esvaziar o local, com a utilização de helicópteros e de um conjunto de forças de segurança jamais vistas para desocupar o imóvel. Isso depois de muita reclamação, muitos crimes e muitos prejuízos, para o turismo, já que o local onde está a edificação é no Setor Hoteleiro. A imagem de capital moderna acabava por ali.

O mesmo ocorre hoje na conhecida Cracolândia, fincada bem no centro de São Paulo, gerando problemas que nenhum governo foi capaz de sanar nesses últimos anos. O setor Comercial Sul, também possui a sua Cracolândia, sendo formada bem debaixo dos olhos das autoridades e já representa um enorme prejuízo para toda essa antiga e ainda valorizada área da cidade. Também as W3 Norte e Sul, depois da consolidação do modelo dos shoppings fechados, foi perdendo sua importância ao logo dos anos, com muitas lojas sendo fechadas e abandonadas.

A deterioração paulatina dos edifícios nessa localidade também confirma a Teoria das Janelas Quebradas, demonstrando que a falta de zelo e, principalmente, de fiscalização pelos órgãos encarregados desse serviço serviram para aumentar, além da decadência física do local, um atrativo a mais para moradores de rua, viciados e criminosos de todo o tipo que trafegam nessas áreas de dia e de noite.

Nesse particular, a W3 Norte tem sofrido, sobremaneira, nessas últimas décadas, tanto os efeitos da pouquíssima fiscalização pelos órgãos de segurança e vigilância, como dos serviços de postura e de engenharia, que simplesmente deixaram de olhar para essa importante parte da cidade. Outra ilustração clara e oposta à teoria da Janela Quebradas são as estações de metrô da capital. Todas impecavelmente limpas e organizadas e são mantidas assim pela população que, instintivamente, é levada ao desejo de preservação.

Com o desleixo das autoridades em relação aos imóveis da W3 e entrequadras e seguindo a Teoria das Janelas Quebradas, os proprietários desses imóveis passaram a agir e a construir seus puxadinhos à margem do que mandam os códigos de postura e de padrões urbanos, quer expandindo para as áreas públicas seus estabelecimentos comerciais, quer erguendo horripilantes terraços sobre as antigas edificações, não obedecendo questões de gabarito ou mesmo de sobrecargas.

Como resultado desse descaso, há poucos dias um prédio praticamente inteiro na quadra 713 Norte veio abaixo. Por sorte não deixou mortos. Agiriam corretamente as autoridades, se depois desse sinistro e de outros que vêm ocorrendo com certa frequência, mandassem demolir esses andares extras e todas essas obras ilegais, para o bem da população e para o futuro da cidade.

Apenas seguindo o que orienta o código de postura urbana já seria possível frear a decadência dessas vias de comércio. O que ninguém pode permitir, em nenhuma hipótese, é que sejam os próprios donos dessas edificações, junto à omissão da fiscalização, os responsáveis diretos por esses crimes contra a cidade e o futuro dos brasilienses.

História de Brasília

O governador Leonel Brizola chegou ontem pelo Viscount. No mesmo aparelho, viajou, também, o sr. Ranieri Mazzilli, que era o presidente da República à época da Campanha da Legalidade.(Publicada em 06/02/1962)

Um modelo feito para não dar certo

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Charge do Benett

 

Visto de luneta, o Brasil parece, aos olhos do mundo, um desses planetas alienígenas, ocupados por uma estranha raça, cujos costumes sociais, políticos e econômicos são, por seu caráter primitivo e malevolente, impossíveis de serem aplicados em outras partes do mundo civilizado no século 21.
Nossas mazelas nos pertencem por direito histórico e nos caracterizam como nação e como Estado. Tomando como exemplo nosso modelo de Estado, vê-se logo que foi montado para não dar certo. O chefe do Executivo, tão logo toma posse, é obrigado a abrir a porteira do Estado, estabelecendo, já no primeiro dia, uma intrincada rede de relacionamentos com as diversas bancadas com assento no Congresso, acordos esses que nada têm de republicano e ético. Colocado como refém do parlamento, é instado a ceder a parte significativa e mais rendosa da máquina do Estado, representada pelas estatais, aos próceres das dezenas de legendas. Esse é o único caminho a seguir para garantir um mínimo de governabilidade, dentro do que se convencionou chamar, de presidencialismo de coalizão.
Numa primeira etapa, a escolha é só uma: ou age conforme as regras, ou tem suas mais importantes propostas de governo barradas no Legislativo. Caso não consiga estabelecer entendimentos que tragam vantagens significativas para os políticos e suas respectivas legendas, a situação do governo adentra para uma segunda fase mais delicada, dando início, propriamente dito, à fritura do chefe do Executivo, que pode redundar, facilmente, na abertura de um penoso e prolongado processo de impeachment, com todas as suas consequências posteriores.
Nessas relações tumultuadas entre os diversos Poderes, encontrar aqueles que verdadeiramente possuem espírito público e pensam apenas no bem do país é coisa tão rara que sua existência, de tão minguada e esparsa, pouco ou nada influencia para alterar essa situação.
Para se ver livre dessas ameaças concretas e veladas, o próximo caminho a ser trilhado pelo presidente da República e também o mais danoso para o país e para a população é usar, de suas prerrogativas legais, para lotear os postos de comando na Procuradoria-Geral da República, nos Tribunais de Contas, na Polícia Federal e, sobretudo, no Supremo Tribunal Federal, indicando pessoas cujo único atributo técnico está na possibilidade de, lá adiante, obstar ou interromper os processos de destituição do mandatário.
Trata-se aqui de um modelo perverso que cobra um alto preço a ser pago, não por esses atores políticos, mas por todos os brasileiros, indistintamente, que passam a ter, como resultado dessa engenharia marota, um Estado montado na base do compadrio, e não no mérito, como feito em outras partes do mundo civilizado.
Obviamente, quem perde com essas manobras feitas pelos poderes Legislativo e Executivo é a sociedade, tanto no quesito instabilidade das instituições como nas crises políticas recorrentes e, sobretudo, nos prejuízos decorrentes da inevitável má gestão da máquina pública, o que inclui, nesse pacote nefasto, os problemas gerados por uma corrupção endêmica e que, há séculos, vem resistindo impávida e fortalecida por um modelo engendrado, exatamente, para não dar certo. Talvez, esteja aí mesmo o segredo de sua longevidade.
A frase que não foi pronunciada
“Nada se parece mais com o pensamento mítico que ideologia política.”
Claude Lévi-Strauss
Claude Levi-Strauss. Foto: Reprodução
Dinheiro à vista
Completamente à deriva, os brasileiros assistem à soberania nacional ser comprada por países estrangeiros. Educação, comunicação, florestas, rios, terras, mentes e regras.
Foto: Minha Capital
Programa 7.7
Na próxima quarta-feira, a TV Escola apresentará, no programa Meia Volta Vamos Conhecer, Fabio Pereira, Procurador de Justiça, presidente de estudos de inteligência e contra inteligência. A entrevista será feita por Flavia Mello, às 21h.
Fabio Pereira. Foto: perfil oficial no Twitter
Vote
A seguir, o link do e-cidadania do Senado para votar sobre a urna eletrônica.
Charge: Bessinha
História de Brasília
Afora a determinação da transmissão de Brasília, o ministro da Justiça devia, também, mandar investigar sobre os funcionários da Agência Nacional que recebem diárias de Brasília, residem no Rio e transmitem de lá A Voz do Brasil, sem que tenha havido qualquer ordem a respeito.(Publicado em 04.02.1962) 

Ou isto ou aquilo

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Foto: Marcos Corrêa/PR

 

Como órgão máximo do processo eleitoral e fundamental para o exercício da democracia, ou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na pessoa de seu presidente e ministros, entra com uma ação na justiça exigindo que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, apresente as provas que seguidamente tem dito possuir, quando reafirma que foi eleito ainda no primeiro turno, ou então reconheça as fragilidades das urnas eletrônicas e que as acusações do chefe do Executivo são procedentes.
Para tanto, manda a lei que se abra uma séria e profunda investigação para que os cidadãos conheçam o que está por detrás desse modelo de votação e de que modo as eleições de 2018 foram fraudadas. Ou é isso, ou toda a lisura do processo estará comprometida. O que não pode é tanto o presidente da República ficar afirmando ter provas de fraudes no primeiro turno de 2018 e o presidente do TSE, por outro lado, ficar rebatendo, dizendo que todo o processo foi realizado sob lisura total, sendo as urnas eletrônicas invioláveis.
Também caberia nesse caso o próprio presidente Bolsonaro ingressar com ação nos tribunais, apresentando as provas que diz possuir, exigindo que o TSE reconheça sua vitória no primeiro turno. Caso venha se confirmar as declarações do presidente da República de fraude nas eleições, a introdução do voto impresso deverá ser, obrigatoriamente, colocada à disposição dos eleitores ainda a tempo das eleições do próximo ano. Não se trata aqui de denúncias que devem ser deixadas de lado e consideradas frutos das já conhecidas e intempestivas declarações do presidente Bolsonaro, mas de acusações vindas de um chefe de Poder da República e que, como tal, devem possuir um peso e uma seriedade compatível com tão relevante cargo.
O silêncio e a indiferença, nesse caso, é que não podem perdurar, sob pena de comprometer a lisura e a ética de seus presidentes e, por extensão, a seriedade das instituições as quais representam. Para o cidadão, essa é uma condição sine qua non para que as eleições futuras sejam vistas como sérias e sem as máculas das fraudes, tão frequentes em toda a nossa história eleitoral.
Por certo, caso se comprove a afirmação do presidente da República, nada mais pode ser feito nessa altura dos acontecimentos a não ser investigar um caso que pode até render uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com outros desdobramentos. Caso fique provada a tese do atual presidente do TSE, Roberto Barroso, sobre a lisura e inviolabilidade das urnas, caberá ao TSE processar Bolsonaro, por acusação infundada.
Conhecendo a imensa capacidade aética dos integrantes do Partido dos Trabalhadores e de outros políticos e partidos para alcançarem seus intentos, podem haver, nessa querela, fundamentos e indícios concretos que necessitam ser, urgentemente, sanados. Como bem dizia a saudosa poetisa Cecília Meireles no poema “Ou isto ou aquilo”, ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Invenções humanas quaisquer, sejam em prol da medicina ou da segurança eletrônica, merecem credibilidade dos seus criadores e apoio dos seus investidores.”

Helgir Girodo

Honra ao mérito
Daquelas pessoas abnegadas, que trabalham por amor, fica a homenagem dessa coluna à enfermeira Janete Carvalho. Funcionária aposentada do Senado, continuou trabalhando, voluntariamente, em hospitais públicos, com feridas humanas. Sem ou com o sentido figurado. Janete cuida de fazer curativos em diabéticos. Para as feridas impossíveis, ela pede: “Acredite em mim. Vou conseguir curar.” Com alma delicada, pensou em treinar alguém para substituí-la. Essa pessoa está pronta e Janete vai se despedindo aos poucos de seus pacientes.

Foto: blanchospital.com

 

Mais uma
Em Taguatinga Sul, na UBS 5, o gerente Wellington Silva chama a atenção pelo tratamento humanizado que dá aos pacientes. Conhece a maioria e os trata pelo nome.

Foto: Breno Esaki / SES

 

In loco
Aqueles que defendem a descriminalização das drogas, como meio de interromper o custoso, inócuo e infindável processo de “enxugar gelo” das polícias, deveriam conhecer os poucos e carentes espaços, que o governo mantém, dedicados ao atendimento das multidões de jovens em busca de socorro psicossocial, decorrente do abuso desses produtos, cada vez mais fáceis de serem encontrados.

Charge do Ivan Cabral

 

Campanha
O estrago que as drogas provocam na estrutura psicossocial de crianças e jovens são de difícil solução, sendo a cura, para esse que é um dos males de nossa época, muito custosa; além de exigir um lento e laborioso trabalho, por parte de especialistas, e empenho da família, o que muitas vezes não é possível.

Foto: hospitalsantamonica.com

 

História de Brasília
Mas, como tudo tem seu dia, já passou o do Hospital. Seu lugar não é mais aquele. A cidade está dividida em seus setores, e um hospital não pode ficar entre residências. (Publicada em 03.02.1962)

A pandemia mostrou a todo mundo quem é quem

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Foto: Joédson Alves/EFE

 

Em qualquer governo – ontem, hoje e sempre e em todo o tempo e lugar –, o que se colhe, pela falta de ação e inanição, é a reação da sociedade. Povo algum tolera que suas lideranças não ajam quando devem agir. Muito menos em tempos adversos, quando o povo espera que seus governantes assumam as rédeas e o comando nas crises. Por todo o mundo, as maiores lideranças políticas, sobretudo nos países democráticos, foram submetidas à prova de fogo imposta pela pandemia, ocasião em que tiveram, forçosamente, que mostrar ao que vieram.

Nesse difícil teste em âmbito mundial, os governantes das diversas nações do planeta encontraram-se, de repente, em meio a uma espécie de guerra, com populações inteiras e indefesas sendo, subitamente, bombardeadas por uma perigosíssima arma biológica. É em tempos adversos como este que não apenas os verdadeiros governantes são revelados e se tornam essenciais, mas que também são postos a nu os farsantes e impostores de toda a natureza.

Durante os períodos mais críticos da pandemia da Covid-19, justamente quando ainda não se tinha uma vacina segura para combater o vírus, e quando ainda havia muitas dúvidas de como debelar essa doença, que o mundo passou a se familiarizar com as ações afirmativas, mesmo duras, daqueles verdadeiros líderes que, muito mais do que popularidade instantânea, perseguiam as melhores e mais racionais estratégias para livrar sua gente da nova peste.

Da mesma forma, mas em sentido contrário, muitos desses falsos guias também serão lembrados pela covardia e pelo medo de que a pandemia, por seus reflexos negativos nos números da economia, e não pelo número de mortes, acabaria por prejudicar suas carreiras políticas, encurtando-lhes o mandato.

Nesse particular, o desempenho do atual governo, se é que pode ser classificado desse modo, sua apatia belicosa durante todo o processo da primeira e segunda onda da virose, é para não ser esquecido e, com certeza, ficará registrado na história desse triste trópico. Muito mais do que o despreparo flagrante frente à crise sanitária, o que se viu, todo o tempo e de forma a camuflar sua inaptidão executiva, foi um presidente perdido em suas funções, insuflando a população contra os outros Poderes e contra os governadores dos estados, encorajando, de modo cínico, a população a enfrentar “de peito aberto” a doença, desestimulando o uso de equipamento de proteção individual e outros procedimentos aconselhados pelos médicos, mudando as equipes do Ministério da Saúde, por interesses meramente políticos, recomendando medicamentos de ação não comprovada cientificamente e, a toda hora, frisando não ter culpa pelo desenrolar dos acontecimentos, num claro sentimento de fuga da realidade.

O que restou, até aqui, desse somatório de trapalhadas pode ser conferido agora, numa Comissão Parlamentar de Inquérito, na sucessão de pedidos de impeachment, nos protestos de rua e muitos outros efeitos colaterais decorrentes de um governo que ainda não disse a que veio, e pior: está pavimentando, por suas tonterias, a volta do lulopetismo ao poder. Quer mais?

A frase que foi pronunciada:

Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.”

Johann Goethe

Goethe in the Roman Campagna (1786) by Johann Heinrich Wilhelm Tischbein | Reprodução

Game

Enfim, o Ministério da Educação disponibiliza um game educativo para crianças jogarem no celular. Por enquanto, só letrinhas e sons, mas já é um bom começo. Sem brigas, sem sangue, sem violência. Com ciência e conhecimento.

 

Escolas

Volta e meia, uma escola particular ou outra suspende as aulas por causa do Covid. A professora, de licença médica, passa alguns dias fora e depois volta com as aulas online, para depois retomar a aula presencial.

Foto: Colégio Little Kids/Reprodução

Severos

No Brasil, os pais levam os filhos para vacinar com carteirinha e mantém todo o processo em dia. Nos Estados Unidos, se uma criança voltar depois de uma vacina com febre ou inchaço no local da aplicação, os pais não ficam satisfeitos e registram reclamação.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Union

Aliança Francesa e Instituto Goethe juntos prometem oferecer mais cultura à Brasília. Veja, a seguir, quais são as últimas novidades.

História de Brasília

Falando em táxi, não se sabe quem autorizou, mas os carros particulares não podem parar em frente à lavanderia Ouro Fino, porque os motoristas colocaram um “ponto” de taxi, interditando a área aos particulares. (Publicado em 02.02.1962)