Isaac Newton e a política nacional

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Na ausência de uma força, um objeto continua a deslocar-se em movimento retilíneo e com velocidade constante. O enunciado, conhecido como Lei da Inércia, foi formulado pelo Sir Isaac Newton ainda no século 17 e explica, por exemplo, o que acontece quando alguém, dirigindo um carro em determinada velocidade, subitamente, por qualquer razão. Nesse caso, a tendência do corpo é prosseguir seguindo na mesma velocidade original. Para isso é que foram inventados os cintos de segurança.

Outra descoberta de Newton é que quanto maior a massa de um corpo, maior será a tendência para manter a sua velocidade. Aplicando os antigos ensinamentos do pai da física moderna à atualidade política brasileira, podemos inferir que diversas hipóteses sobre os desdobramentos da crise, cujo processo de impeachment, a ser instalado, parece ser o ápice de um movimento que teve início em janeiro deste ano.

A hipertrofia do Executivo, levada aos píncaros na atual gestão, por conta do chamado presidencialismo de coalizão ou cooptação, em que esse poder passa a engolir o Legislativo com mensalões e outros expedientes, como troca de favores ou propinas, explica, em parte, o fato de a presidente Dilma vir despencando vertiginosamente, como elefante atirado do alto da torre.

Os mais experientes do PMDB sabem e têm aconselhado ao vice, Michel Temer, a seguir em repouso, sem dar mais declarações, fingindo-se de morto. Nesse ponto, todos já se asseguraram de que o elefante foi lançado. A inércia dos fatos políticos, pelo aprofundamento da crise econômica e ética, pela ação da Polícia Federal, pela movimentação das ruas e por vários outros motivos, cuidará para que o elefante, a essa altura, já em pleno voo, vá ao encontro do chão inexoravelmente.

Os possíveis atritos para frear a velocidade do paquiderme que cai, como ensaiado por Fachin, no STF, ao suspender a instalação da comissão do impeachment, propondo novo rito, resultarão em força nula ou de resultado zero, se forem somados a enorme massa desse jumbo e a velocidade com que despenca.

Formação e formatura

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Atenção amigos de Paulo Rodrigues Esteves. Amanhã, a partir das 19h, no Dom Durica, o professor de matemática da UnB, cantor do Coro Sinfônico, atleta do Lago Norte, entre várias outras habilidades, convida a todos para o lançamento do livro Formação e formatura. Quem conviveu com ele pode ter uma surpresa. No fim do convite, o autor insinua: “Venha conferir, talvez você seja uma personagem!”

Novidade

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Um fenômeno tem acontecido na educação brasileira. Crianças de altas habilidades cresceram. No Rio, a coordenadora pedagógica do Instituto Rogério Steinberg, voltado para educação de superdotados de baixa renda, explica que a identificação dessa categoria de alunos tem sido feita graças à capacitação dos professores. No censo escolar do ano passado, 13.308 alunos superdotados foram identificados pelo MEC.

Medula

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Foi incisiva a OAB contra a decisão do governo sobre a necessidade de autorização prévia do Ministério da Saúde para campanhas de doação de medula óssea. Na página da OAB-DF, a informação é explicativa: “Trata-se de uma situação que não apenas é absolutamente discriminatória e cruel, mas também ilegal e inconstitucional, a qual não pode continuar a existir em nosso Estado democrático de direito”.

Conjunturas na lente

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Diz o filósofo de Mondubim que quando a miséria entra pela porta, a vergonha sai pela janela. Durante o período da grande depressão de 1929, a lei da selva retornou às principais metrópoles do planeta. Principalmente naquelas em que a crença nos valores da civilização era mais aceita e difundida. Prostituição, contrabando, assaltos, falsificações e contravenções, entre outras, aumentaram assustadoramente. A miséria e a falta de perspectivas empurraram muitas pessoas e até famílias inteiras para o mundo do crime. Nunca se jogou e bebeu tanto como naquele período. As organizações do crime se fortaleceram e, com elas, aumentaram também os casos de corrupção nos serviços públicos. Nem instituições, como a polícia, e os políticos foram excluídos.

Por baixo da miséria material, fermentou-se o caldo da miséria moral. Juntas, essas mazelas. galgariam altos postos no comando das cidades. Poucas instituições ficaram totalmente a salvo da degradação geral. Numa análise mais detida, é possível constatar que a abdução da classe política, feita pelo submundo do crime, resultou num agravamento sem precedentes desse quadro e, na visão da época, tornou ainda mais difícil a solução para o caos instalado. Quando polícia e políticos começam a aparecer juntos na mesma manchete do noticiário, é sinal de que o Estado está em vias de ser dominado pela bandidagem.

Crises são as piores conselheiras. Na maioria das vezes, a saída rápida para um problema estrutural e complexo nunca é simples e quase nunca se resolve pulando a janela para fugir. Na crise atual em que está mergulhado o país, para muitos a maior desde sempre, não há nas soluções fáceis um remédio eficaz. Não será com arrochos improvisados nos impostos e outras maquinarias que a crise arrefecerá. Muito menos com a liberação dos jogos de azar e dos cassinos e bingos.

Na verdade, a exploração desses negócios, muitas vezes, é feita por pessoas com sérias dívidas com a Justiça e com longas fichas criminais. Usar a ideia de taxação sobre os jogos como estratégia para aumentar as receitas da União equivale a negociar a alma da nação, fazendo empréstimos junto à bandidagem, usando como garantia o bom nome dos cidadãos. Para um Estado onde a segurança pública não controla nem os chefões do crime confinados nas penitenciárias de segurança máxima, controlar os tentáculos da jogatina e seu enorme poder de influência parece até ficção do tipo realismo fantástico.