Infraestrutura no chão

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Quem ocupa cargo no Executivo sabe que administrar é, antes de tudo, ter disposição para se tornar saco de pancada da população. Mesmo os gestores mais dedicados sofrem com o que chamam de ingratidão perene da sociedade. Também, não é para menos. Em uma sociedade em que os impostos arrancam, diretamente, mais de um terço da renda dos trabalhadores e, indiretamente, tomam o restante, embutido nas mais variadas formas de bens de consumo, cobrar ação do Estado é mais do que uma obrigação, é modo de exercer a cidadania.

A crise econômica que atinge o país não poupa a capital. O encurtamento do dinheiro é sentido em todos os serviços públicos da cidade, principalmente nos mais sensíveis, como a saúde. O desabastecimento de produtos de uso hospitalar de primeira necessidade é fato. Nos postos de saúde, a procura pelas vacinas contra difteria, tétano e coqueluche (dTpa) tem sido em vão.

Para muitas gestantes, a opção tem sido buscar o medicamento em clínicas particulares, nas quais os preços são mais do que o dobro da rede pública. O mesmo ocorre com as vacinas imunizadoras contra a hepatite B, em falta na maioria dos postos. Nas clínicas particulares,  simples dose de vacina contra a meningite B chega a custar R$ 800. A culpa, segundo os médicos, é do dólar alto, já que esses medicamentos usam insumos importados.

Dizem que a tendência é de que haja ainda mais aumentos. A subida na cotação da moeda norte-americana e da inflação, que só neste mês ficou em 1,4%, o maior desde 2003, é a causa da disparada dos preços dos medicamentos, afetando basicamente a população de baixa renda.

Se o caso é coração, a população já sabe que o Hospital de Base, referência em casos de cardiologia, está em colapso. De acordo com reportagem feita por Otávio Augusto e Camila Costa, do Correio, faltam enzimas cardíacas e marca-passos. Os exames de cardiologia não estão sendo realizados.

Só no ano passado, a falta de recursos levou ao fechamento de 20 UTIs geral e pediátricas, além de 30 leitos das especialidades de neurologia, urologia, infectologia, pneumologia, gastroenterologia, endocrinologia, reumatologia, ginecologia oncológica, angiologia e mastologia, informa a reportagem. As causas da falta de infraestrutura na saúde pública são múltiplas e decorrentes da crise profunda enfrentada pelo país. Mas, para a população, a corrupção endêmica e a gestão deficiente e sem rigor são as causas primeiras.

 

A frase que não foi pronunciada

“A surra que a oposição dá no governo é igualzinha a surra que a vovó me dá. Com gravata de seda do vovô”

João Marcelo, entre a infância e as notícias

 

Enfim

Neste ano, o governo Rollemberg quer diminuir as filas na Rodoviária para a compra do passe estudantil. Basta preencher o cadastro no portal do DFTrans. A lista completa dos documentos necessários para a retirada do passes também está lá. Ao todo, são 54 viagens mensais.

 

Mudanças

Family Hair é salão bastante frequentado no Lago Norte. Acostumadas com a tranquilidade do local, as clientes levaram um susto e tanto. Um rapaz entrou no local, roubou todos os objetos possíveis, dinheiro e, da mesma maneira tranquila que entrou, saiu. Depois do ocorrido, funcionários da farmácia disseram que também sofreram assalto à mão armada.

 

Brinquedo, não

Armas pesadas usadas por grupos criminosos foram encontradas em creche na região metropolitana de Porto Alegre. Um homem estava guardando os artefatos nos fundos da escola quando foi preso em flagrante.

 

Na frente

Todas as possibilidades de tirar os primeiros lugares são dadas ao Brasil quando o assunto é negativo. Educação, grau de investimento, violência, cárceres em estado precário. Dessa vez o nosso país foi o único do Brics rebaixado pelas três agências que avaliam o grau de investimento.

 

História de Brasília

Foram, igualmente, suspensos todos os voos para Porto Alegre e países do Prata, exceção feita aos voos de Boeing, que vão até Buenos Aires, Montevidéu, entretanto, não está mais recebendo aparelhos da Varig. (Publicado em 1º/9/1961)

Fantasias partidárias

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Com a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 182/2007, no último dia 18, a chamada janela partidária foi escancarada de les a les por 30 dias, permitindo que os candidatos às eleições deste ano e que exercem mandato no Legislativo mudem de legenda sem o risco de cassação. O que, a princípio, serviria como bálsamo para a falta de personalidade e identidade dos partidos, depuração daqueles filiados poucos ajustados dentro das legendas, na verdade, esconde modelo que se molda, com muita precisão, ao perfil dos próprios políticos brasileiros, na sua grande maioria, distanciados anos-luz das bases eleitorais.

Na realidade, o que faz dos partidos siglas insípidas e amorfas é justamente o fato de dar acolhimento a indivíduos que não conseguem olhar além do próprio umbigo. Fechadas as urnas, o caminho natural da maioria das legendas é o da composição com o novo governo empossado. É na coalizão com a maioria vencedora que está a boa vida das agremiações partidárias.

Mesmo as generosas verbas públicas que ajudam a sustentar os partidos não são capazes de garantir a independência de cada um. Somente a partir apoio dado aos detentores da chave dos cofres é que os partidos pavimentam o caminho para aquilo que mais almejam além do poder: dinheiro. Muito dinheiro.

No troca-troca das legendas, que deve durar até 19 março, entre 10% e 15% dos políticos com assento no Congresso deverão migrar para outros partidos, num processo de acomodação que nada tem de ideológico ou programático. Aliás é sabido que grande parte dos políticos filiada às legendas sequer conhece o estatuto do partido a que pertence.

No geral, essa situação decorre principalmente do adiamento sine die de verdadeira reforma política que, entre outras medidas, deveria pôr fim ao grande número de legendas. O ideal, para aqueles eleitores mais bem informados, é que houvesse, no máximo quatro partidos, sendo um a direita, um a esquerda e dois de centro, contrabalançando os demais.

É preciso atentar que no atual modelo político reside grande parte das causas que levaram o país à maior crise da sua história. No atual modelo partidário, está não só a raiz da crise atual, como o adubo dessa e de outras futuras que virão. Diante do caos a que assistimos, melhor do que escancarar as janelas partidárias, seria abrir as comportas e deixar sangrar, até a última gota, o modelo que já não serve ao cidadão e ao eleitor há muito tempo.

 

A frase que não foi pronunciada

“Chegamos à bolacha com água. Do jeito que vai, em pouco tempo, a companhia aérea Gol vai distribuir só goma de mascar.”

Alguém da turma da terceira idade em excursão

 

Acompanhamento

O senador Ricardo Ferraço vai entregar relatório, em abril, com o resultado do estudo de um grupo de senadores que investigará a situação das barragens no Brasil. A Comissão Temporária da Política Nacional de Segurança de Barragens quer saber se a Samarco respeitava a lei na gestão da Barragem do Fundão.

 

Publicado

Dezessete milhões de pessoas não têm acesso à coleta regular de lixo no Brasil. A maior parte da população sem atendimento está no meio rural. Apenas 23% das cidades brasileiras contam com serviço de reciclagem.

 

Faleceu

Dewey M. Mulholland. Por onde passou em 40 anos de Brasil deixou um rastro de perfume. Fundou a Faculdade Teológica Batista de Brasília onde era diretor e professor.

 

Release

Depois de Porto Alegre sediar o evento, essa é a primeira edição regional do Centro-Oeste: uma bela oportunidade para os Coffee Lovers e os Coffee Geeks aproveitarem a experiência: estandes, palestras e harmonizações fazem parte da programação. O jovem empresário Luiz Gustavo Manso marca presença, com a sua Belini Café – The Coffee Experience, no Jamboree Brasil Café/Centro-Oeste, que acontece em 19 de março, em Brasília.

 

Zika Zero

Escolas particulares do DF resolveram arregaçar as mangas para o ataque ao mosquito Aedes aegypti na área do colégio. As parcerias começaram.

 

História de Brasília

Em vista do que tem ocorrido ultimamente, a Varig resolveu suspender a escala, em Brasília, do seu voo internacional. Assim, o Boeing, que deverá estar aqui domingo, voará diretamente de Nova York para o Rio (Publicado em 1º/9/1961)

Em maus lençóis

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Ivan e Leda, nomes fictícios, saíram apressados da igreja, onde se casaram e, por questões de agenda, tiveram que abrir mão da festa. Foram direto para o aeroporto, rumo a Miami para curtir a lua de mel programada com um ano de antecedência. O que parecia uma viagem idílica, começou a desvanecer logo na chegada à cidade americana. As bagagens foram desviadas para o Oriente. Deveriam chegar ao destino só 72 horas depois.

Inconformados, foram para o hotel apenas com a roupa do corpo, documentos e o dinheiro contado. Depois de instalados, foram aconselhados pelo staff do hotel a curtir a estadia. Não adiantava arrancar os cabelos. Resolveram desapegar dos problemas, relaxar e, —  quem sabe? — dar um mergulho na piscina azul-turquesa. Compraram, no local, calção e biquíni e foram aproveitar o sol. Beberam, nadaram muito e, já exaustos, retornaram ao quarto. Surpresa total. O restante dos pertences foram roubados.

Os ladrões levaram dinheiro e documentos. O casal ficou apenas em trajes de banho na terra do tio Sam, sem dólares e sem passaporte. Condoídos e desconfiados da história do casal, a gerência do lugar conseguiu uniformes do hotel com o logotipo estampado nas costas e no peito. Até a chegada das malas teriam o corpo coberto. Devidamente integrada ao local, a dupla desceu, na manhã seguinte para apreciar o breakfast em seus trajes provisórios.

O segurança do local suspeitando de que aquela dupla de novatos eram penetras disfarçados, cuidou de expulsá-la do local, não sem antes dar-lhe bofetes e chute no traseiro. Leda, de jaleco azul, e Ivan, de camiseta com logotipo do hotel, calção e apenas uma das sandálias, caminharam 22km, rumo ao consulado brasileiro. Ao avistar o prédio portentoso da representação tupiniquim, o que parecia a visão de oásis, ou tábua de salvação, não tinha qualquer serventia. A representação estaria fechada nos próximos três dias para comemoração do feriado prolongado.

Desolados e abatidos, juntaram forças para retornar ao aeroporto, distante 40km. Foram para a rodovia pedir carona. No acostamento da autopista, foram surpreendidos com a chegada da polícia local, que recolheu o casal ao xadrez, já que não conseguiam provar nada do que declararam. Resultado: deportação sumária.

De volta ao Brasil, em condições vexatórias, depois de longo tempo, a dupla foi comunicada de que a bagagem estava à disposição no terminal do aeroporto da cidade. Recuperadas as malas, Ivan e Leda escorregavam o zíper enquanto o filme da lua de fel passava pela memória. Ao completar o percurso do fecho, abriram calmamente, esperando rever as roupas escolhidas com tanto carinho para o período especial. Qual não foi a surpresa quando dentro das malas nenhum daqueles trajes estava lá, e sim roupas de cama sujas e velhas, amarfanhadas e fedidas, socadas de qualquer jeito. Alguém as colocou lá apenas para dar volume e peso.  Sentados sobre a bagagem que um dia lhes pertenceu, o casal de aventureiros ficou observando, curioso, outros casais que embarcavam animados.

 

A frase que foi pronunciada

“O auge da sofisticação é o máximo da simplicidade.”

Antônio Carlos Farah, médico em Cantagalo.

 

Disse e fez

Mc Laurin, uma senhora de 106 anos, não conseguiu segurar tanta felicidade em visita à Casa Branca ao ver o casal Obama. “Um negro na Presidência dos Estados Unidos. Eu precisava ver isso de perto para acreditar”, dizia ela radiante. Michelle Obama retribuiu o carinho, ao dizer: “A senhora nos fez ganhar o dia”.

 

Hoje

Receber Javier Ibañez, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina, faz parte da estratégia de Luís Fernando Panelli Cesar, do Inmetro do Brasil. Além da cooperação científica e tecnológica, os objetivos são a revitalização da Associação Estratégica dos Institutos de Tecnologia Industrial do Mercosul; e a harmonização de regulamentos técnicos nas áreas de Metrologia e Avaliação da Conformidade, que ampliem as relações comerciais.

 

Símbolo

Destinos da tocha olímpica são revelados pela Agência de Notícias do Turismo. Brasília é o ponto de chegada. Ao desembarcar da cidade grega de Olímpia, a capital do Brasil receberá a chama em 3 de maio.

 

Release

O senador Paulo Rocha (PT-PA) enviou ofício à Casa Civil, endereçada ao governador Simão Jatene, solicitando “rigorosa apuração da morte do presidente do PCdoB de São Domingos do Araguaia, Luís Antônio Bonfim, militante pela reforma agrária, assassinado no último dia 12, com seis tiros disparados por pistoleiros”.

 

Parceria

Release dos Correios chega com o seguinte título: “Correios guarda mais de 7 mil documentos perdidos”. Atenção para a concordância verbal, Comunicação Social! Também erramos. Mas isso não nos impede de colaborar.

 

Complemento

São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e DF são as unidades da Federação com maior número de correspondências perdidas. A orientação é a seguinte: Antes de tirar segunda via do documento perdido busque informação no site dos Correios. Alguém pode ter deixado em alguma agência: (http://www2.correios.com.br/servicos/achados_perdidos/default.cfm), ou ligar para 3003-0100. Ou, ainda, para 0800-725 7282. Se encontrar alguma documentação, pode depositar em caixas de coleta ou entregar na agência dos Correios mais próxima.

 

História de Brasília

O sr. Rubem Berta teve atuação destacada nos entendimentos, e as autoridades militares não sabiam que a escala no Rio havia sido cancelada com autorização do próprio DAC, e que o plano de voo direto São Paulo-Brasília havia sido aprovado em SP. (Publicado em 1º/9/1961)

Supremo veda brechas da impunidade

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Em decisão considerada por muitos como revolucionária, o Supremo Tribunal Federal vedou uma das principais brechas que favoreciam a impunidade, ao decidir que réus condenados em segunda instância devem começar a cumprir imediatamente a pena em regime fechado, enquanto aguardam recursos em tribunais superiores. O novo entendimento do STF teve repercussão imediata no mundo jurídico, provocando sérias rachaduras nesse edifício.

As opiniões estão divididas e o assunto ainda deve render muito debate. Para os advogados de defesa, muitos deles especializados em recursos em instâncias superiores, o STF tomou essa decisão com base na forte pressão que vem sendo feita pela opinião pública, principalmente a partir dos escândalos de corrupção envolvendo políticos e membros do atual governo. Na extremidade oposta, estão aqueles que acreditam que com a nova redação do texto, o sentimento geral de impunidade, decorrente da morosidade da Justiça, cessará quase completamente.

Na avaliação daqueles que apoiam a medida, o novo entendimento fecha não só uma janela para a impunidade, mas sobretudo acaba com a indústria de ações recursais e, por tabela, prejudica o mercado milionário da maioria dos escritórios de advocacia, especializados nesses processos ao STF.

Vale lembrar que o ex-ministro Joaquim Barbosa, nas muitas frentes de desavenças por questões éticas que protagonizou com seus pares, criticava, com toda a razão, o trânsito livre e mesmo o lobby acintoso que muitos advogados de defesa faziam dentro do próprio STF em favor de suas ações recursais.

Essa proximidade de certos advogados com os magistrados da Alta Corte causava, inclusive, mal-estar entre os próprios juízes, que, de modo sarcástico, diziam ser mais precioso e eficaz ao bom advogado conhecer antes os magistrados do que a própria lei.

A opinião pública, por muitos e apontada como fator decisivo na mudança da lei, de forma geral, aprovou a medida, assim como os procuradores e juízes envolvidos na apuração dos escândalos do petrolão. Para muitos, os processos que seguem o caminho do Supremo têm interessados de alta renda e que, portanto, podem bancar os altos custos de suas defesas. Outros ainda argumentam que muitas ações, há anos se arrastando nas cortes maiores, ganharão maior celeridade.

 

A frase que foi pronunciada

“Como é que um homem pode se tornar senhor de outro homem e por que espécie de incompreensível magia pôde esse homem se tornar senhor de muitos outros homens?”

Voltaire

 

Regra básica

Governadores começam as renegociações da dívida dos estados. Ideal nesse momento seria que os governadores comprovassem até o último centavo o que foi feito com o dinheiro recebido. Se as contas baterem, aí sim. Uma possível conversa sobre renegociação de dívida. É assim que funciona com quem paga os impostos. Gente para monitorar não falta nos quadros do Executivo.

 

Uma pena

Nelson Barbosa, ministro da Fazenda, bate na tecla da CPMF. “Não trabalhamos com a não aprovação da CPMF”, disse ele. O grande problema é o exemplo que o governo vem dando em todos esses anos. O cidadão nunca viu o retorno desse empenho. Nem na era FHC.

 

Aconteceu

Enquanto as notícias dão conta de sonegações de impostos, Carlos Higino Alencar, da CGU, está na mira do deputado federal Raul Jungmann. Partiu dele o pedido ao ministro Bruno Dantas, do TCU, para enquadrá-lo por sonegação de informação.

 

História de Brasília

Os passageiros que se destinavam ao Rio no voo de volta, permaneceram duas horas dentro do avião, que não podia levantar voo. Foram, então, embarcados noutra aeronave.(Publicado em 1º/9/1961)

Economizar onde é preciso

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Em tempos de crise, o governo federal deveria deixar de lado as fórmulas matemáticas com cálculos sofisticados e herméticos e seguir os mesmos métodos simples usados pela maioria das donas de casa brasileiras diante do encurtamento dos rendimentos e do aumento generalizado de preços. A começar pelo corte de despesas não emergenciais e, em alguns casos, supérfluas.

Alguns brasileiros mais radicais chegam a sugerir a substituição do ministro da Fazenda por um chefe de família típica, acostumado aos rigores do dia a dia. Notícias recentes dão conta de que, apenas com a extinção dos chamados supersalários, o governo poderia economizar algo como R$ 10 bilhões ao ano, ou seja, valor equivalente ao que o Executivo pretende arrecadar com o retorno da cobrança da CPMF.

Pelo Projeto de Lei nº 3.123/2015, o governo federal vem tentando, dentro das medidas anunciadas de ajuste fiscal, regulamentar o que diz a Constituição. A intenção é pôr fim aos altos salários, principalmente no Legislativo e no Judiciário, onde eles ocorrem com mais frequência. Essas tentativas esbarram sempre no corporativismo desses poderes e dificilmente vão adiante.

Num país de dimensões continentais e com máquina pública gigantesca e perdulária, falar em cortes de salários e de outros benefícios e mordomias não prospera. Por trás dos supersalários, estão embutidos vantagens adquiridas e penduricalhos de toda ordem, que, por força de lei, não são atingidos pela legislação e, por não serem considerados como remuneração permanente, são isentos de descontos de imposto de renda e de contribuição previdenciária.

Ironicamente, os maiores salários estão concentrados nos Poderes da República onde, justamente, deveriam sofrer ação de cancelamento imediato, como exemplo. E é no Legislativo e, principalmente, no Judiciário onde eles mais aparecem. Nesses poderes, há inúmeros casos de salários que vão de R$ 40 mil a mais de R$ 100 mil mensais, numa afronta ao que diz a própria lei, que estabelece como teto o salário de ministro do STF de pouco mais de R$ 30 mil. Se o fator altos salários,  por um lado, dificulta o ajuste das contas públicas, de outro acelera ainda mais o processo de falência do sistema previdenciário, já em estado critico.

Apenas no serviço público federal, mais de 4 mil funcionários recebem salários acima do teto constitucional. Incrível é que nesses tempos de vacas magras para o cidadão e contribuinte, há parlamentares que chegam ao ponto de apresentar projetos de lei legalizando os supersalários, como forma de tirar do foco da opinião pública mais esse descalabro. Consciente das próprias debilidades políticas para negociar acordos pondo fim os privilégios remuneratórios, o Executivo busca a saída mais difícil e, portando, menos racional, de aumento de impostos em cima de uma sociedade e de uma economia absolutamente exauridas.

A frase que não foi pronunciada

“O lar é a sociedade em miniatura.”

Minha vó pensando no tempo em que existiam lares.


Agenda

» Haruo Mikami, Kazuo Okubo, Marcelo Feijó, Márcio Borsoi, Vitor Schietti e Zuleika de Souza exibem hoje às 17h, na Referência Galeria de Arte, a próxima edição do projeto Conversa, que fica aberto ao público até 12 de março.

Novidade
» Dokter é uma espécie de Uber médico. Chega de passar mais de uma hora esperando atendimento nos consultórios. A espera é em casa. Ao acessar o aplicativo, o atendimento médico é domiciliar, por preço mais justo do que o cobrado atualmente e com a mesma qualidade de consulta. No mínimo, é um estímulo para frear os aumentos abusivos.

Lembrete

» Esqueceram-se de contar, na matéria da Paróquia da Ressurreição, em Ceilândia, que o padre estranho que puxa o cabelo da meninada e tem um jeito estúpido de expressar carinho é muito querido dos pais e das crianças. Quando o Estado falha, é ele quem recebe as crianças em situação de vulnerabilidade.

Sem condições
» Reportagem na tevê mostrou pais que deixaram crianças presas em casa enquanto iam para a galdéria. Há pais que trabalham sol a sol que também, durante as férias, deixam filhos e filhas trancados em casa por absoluta falta de opção. Os conselhos tutelares ficariam horrorizados se houvesse estatística sobre o assunto.

Sabor

» Brasília Show Gastronomia. O maior prêmio gastronômico do Rio de Janeiro ganha versão brasiliense. Comandado pelo empresário Felipe Rodrigues, os participantes são reconhecidos internacionalmente: Universal Diner, Rubaiyat, El Negro, El Paso Texas, Ancho Bistrô de Fogo, BSB Grill, Dolce Far Niente, Manati, L’Affair, Jambu, entre outros. Para quem quiser concorrer em uma das mais de 30 categorias, as inscrições estão abertas até 15 de março. A avaliação será feita por chefs e críticos que se destacam no cenário nacional, assegurando a idoneidade do projeto.

História de Brasília

O segundo capítulo da “Operação Caravelle” foi muito mais movimentado, e é difícil se encontrar explicação, mesmo em estado de exceção. Os comandantes do aparelho foram presos na Base Aérea, lá permanecendo até 1h, quando foram transportados para o Palace Hotel, ficando sob guarda, controlados pelo telefone. (Publicado em 1º/9/1961)

A barragem dos fatos ameaça romper

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Com o agravamento e a generalização da crise, estão dados os principais elementos para o colapso do Estado. O rompimento da barragem, pressionada pela avalanche de fatos negativos, ameaça levar de roldão todos os cidadãos indistintamente, lançando a nação de volta ao beco sem saída do atraso e do subdesenvolvimento.

O quadro atual é, antes de tudo, espelho a refletir as muitas deformações que nossa estrutura política provoca quando lhe é franqueada a gestão da máquina pública. Confiar a direção do Estado a grupo de indivíduos que, rigorosamente, desconhece  até o sentido da expressão república, nunca deu certo, nem aqui nem em lugar algum.

O modelo de gestão baseado na coalizão política tem se revelado um desastre desde a primeira tentativa e foi agravado nos últimos 10 anos, depois que sucessivos escândalos mostraram que essa tal governança era atingida apenas com o pagamento de grandes somas de dinheiro para pacificar a base.

Não bastasse o fato dessas disfunções políticas agravarem severamente a condução da economia, seus efeitos deletérios são repassados também à sociedade. Ao atingir o corpo social do Estado, os danos se apresentam como desemprego, aumento de preços, inflação, queda na renda e outros que vão muito além da agonia provocada pela escassez de bens materiais. A situação induz no cidadão um misto de descrença e repúdio por tudo que se relaciona a governo e política.

O desencanto com o modelo de Estado que construímos ao longo das últimas décadas talvez seja o mais delicado dos efeitos da atual crise cuja a solução difícil necessitará de longo tempo. Ferida a alma da nação com a flecha da descrença eivada pela traição aos eleitores, restará, como opção, reiniciar a caminhada a partir do ponto de partida, retrocedendo, quem sabe ao ano de 1988, com a elaboração da Carta Magna.

 

A frase que não foi pronunciada

“Enquanto a depressão afeta alguns homens, tudo bem. Mas quando a depressão chega à economia, aí vai atingir todos os homens.”

Reflexão de um microempresário

 

Social

Aos poucos, os papelões voltam a tomar conta da cidade. Barracos improvisados no Eixão, perto do BNDES, atrás do Congresso, na UnB, e por aí vai.

 

Novidades

Plano Brasília, nova revista da capital, Blog do Chiquinho Dornas, Blog do Chico Sant’Anna, Fato Online também sucesso. Brasília continua com bons profissionais da comunicação, desta vez com o desafio trazido pela Internet.

História de amor

Turzo Sándor, húngaro, está novamente no Brasil. Conheceu Eliana Siqueira na apresentação da ópera Aída, no Ginásio de Esportes, na década de 1990. Ela cantava no coro e ele tocava viola clássica. De lá para cá, tem divulgado a música brasileira pela Europa e pela Ásia. Aí está um belo material para uma grande matéria. O amor por uma brasileira o fez levar na bagagem a nossa música pelo mundo.

 

Concerto

Por falar nisso, quem quiser conhecer o Sándor pessoalmente terá oportunidade neste sábado, em um belo concerto de Liszt, no Colégio Maristão na 615 Sul, às 20h. Imperdível.

 

Caesb

Trocar o relógio da Caesb parece um mau negócio para os consumidores. Algumas reclamações registradas dão conta de aumentos abusivos no valor da conta depois que o aparelho novo começou a funcionar.

 

NPJ

Vale o registro do Núcleo de Práticas Jurídicas, coordenado por professores do UniCeub. O intensivão para os alunos de direito não só é laboratório real da profissão como serviço, hoje, indispensável ao sistema jurídico da capital.

 

O filho é teu

Mara Gabrilli é uma deputada corajosa. Não tem papas na língua. Enquanto a presidente Dilma contava que conversou com o presidente Obama sobre parceria para o combate ao zika vírus, a deputada interrompeu o discurso sem microfone e perguntou como a presidente agiria em relação às crianças brasileiras com microcefalia. Sabendo da dimensão e origem do problema, a presidente pediu socorro à deputada.

 

História de Brasília

Há muitas casas, muitas quitandas, que não estão explorando. Recomende às suas amigas, e faça a senhora mesma a filtragem, para punir, depois, com a ausência em seus estabelecimentos, os comerciantes desonestos. (Publicado em 31/8/1961)

A crise entra pela porta e políticos saem pela janela

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Se tudo ocorrer conforme o planejado, a PEC nº 113/2015, já aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro passado, será promulgada hoje, em sessão conjunta. A partir daí será aberta janela de 30 dias para que os políticos filiados às dezenas de legendas existentes, possam mudar de partido.

Pela redação do texto da emenda, “é facultado ao detentor de mandato eletivo desligar-se do partido pelo qual foi eleito nos 30 dias seguintes à promulgação desta Emenda Constitucional, sem prejuízo do mandato, não sendo essa desfiliação considerada para fins de distribuição dos recursos do Fundo Partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão”.

O que os analistas políticos antecipavam, os eleitores sempre souberam: eleições, exercício de cidadania por meio do voto, seriedade e propósitos dos partidos, programas e perfil ideológico das legendas, promessas e outras características ligadas ao mundo político, nada valem no Brasil. Na verdade, não existe nenhum partido político sério no país. O que existe, e os eleitores há muito suspeitam, são agremiações que reúnem pessoas com ambições parecidas, de olho, sempre, nas inúmeras oportunidades materiais oferecidas pela atividade político-partidária, principalmente para os membros da cúpula.

No liberou geral propiciado pela dança das cadeiras e que, obviamente, contou com a aprovação da maioria dos parlamentares, os partidos perderão ainda mais, se é possível, o pouco de identidade que tinham. O eleitor é também, nesse caso, detalhe incômodo, chatice que deve ser obrigatoriamente lembrada apenas nos dias indicados pelo calendário eleitoral.

Essa situação vexaminosa com nossa estrutura política só persiste ainda porque os parlamentares impedem, a todo custo, uma verdadeira reforma política que ponha fim ao número excessivo de legendas, à filiação de candidatos enrolados com a Justiça, à imunidade parlamentar, ao lançamento de candidaturas avulsas e fora da órbita partidária. É necessária a obrigação do cumprimento do estatuto e do programa partidário, o recall de políticos reprovados, o fim das mordomias, entre diversas outras mudanças do agrado geral da população.

Por enquanto, na queda de braço entre a sociedade que anseia por políticos que possam verdadeiramente representá-la e o Executivo que deseja partidos subservientes, a balança ainda é favorável a esse último. Até quando?

 

A frase que foi pronunciada

“Não tenha medo de enfrentar um galho difícil. É lá que se encontra o fruto.”

  1. Brown

 

Revolta geral

Empresas de clipping chamam a atenção dos contratantes públicos. Ao entrar em uma licitação, a empresa que oferece o menor preço ganha, apesar de não pagar os direitos autorais aos jornais para poder vender o produto.

 

Desastre

Cada vez mais preocupante o índice de violência nas regiões de assentamentos. Sem políticas de educação, o futuro é certo.

 

Dica

Capitólio, em Minas Gerais, na Serra da Canastra.  Um paraíso. Precisamos explorar o que é nosso. Dica de Christina Guedes.

 

Mistérios

Pensando bem H1N1 e zyka são vírus que alavancaram a venda de álcool gel e de repelentes. Interessante é que do jeito que chegam, somem.

 

Coletivo

É um absurdo o estado dos ônibus em Brasília. Pessoas mal-educadas sujam e a empresa não limpa. Além disso,o barulho continua insuportável. A solução adotada pelos motoristas é o uso de tapa-ouvido, o que é temerário para quem está guiando. O mínimo necessário são respeito e o retorno pelo alto custo da passagem.

 

História de Brasília

Faça você mesmo, dona de casa, a sua lista negra. Pague o que eles cobrarem, desde que a senhora precise. Mas assinale a casa que lhe explorou. Grave, e quando tudo terminar, será sua vez. Denuncie para a nossa redação, somente com suas amigas, e só assim poderá ser moralizado novamente o comércio. (Publicado em 31/8/1961)

Nossa crise é ética

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Praticamente todas as nações, apontadas como modelo a seguido, experimentaram, em algum momento de sua história, períodos de crises intensas. A forma como encararam os desafios, tirando lições para o futuro, é que fez a diferença para cada uma delas. No caso brasileiro, as causas centrais que levaram o país à atual crise residem, não em problemas de ordem estrutural da economia, ou da política, ou coisa semelhante. Na raiz de nosso problema, está escancaradamente à mostra, para todo o mundo ver, a questão da falta de ética de nossas lideranças com os recursos públicos. Quando a questão central deixa de ser fator material, como o baixo crescimento da economia, e passa a ser fator de ordem moral, a resolução do problema, obviamente, adquire caráter inusitado e ainda mais complicado.

Nesse caso, a solução ou remédio para crise, obrigará, necessariamente, ou ao retorno de nossas autoridades aos bancos escolares, ou ao colo dos pais, ou a sessões de orientação psicológicas, ou a agir, como tem sido feito por um dom Quixote solitário, lá do Paraná, que, na sua luta contra os moinhos gigantes da corrupção, vem pouco a pouco mandando para trás das grades parte considerável do atual governo com seus fiéis financiadores.

O que todos os indicadores negativos da economia não apontam é que na raiz de nossas mazelas numéricas estão camuflados dados do caráter e do comportamento humano absolutamente reprováveis. De acordo com o veredito do filósofo de Mondubim, temos raposas tomando conta do galinheiro. São trilhões de reais em impostos anuais entregues nas mãos de um grupo que, poderíamos classificar, eufemisticamente, de mal-intencionado.

Muito mais do que remendos de ordem econômica e política, o país necessita, com urgência de lideranças de ficha limpa, sem processos criminais e sem dívidas com a Justiça. As correções de rumo do Brasil, onde as questões eram objetivas e de cunho material, têm de ser iniciadas pelo básico: por gente decente.

 

A frase que foi pronunciada

“Não há lugar no mundo melhor pra se construir um país, do que aqui, mas o Brasil tem uma classe dominante ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa, que não deixa o país ir pra frente.”

Darcy Ribeiro

 

Novidade

Kátia Campos, diretora-presidente do SLU, informa-nos que está pronto para 2016 o projeto básico com 10 unidades de Pontos de Entrega Voluntária (PEV). Desta vez, com tonéis maiores para receber galhos de árvores, móveis em desuso e materiais de coleta seletiva. Cada unidade custará em média R$ 160 mil.

 

Agora, vai

Atenção brasilienses. A Câmara Legislativa do DF está com canal de comunicação em linha direta. Ao ligar para o 0800-9418787, o cidadão poderá deixar seu recado. A ouvidoria se encarregará de distribuir as reclamações, sugestões e elogios.

 

Novos tempos

Um fenômeno digital está acontecendo longe da observação dos pedagogos e psicólogos. A turminha da Isabela, de 8 anos, queria que os pais chegassem logo à escola para que aquele mesmo grupinho que estava ali pudesse se encontrar pelo facetime, ao chegar em casa.

 

Nova equipe

De olho em possíveis criadouros do mosquito Aedes, os terceirizados da CEB foram capacitados para identificar focos no trajeto até o relógio. Caso haja perigos eminentes na residência, a notificação será feita no sistema da CEB, que encaminhará aos órgãos de vigilância ambiental.

 

Rede Sarah

Tudo facilitado para as mães de bebês com hipótese ou diagnóstico de microcefalia. A Rede Sarah de todo o país começou o atendimento a partir do agendamento pela internet. Toda sorte de estímulos e técnicas desenvolvidas pelos profissionais da rede são esperança para os pais para a reabilitação dos bebês.

 

Ontem e hoje

Na tentativa de convencer a pároca a perdoar e esquecer o que lhe feriu, ela explicou que perdoar era até possível, mas esquecer, nunca. Depois de uma conversa demorada, ela explicou que jamais esqueceria o que aconteceu com sua família no holocausto.

 

História de Brasília

Está havendo exploração no comércio de gêneros em Brasília, e, principalmente, no comércio de frutas. Os preços subiram assustadoramente, em proporções nunca vistas. A carne subiu, igualmente, custando, atualmente, o filé-mignon, 200 cruzeiros.(Publicado em 31/8/1961)

Aonde está a oposição?

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Numa democracia tradicional, a existência de uma ala política da situação, de apoio às teses do governo, é tão importante quanto a existência da oposição. É do embate entre esses grupos que se formam os consensos. Na melhor das hipóteses, a democracia é encontrada no caminho do meio, quando o equilíbrio entre as diversas forças políticas é atingido ou pelo menos buscado sem tréguas.

No caso do Brasil, onde uma miríade de legendas se forma ao sabor das oportunidades de momento e quase sempre com visão bem utilitarista, as dualidades ideológicas são desprezadas como firulas sem importância. Por aqui, criam-se partidos e sindicatos a granel, já que é excelente negócio.

Apoiar o governo, qualquer um, é sempre lucrativo. Sem identidade definida, nossas legendas e nosso sindicatos são, antes de tudo, típica firma de negócios, montada para sorver o dinheiro fácil e abundante do contribuinte. Não é por outra razão que, diante da maior crise de toda a história do Brasil, não se vê qualquer movimentação por parte dessas entidades no sentido de apontar soluções, nem mesmo emergenciais.

O que o público assiste é à choradeira de partidos e centrais sindicais com o esgotamento das fontes de recursos. Com instituições dessa qualidade, não chega a ser surpresa que o país prossiga, pelo terceiro ano consecutivo, em recessão e, pior, sem quaisquer horizontes de melhoria.

Nesse sentido, é mais fácil encontrar o personagem Wally, do inglês Martin Handford, do que a oposição ou críticos credenciados pelo eleitor para acender uma vela e clarear os caminhos. De positivo na crise fica a certeza de que o modelo de presidencialismo de coalizão, adotado até agora, tem servido apenas para abarrotar as cadeias do Paraná, com todos os tipos de aventureiros.

Numa democracia em que o apoio aos projetos de interesse do país fica condicionado ao pagamento de dinheiro ou de cargos, não tem como dar certo, nem hoje, nem nunca. Nossa democracia é arremedo dos modelos vigentes no Ocidente desenvolvido. O que se tem é  pantomima que busca imitar o que é visto lá fora, mas sem conteúdo real. Vivemos, isso sim, uma república do faz de conta — desde o cumprimento da Constituição até o salário dos professores da Pátria Educadora. Absorta na tragédia, a população só desperta e se dá conta do engodo quando vai pagar os impostos ou chega à emergência de um hospital público.

 

A frase que não foi pronunciada

“Os gregos diziam tudo pela metade. O conhece-te a ti mesmo, por isso, é o segredo de sabedoria; mas o desconhece-te a ti mesmo é o segredo da felicidade.”

Heinrich Heine

 

Leitura

Recebi um livro do amigo Adirson Vasconcelos. É sempre um prazer relembrar os bons tempos da capital do Brasil. Poucos têm a autoridade de Adirson para tratar do assunto. Deixo aqui os meus agradecimentos.

 

Abuso de poder

Ação proposta pelo PSDB que pede a cassação da presidente Dilma e a diplomação de Aécio Neves foi estudada pelo juiz Sérgio Moro. Não são indícios. São comprovações de que recursos da Petrobras foram usados como propina para doações eleitorais.

 

Sem soberania

Escândalo prestes a explodir. Depois da Samarco, uma empresa chinesa está de olho na construção da usina de São Luiz do Tapajós. Belo Monte deveria ter, pelo menos, servido de exemplo para os nossos governantes. Licença ambiental que deixa dúvidas, custo estimado em R$ 23 bilhões há muita gente envolvida para proteger as famílias ribeirinhas, que, como em Belo Monte, vão ser esquecidas e ver direito e justiça correndo queda abaixo.

 

História de Brasília

O grande ausente na Câmara dos Deputados, ausente que não faz tanta falta, mas que devia estar no seu posto, tem sido o deputado Bonaparte Maia, do Ceará. Indiferente à hora dramática que vive o país, o representante nordestino dá as costas à realidade nacional, não tendo comparecido, até agora, a nenhuma reunião da Câmara, a não ser de seis em seis meses para não perder o mandato.(Publicado em 31/8/1961)

Petrobras, Petrobras

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Ainda em julho de 2015, na 61ª edição da lista das 500 maiores empresas do mundo preparada pela revista de negócios Fortune, a Petrobras aparecia em 28º lugar, posição semelhante à de 2014. Naquela ocasião, sua receita era de US$ 143,7 bilhões. Já em outro ranking, divulgado pela revista Forbes, também em 2015, a Petrobras despencava 400 posições na relação das 2 mil maiores empresas do planeta. Nessa época, a situação da petroleira no ranking passara da 30ª posição para 416ª colocação. Em janeiro deste ano, segundo a provedora de informações financeiras Economática, a Petrobras, que em 2008 era a segunda maior companhia em valor de mercado, com US$ 309,48 bilhões, caiu para a 249ª posição, chegando a valer US$ 17,834 bilhões. O encolhimento, em valor de mercado, foi de 85,5%, ou R$ 436,6 bilhões. Um dia antes do feriado de carnaval, as ações da empresa chegaram a valer R$ 4,26, menor valor da história.

O petróleo buscado nas camadas do pré-sal, que superam 8 mil metros de profundidade, a partir da lâmina d’água, exige tremendos esforços tecnológicos. Por isso mesmo, os especialistas acreditam que, para tornar economicamente viável a exploração, o preço do barril deveria ser vendido por pelo menos por US$ 40. Hoje a cotação da commodity anda por volta de US$ 27,45 o barril. Com o valor das ações no subsolo, somadas as quedas no preço do petróleo no mercado internacional, com uma dívida de curto prazo (três anos) de R$ 160 bilhões, a Petrobras está no fundo do poço. Talvez perto da camada do pré-sal.

Num mundo globalizado, a situação financeira da empresa é do conhecimento de todos. Por isso mesmo, achar investidores para reerguer a estatal é tarefa das mais urgentes e árduas. Ainda mais quando a Transparência Internacional faz chegar ao conhecimento dos interessados que a Petrobras detém hoje a desonrosa segunda posição como o maior escândalo de corrupção do mundo. A ONG, sediada em Berlim, aponta o que todos os brasileiros sabem: o esquema de corrupção instalado na estatal, pelo partido no poder e desvendado paulatinamente pela Operação Lava-Jato, dizimou a empresa.

Caso seja condenada nos Estados Unidos, onde é investigada por um consórcio de acionistas lesados (class action lawsuit), a petroleira terá ainda que arcar com indenizações que, somadas, podem ultrapassar os US$ 100 bilhões. Na tentativa de amenizar um pouco as agruras da empresa, o governo vem, ao contrário do restante do mundo, cobrando dos consumidores valor bem superior pelos combustíveis. Na outra ponta, a empresa anunciou a venda desesperada de parte significativa de seus ativos num momento em que os rendimentos estão ruins para esse tipo de negócio.

E assim a Petrobras, outrora nosso maior orgulho, depois de usada pelos autoproclamados estatistas e nacionalistas, foi usada e abusada, servindo de valhacouto para um partido que se lambuzou como pôde, inclusive lavando dinheiro desviado de propina da estatal para financiar a legenda e seus acólitos.

 

A frase que foi pronunciada

“A única maneira de fazer excelente trabalho é amar o que você faz.” Steve Jobs

 

Difícil

Atenção,  sr. administrador Paulo Henrique Ramos Feitosa. Automóveis são prioridade no Setor Sudoeste. Os comerciantes estão destruindo as calçadas enquanto os pedestres perdem espaço. Por enquanto a administração do local não tem evitado nem coibido essa prática.

 

Agenda

Bom seria se o secretário de Cultura Guilherme Reis colocasse a equipe em campo para avaliar o acervo dos museus e bibliotecas públicas. Brasília tem grande potencial artístico e literário que precisa ser divulgado.

 

SLU

É importante que a Engenheira Heliana Kátia Tavares Campos faça uma visita em diferentes pontos da cidade para conhecer o outro lado da moeda. É que muitos cidadãos teimam em jogar lixo fora do local apropriado. Mas, se o assunto for visto mais de perto, há como constatar que não há coletas constantes em caminhões que levem sofás, fogões, geladeiras.

 

História de Brasília

O dr. Israel Pinheiro estava assistindo à sessão do Congresso, em pé, no Plenário. A certa altura, cansou-se, procurou uma cadeira, não encontrou, sentou mesmo na cadeira de deputado, com aspecto de quem matava saudade. (Publicado em 31/8/1961)