É o sistema

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Charge do Duke

 

No mesmo instante em que o chefe do Executivo, na figura de presidente, resolve, por questões decorrentes do chamado presidencialismo de coalizão, interferir nas eleições que irão apontar os nomes dos futuros dirigentes, nas duas Casas do Congresso, a Constituição de 1988, em seu Art. 2º, relativo ao princípio da separação dos Poderes da União, deixa de ser respeitada, uma vez que a independência e a harmonia dos Poderes entre si, tão desejada pelos elaboradores da Carta, passa a ser deixada de lado ou simplesmente ignorada.

De fato, é isso que vem ocorrendo e que se é colocada como uma das raízes a gerarem crises institucionais cíclicas e permanentes. Em outra ação de interferência, mas dessa vez com o aval da própria Constituição, o chefe do Executivo escolhe o nome que irá compor o quadro de ministros do Supremo, gerando, quer queira ou não, mais uma fonte de crise institucional. Ocorre que, quando esse nome não carrega o estofo do notório saber jurídico e da ilibada reputação, exigidos como pré-requisito para a função, mais uma vez a Carta é posta de lado.

Em todo o caso, esse modelo é sempre de interferência e gerador de crises sistêmicas. No caso do Poder Judiciário, quando a coloração político-partidário migra do Executivo para as altas cortes, a harmonia entre os Poderes passa a ser feita na base da “similaridade ideológica”, o que é péssimo para a República. É o que temos visto nesses últimos anos e que, surpreendentemente, acaba por abalar, de igual modo, a credibilidade de todo os três Poderes.

Quando iluministas como Montesquieu e outros, no século XVIII, por meio do “Espírito das Leis”, propuseram a divisão tripartite dos Poderes do Estado, o que se tinha em mente era justamente frear os desmandos e o excessivo controle dos monarcas no regime absolutista. É justamente o que assistimos hoje, com outras roupagens mais hodiernas, mas com os mesmos resultados.

Trata-se aqui de um modelo herdado do Brasil Império e que deu certa preponderância e hipertrofia ao Poder Executivo em relação aos demais, embora se saiba que, desde 1889, tem sido o principal gerador de crises. Não é uma questão fácil de resolver, sobretudo, porque não parece haver, entre aqueles que teriam o poder de modificar esse modelo, vontade para tanto. Talvez nem mesmo o esclarecimento maior sobre o assunto e sua importância para o país. Pode até não parecer, mas é graças a esse modelo enviesado que as mais absurdas medidas são adotadas sem que haja reação ou uma espécie de contra peso capaz de freá-la ou amenizar seus efeitos.

O afrouxamento da Lei de Improbidade Administrativa, conforme é desejo de muitos parlamentares e que agora parece que será aprovado na Câmara dos Deputados, é um desses efeitos tangenciais e negativos do modelo de interferência de um Poder sobre o outro, que permite que medidas, já condenadas pelos cidadãos e pela ética, sigam adiante, sem maiores atropelos ou contestações, já que parece embutido no acordo que levou ao apoio ao nome do atual presidente da Câmara pelo presidente da República.

Mesmo que os órgãos de controle e de investigação enxerguem nessa proposta um enorme prejuízo ao combate à corrupção, não existe a tal independência e personalidade, de fato, entre os Poderes, para que medidas dessa natureza sejam atalhadas. Sem essa personalidade firme de cada Poder, que é dado apenas pela independência, a harmonia acaba transformando esses Poderes num sistema amorfo, miscigenado e sem propósito. É o sistema.

A frase que foi pronunciada:

Planejamento não é uma modalidade de intervenção estatal, mas apenas qualifica a intervenção do Estado, para que seja racionalizada”.

Eros Roberto Grau

Eros Roberto Grau. Foto: stf.jus

Abandono total

Inútil o concurso para revigorar a W3. O Setor Comercial Sul também está assustador. Com o advento do trabalho em casa, os arquitetos e engenheiros precisam acordar para as adaptações à nova realidade.

Mundo do contrário

Não é possível que, com o pavor espalhado pelo criminoso que está solto, foragido e fazendo a polícia de boba, algum juiz que tenha família seja capaz de soltá-lo quando o psicopata estiver atrás das grades. Pensando melhor, não é preciso ter família para deixá-lo preso, é preciso rever as leis que punem os inocentes que pagam impostos para ter segurança.

Pauta

Comunicação importante feita pela Embrapa Cerrado aos jornalistas sobre pesquisa feita considerando a qualidade da água do Distrito Federal. Veja no link Pesquisa propõe parâmetros por região para avaliar qualidade da água no Brasil.

Foto: Daphne Muniz

História de Brasília

À noite, nesta época pré-carnavalesca, o barulho das latas e dos pandeiros é ensurdecedor. A algazarra até alta madrugada é uma perturbação constante ao sossego público.” (Publicada em 03.02.1965)

Espelho, espelho meu

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 

A repercussão internacional que o estardalhaço da CPI da Pandemia no Brasil está espalhando pelo mundo pode trazer prejuízos para as relações do Brasil com outros países. A situação exige que as autoridades encarem essa decisão da CPI com a maior urgência e seriedade, não para proteger e blindar essa ou aquela autoridade, caso venha a se comprovar a real culpa de cada um na condução do país durante a pandemia, mas tão somente para resguardar as instituições nacionais e, por extensão, assegurar que nenhuma crise, mais profunda, venha a desestabilizar o Estado Democrático de Direito.

Vale lembrar que o presidente já foi denunciado também pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), em janeiro último, por omissões que contribuíram para a piora da crise sanitária, junto ao ministro da saúde, General Pazuello, alvo da CPI. Veja o vídeo da CPI da Pandemia no Senado Norte-Americano. São muitas as informações supridas pelo controle das redes sociais. A plataforma de vídeos YouTube suspendeu a conta do senador republicano Ron Johnson, depois de o parlamentar publicar comentários sobre tratamento precoce. É o novo quarto poder calando opiniões diferentes. Vale a pena saber o que está acontecendo também fora do país.

Não é de hoje que o mundo passou a olhar com desconfiança e severidade o presidente Bolsonaro, por suas posições controversas em assuntos delicados como o meio ambiente, os povos indígenas, o incremento dos desmatamentos e a permissividade com que os garimpeiros, grileiros e madeireiros têm agido na região amazônica. Nadar contra a corrente internacional em assuntos melindrosos e que podem acarretar consequências nefastas para o conjunto da humanidade, como é o caso do aquecimento global, jamais poderia render quaisquer resultados positivos para o governo, para a pessoa do presidente ou de qualquer outro que compartilhe de projetos tipo niilista.

Além dos Estados Unidos, o Parlamento Europeu vem alertando o governo brasileiro para as consequências de suas afirmações e ações, mesmo sua campanha de desinformação em plena crise de pandemia. Os produtos da área agrícola brasileira, mormente os preços e qualidades atrativos, vêm sendo paulatinamente boicotados no exterior pelos danos que sua produção causa ao meio ambiente.

Muitos analistas acreditam que, não fossem os chineses, que compram esses produtos sem qualquer preocupação ética com questões como preservação do meio ambiente, nossa balança comercial estaria deficitária a tempos. O que ninguém conseguiu decifrar até agora é a razão de o próprio presidente alimentar esse moinho que, dia após dia, vai triturando sua imagem sob os ventos de uma verborragia inconsequente e conflituosa. Trata-se de uma situação inédita de alguém que encontra, no espelho, o reflexo de seu próprio inimigo que deve ser desconstruído como coisa real.

A frase que foi pronunciada:
“Se tivéssemos adotado o tratamento precoce desde o início, hoje teríamos situação controlada, com menos vidas perdidas, além de leitos sobrando para tratar os infectados. Erramos desde o início. Essa que é verdade”.
Deputado Federal Luiz Ovando

Deputado Federal Luiz Alberto Ovando. Foto: camara.leg

 

Mais proteína
Publicado, na UnB, o artigo do professor Nagib Nassar: “Geografia de fome: Uma nova visão”. Trata-se de uma evolução da mandioca a partir da observação do agrônomo e sociólogo pernambucano Josué de Castro.

Professor Nagib Nassar. Foto: radios.ebc.com.br

 

Sua opinião
Anac lança pesquisa sobre fatores de escolha na compra de passagem aérea. Vale a pena responder e compartilhar para contribuir com a melhora do serviço. Acesse o link Fatores de Escolha na Compra de Passagem Aérea e participe da pesquisa.

 

Sem freio
Além da praga das capivaras, que ganham espaço pela falta de predadores, os periquitos no Lago Norte são porcentagem significativa de problemas em fios roídos de TV a cabo, principalmente.

 

Perigo
No gramado perto da pista, na entrada na QL 04 do Lago Norte, antes de chegar à Academia, exatamente por onde andam os pedestres, há um buraco enorme sem tampa e sem sinalização alguma. Durante o dia, só oferece perigo aos distraídos, mas, à noite, é uma máquina de quebrar pernas.

 

História de Brasília
As residências estão sempre sobre ameaça de roubo. Os marginais passam o dia observando os costumes domésticos, como que sempre preparando um ataque. Ninguém sai de casa tranquilo. (Publicado em 03.02.1962)

Trabalho infantil, uma realidade invisível

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Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

 

Assunto que parece nunca despertar interesse nas pessoas, de modo geral, ao contrário do que deveria, é o relativo ao trabalho infantil no Brasil. Talvez pela grande ocorrência desse fato, desde sempre, ou a noção que muitos ainda possuem, de que, na infância dos mais velhos, essa era uma prática comum e vista como inerente à condição econômica de muitas famílias. Também a falsa sentença que diz que “é melhor estar trabalhando do que roubando”, evocada por muitos, quando esse assunto é trazido à baila ou quando se assistem os muitos crimes praticados por menores, não chega, nem perto, de estabelecer uma premissa verdadeira, quando se conhece essa realidade de perto e a fundo.

Somente à guisa de comparação, imagine, o leitor, seu filho menor ou neto de seis, sete anos ou um pouco de mais idade trabalhando como engraxate na estação rodoviária do Plano Piloto, de oito da manhã as seis da tarde todos os dias, comendo o que encontra naquele local, sujeito a processos diversos de aliciamentos por criminosos maiores de idade, que trafegam livremente naquela estação central, em contato com traficantes e outros menores que o tempo e o desprezo cuidaram de conduzir aos subterrâneos da sociedade.

Em apenas um ano de trabalho naquele local público, as chances desse menor vir a sofrer desses assédios de rua são imensas, como são raros aqueles que conseguem escapar dessa sina. Qualquer criança, em plena fase de formação cognitiva, exposta ao ambiente degradado, onde a luta pela sobrevivência faz fronteira estreita com a marginalidade urbana, é sempre uma presa fácil e mais um a adentrar para o submundo social. Rua nunca foi escola de vida, muito menos nesses tempos sombrios que estamos agora imersos.

Por certo, muitas famílias de baixa renda apostam nos ganhos diários obtidos por menores de idade para sobreviverem. Mas nem assim é possível considerar o trabalho infantil como uma realidade aceitável. As condições, muitas vezes insalubres e todo o perigo e prejuízos que essa prática traz para nossas crianças não justificam e isentam esse trabalho precoce.

Escusado lembrar aqui que a tão profanada Constituição de 1988 estabelece, em seu Art. 227, os direitos das crianças à dignidade. “Art. 227: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Proibindo ainda o trabalho de pessoas menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz.

Também as disposições da Organização Mundial do Trabalho (OIT), órgão da ONU, em sua convenção 138 e 182, ratificados pelo governo brasileiro, proíbem essa prática, bem como o Estatuto da Criança do Adolescente (ECA); a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vedação vista, inclusive, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), observada ainda no Código Penal. Ou seja, um conjunto de leis e diretrizes legais que, escandalosamente, não são observadas pelo Poder Público e pela sociedade brasileira, para quem essa é uma realidade invisível.

Desse modo, a Nação, ao ignorar, propositalmente, esse fato, passa a ser uma espécie de cúmplice das autoridades nesse crime que compromete o futuro de todos. E pela experiência demonstrada na CPI da Pandemia, os governadores que porventura vierem a pedir verbas para proteger as crianças do trabalho infantil deveriam apresentar projeto de ação com cronograma, contrapartidas e prestação de contas a serem avaliadas e acompanhadas posteriormente pela população e pelos órgãos competentes. Chegou o momento de outra pecha, intermediária até o objetivo final. O Brasil precisa ser um país sério.

A frase que foi pronunciada:
“Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.”
Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues em 1949. Foto: Carlos. Cedoc/Funarte.


Cristalino
A consideração pelos clientes é proporcional à atenção que é dada às suas reclamações. O Magazine Luiza, mesmo com milhares de parceiros, assume a frente do pós marketing e interage com toda e qualquer reclamação registrada. Do lado oposto, está a Claro, que, infelizmente, assumiu a NET. Nada de respostas no maior portal de interatividade com consumidores do país. O número de respostas da Claro aos consumidores é zero.

Foto: divulgação

Aconteceu
Parados os carros no sinal vermelho perto do Congresso Nacional, de repente, uma senhora abre a porta do carro e vai em direção ao carro oficial ao seu lado. Era o então senador Marco Maciel, que ela fez questão de cumprimentar pelo trabalho e seriedade dedicados ao país. Com um sorriso largo, ele agradeceu a surpresa.

senador Marco Maciel. Foto: Reprodução / Agência Senado


Pueril
Quietinho, Rafael de 7 anos, ouvia o pai comentar as notícias do dia com a mãe. A primeira dava conta do racha disputado na L4 Sul, onde os cinco motoristas foram flagrados, multados em quase R$3 mil e tiveram a carteira suspensa. A próxima notícia dizia que a Justiça absolveu o motorista acusado de fazer racha no mesmo lugar e provocar a morte de mãe e filho em acidente. Rafael concluiu: “Essa Justiça é uma gelatina mesmo.”

História de Brasília
Nas proximidades dessa “fazenda’, que fica na W-3, os barracos comerciais vendem bebidas alcoólicas, o que outrora era proibido. Vai daí, as brigas frequentes, os esfaqueamentos também, e o desassossego das famílias é permanente. (Publicado em 03.02.1962)

Homeschooling é para quem pode

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Charge do Benett

 

Alguns fatos ocorridos na dinâmica social e urbana brasileira iriam, no final dos anos 1970, provocar uma série de mudanças estruturais no tradicional modelo educacional do país, principalmente no ensino público, oferecido pelo Estado, sob a direção do Ministério da Educação e Cultura (MEC), como era denominada naquela época a pasta que coordenava os assuntos ligados a essa área.
Entre as mudanças sociais que acabaram por atingir em cheio a educação pública, sobretudo no quesito qualidade e eficiência, está a debandada em massa das classes média e alta dessas escolas, rumo ao ensino privado, que começava a ganhar fôlego e atrair os alunos, cujas famílias tinham melhores condições econômicas, oferecendo não apenas um currículo e uma grade e disciplinas mais elaborados, mais diversas e atrativas para os próprios alunos, aprofundando em matérias escolares que, lá no ensino público, eram vistas apenas de forma superficial. Não demorou para esse alunado começar a se sobressair nos exames e vestibulares do país, mostrando não só uma diferença de qualidade desses conteúdos programáticos, como uma nova maneira de ministrar aulas mais dinâmicas, tudo dentro de um espírito empresarial que reconhecia na educação de jovens um vasto campo a ser explorado economicamente pelos novos empresários.
Os melhores pedagogos e professores foram chamados também. As aulas consumiam uma carga horária maior. O material didático era diferenciado e mandado imprimir pelas próprias escolas, contendo textos explicativos e exercícios, relativos ao assunto, em cadernos ricamente diagramados.
Ao ser deixado de lado pelas classes médias e altas, o ensino público perderia o principal nicho social que poderia, de alguma forma, fazer pressão pela melhoria do ensino junto às autoridades, reivindicando direitos e exigindo escolas de qualidade. Com isso, muitas escolas públicas, que outrora eram reconhecidas como de excelência, passaram a conhecer a decadência.
Das poucas escolas que conseguiram sobreviver a esse esvaziamento social, oferecendo um ensino de relativa qualidade, todas elas, indistintamente, tinham em seus quadros de direção, professores abnegados e incansáveis, que passavam a maior parte do ano peregrinando pelos corredores dos ministérios em busca de auxílio e, muitas vezes, não se dobrando às humilhações impostas pela burocracia estatal e pela indiferença com o problema.
Os ministros da pasta que, antes, exibiam invejáveis currículos acadêmicos, foram substituídos por políticos profissionais dispostos a tudo, menos a atender às necessidades da área. O mesmo passou a ocorrer em âmbito estadual e municipal, com os secretários de educação, a grande maioria despreparada e avessa a esses problemas.
Deu no que deu. Nesse vácuo e nesse terreno baldio em que se transformaria o ensino público, ficaram alguns professores em fim de carreira, cansados e desiludidos da luta pela melhoria do ensino e alguns outros professores, que caso fossem submetidos a exames para medir o grau de conhecimento nas disciplinas que ministravam, seriam automaticamente reprovados. Os baixos salários cuidaram para espantar os poucos profissionais de ensino com maior preparo. Os sindicatos, como braços avançados dos partidos, cuidaram de fazer a sua parte, paralisando continuamente as aulas em busca não apenas de melhoria salarial, mas com vistas em interesses políticos e eleitoreiros.
Não surpreende que hoje o ensino público do país seja um dos mais mal avaliados nos certames internacionais como o Pisa e outros. Hoje, o ensino público é ofertado, em grande parte, para pessoas de baixa renda que não encontram outra opção. É isso ou nada. Com a pandemia prolongada esse fosso entre escola pública e privada só fez aumentar ainda mais, acentuando dramaticamente a desigualdade social.
Alunos de escolas privadas continuam tendo aulas, via computador. Os alunos do ensino público, na sua maioria, nem sabem em que escola estão matriculados e que série estão cursando. Para tornar esse quadro ainda mais surreal, agora a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados acabou de aprovar o Projeto Lei (3262/19), permitindo o chamado homeschooling, ou seja, a que os pais eduquem seus filhos em casa, retirando do Código Penal o crime de abandono intelectual. Por acaso não seria abandono intelectual o que o Estado promoveu, pensadamente, contra o ensino público? Fica a questão para um problema que nem esse nem outros governos passados conseguiram resolver minimamente.
 
A frase que foi pronunciada
 
“Minha escolaridade não só falhou em me ensinar o que professava ensinar, mas me impediu de ser educado a ponto de me enfurecer quando penso em tudo que poderia ter aprendido sozinho em casa.”
George Bernard Shaw
George Bernard Shaw. Foto: wikipedia.org
História de Brasília
Próximo às casas da Edel, um fazendeiro da invasão resolveu fazer um cercado e criar uma cocheira. Há uma onda de mosquitos que não deixam ninguém sossegado. (Publicado em 03/02/1962)

Brasília, capital do entorno

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Brasília. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

 

Por certo, os muitos problemas urbanos que o Distrito Federal enfrenta hoje, e cujas causas muito se comentou e criticou neste espaço, não estão, na sua maioria, concentrados apenas no Plano Piloto, mas é nessa área central da grande Brasília que estão localizados, hoje, as principais fontes de renda para centenas de milhares de brasilienses, quer em empregos formais, com carteira de trabalho assinada, quer em atividades de livre iniciativa ou em outras ocupações informais espalhadas por toda a cidade.

Apenas por essa característica econômica, que faz com que as populações do entorno se desloquem diariamente para o centro da capital, já seria um bom motivo para o Governo do Distrito Federal ter um olhar mais atencioso a essa área, afastando, assim, a possibilidade, observada em muitas capitais do país, desse centro vir a experimentar uma perigosa fase de decadência prematura.

O crescimento desordenado do entorno, feito sob a batuta de inegáveis interesses políticos e eleitorais, demanda, mais do que nunca, que o Plano Piloto receba atenção redobrada dos órgãos públicos, a fim de que essa área possa exercer, com eficácia, esse seu novo objetivo que é a manutenção dos empregos e de renda das populações circunvizinhas.

Já se sabe hoje que os antigos objetivos traçados pelos idealizadores da nova capital, nos anos iniciais da década de sessenta, quais fossem servir como centro administrativo do país, já, há muito, vêm deixando de ser o principal leit motiv que levou a transferência da capital para o planalto central. Hoje é possível afirmar que Brasília serve muito mais ao entorno, inclusive a estados vizinhos, do que ao país propriamente dito.

A intensificação das comunicações instantâneas via internet, ao criar o chamado “não lugar”, fez com que o espaço geográfico deixasse de ser um fator preponderante para a realização de serviços de toda a ordem. Hoje não há mais a necessidade, por exemplo, de o chefe do Executivo, ir a um determinado ponto do país, para fazer cumprir um projeto. Tudo pode ser realizado à distância, como prova o teletrabalho.

Apenas por esse aspecto, é possível afirmar que o centro das decisões nacionais perdeu muito de seus objetivos originais, restando à capital figurar mais como um símbolo da unidade nacional, da realização e força de um povo, em tempos passados. É assim em Brasília e é assim em todo o mundo. Com isso, fica mais do que evidente que Brasília precisa de uma espécie de ressignificação de seus desígnios, estratégica e administrativa.

Ao lado dessa inegável alteração de rumos, Brasília necessita voltar-se para si e para seu entorno imediato, a fim de manter esse processo irrefreável de conurbação iniciada em meados dos anos oitenta com a chamada emancipação política da capital.

É esse incremento que, do ponto de vista prático, pode ser estabelecido, por exemplo, com a modernização das vias W3 Norte e Sul, criando um eixo de excelência comercial, ou com a retomada dos polos de cinema, música, moda, tecnologia e outros. Ou por meio da construção de escolas técnicas variadas para capacitar a mão de obra jovem, preparando-a para os desafios das novas tecnologias e empregos que estão surgindo. Tudo isso com um adequado e moderno meio de transporte ferroviário, ligando esses pontos vizinhos ao centro da cidade. De fato, Brasília é hoje a capital do entorno e, com missão de tal importância, deve preparar-se para esses novos tempos que se anunciam.

A frase que foi pronunciada:

Não sei porque essa raiva da vida. Isso é criminoso: impedir as pessoas de se tratarem precocemente.”

Alexandre Garcia enquanto lê, no American Journal of Medicine, edição do dia 1º de junho, indicações para o tratamento precoce, aprovado pela FDA. Medicina e compaixão.

 

Hoje no ontem

Milton Montenegro conseguiu lançar o livro eletrônico “TV Brasília’’, com imagens de personalidades da política brasileira. A técnica utilizada dá um efeito de foto de antigamente.

Milton Montenegro. Foto: Reprodução/TV Globo

Direitos e Prerrogativas

Está dando o que falar a campanha do dr. José Lima como candidato da Procuradoria Geral do Trabalho. Parece um pouco demais converter em pecúnia os plantões e licenças-prêmio. Talvez precise de uma explicação mais detalhada. Para o cenário de reforma administrativa, o que se interpreta não é bom.

Só para lembrar

No dia 08 de janeiro de 2019, a gasolina custava R$2.831.

Chargeonline.com

Inacreditável

Não havendo manifestação popular, a energia limpa será mais cara do que a energia comum. Lobby, mobilização e argumentos não estão conseguindo reverter a opinião dos parlamentares.

Imagem: portalsolar.com.br

História de Brasília

Vamos começar pelas invasões. A W3 está horrível. Infestada de barracos habitados, em muitos casos, por marginais e vagabundos. Os setores residenciais HP3 e HP5 estão uma lástima. (Publicada em 03/03./1962)

Respeitável público

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Foto: Wal/Pixabay/Reprodução

 

Quando, no passado, diziam que os brasileiros viviam na corda bamba, tamanho eram os desafios que enfrentavam no dia a dia para sobreviverem, havia nessa afirmação algo muito além de uma simples imagem sem sentido. O que a frase escondia nas suas entrelinhas era uma realidade do tipo mambembe, experimentada há séculos por muitos brasileiros. De fato, o que se observava eram os desamparados, travestidos em atores por pura necessidade. No fundo, essa corda bamba, de um arriscado malabarismo diário, era uma imagem fiel vinda de um inconsciente coletivo, que se perde no tempo, algo retido na memória do povo, que agrupava, num mesmo conjunto, pessoas comuns e atores de uma espécie de circo permanente.

Todos eles, invariavelmente, inseridos na luta pela vida. Gente comum das periferias, que acorriam para o centro das cidades, representado seus personagens e apresentando seus produtos e aptidões para uma plateia sempre apressada e indiferente ao mundo em redor. Foi assim no passado e é assim no presente. O país dos excluídos pouco ou nada mudou, desde 1500. Hoje, o palco desses atores está espalhado por todas as esquinas e sinais de trânsito desse imenso Brasil. Basta a luz vermelha brilhar, interrompendo o trânsito pesado, para eles imediatamente entrarem em cena.

A crise econômica e social deflagrada pela longa pandemia fez eclodir, em cada ponto nevrálgico de nossas cidades, as encenações desses instantâneos de rua. Ali, naquele pedaço urbano que é de todos e de ninguém, pessoas cuspindo fogo pela boca, equilibristas em cordas bambas ou em altos monociclos, fazendo seus malabares complicados e ensaiados, são vistos, ao lado de palhaços, músicos e de muitos vendedores de guloseimas, água, pipoca, ou seja, tudo aquilo que um dia existiu nos circos de verdade. É a arte transmutada no ofício da sobrevivência. Era assim também nos circos de outrora. Bastava dar uma olhada, displicente ao redor, por detrás da lona, nos bastidores do espetáculo, para conferir e imaginar as reais agruras vividas pelos atores para defender o alimento de cada dia.

Hoje, do antigo circo, restou apenas a multidão de atores, engrossada pela gente comum que passou a enxergar nesses “espetáculos”, a céu aberto, mais uma forma de também salvar o dia. É o grande circo Brasil, formado ainda por uma legião de milhões de pequenos atores, ainda crianças, vítimas da exploração do trabalho infantil. Apresentando-se, diariamente, nas esquinas e nos semáforos ou até em praças transformadas em camarins, esses atores menores continuam invisíveis aos olhos de uma sociedade que olha e não vê, escuta e não ouve, toca e não sente. São brasileiros vivendo, literalmente, hoje, na corda bamba. Equilibrando-se no fio da navalha, fazendo malabares com tostões escassos. Ilusionistas, fazendo desaparecer como mágica, e diante de todos, restos de sanduíche ou sobras de marmitas.

Respeitável público – diz a voz do além –, eis aqui de volta o grande circo Brasil, um circo que nunca daqui saiu, apresentando agora, nesta pandemia, o fantástico homem faquir, que nunca fez uma refeição condigna, ladeado por pequenos atores, cuja infância, fragilizada e sem direitos, mostra, como em nenhum outro espetáculo, o fantástico mundo da nossa desigualdade social.

Venham ver também as fabulosas gêmeas seviciadas, desde bebês, a cantar suas melodias mudas… venham assistir também um país inteiro que tornou possível a existência desse circo..”

A frase que foi pronunciada:

Tornei-me quase como o rei Midas, exceto que tudo não se transforma em ouro, mas em um circo.”

Albert Einstein

Albert Einsten. Foto: Arthur Sasse/Nate D Sanders Auctions/Reprodução

Inconcebível

Impressionante a morosidade das obras na reconstrução da casca de ovo que servirá de asfalto entre o Lago Norte e Varjão. Já se passaram meses e o local continua interditado, atrapalhando o fluxo do trânsito.

Imprensa

Sempre em sintonia com a comunidade, Casa Thomas Jefferson e EducaMídia promovem, nos dias 17 e 24 de junho, discussões sobre a importância do trabalho jornalístico e como ele pode beneficiar até mesmo o desempenho de estudantes do Ensino Médio. O evento é gratuito, mas as vagas são limitadas. Veja mais sobre o assunto a seguir.

Casa Thomas Jefferson e EducaMídia promovem, nos dias 17 e 24 de junho, discussões sobre a importância do trabalho jornalístico e como ele pode beneficiar até mesmo o desempenho de estudantes do Ensino Médio

O trabalho da imprensa é fundamental em qualquer país democrático. O jornalismo livre e independente combate a desinformação, expõe injustiças e desnuda a corrupção. Pode até mesmo salvar vidas. Mas o jornalismo clássico, aquele feito apenas pelas redações de grandes jornais, mudou drasticamente. A internet e, principalmente, a popularização dos smartphones alteraram sobremaneira a relação das pessoas com a informação, possibilitando a fusão dos papéis de consumidor e produtor de conteúdos.

Para discutir esse e outros temas, a Casa Thomas Jefferson e o Programa de Educação Midiática (EducaMídia) do Instituto Palavra Aberta promovem a oficina virtual interativa e gratuita Jornalismo e Liberdade de Imprensa, nos dias 17 e 24 de junho – das 16h às 18h em cada dia. Os participantes que tiverem presença nos dois encontros e concluírem as atividades do curso receberão certificado emitido pela Casa Thomas Jefferson.

Nos dois dias de oficina, voltada para estudantes do Ensino Médio, vamos entender, com muita interatividade, como o método seguido por repórteres para encontrar e confirmar informações é muito útil em vários momentos da nossa vida — independentemente da profissão que escolhemos.

Jornalistas investigam, entrevistam, confrontam e analisam informações, fazem perguntas que incomodam e, então, produzem reportagens sobre os mais diversos assuntos. Muitas vezes, são eles que revelam situações ou problemas que, sem o trabalho da imprensa, ficariam escondidos do olhar público. Essa função de fiscalizar e cobrar é muito importante em uma democracia.

Mas também sabemos que, hoje, todos nós somos um pouco jornalistas. Imagine se você está andando pela rua e flagra uma situação de violência? Ou presencia algum tipo de injustiça? Se tiver um celular em mãos, você pode documentar a cena e, com as redes sociais, publicar o que aconteceu. Esse tipo de participação pode ampliar a cobertura do fato que está sendo feita pelos jornalistas profissionais e até dar mais autenticidade ao que é noticiado. 

É o chamado jornalismo cidadão, que traz muitas oportunidades, mas também alguns desafios.

Vamos conversar sobre estes e vários outros assuntos relacionados ao jornalismo e à liberdade de imprensa. E você vai descobrir como até mesmo suas pesquisas escolares e projetos de investigação e construção de conhecimento poderão se beneficiar com a postura jornalística.

 

Serviço

Oficina Virtual Interativa 

Jornalismo e Liberdade de Imprensa

Data: dias 17 e 24 de junho, das 16h às 18h

Público: estudantes do Ensino Médio

Vagas limitadas

Evento gratuito

Inscrições: Eventbrite


INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

TEL: 61.98454-2063 / 61.99648-0448

EIXOS COMUNICAÇÃO INTEGRADA

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Animais

Corre, pelo WhatsApp, um número que não corresponde ao serviço anunciado. Trata-se de um 0800 para comunicação de maus tratos a animais. Em Brasília, os contatos para a denúncia contra maus tratos são: 162 ou pelo site www.ouv.df.gov.br. O relato é encaminhado ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) ou à Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e À Ordem Urbanística (Dema), conforme o teor da denúncia, para apurar e tomar as providências cabíveis.

História de Brasília

Acaba de ser demitido do Banco do Nordeste, o sr. Alencar Araripe. Para substituí-lo, foi nomeado o sr. Raul Barbosa, que havia exercido essa função anteriormente, com aprumo, sabedoria e respeito. (Publicado em 02.02.1962)

O futebol no tabuleiro do xadrez

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Charge do Machado

 

Conhecerás um pretendente a ditador do momento ao seguinte sinal: todos eles utilizam de eventos populares, não para o regozijo de sua gente, como quer parecer, mas tão somente para alavancar sua imagem junto ao povo, visando angariar apoio às suas pretensões políticas de cunho populista. Tal é a característica comum a todos eles, sem exceção. O que muda é apenas o tipo de evento popular a ser explorado como marketing político. Nesse caso, pouco importa o tipo de espetáculo. O importante é que reúna o maior número de adeptos. Pode ser ligado ao folclore, às tradições ou ao esporte.

No país do futebol, a utilização desse esporte como muleta oportunista desses políticos é um fato histórico antigo e manjado e pode ser conferido, praticamente, desde que surgiram os clubes devotados ao ludopédio. Só existe um porém nessa estratégia marota: para que a fórmula funcione, é necessário, antes de tudo, que o time escolhido tenha uma grande e apaixonada torcida, capaz de empolgar e incendiar multidões, tornando-as presas fáceis. Já quando o marketing político mira a seleção do país, onde estão representantes de todos os times e jogadores mais destacados, transformando-os em garotos-propaganda do governo, essa mistura entre oportunismo populista de cunho nacionalista com a paixão dos torcedores rende resultados à medida em que esse escrete devolve essa aposta em forma de gols e de vitórias incontestes.

Em situações assim, o chefe de governo comparece aos estádios e, da tribuna de honra, faz questão de ser visto e aplaudido. Ocorre que, nesse mesmo país do futebol, não é raro os espectadores no local vaiarem até o minuto de silêncio e, com políticos, não tem sido diferente. Numa situação em que o Estado Democrático de Direito usa o seu tempo para cuidar, com denodo, de questões da mais alta relevância para a nação, não resta espaço e vontade para que o governo interfira em problemas menores relativos ao futebol, já que essa é uma atividade mantida por organizações e empresas privadas e com interesses próprios e diversos.

Também no Brasil e por diversas vezes, essa intromissão indevida do governo no mundo do futebol quase sempre tem rendido, ao lado de alguns minutos de popularidade ao chefe do Executivo, elevados custos para os pagadores de impostos que acabam arcando com a armação desse circo. Caso exemplar pode ser conferido durante o governo petista de Dilma Rousseff, com a construção de enormes e caríssimas arenas de futebol, destinadas à realização da Copa do Mundo e que hoje, em sua grande maioria, foram transformadas em verdadeiros elefantes brancos sem utilidade alguma, depois de terem sido erguidas à base de muita corrupção e sobrepreço.

Com Dilma e seu governo, ficaram, além desses fantasmas de concreto, as seguidas humilhações impostas pelos diretores da Fifa ao governo, os escândalos nessas construções e os posteriores que redundaram no banimento perpétuo desses dirigentes do futebol, as prisões dos chefões da CBF, as vaias retumbantes no estádio, durante a abertura dos jogos, e a derrota fragorosa da seleção para Alemanha por nada menos que 7×1. Não foi pouco!

Toda essa amarga experiência deveria ser utilizada como um aprendizado para que o governo jamais voltasse a misturar os assuntos de Estado com os problemas de estádios. Mas não foi o que aconteceu. O atual governo, no seu afã de preparar o caminho para 2022, resolveu intrometer-se na realização da Copa América, em plena pandemia, quando o país experimenta os maiores índices de mortalidade e quando os hospitais estão superlotados e a economia patina na lama. Não parece ser fanático por futebol, mas por jogadas políticas. Esse parece ser o caso.

Os países onde seriam realizados o torneio cuidaram logo de empurrar esse abacaxi para o Brasil. O que se viu, pelo menos até agora, foi o ensaio de revolta dos próprios jogadores e técnicos, possivelmente calados pelo reforço em dinheiro dos prêmios, bem como os escândalos de assédio sexual do presidente da CBF e seu posterior afastamento da instituição.

Também tem aumentado o repúdio dos brasileiros, médicos e enfermeiros e de todos os que perderam amigos e familiares nessa pandemia. Falta agora, para completar esse quadro patético, a vaia nos estádios, e a derrota da seleção. Mesmo em caso de vitória, essa é uma situação que em nada vai beneficiar os brasileiros, preocupados em sobreviver à pandemia e à crise econômica e social.

A frase que foi pronunciada:

Para uma minoria privilegiada, a democracia ocidental fornece o lazer, as instalações e o treinamento para buscar a verdade escondida atrás do véu de distorção e deturpação, ideologia e interesse de classe, através do qual os eventos da história atual são apresentados a nós.”

Noam Chomsky

Noam Chomsky. Foto: APU GOMES

Requerimento

Senador Izalci Lucas, do DF, pediu novamente ao senador Omar Aziz, da CPI do Covid, para aceitar o requerimento de convocação do ex-secretário de Saúde do DF, Francisco Araújo. O parlamentar defende que Araújo sabe de vários fatos que podem esclarecer algumas ações da atual gestão do DF.

Senador Izalci. Foto: senado.leg

História de Brasília

Entretanto, qualquer conserto de emergência bem que poderá ser feito, porque a Capua e Capua, agindo com eficiência, dispõe, também de um equipamento de rádio ligando a Asa Norte com o IAPC no Rio, podendo receber ordens imediatas para qualquer reparo na obra. (Publicada em 02.02.1962)

A mão dupla

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Foto: nossaciencia.com.br

 

Por ocasião de sua posse, como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2020, o ministro Luiz Fux fez questão de abrir seu discurso criticando a tendência adquirida nesses últimos anos pelo Parlamento, de levar aos tribunais todo e qualquer tema tratado no âmbito político, obrigando, principalmente, a Suprema Corte a decidir questões que, por sua natureza, deveriam ser esgotadas e consumadas em seu foro próprio representado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Com isso, dizia o ministro, o fenômeno da chamada “judicialização da política” passa a ganhar maior ímpeto, levando o STF a se expor em demasia, adquirindo, com isso, um indesejável “protagonismo deletério”, que resulta num prejuízo significativo à imagem do Poder Judiciário como um todo. Para Fux, esses fatos ocorriam em razão de alguns grupos de poder não assumirem as consequências e os ônus de suas próprias decisões, transferindo e empurrando esses conflitos como questões judiciais. A partir daí, muitos juízes que, em princípio, não teriam competência para julgar essas querelas, acabam sendo obrigados a julgar temas que, desde o nascedouro, deveriam ser debatidos apenas dentro do espaço político.

Essa era uma análise correta quando verificada a partir apenas do movimento que leva os políticos a atravessarem, de livre e espontânea vontade, a Praça dos Três Poderes, levando, debaixo do braço, ações jurídicas reivindicando decisões à Suprema Corte, que modifiquem ou que impeçam o Congresso de agir contra o que deseja esse ou aquele grupo de poder determinado. Ocorre que essa não é uma via de mão única, ligando o Legislativo ao Judiciário. Talvez, até por essa abertura, permitida e incentivada pelos próprios políticos, o Judiciário, no caso, a Suprema Corte, acabou encontrando um trânsito aberto para trafegar em sentido oposto, levando, por conta própria, decisões jurídicas para dentro do Congresso.

A partir desse movimento, vindo do STF, e em grande quantidade, direto para a arena política, modificando decisões e outras medidas derradeiras, começou a gritaria geral, com todo mundo dizendo que essa corte constitucional estaria usurpando suas funções, legislando e se imiscuindo em assuntos do Congresso.

Todo esse congestionamento de decisões, feitas em mão dupla, teria, mais cedo ou mais tarde, que gerar crises não apenas nesses dois Poderes, mas envolvendo inclusive o Executivo, cooptado por pressão de bancadas diversas e interesses idem. Não surpreende que a judicialização da política acabou por gerar um rebento bastardo, na figura de seu oposto, ou seja, a politização do Judiciário.

Foi justamente nesse tiroteio de cegos que o Supremo, na figura dos ministros, indicados à Corte por esse ou aquele grupo político, passou a decidir abertamente com base em orientações do tipo ideológicas. Exemplo claro desse efeito deletério sãos as decisões que vão anulando a Operação Lava-Jato, a liberdade de Lula, a prisão de parlamentares e jornalistas, o fim da prisão em segunda instância, entre outras aberrações que levam os analistas que acompanham de perto essas decisões a afirmarem que essa tem sido a pior formação do Supremo das últimas décadas.

 

A frase que foi pronunciada:
“Foi esse capitão que, com risco da própria vida, evitou a volta do PT ao governo com Haddad. Esses críticos de plantão nunca fizeram 1% do que foi feito por Bolsonaro. Durante 28 anos na Câmara, ele conheceu o sistema por dentro e se preparou para derrotá-lo.”
General Heleno

Foto: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress

Juntos
Sindicato Nacional dos Servidores do Ipea (Afipea), Associação dos servidores do Ministério do Meio Ambiente (Assema), Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (Anesp), Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor) são os apoiadores da iluminação do Congresso Nacional em apelo aos cuidados como o meio ambiente.

Foto: Sérgio Lima/Poder360 – 5.jun.2021

E, agora, o outro lado
Veja a seguir o resumo feito pela Secom da presidência sobre a retomada da economia.

Sempre
É uma coisa impressionante. Talvez, seja uma descompensação cognitiva ou apenas provocação. Mas, em grupos com intuito comunitário, como o de moradores do Lago Norte, por exemplo, que têm a chance de falar diretamente com o administrador da região e sua assessoria, sempre aparece uma pessoa para falar em política, entrando como ruído na comunicação. O partido você sabe qual é.

Charge do Duke

História de Brasília
Entretanto, qualquer conserto de emergência bem que poderá ser feito, porque a Capua e Capua, agindo com eficiência, dispõe, também, de um equipamento de rádio ligando a Asa Norte com o IAPC no Rio, podendo receber ordens imediatas para qualquer reparo na obra. (Publicado em 02/02/1962)

Pazuello em seu labirinto

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Foto: Reprodução / CNN

 

Em “O general em seu labirinto”, o escritor e prêmio Nobel de literatura em 1972, Gabriel Garcia Marquez (1927-2014), narra, em romance histórico, os últimos dias de vida de Simón Bolívar, conhecido como “o salvador” e considerado, por muitos, como o grande herói da independência de parte do continente latino-americano, a Nova Granada.
Só que, nesse livro, o que emerge das páginas é um personagem de carne e osso, com todas as suas contradições humanas, ressaltadas ainda mais pela idade avançada, que faz com que esse herói dispa de sua imagem de mito, mostrando toda a sua decrepitude de um fim de vida melancólico, aumentada por sua dependência física de seu criado pessoal.
Guardadas as devidas e distantes diferenças entre esse personagem e o nosso, já famoso e notório, general Pazuello, que caiu nas graças do presidente, o que nos resta, em termos de analogia entre o protagonista do romance famoso e o nosso estrelado militar, pode ser resumido apenas no sugestivo título do livro. É justamente nessa espécie de labirinto à brasileira que, de repente, ganhou destaque nacional o referido general Pazuello.
Não por suas proezas e façanhas, que inexistem, mas por sua absoluta falta de vontade própria a transparecer no seu desânimo e apatia acentuados, e que o levou a afirmar que se submetia às ordens de um simples capitão, expulso do Exército. Surpreendentemente, foram essa sua inércia e subserviência cega que acabaram por deflagrar, ao menos, duas severas crises internas ao governo que serve.
Realmente Pazuello está enclausurado em seu labirinto, mas não está sozinho. Depois de sua passagem caótica no Ministério da Saúde, numa ocasião em que os brasileiros morriam como moscas nas portas dos hospitais superlotados, fato que o levou a ser o principal depoente na CPI do Covid e que, muitos apostam, pode lhe custar a liberdade, mais uma vez, esse nosso às avessas, por seu esmorecimento, subiu inadvertidamente em um palanque político, esquecendo-se de que esse gesto é vedado a militares da ativa, conforme inciso V, parágrafo 3º do Art. 142 da Constituição e o Estatuto das Forças Armadas.
Mesmo contrariando o que dizem essas normas, o general, por interferência direta do próprio presidente, não foi punido, como era a expectativa geral da maioria absoluta do oficialato. Com isso, o presidente da República, uma vez mais, fez valer sua vontade pessoal, como várias autoridades do país.
Trata-se aqui de uma crise e tanto, cujos os desdobramentos podem ser lançados para o futuro, mas que, por certo, virão para, quem sabe, romper com essa ideia estapafúrdia de denominar essa Força de “meu exército”.

A frase que foi pronunciada:
“Somos muitos pequenos fantoches movidos pelo destino e fortuna por meio de cordas invisíveis; portanto, se é assim como penso, deve-se preparar-se com bom coração e indiferença para aceitar as coisas que vêm em nossa direção, porque não podem ser evitadas, e opor-se a elas requer uma violência que rasga muito nossas almas, e isso Parece que tanto a fortuna quanto os homens estão sempre ocupados em assuntos de nossa antipatia, porque o primeiro é cego e o segundo só pensa em seus interesses.”

Marcello Malpighi, foi um médico, anatomista e biólogo italiano. Pioneiro na utilização do microscópio, sendo considerado por muitos um dos fundadores da fisiologia comparativa e da anatomia microscópica. (Wikipédia)

Marcello Malpighi. Imagem: wikipedia.org

TV Comunitária
Amanhã e segunda-feira, a TV Comunitária, canal 12 da NET DF, apresenta tudo sobre as eleições presidenciais no Peru e outros assuntos de interesse da América Latina.

Publicação no perfil oficial da TV Comunitária no Instagram

Franciscano
Assim como o Feng Shui trabalha a harmonia do espaço, a forma de o senador Girão se dirigir aos seus ouvintes cativa com as primeiras palavras: Paz e Bem! Seguir as regras dos frades menores é tudo o que esse país precisa.

Senador Girão. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Perda
Deixa-nos Octaciano Nogueira, analista da política brasileira com vários livros publicados, verdadeiros tesouros sobre a história do Brasil. Seu acervo, além de registro importante, é uma alternativa para consulta para os líderes que desejarem um norte para o país, com caminhos menos tortuosos evitando os mesmos erros.

Octaciano Nogueira. Foto: Moreira Mariz / Agência Senado

História de Brasília
O problema da Asa Norte tem que ser visto sem o lado político. Há, de fato, prédios merecendo reparos sérios, e o IAPC os havia notado antes de receber a construção. (Publicado em 02/02/1962)

Mais letais que o próprio vírus

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Charge do Zé Dassilva

 

Caso a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid), transformada e rebaixada em Comissão da Cloroquina, queira, nessa altura dos depoimentos, fazer um grande favor aos cidadãos brasileiros, pagadores das mais altas cargas tributárias do planeta, deve enveredar as investigações no rumo dos governadores.

Seguindo as pistas deixadas pelos bilhões de reais que foram escoados para essas unidades da Federação, sob a rubrica de combate à Covid, é possível encontrar evidências daquilo que seria impensável em qualquer país minimamente decente. Ou seja, desvios e malversação de abundantes recursos públicos destinados ao enfrentamento da pandemia. Tudo isso praticado num momento de especial aflição e amargura das populações, que morriam como moscas nos corredores lotados dos hospitais.
Essa modalidade bem brasileira de crime, na maioria dos casos praticada por políticos travestidos de gestores públicos, só não é mais grave do que aquela cometida pelos mesmos personagens com relação à merenda escolar e à manutenção do ensino básico e fundamental. Surrupiar recursos públicos de gente que está à beira da morte ou que necessita desses bens para poder se alimentar e sobreviver deveria, por sua crueza, ser qualificado como crime de genocídio, passível de uma penalidade pesada e exemplar, inclusive, remetendo o caso a cortes internacionais que cuidam especificamente de crimes contra a humanidade, onde não teriam as mesmas indulgências encontradas em nossos gelatinosos tribunais.

Mas, como estamos num continente chamado Brasil, essas possibilidades são remotas ou quase inexistentes. Surpreende que muitos governadores, prefeitos e outros gestores públicos, espalhados pelos mais de 5 mil municípios, alguns inclusive já denunciados por essas práticas desumanas e abomináveis, ainda ostentem, impávidos, a possibilidade de recorrerem a cortes superiores, nas quais, por certo, vão encontrar guarida e uma porta de saída para seus crimes de lesa-pátria.

Mais impensável ainda é encontrar alguns desses evidentes malfeitores com assento e pompa nessas mesmas CPIs, como se tudo isso fosse natural e aceito. Não, não é. Diante de um quadro surreal como esse, é preciso que aquelas autoridades que ainda não se deixaram contaminar por práticas dessa natureza adotem medidas emergenciais ou elaborem, o quanto antes, uma relação de todos esses nomes, para que tribunais, como o Eleitoral, encontrem um meio de vedar-lhes a possibilidade de se reelegerem, enquanto não forem devidamente julgados e condenados por seus crimes, de modo a interromper a continuidade desse processo sem fim de impunidade. Em tempos radicais como o que estamos experimentando, é preciso mais do que medidas legais de praxe.

É necessária a adoção de medidas extraordinárias, como aquelas adotadas em tribunais de guerra, para fazer cessar de imediato a ação desses indivíduos ou quinta coluna, que são mais letais à sociedade do que qualquer outro vírus.

A frase que foi pronunciada:
“Liberdade de imprensa é a raiz de qualquer processo democrático.”
Davi Emerich
Veja, a seguir, a entrevista, na TV Senado, com o jornalista Davi Emerich

Corrupção doméstica
Aumenta o número de carteiras de empregadas domésticas não assinadas. De um lado, os patrões que precisam de ajuda; e do outro, a pessoa que quer trabalhar, mas não quer perder os auxílios do governo.

Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Capilaridade e rapidez
Com gerenciamento impecável, os Correios investem na renovação das frotas, o que dará mais agilidade e segurança nas entregas. Documento da empresa aponta 60% de renovação entre furgões e motocicletas de quase mil centros operacionais de distribuição e tratamento. Em dois anos, a meta é ultrapassar os R$ 560 milhões em novos veículos.

Foto: correios.com

 

CFM
Sobre a CPI da Covid, o Conselho Federal de Medicina se levantou depois da oitiva da pediatra Mayra Pinheiro. A instituição elaborou uma “moção de repúdio em defesa do médico, ao respeito e à civilidade na CPI da Pandemia”. Leia, na íntegra, no link MOÇÃO DE REPÚDIO – CFM.

 

Maus-tratos
Além de ter de suportar todo o sofrimento causado pelo isolamento e a perda de familiares, o brasileiro amarga aumento nas contas de água, luz, impostos, supermercado.

Charge do Cabalau

 

História de Brasília
Na quadra seguinte há também um ponto de carros de aluguel, o que quer dizer mais ou menos isto: dentro de dois meses ninguém poderá estacionar na W3 à altura da Novacap, porque será só para carros de aluguel. (Publicado em 02/02/1962)