A força da grana sobre o meio ambiente

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Reprodução: canal oficial da Câmara dos Deputados no Youtube (TV Câmara)

 

No bate-boca entre o ministro Ricardo Salles e os deputados, que integram as Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Viação e Transporte, reunião essa comandada pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), nessa segunda-feira, estranhamente, nenhum dos lados em contenda tinha a posse, de uma naco sequer, de razão. Chega a ser constrangedor ter que assistir a um espetáculo desse, de tão baixa qualidade e significação para a sociedade, principalmente agora, em que o mundo passou a olhar com lupa grossa as andanças protagonizadas pela equipe que cuida dessa pasta e que, ademais, faz apenas o que ordena o presidente e sua “assessoria paralela”, composta pelos mesmos personagens que colocaram o chefe do Executivo na mira da CPI da Covid.

É o que parcela da população escolheu ter no comando do país e na representação política no Congresso. Uma coisa é certa: os constantes bate-bocas entre representantes do governo e os parlamentares têm servido apenas para levar, ao descrédito, uns e outros, retirando-lhes a característica primordial de autoridades, essencial para todo e qualquer Estado que quer ser respeitado.

Os chamamentos de “moleque”, vindos de um lado e de outro, resumem bem o que foi essa reunião. São cenas que não são vistas apenas no Brasil, mas correm o mundo e dão um retrato bem acabado do que temos em mãos. Não há como negar que a questão do meio ambiente no Brasil nunca foi levada a sério. Por décadas, o palanque político armado em cima desse tema, com promessas e muita falação, jamais impediu o avanço do agronegócio sobre as florestas, o desmatamento, os incêndios e a morte de defensores das florestas.

Jamais serviram também para fechar os olhos do mundo sobre nosso descaso histórico acerca de nosso patrimônio verde. Com Bolsonaro, no entanto, o descaso com a preservação do meio ambiente é patente e sem encenações, tanto nos discursos quanto na prática. Na Cúpula do Clima, o presidente blefou, já que não vai cumprir nenhuma das metas para eliminação de carbono, tanto é que já cortou o orçamento para fiscalização e combate aos incêndios em mais de 34% neste ano em relação à 2019.

Salles sabe disso. Os Estados Unidos sabem disso e a Europa também. Tanto é que as maiores redes de supermercados europeus já anunciaram que irão parar de vender produtos do Brasil, caso o projeto de lei 510/2021, que tem apoio do Planalto, seja aprovado. O referido projeto poderá mudar radicalmente a lei brasileira de proteção das terras públicas, prevendo que aqueles que desmataram, mesmo ilegalmente, poderão se tornar posteriormente donos dessas glebas já ocupadas, numa inversão total do que seria minimamente razoável.

O mundo vê esses absurdos e sabe que, no atual governo, os níveis de desmatamento e de incêndios, tanto na floresta Amazônica quanto no Pantanal, têm sido um dos maiores da história. O avanço da monocultura e do gado sobre as florestas e o pantanal tem sido internacionalmente acompanhado par i passo e por isso mesmo chamado de marcha para a morte. Infelizmente, os interesses políticos e econômicos continuam, como nunca, a pautar o destino de nosso meio ambiente.

A frase que foi pronunciada:

Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.”

Dorothy Stang

Campanha

Sem cerimônia, um senhor baixou a máscara e espirrou dando uma chuveirada de secreção em quem passava por perto. Já passou da hora de o Ministério da Saúde investir em campanha publicitária educando a população. As lições são pós-pandêmicas. Espirrar na dobra do braço, lavar sempre as mãos, manter a higiene pessoal… isso funciona para a vida toda.

 

Pagador e cobrador

Bem que o filósofo de Mondubim repetia que ótimos cobradores geralmente são péssimos pagadores. Basta ver a luta para conseguir receber precatórios do governo, ou prestar serviço para o Banco do Brasil. Nesse caso, se o atraso do pagamento fosse corrigido pelo mesmo valor do cheque especial estaria tudo bem. Mas levar 90 dias para pagar por serviços e não pagar um centavo a mais pelo atraso é uma beleza. Ou deve ser uma beleza para quem paga.

Charge do Ivan Cabral

Bonito

Bonita a foto que corre nas redes sociais onde os super heróis se curvam para a passagem do corpo funcional hospitalar. Veja a seguir.

Palanque

O que os políticos, principalmente da oposição, ainda não entenderam é que fazer da pandemia um palanque só vai provar que o presidente Bolsonaro sempre teve razão. Foi só cortar o dinheiro para todos serem contra ele. Quem não recebia subvenção do governo estava lá na Esplanada dos Ministérios. Alguém viu apoio? O povo estava lá. Só o povo. Povo só.

História de Brasília

Até hoje a Novacap não registrou um único  lote de  Taguatinga. Esta, a razão pela qual a Caixa-Econômica não poderá financiar uma única  residência naquela cidade satélite. (Publicada 01.02.1962)

Desembestados contra a corrente mundial

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Painel com participantes da Cúpula de Líderes sobre o Crime convocada por Biden e realizada de forma virtual. Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP (oglobo.globo.com)

 

Muito mais do que reputação, empresas em todo o mundo, dos mais diversos ramos de atividades, estão buscando, cada vez mais, adaptar seus serviços e fornecimento de produtos às questões ligadas diretamente às mudanças climáticas, mais precisamente às ameaças representadas pelo rápido aquecimento global e seus efeitos sobre o planeta e, logicamente, seus negócios.

O aquecimento do planeta, que, segundo previsão balizada da Convenção-Quadro da ONU sobre o Clima, elevará a temperatura da Terra aos níveis catastróficos de 3,6 graus até o final deste século, possui a capacidade de, literalmente, fazer derreter 9 em cada 10 empresas pelo mundo, arruinando todo e qualquer tipo de negócio.

Trata-se aqui de uma ameaça concreta global, com dia e hora para acontecer, o que tem feito com que empresários por todo o mundo adotem uma nova postura com relação a esse sério problema. São muito mais do que simples previsões pessimistas. São, na realidade, um retrato do futuro próximo a atingir, em cheio, as próximas gerações, capaz de tornar a vida desses novos habitantes do planeta, no mínimo, insuportável.

Por esse motivo, empresários de várias partes do mundo, estão se mobilizando e pressionando seus governos para que adotem medidas urgentes e realistas com relação às emissões de gases do efeito estufa, bem como outras no mesmo sentido, que zerem o desmatamento, as queimadas, o uso de combustíveis fósseis, o desperdício e outras medidas de proteção da Terra.

O que se tem aqui é uma corrida desenfreada contra o tempo. Também o comércio entre nações começa a experimentar um novo modelo, baseado na ética entre respeito ao meio ambiente e produção de bens. Todos aqueles países que pretendem colocar seus produtos nos mercados internacionais, sobretudo na União Europeia e nos Estados Unidos e Canadá e outros países desenvolvidos, terão, cada vez mais, que exibir selos verdes, garantindo que essas produções foram obtidas sem danos ao meio ambiente. É aí que o Brasil aparece muito mal colocado na foto.

A comunidade internacional tem acompanhado de perto o que se passa em nosso país. Os retrocessos observados nos últimos anos com relação à proteção de nossas riquezas naturais são de conhecimento de todos e não serão discursos e promessas, como as que foram feitas recentemente pelo presidente da república, na Cúpula do Clima, que terão o condão de esconder a realidade que pesa agora sobre nosso meio ambiente.

Não apenas as ações vindas do Executivo estão sob intensa observação dos países desenvolvidos. Também o nosso Legislativo foi colocado sob lupa intensa, neste momento em que tramitam, nas duas Casas daquele Poder, medidas (projetos e leis) que alteram de maneira drástica as legislações que dão ainda alguma proteção às nossas florestas.

A pressão exercida pelas bancadas ruralistas e do agrobusiness, fortemente unidas e amparadas pelo capital de grandes empresas, afrouxando regras e fiscalizações, ameaçam, diretamente e de maneira afrontosa, regiões inteiras da Amazônia, aumentando a crença mundial de que nosso país e nossas instituições de Estado, incluindo aí os representantes da população, trabalham diuturnamente unidos em benefício apenas dos interesses das grandes empresas que exploram e ocupam nossas terras, mesmo aquelas sob proteção ambiental. Estamos rumando, desembestadamente, na contramão da história mundial, principalmente agora em que a humanidade consciente busca salvar o planeta da destruição.

A frase que foi pronunciada:

Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute.”

José Saramago

José Saramago. Foto: Oscar Cabral/VEJA/Dedoc

Faz de Conta

Logo depois da campanha politicamente correta de estimular a presença dos índios nas cidades, comungando das mesmas oportunidades, a indígena Cristiany Bororó nos liga apavorada com o corte da luz na área ocupada pelos indígenas do Noroeste. Situação prática que desmascara qualquer intenção de valorizar esse povo.

Calçadas

Qualquer rua precisa ter calçadas para as pessoas andarem com segurança. O que se vê pela cidade são carrinhos de crianças no asfalto por falta de local seguro para passear. Cadeirantes, bicicletas, pedestres… É um desrespeito total à comunidade. E sejamos francos: moradores que avançam a cerca, tomando o lugar das calçadas, também não colaboram.

Arte por toda parte”

Enquanto no Brasil há roubos de tampas de bueiros, na Áustria, é mais uma manifestação da arte. Veja, no no link Sonderanfertigungen Schachtabdeckungen, algumas fotos de bueiros em Vienna.

História de Brasília

Suspensas, sem aviso pela imprensa, as provas para as candidatas ao cargo de professoras. Não se sabe a razão, mas há ainda, a informação de que nem horistas haverá neste ano escolar. (Publicada em 01.02.1962)

Somos tão ricos e tão pobres

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Foto: Embrapa/Ronaldo Rosa

 

Uma nova economia tropical é possível para o pleno desenvolvimento do país. Para tanto, basta que o Brasil invista fundo no conhecimento de sua rica biodiversidade. Pouco foi feito nesse sentido. Um novo modelo de economia tropical deve ser baseado na ciência, na tecnologia e na inovação aplicada ao que os cientistas chamam de “ativos biológicos” naturais de nossas florestas. E não é só na Amazônia, que é a principal depositária dessa biodiversidade, mas em outros biomas também como a Mata Atlântica, e o Cerrado, onde essa diversidade biológica é enorme e em boa parte ainda desconhecida dos brasileiros.

Plantas e animais, toda essa diversidade é resultado de centenas de milhões de anos de evolução biológica da nossa natureza, e deve ser, por isso mesmo, considerada a nossa maior riqueza, nosso maior potencial. À medida em que avançarmos nas pesquisas sobre essa biologia complexa, descobriremos um potencial jamais imaginado que está ali, há séculos, bem debaixo de nosso nariz.

Sinal mais claro de que seria bom um programa nacional para conhecimento da diversidade biológica é o interesse estrangeiro. Não podemos proteger o que não é do nosso conhecimento. Somos o único país no mundo com essa diversidade biológica e isso vale muito mais do que qualquer gado, soja ou exploração de minérios. Durante o período militar, houve uma certa preocupação em tornar o Brasil um país economicamente independente não apenas na área energética, mas em outros setores. Naquela ocasião, foram construídas algumas hidrelétricas importantes, investiu-se no biodiesel, no etanol, com destaque também para a geração de energia elétrica em usinas nucleares.

Para o pesquisador Carlos Nobre, se naquela mesma época tivéssemos criado também a Embrabio, empresa brasileira de aproveitamento econômico da biodiversidade, o Brasil teria uma outra economia. “Nesse século XXI, o maior valor econômico não está mais centrado em bens materiais, nem energia, nem minerais, hoje o referencial de riqueza de uma nação é o conhecimento, afirma o cientista.

Ao insistir na importância do estudo de nossa biodiversidade, como ela interage e como a natureza resolveu alguns problemas, o cientista acredita que poderemos encontrar uma via que irá nos conduzir a uma nova economia, ou mais precisamente no que chama de bioeconomia. Os países desenvolvidos, alerta, já sabem que a bioeconomia será muito poderosa num futuro próximo.

A partir de 2030, a Alemanha já projeta que 25% de toda a sua economia estará centrada na bioeconomia, retirando, da biologia mais profunda, novas e inusitadas riquezas. Infelizmente, nós que temos a maior biodiversidade do mundo ainda não percebemos, de forma clara, todo esse potencial à nossa disposição.

Numa análise simples, é possível verificar que o potencial da biodiversidade de uma região como a Amazônica é infinitamente maior do que a criação de gado, a mineração e outros. Para se ter uma ideia, o Guaraná, a Castanha do Pará, a Andiroba, a Copaíba e outros produtos, que antes tinham pequeno valor econômico, hoje são bem cotados dentro e, principalmente, fora do país. O caso do Açaí é exemplar. Hoje essa fruta tem uma produção de 250 milhões de toneladas e é consumida em todo o mundo, gerando riqueza e mantendo a floresta em pé.

Apenas com relação à esse único produto, já se sabe agora que a semente e o palmito do Açaí possuem também múltiplos e fantásticos usos, o que pode aumentar, ainda mais, o valor desse produto nos mercados internos e externos. Essa fruta, até há pouco tempo desconhecida da maioria dos brasileiros de outras regiões, gera em divisa para a Amazônia US$ 1,8 bilhão ao ano. Na indústria mundial, esse valor é dez vezes maior. E esse é apenas um produto. Portanto, é preciso entender essa diversidade biológica a partir do biomimetismo, ou seja, entendendo como a natureza resolveu certos problemas.

Nesse ponto, Carlos Nobre cita o exemplo de uma cientista da Amazônia, que através da observação da garra da formiga cortadeira daquela região, desenvolveu uma pinça cirúrgica muito mais eficiente e que hoje está sendo muito usada em outras partes do mundo. A Amazônia será o grande celeiro de conhecimento da bioeconomia. Para esse respeitado pesquisador, temos que ter um certo orgulho nacional de criar um modelo de desenvolvimento e sermos o primeiro país tropical a vir a ser desenvolvido, graças à nossa própria biotecnologia.

Temos, ainda, que aprender e respeitar o valor, com repartição de benefício, do conhecimento tradicional, sobretudo, das comunidades indígenas que possuem um grande conhecimento da riqueza dessa nossa biodiversidade. Temos que ser descobridores da nossa biodiversidade e não copiar outros países. Para tanto, teremos que fortalecer muito a nossa capacidade científica. O caminho é longo. Temos que ter essa autonomia, essa vontade, preparar o país, reforçando nossas pesquisas científicas internas. Para Carlos Nobre, a pesquisa em nosso país, nos últimos anos, tem ido totalmente na contramão do que vem sendo em outros países. Nossas pesquisas, diz, estão sendo abaladas, desprestigiadas, e mesmo massacradas, o que prova que a ciência brasileira continua a não ser vista estrategicamente por aqueles que estão no comando do país.

Para ele, à medida em que as pesquisas científicas em nosso país não são vistas como elemento central de desenvolvimento, o que teremos pela frente é o caminho do retrocesso muito mais perigoso, a longo prazo, do que as próprias crises políticas que agora experimentamos com a descoberta dessa avalanche de casos de corrupção.

Desprestigiar a nossa ciência, avalia, amputa a capacidade de o Brasil crescer a longo prazo. É preciso, ainda, deixar claro que a biotecnologia e a bioeconomia são ciências interdisciplinares, até mesmo transdisciplinar, e que envolvem, não apenas biólogos, mas bioquímicos, engenheiros de biotecnologia, físicos, químicos e todo o amplo conjunto de técnicos, que vão transformar toda essa riqueza biológica em bem- estar social para os brasileiros.

Temos, portanto, como missão, daqui para frente, pensar um modelo brasileiro e tropical de desenvolvimento com base em nosso principal ativo, que é a nossa riquíssima biodiversidade que teremos que proteger contra as investidas cegas de outros setores da economia, como vem sendo feita, por exemplo, pelo agronegócio.

 

 

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A Novacap está disposta a reaver as granjas distribuídas a pessoas que não residem em Brasília, nem nunca tomaram posse da terra que lhes foi cedida. Há muita gente importante na primeira relação. (Publicado em 15/12/1961)

Dono é quem cuida

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Foto: BBC

 

Mesmo diante de um mundo em marcha rápida para um processo irreversível de globalização, nossas Relações Exteriores foram transformadas, de instituição do Estado, numa espécie de apêndice do governo, a experimentar as mais vexaminosas atuações nos foros internacionais. Ainda nos dias atuais, essa atuação apagada e sem o brilho e personalidade de outrora, permanece como um sinal desses tempos de mediocridade e de flagrante despreparo e falta de ética de nossas elites políticas.

Com a nossa diplomacia esvaziada e colocada a reboque dos anseios do governo e com o reconhecimento tácito de que nossas Forças Armadas, dificilmente, conseguiriam retaliar uma suposta tomada da região Amazônica por forças estrangeiras, não seria exagero acreditar que apenas a sorte ou um tipo qualquer de milagre assegura efetivamente a soberania do Estado Brasileiro sobre essa imensa região.

Diante de uma constatação como essa e diante dos conhecidos titubeios dos organismos internacionais em conter disputas territoriais, a sorte sobre os destinos da Amazônia está muito mais entregue às suas populações locais, do que propriamente ao governo. O governo já provou sua incapacidade total em combater e vencer inimigos como o fogo, os madeireiros, as invasões de terras, os pecuaristas, os mineradores e outros ecocidas dessa região.

Se nem mesmo esses destruidores desarmados são vencidos numa batalha interna, que dirá caso essa região venha a ser invadida por forças estrangeiras, sob o pretexto de preservação do ecossistema do planeta. Numa hipótese como essa e que não pode ser descartada, tendo em vista a situação global de alarme que atravessamos, de que adiantariam as bravatas e os apelos patrióticos e panfletários como os feitos pelo atual governo?

A Amazônia é nossa, na medida em que possamos demonstrar ao mundo nossas reais capacidades de cuidarmos dela comme il faut. Convenções, tratados e outros acordos podem muito bem serem desconsiderados e tornados letras mortas. A emergência do aquecimento global pode também, numa situação desse tipo, se sobrepujar aos conceitos abstratos como patriotismo, nacionalismos e outros ismos de apelo populista. A instalação de um general, como uma espécie de interventor nessa região, tem provado a pouca eficácia em conter o avanço de uma destruição que é acompanhada par i passo, ao vivo e a cores por todo o mundo. As declarações de êxito nessa missão são desmentidas a cada imagem de satélite que é publicada nas redes mundiais.

Numa emergência dessas proporções, o mais sensato, se é que se pode falar em sensatez nesses tempos atuais, seria a transferência provisória da capital para àquela região, com a concentração total de esforços para assegurar a preservação dessa região, que tem nos pertencido muito mais por questões de acidente geográfico do que por merecimento.

Não bastassem as ações tímidas e pouco eficientes desse governo em contornar essa que é uma crise, ao mesmo, tempo interna e externa, a atuação do atual ministro do meio ambiente vai na contramão do que se espera de uma pasta dessa importância numa época como a que atravessamos. A importância desse tema parece escapar à percepção de nossas autoridades, muito mais preocupadas com o processo eleitoral do que com a realidade debaixo do nariz.

Na Europa e nos Estados Unidos, a Amazônia e agora o Pantanal têm sido temas de discussões e preocupações nos diferentes fóruns de debates. Ameaças como as feitas pelo candidato à presidência dos EUA, Joe Biden, alertando nosso governo para parar de destruir a floresta ou vir a ter que enfrentar consequências econômicas, podem muito bem escalar para outros níveis, caso essas advertências não venham a se concretizar em ações de fato.

O mais trágico numa situação como essa é que, em caso de conflagração para retirar a soberania brasileira sobre essa região, terá que ser enfrentada não diretamente pelos responsáveis que erigiram essa tragédia, mas pelas mesmas populações de pés descalços e famintas que, há séculos, assistem a sequência de descaso do governo e os casos de corrupção que drenam recursos preciosos dessa região secularmente. Tal como na obra: “A Oeste nada de novo”, de Eric Maria Remarque (1898-1970), e que agora completa quase um século de sua publicação, fica a lição: as guerras não possuem nenhuma lógica do ponto de vista de quem está no front. Esses conflitos só interessam aos generais, ministros e outros membros da alta classe, que lucram com a morte de jovens inocentes.

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:   

“A Justiça é tão poderosa e necessária no mundo, que o próprio Júpiter não tem direito de ser injusto, uma vez estabelecidas as leis do universo.”

Plutarco

Provável busto de Plutarco, no Museu Arqueológico de Delfos. Foto: wikipedia.org

 

Carroças

Foi o então presidente Collor quem trouxe carros melhores para substituir as “carroças” dos anos 80 que haviam como única escolha no Brasil. Dê uma espiada no blog do Ari Cunha. Em termos de carros, continuamos com verdadeiras carroças. Veja o Mercedes Benz AVTR.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Vou pedir ao Nauro Esteves para redesenhar a área interna das superquadras, para que os carros possam atingir os postos de assistência apenas por um lado, mantendo interrompido o tráfego na W-1. (Publicado em 17/01/1962)

Nada de novo no front amazônico

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Foto: Tahiane Stochero/G1

 

Pai, lembra o filósofo de Mondubim, é aquele que cuida. Com isso, ficou estabelecido, desde o aparecimento da humanidade sobre o planeta, que o indivíduo capaz de exercer, legitimamente, algum tipo de ascensão sobre seu semelhante, é somente aquele que, desde sempre, agiu no sentido de protegê-lo contra os perigos e as hostilidades do meio. Da mesma forma e por analogia direta, um Estado só pode exercer soberania efetiva sobre uma porção de um determinado território, se cuidar para que essa terra permaneça protegida contra as investidas de estrangeiros e outras ameaças, internas e externas.

Para isso, o uso da força, no caso as Forças Armadas, é, até hoje, o meio prático para dissuadir os pretensos invasores da empreitada. A imposição da força, que é um argumento definitivo e um ultimatum longo da lenta formação dos Estados nacionais, essa foi a fórmula mais empregada para manter ou conquistar maiores porções de territórios. Ainda hoje, é esse o meio mais utilizado para esse fim, mesmo diante das leis modernas e dos tribunais internacionais.

O exercício da soberania é sempre uma relação de poder amparado pela força. Obviamente, o desenvolvimento da ciência da diplomacia, como sendo uma espécie de exército com punho de rendas e com as finesses e a retórica da argumentação, serviu para atenuar o clima de beligerância entre as nações, evitando conflitos e outros males desnecessários. Mas, ainda assim, a soberania sobre todo e qualquer território requer, além de argumentações da diplomacia e do princípio da Uti possidetis, que estabelece que o direito de um país sobre um território é dado pela ocupação dessa área por populações, a força intimidatória da persuasão.

Não é preciso ir muito longe em nossa história para comprovar o quanto a questão da territorialidade brasileira se deve aos esforços sobrehumanos de Portugal em arregimentar tropas para fazer valer seus direitos sobre o imenso continente por ele descoberto, e em terras longínquas e inóspitas, expulsar diversas tentativas de invasões por outros povos. O quanto de vida e recursos essa empreitada teria custado à pequena metrópole, durante séculos, é ainda uma página em branco a ser pesquisada.

Por outro lado, sem disparar um tiro sequer, o patrono da nossa diplomacia, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão de Rio Branco (1845-1912), conseguiu a proeza de definir as fronteiras atuais do Brasil dentro de uma América do Sul que, em sua época, era um continente em permanente instabilidade política e militar. O zelo com que cuidava das disputas territoriais do Brasil com seus vizinhos deu ganho de caso na definição de fronteiras com Argentina, Equador, Colômbia, Peru, Uruguai, num tempo em que Ministério das Relações Exteriores ganhava uma dinâmica própria e que serviria como bússola a orientar toda a trajetória de respeitabilidade de nossa diplomacia, reconhecida em todo mundo pela excelência de seus profissionais.

Mas, isso foi no tempo em que havia a atenção e apoio do chefe de Estado para essas questões vitais de Estado. A entrada do século 21 e a ascendência de governos, totalmente despreparados para o exercício do cargo, reduziriam a atuação desse importante ministério a zero, lançando-o em missões que preenchiam apenas os anseios ideológicos de cada governante, dissociados das reais necessidades do país.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Ah se eles soubessem o que eu penso!”
Presidente Bolsonaro, sobre a posse

 

Fazer o quê?
Bancas de revistas, uma marca da cidade vai se apagando aos poucos. Transformadas em lojas de conveniência ou barracas de castanhas, tiram totalmente a possibilidade da leitura entre amigos. Novos tempos.

Foto: facebook.com/BancadoBrito106

 

Vale a preservação
É raro ver alguma obra em Brasília, inclusive novas casas em terrenos antigos, onde o proprietário queira manter as árvores do cerrado. Geralmente, são cortadas e descartadas para dar lugar ao paisagismo pré-moldado. São troncos tortos como as pernas do Garrincha, como diz o poeta Nicolas Behr. Vale a preservação!

Foto: brasil.gov.br

 

Ideias
Por falar nisso, os primeiros que deveriam receber instruções sobre a preservação de árvores nativas são os motoristas de trator. Sem noção sobre o meio ambiente, eliminam o que veem pela frente. Seria uma campanha publicitária e tanto se a DF Tratores, SM Tratores e outras empresas do ramo distribuíssem folhetos elaborados pela Emater sobre o cerrado.

Foto: amazonia.org

 

Participe
Brinquedo novo para a criançada que enfrenta a pandemia é uma iniciativa que tem mérito. As primeiras damas Michelle Bolsonaro e Mayara Noronha Rocha se uniram com o apoio dos governos federal e distrital, além da preciosa colaboração dos funcionários públicos e comunidade. Quem quiser colaborar é só entregar o brinquedo nas administrações regionais, em batalhões da Polícia Militar e em unidades do Corpo de Bombeiros até
7 de outubro.

Cartaz publicado no perfil oficial da SEDES no Instagram

 

Fotógrafo e repórter
Juvenal Pereira, renomado fotógrafo, guarda um presente para os leitores e amigos. Em dezembro publicará a revista Rota 55.

Foto: brasilia.memoriaeinvencao.com

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Vou pedir ao Nauro Esteves para redesenhar a área interna das superquadras, para que os carros possam atingir os postos de assistência apenas por um lado, mantendo interrompido o tráfego na W-1. (Publicado  em 17/1/1962)

O futuro das próximas gerações passa pela preservação do meio ambiente

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Foto: Polícia Militar Ambiental/MS

 

Com uma área de aproximadamente 188 mil km², o Pantanal é considerado a maior área úmida continental do planeta. Esse magnífico bioma, um dos maiores patrimônios naturais do Brasil, ao lado da Amazônia e do próprio Cerrado, o Pantanal abriga cerca de 3,5 mil espécies de plantas, 124 espécies de mamíferos, 463 espécies de aves e 325 espécies de peixes. Nesse verdadeiro paraíso úmido, encontram-se, ainda, diversas comunidades tradicionais formada por povos indígenas, que habitam a região há milênios, além de populações de quilombolas e outros povos locais, que concorrem para a formação de uma rica e preciosa cultura pantaneira. À semelhança da tragédia que vem se abatendo sobre a Amazônia, a imensa região do Pantanal também vem sofrendo, há anos, com a ação nefasta do agronegócio e de outros personagens que agem nessa região movidos apenas por interesses econômicos imediatos e a qualquer custo.

Para esses atores da destruição, a vegetação, os animais e outros recursos naturais são muitas vezes considerados empecilhos ao “progresso”, devendo, portanto, ser retirados do caminho, tratorados ou queimados. O pior nessa tragédia é que nenhum governo, tanto do passado como da atualidade, nunca viu nada de mais com o que ocorre naquelas áreas remotas. Aproveitando os discursos, o que tem pregado o atual governo em desfavor das questões do meio ambiente, o Pantanal parece ter se tornado, do dia para noite, uma região de ninguém, onde o que vale é, justamente, o vale-tudo.

Com isso, essa região vem passando por sua mais profunda crise das últimas décadas. A seca, também recorde, contribui ainda mais para a destruição de todo esse delicado ecossistema, acendendo, como nunca, a preocupação de ambientalistas não só do Brasil, mas de todo o planeta. Além da seca que, a cada ano, torna-se mais severa, aumentaram ainda mais as queimadas e os desmatamentos.

No mesmo sentido, as fiscalizações foram sensivelmente abrandadas, com o desaparecimento de multas e de outras penalidades aos predadores da natureza. O governo, literalmente, fechou os olhos para o problema, assim como vem fazendo com a região amazônica. A atuação federal, nesses casos, só acontece por pressão internacional, principalmente quando investimentos e outros recursos econômicos estrangeiros ameaçam paralisação. Ou quando aumentam os boicotes a produtos brasileiros, como já vem acontecendo em larga escala mundo afora.

O que os cientistas têm alertado é que o descaso com a Amazônia afeta diretamente, também, o Pantanal, apesar da distância. O recorde de incêndios na Amazônia, em junho desse ano, acelerou e fez crescer, ainda mais, as queimadas no Pantanal. O desmatamento e as queimadas, tanto no Pantanal quanto na região amazônica, são fenômenos que acabam por afetar os chamados rios aéreos, com consequência direta na diminuição do regime de chuvas nessas regiões e em todas as outras, no país inteiro.

O processo lento e, de certa forma, programado de destruição desses dois magníficos biomas, únicos no planeta, trarão prejuízos irreversíveis ao Brasil e às futuras gerações, que poderão ser obrigadas a sobreviver em regiões agrestes e desérticas, sem água, sem vegetação, empobrecidas pela ação criminosa de grupos e pela inanição de governos, para quem o futuro sempre se esgota nas próximas eleições.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“No fundo do seu coração, o homem aspira a reencontrar a condição que tinha antes de possuir consciência. A história é meramente um desvio que ele toma para chegar lá.”
Emil Cioran foi um escritor e filósofo romeno radicado na França.

Photographer of Keyston agency/Getty Images before Rivarol Premium.

 

Consome dor

Com mais demanda, o número de reclamações aumenta em relação ao IFood. Demora na entrega do alimento, troca de encomendas, falta de comunicação sobre o endereço, fazendo o responsável pelo transporte não entregar a comida, e o envio de cupons de desconto no aplicativo sempre dá erro. Merece uma revisão dos restaurantes.

Foto: entregador.ifood.com

 

Há males

Constantemente, essa coluna expõe a opinião dos leitores sobre o tratamento sofrível que o comércio dispensa aos clientes. A situação na pandemia se reverteu. Quem conseguiu manter o emprego teve uma reciclagem forçada na escola Covid-19.

Foto: CB/D.A Press

 

Menos burocracia

Veio em boa hora a Portaria da Corregedoria do TJDFT – GC 67/2020, art. 2º. II. Cartórios facilitam o atendimento pelo próprio site, telefone ou e-mail.

Foto: brasiliadefato.com.br

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Leitor nos escreve pedindo que façamos uma sugestão ao TCB a efetivação da proibição de se fumar nos ônibus, defendendo os passageiros que ficam incomodados, e a empresa que tem seus bancos queimados. Conclui o missivista numa extrema coincidência de ponto de vista com a maioria da cidade ao dizer que “tudo será fácil agora, sr. Ari, enquanto não temos vereadores”. O recado final é para a Justiça, que deve conhecer a ponto de vista da cidade. (Publicado em 13/01/1962)

Soberania nacional: hora de exercê-la

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Foto: defesanet.com

 

Nos últimos anos, aconselhado pelos assessores cubanos, russos e chineses, o governo de Nicolas Maduro investiu o que podia na aquisição de armamentos e todo o tipo de materiais bélicos, inclusive modernos aviões e outras belonaves de ponta, objetivando manter, pela força, o terrível status quo interno. A atração de russos e chineses para dentro do continente, gerou uma significativa mudança no tabuleiro geopolítico, aumentando a instabilidade numa região, até pouco tempo, considerada tranquila.

É sobre esse “entorno estratégico”, situado em plena região amazônica, que os militares passaram a centrar suas atenções em defesa dos interesses nacionais. Alguns observadores internacionais têm se referido também à possibilidade de a Argentina vir, num futuro próximo, constituir-se também numa área de preocupação, por conta de problemas políticos internos. Não se sabe ao certo se essa proximidade entre o atual governo brasileiro e as Forças Armadas poderão facilitar um maior protagonismo dos militares em toda a região. O certo é que, independente de governos, a atuação dos militares dentro desse novo quadro, que vai se desenhando no mundo e no continente, tende a se intensificar daqui para frente.

É corrente também a noção de que, para os próximos anos e talvez décadas, haverá necessidade de aumento de gastos na área militar, mesmo que ocorra um enxugamento no número de efetivos das Forças Armadas. Para alguns historiadores, estaríamos revivendo um período semelhante ao ocorrido com a guerra do Paraguai (1864-1870), época em que os militares, até então desprestigiados, passaram a angariar maiores simpatias e a desfrutarem de maior poder junto ao Estado.

Com um efetivo de aproximadamente 360 mil homens, preparados para a ação, e com um contingente que oscila próximo de 1.6 milhão de soldados, segundo dados de 2017, as Forças Armadas têm pela frente um grande desafio, semelhante a esforços realizados em tempos de guerra. O Brasil possui mais de 23 mil quilômetros de fronteiras, sendo 15.700 em fronteiras secas ou terrestres e outras 7.300 de fronteiras marítimas.

Para garantir a soberania de mais de 8.5 milhões de quilômetros quadrados, numa época de grande instabilidade mundial, quer queiram os pacifistas ou não, haverá necessidade de repensar o poderio militar de defesa e de dissuasão do Brasil. Soma-se a esses números o território marítimo brasileiro, determinado por acordo internacional, que inclui, sob nossa soberania, uma área de 22 quilômetros contados da costa em direção ao oceano (12 milhas náuticas). Incluem ainda, sob a tutela brasileira, uma área de 200 milhas náuticas (370 Km), contadas da costa, a denominada zona econômica exclusiva (ZEE), estabelecida pela Convenção das Nações Unidas em 1982. Temos aqui um caso clássico em que tamanho é responsabilidade e destino. Nessa área marítima, os estrategistas preveem também problemas, sobretudo, pela existência de grande quantidade de petróleo e gás, armazenados nas reservas do pré-sal.

Existe ainda a preocupação ambiental com essas áreas, chamada de Amazônia Azul, cobiçada por muitos países. Desde sempre, sabe-se que, onde há riqueza a ser explorada, há potencial para conflitos. Hoje, essa realidade não só permanece como era no passado, como tem sido agravada pela escassez progressiva de recursos.

Na nova política de defesa, nenhum ponto deve ser deixado de lado. Questões como as mudanças climáticas e mesmo a pandemia são hoje assuntos de interesse da defesa nacional e, como tal, não podem ser desprezados ou minimizadas. Mesmo com uma política ainda errática com a relação à Amazônia, o governo vem sendo convencido de que essa imensa região é de vital interesse estratégico para o Brasil, tanto pela biodiversidade, quanto pela existência de abundantes recursos minerais e hídricos, como pelo grande potencial energético para nosso país.

Por outro lado, sabe-se também do enorme interesse dos estrangeiros por essa região, ainda desconhecida por nós em sua totalidade. Há ainda a questão dos recursos hídricos, cada vez mais escassos em todo o mundo, e que, no futuro, será um dos motivos centrais para disputas de toda a ordem, inclusive pela força. Nesse quesito, o Brasil, como detentor de 12% das reservas de água doce do planeta, tem enormes desafios pela frente para garantir que essa riqueza fique sob a soberania dos brasileiros.

Não bastasse toda a responsabilidade sobre essa imensa área, que guarda riquezas para garantir nosso futuro, há ainda, sob a responsabilidade que recai sobre os miliares brasileiros, a atuação na segurança interna, por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), muitas vezes utilizada em todo o território nacional para o estabelecimento da paz social.

Diante de tantos e tão hercúleos desafios que têm que assumir nesse século, seria até compreensível que os militares, de uma hora para outra, deixassem as pastas que ocupam no governo para se concentrar apenas na gestão e operação da nova política de defesa nacional.

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A história é um processo no qual as testemunhas se contradizem.”

Charles-Victor Prévost d’Arlincourt, romancista, poeta e autor dramático francês.

Charles-Victor Prévost d’Arlincourt.                                        Desenho de Robert Lefèvre (1822).                                  Imagem: wikipedia.org

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O asfalto da Asa Norte, na pista leste do Eixo Rodoviário sofreu uma depressão muito grande, e está constituindo um sério perigo. É à altura da primeira tesourinha. (Publicado em 12/01/1962)

Agenda ambiental ganha o mundo

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Vice-presidente da República Hamilton Mourão. Foto: portalmatogrosso.com

 

Ficasse apenas no discurso retórico de que a agenda ambiental era um estorvo para o crescimento do país, cuja a economia é puxada pelas riquezas produzidas pela agropecuária, o presidente Bolsonaro não teria feito muito diferente do que fizeram seus predecessores. Mas a inexperiência somada à jactância, que lhe é habitual, fez o presidente ir mais além e, numa demonstração de que pretendia se unir aos radicais do agronegócio e com isso angariar simpatias de uma forte bancada dentro do Congresso, partiu para a ação prática. Com isso, promoveu um desmonte significativo em todos os órgãos de controle envolvidos com a questão ambiental, inclusive aqueles ligados aos povos indígenas. Ibama, ICMBio, Funai e outros importantes institutos foram sensivelmente enfraquecidos, esvaziados ou simplesmente extintos.

Uma verdadeira razia foi promovida contra todos os órgãos ligados à agenda de meio ambiente, a maioria, sob o pretexto de que esses organismos de Estado estavam demasiadamente loteados por pessoas e partidos de esquerda. A avaliação, um tanto forçada, seguia, ipsis litteris, as recomendações feitas pelo poderoso lobby do pessoal ligado ao bilionário e pragmático agronegócio. Para essa turma endinheirada e com forte amparo dentro do Legislativo, as investidas legais dos órgãos de controle ligados à proteção do meio ambiente e dos povos indígenas, constantemente, vinham se chocando com os projetos e com as ambições desses grandes pecuaristas, colocando entraves à expansão, sem limites, desse grupo.

As safras recordes, juntamente com a larga produção de proteínas, que colocavam o Brasil como uma potência agropecuária, eram motivos de sobra para colocar o país sob a tutela direta do agronegócio. A própria balança de exportações reforçava a tese de que o agronegócio, que trazia bilhões em divisas para o país, deveria ter primazia sobre toda e qualquer outra estrutura do Estado. A caça às bruxas, promovida nos organismos de controle ambientais ao atender aos interesses desses e de outros grupos que vieram se juntar ao novo governo, deram os resultados esperados internamente e a curto prazo.

Mas o que esse pessoal e o próprio governo não esperavam, e sequer sonhavam, é que além desses resultados imediatos de desmantelamentos dos órgãos de fiscalização do meio ambiente, viessem outras consequências também, até em maior proporção, só que de forma negativa e prejudicial à economia do país. A política ambiental promovida pelo governo, de arrasa terra, fez não só aumentar o desmatamento e as queimadas por todo país, que atingiram níveis de crescimento recorde, como acabaram por chamar atenção do resto do mundo, justamente numa época em que parte da humanidade busca resgatar o que restou do planeta Terra.

Na contramão da história, e tendo pela frente um enorme passivo no meio ambiente, o presidente Bolsonaro corre agora contra o relógio, depois que investidores de todo o mundo começaram a ensaiar a retirada do Brasil do rol de países merecedores de investimentos.

Por outro lado, graças à pressões internas, muitos países, principalmente da Europa, onde o presidente acreditava ter fechado um grande acordo de livre comércio, começaram a rever suas posições e boicotar os produtos made in Brazil. A moratória, proposta agora pelo coordenador do Conselho da Amazônia, vice-presidente Hamilton Mourão, proibindo incêndios, de forma absoluta, por até 120 dias em toda a região da Amazônia e do Pantanal, insere-se num conjunto de medidas, tomadas às pressas, para tentar reverter o verdadeiro estrago promovido pelo atual governo e que colocaram o Brasil na vexaminosa posição de maior vilão mundial do meio ambiente. Há muito, a agenda ambiental ganhou importância em âmbito mundial, e só o atual governo não enxergou essa evidência e agora corre contra o tempo.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Os seres viciosos seriam muito fortes, se o mal que levam consigo não bastasse para destruir o seu próprio veneno.”

Albert Delpit, romancista e ator dramático francês

Albert Delpit. Foto: wikipedia.org

 

Venezuela 1

Artista, Leda Watson conta, depois de ler a coluna intitulada Aos nossos irmãos venezuelanos, que esteve naquele país para ministrar um curso de gravura, em Caracas, por volta de 1996. Ficou entusiasmada com a Universidade, seus professores, alunos e estrutura funcional. O país parecia de 1º mundo e o curso e a exposição foram um sucesso.

“Palacio de las Academias”, antiga sede da Universidade de Caracas, também abrigou a Biblioteca Nacional. Foto: wikipedia.org

 

Curiosidade

Ari Cunha, mais ou menos em 1973, deu uma nota sobre uma mulher que tinha sido torturada grávida. Antes de ter sido julgado pelo Superior Tribunal Militar, foi informado pelo então presidente da Venezuela, Rafael Caldera, que aquele país estava de portas abertas para recebe-lo. Definitivamente eram outros tempos.

Arquivo Pessoal

 

Sensacional

Veja a seguir várias dicas de filmes sobre parto. Aspectos dos mais diversos abordados. Cada filme com uma linha de pensamento. Desde o parto humanizado até os problemas sustentados por médicos, da rede particular de saúde, em estimular o parto não natural.

 

Alcance

Chegam, em Alto Paraíso, casos do Covid. A comunidade pacata, que só ouvia falar em pandemia, agora começa a ficar preocupada e atenta às regras de distanciamento e uso de máscaras.

Foto: reprodução

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Faça suas compras no comércio de Brasília, mas consulte sempre duas casas antes de se decidir. Há os que exploram, e que você deve punir com sua ausência. (Publicado em11/01/1962)

Jovens no comando

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Foto: PAUL BRAVEN (EFE)

 

Juntando as peças do imenso e delicado quebra-cabeça que forma o momento histórico atual, já é possível vislumbrar o que parece ser um novo fenômeno mundial que vai se desenhando no vácuo do poder deixado pelo descrédito inédito da maioria das lideranças políticas nesse início de século XXI. A instantaneidade das informações, propiciada pelas redes de computadores, a relativa liberdade no fluxo de mensagens, estão ligando jovens em todo o planeta em tempo real em prol do que se percebe como a salvação urgente do planeta.

As manifestações que vêm ocorrendo em diversos países do Ocidente possuem dois elementos em comum: são formadas por jovens de todas as idades, imbuídos por um desejo sincero de salvar o planeta e, por extensão, a própria raça humana do que já é considerada, por muitos cientistas, a maior encruzilhada já experimentada pelos humanos, desde o seu surgimento sobre a Terra. Na verdade, são eles que herdarão essa Terra que aí está, degradada por um modelo de exploração que não prevê futuro algum à frente. A descrença crescente que marca muitas das atuais lideranças políticas dessa parte do Globo tem aberto caminhos por onde os jovens vão tomando a liderança de um movimento que não pode aguardar mais soluções burocráticas e atreladas a uma agenda puramente econômica. A questão aqui é de sobrevivência.

Por conta disso, os jovens, em boa parte do mundo, já perceberam que o tempo político é por demais elástico para acompanhar os acontecimentos que vão num crescendo alarmante e, por isso, pretendem o protagonismo nessa questão. Obviamente que os políticos, com receio de seus embustes, fazem orelhas moucas a essas reivindicações, considerando-as apenas mais uma manifestação sem lastro. Parece que desta vez os políticos estão errando em suas avaliações. Muitos daqueles que vêm acompanhando essas manifestações acreditam estar assistindo a um verdadeiro ponto de inflexão na questão ambiental. De fato, o que se sabe, a essa altura dos acontecimentos, depois de imagens que correm o planeta mostrando incêndios devastadores, inundações, desmatamento, desaparecimento de geleiras e de muitas espécies de animais e plantas, é que na maioria dos países desenvolvidos, as manifestações em prol da preservação do meio ambiente estão tirando o sossego dos líderes políticos, ameaçando seus governos e fazendo os eleitores se afastarem da velha agenda e de seus postulados.

Pela proporção que esses fatos ligados à sobrevivência do planeta ganharam em muitos países, não só os políticos foram ofuscados e tornados obsoletos, mas muitos organismos, que lhes serviam de palanques, perderam a luz própria. O movimento Fridays for Future parece ter tomado a dianteira e a agenda de fato dessa questão. Num mundo interligado, atento e atônico com seu próprio futuro, as lideranças mais velhas perderam o rumo e a capacidade de conduzir. Até mesmo as Organizações Não Governamentais parecem estar fazendo um papel de plateia e de figurantes para essa nova geração que quer agora a direção e o comando do planeta.

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada

“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos. E, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”

Khalil Gibran, filosofo libanês.

Imagem: Alamy

 

BTS

Foi uma grande ideia aproveitar o nicho de passageiros no setor de clubes. Com contratos de fretes, a empresa faz parceria com diversas instituições localizadas naquela área.

Foto: onibusbrasil.com/joseaugustogama

 

Vigilância

É comum ver carros da polícia judiciária rondando os estacionamentos dos tribunais, já que a arquitetura favorece uma longa caminhada dos funcionários. Como o final do expediente termina já à noite, a área é bastante vulnerável.

 

 

Clubes

Assefe aproveitou bem a área do clube dos funcionários do senado para instalar a creche. Ambiente maravilhoso para o desenvolvimento da criançada. Fica o exemplo para outras associações.

 

 

História de Brasília

A Praça Municipal, agora, é depósito de lixo. Fizeram um horror. Roubaram a Loba Romana, e o buriti do dr. Israel morreu. Ninguém fez nada para lembrar uma época de Brasília. (Publicado em 30/11/1961)

 

Ecologia, economia e comércio em volta da Amazônia

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Foto: Reuters/Ricardo Moraes/Direitos Reservados

 

Enganam-se as autoridades brasileiras caso acreditem que o governo americano, que parece lhe servir de modelo, fará vistas grossas aos incidentes que vêm ocorrendo na região amazônica. Principalmente com relação à leniência com que o atual governo vem tratando essa questão. Não existe a tão almejada amizade fraterna entre governos, como erradamente sonham alguns dentro e fora do Palácio do Planalto.

O mundo move-se pelo interesse, em nome do qual não hesita fazer a guerra. Prova disso é que assim que retomaram seus trabalhos, os congressistas americanos focaram seus debates sobre os últimos acontecimentos havidos na região amazônica, principalmente na parte brasileira. Tido por muitos políticos daquele país como uma espécie de quintal próprio, a Amazônia vem tomando lugar entre as preocupações de americanos e de europeus, receosos que de essa região venha, conforme advertem os cientistas, entrar num processo irreversível de destruição, com sérios prejuízos para todo o planeta.

A bancada democrática americana vem pressionando para que o governo adote uma postura mais dura com relação aos produtos brasileiros, sugerindo, inclusive, que se adote uma proibição às importações de determinados itens. A punição se estenderia também aos acordos de livre comércio. Entre os itens que poderiam sofrer restrições estão o petróleo, o milho, o papel, o tabaco, o açúcar, a madeira, o couro, a soja e a carne, ou seja os principais produtos da pauta de exportação brasileira destinados para aquele país.

Do desmatamento que segue sem restrições, inclusive impulsionado pelo mercado chinês, as preocupações se estenderam às queimadas descontroladas que varrem parte significativa do bioma da região. Curioso notar que esses embargos poderiam englobar também a assistência militar, assunto de grande interesse para o governo brasileiro.

Durante os debates que se seguiram, foi aberta ainda uma oportunidade para que a pesquisadora brasileira do Peterson Institute for International Economics e diretora do Programa de Estudos Latino Americanos da Johns Hopkins University, Monica De Bolle, apresentasse sua visão sobre a questão amazônica. Em sua avaliação, o governo brasileiro precisa entender que o comércio no século XXI exige uma estreita simbiose entre ecologia, economia, principalmente na área comercial. “sob Bolsonaro e sua guerra ideológica contra o clima e o ambientalismo, muitos predadores passaram a se sentir confortáveis em depredar a Amazônia”, afirmou a pesquisadora, para quem é preciso que o governo reveja, o mais urgente possível, o desmonte das regulações e das agências ambientais como o Ibama e o Inpe.

Bolle criticou também a atuação do governo Trump em não aderir, de forma racional, à agenda ambientalista. “O fogo na Amazônia não é só uma tragédia, mas também uma oportunidade para que os governos do Brasil e dos Estados Unidos parem de negar as mudanças climáticas e passem a cooperar em estratégias para preservar a floresta e o meio ambiente” afirmou.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a força da lei.

Mas quem são mesmo os amigos e os inimigos? ”

Alguém na Praça dos Três Poderes, bastante confuso.

Foto: EBC

 

 

Cuidados

Não é só por causa da seca que a conjuntivite aumenta. Uma vistoria nas grandes clínicas dos olhos em Brasília seria interessante. De um paciente para o outro, o que se passa nos equipamentos é um papel seco. Nada mais.

Foto: hojeemdia.com

 

 

Anjos inocentes

Fica, em Samambaia Norte, a instituição Santos Inocentes. Na QR 425, Conj. 5. Essa casa, além de rejeitar o aborto, recebe as adolescentes e mulheres que resolveram manter a vida da criança, apesar das dificuldades. Esse é um bom lugar para se investir. Veja como no link Como colaborar.

 

 

Receitas

Quase um terço de todos os alimentos que produzimos, 1,3 bilhão de toneladas por ano, é perdido ou desperdiçado. A informação é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Veja, no link Sete receitas com cascas e bagaço de alimentos, as publicações sobre o uso de cascas de alimentos em receitas deliciosas.

Brigadeiro de casca de banana

 

 

História

Escrita por Ari Cunha em 1961, a notinha da história de Brasília de hoje comenta sobre as aves da região nos primeiros anos da cidade. Ontem, foi publicada uma matéria no El Pais com a informação de que a metade das aves mais comuns da Europa e da América do Norte desapareceram. Os estudos dizem que, nos últimos 50 anos, há três bilhões de pássaros a menos.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O Lago está bonito. Está na cota mil, e cheio de garças. A nossa Lagoa do Jaburu, também. Vou pedir ao Anapolino para me mandar duas sacas de arroz em semente, para plantar lá, e conservar as aves que poderão desaparecer. (Publicado em 30/11/1961)