Por certo, de todos os efeitos deletérios à saúde física e mental dos indivíduos, trazidos pela pandemia, nenhum outro é mais nocivo ao corpo e à mente do que o isolamento social, imposto pelas autoridades de governo, principalmente nos centros urbanos, onde o processo de interação entre as pessoas é fator fundamental para a existência da própria cidade.
A questão contraditória está em como fazer para que as cidades funcionem sem o protagonismo daqueles que são os responsáveis diretos por seu dinamismo. De fato, não é possível a movimentação de toda a engrenagem de uma cidade, sem suas peças principais, representadas pelas pessoas e, não o mínimo de racionalidade em ter toda uma infraestrutura e mecânica de uma cidade, sem aqueles a quem se destina todo esse esforço. Pelo jeito, estamos na trilha certa, para tornamos nossas cidades em lugares fantasmas, tomadas pelo pó denso da decadência, num processo que, depois de iniciado, será difícil deter. Ao contrário do que muitos imaginam, as cidades não adormecem, não fecham para balanço e não tiram férias. Para as cidades não vale a célebre expressão “eppur si muove” , provavelmente dita em 1633 por Galilei Galilei, perante o tribunal da Inquisição. Já o mecanismo urbano é operado diuturnamente pelo gênero humano. A autonomia dada aos habitantes dos centros urbanos, não vale em relação às cidades.
Dito isso, fica mais fácil entender que o próprio futuro de nossas cidades e de toda a vida social, é dependente direto e perpétuo do lento processo de formação acadêmica de seus habitantes. Em outras palavras, é preciso formar, sempre e cada vez mais, pessoas aptas a conduzir as cidades, sob pena de termos que abandoná-las, ameaçados pelo eventual caos, que representaria para todos nós, deixá-las administradas por mãos inabilitadas.
Nesse ponto é preciso entender que a pandemia, muito antes de representar um fator de perigo para cada um de nós, representa uma ameaça ainda maior para nosso habitat, tornando, inclusive, nossos centros urbanos em uma ameaça à nossa integridade.
As contradições, em tempos de pandemia, se acumulam. Não há como ficar na pretensa segurança do lar, deixando à cidade entregue as forças naturais da inércia. Tão ou mais importante que não deixar as engrenagens das cidades pararem, colocando a mão na massa, como fazem, por exemplo, médicos, trabalhadores da limpeza, da segurança e outros, é manter, de forma ininterrupta, sobretudo os mais jovens, nas escolas, em salas de aula, num intenso trabalho de preparação intelectual para uma futura substituição dos mais velhos no controle de nossa vida coletiva e urbana.
Salvar as cidades da pandemia, é salvar seus habitantes. A possibilidade de uma nova onda, que se anuncia com essa nova variante do corona vírus, denominada de Ônicrom, quando ainda muitas de nossas cidades nem tiveram tempo de se recuperar de um primeiro surto, deixa ainda mais incertezas e aponta para a necessidade de manutenção redobrada de nossas cidades.
É sabido, por muitos povos, que a cidade é a extensão natural de nossas casas. Portanto está dentro dos limites do que seria o nosso território de vivência. Fechar as cidades, deixando-a entregues à própria sorte, como tem acontecido em outras partes do país e do mundo, é apostar na nossa ruína.
Por isso, preservar os mais jovens significa, antes de tudo, dar-lhes os instrumentos necessários, através do ensino continuado, para que possam mais do que sobreviver, encontrar a plenitude da vida em ambientes saudáveis e seguros. Somente a escola e o ensino de qualidade podem garantir, nesse momento de expectativas e receios, um porto seguro para as futuras gerações. É no ambiente escolar que estão não só todas as respostas para a superação desse momento de aflição, como para continuidade de nossas cidades e o prosseguimento de nossa própria espécie.
A frase que foi pronunciada:
“Duas pessoas encurtam a estrada.”
Ditado irlandês
Muito estranho
Desde que criaram a faixa central no Eixão, sabe-se que serve para emergências. Ter uma carreta autorizada pelo Detran para emitir frases e se postar na faixa de emergência é uma cena inacreditável. Típico de quem não conhece a cidade.
Observatório
Devair Sebastião Nunes, analista de Tecnologia da Informação do Prodasen, foi o responsável por elaborar o material do lançamento do Observatório de Equidade no Legislativo. Com dados em mãos, ele afirmou que “perto dos homens brancos, uma mulher negra terá muito mais dificuldades para obter uma cadeira no parlamento.” Parece que há problemas com o gênero. Competente como é, a senadora Simone Tebet que o diga. É um sim e dois nãos.
Acesso
Por falar em Observatório da Equidade, os méritos vão para a diretora geral do Senado, Ilana Trombka que trabalha com o tema desde 2015, e agora consolida essa política organizacional que poderá ser consultada pela população brasileira na página do Senado Federal.
História de Brasília
“O presidente João Goulart mandou dar cinco parcelas do dinheiro que está sendo gasto com alguma coisa ou com tudo, menos com as obras. (Publicada em 15/02/1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Foto: Kay/Unsplash
Não se enganem: nenhum cidadão brasileiro de bem preocupado com o futuro do país e com as novas gerações apoia a liberação dos jogos de azar e a volta dos cassinos ao Brasil. A regulamentação dos cassinos, dos caça-níqueis, dos bingos e mesmo o jogo do bicho, ativamente tramado dentro do Congresso Nacional por grupos de parlamentares que enxergam benefícios nessas contravenções, interessa, sobremaneira, a contabilidade e a receita de diversas organizações criminosas, que terão nessa atividade um alvará e uma licença para a lavagem de dinheiro sem maiores esforços, sem medo da polícia e da Receita Federal.
A liberação dos jogos e a volta dos cassinos não interessam ao professor, ao médico, ao pesquisador, ao trabalhador braçal, ao motorista, ao balconista e uma infinidade de outros profissionais sérios que labutam arduamente no dia a dia para garantir sustento e segurança alimentar a sua família. Essa é uma proposta que interessa apenas àqueles que lucrarão com a miséria alheia.
Na mecânica de corporações como os cassinos, para cada sortudo que sai no lucro, corresponde a outros mil que sofreram prejuízos e perdas. Não há mágicas. Tudo é montado para ludibriar o jogador e a fiscalização, quando existe. Eis aqui um típico projeto que agradará às máfias dos caças-níqueis, aos contraventores, aos contrabandistas, aos corruptos, que podem usar a jogatina para justificar desvios de recursos públicos, aos traficantes e a toda uma cadeia de criminosos, para quem os cassinos representam uma bênção e uma liberdade para delinquir.
Num momento em que o Brasil vive uma de suas maiores crises humanitárias, com centenas de milhares de mortos, desemprego, inflação, insegurança, crise hídrica histórica e uma das piores imagens no exterior, nossos representantes ainda encontram tempo, disposição e indiferença com o que acontece a sua volta e se debruçam em propostas que, mais uma vez, poderão beneficiá-los, em detrimento da nação.
Estivéssemos em um país sério, os representantes da população estariam cuidando de aprovar as reformas políticas, fiscais e tributárias que a população aguarda. Estariam resolvendo questões como a prisão em segunda instância e não tirando poder do MP. O fim do foro privilegiado, como luta o Podemos. Estariam preocupados com os gastos públicos, com as emendas individuais, de bancada e de relatores, que são inócuas e um acinte para os cidadãos.
Essa história, como dizia o filósofo de Mondubim, é “conversa para levar gato para nadar”. Dizer que a liberação dos jogos e dos cassinos gerará empregos e renda para os estados e que só existirão em resort, é uma falácia. Os próprios auditores fiscais, que conhecem a dificuldade que existe para cobrar dívidas dos caloteiros profissionais, sabem muito bem que os efeitos negativos que virão com essas liberações superam infinitamente quaisquer possíveis ganhos econômicos.
Atividades paralelas à jogatina, como o tráfico de drogas, a corrupção, a prostituição, a lavagem de dinheiro e outros crimes, ganham mais espaço e mais poder de atuação à sombra dos cassinos e em torno das mesas de bacará. O que está sendo arquitetado na surdina, dentro do Legislativo e a toque de caixa, é a derrota das leis, do combate ao crime e a ascensão e o fortalecimento do crime organizado e de seus padrinhos do colarinho engomado.
A frase que foi pronunciada:
“Jogos de azar. A maneira segura de conseguir algo por nada. ”
Wilson Mizner, dramaturgo
Wilson Mizner. Foto: amazon.com
Câmara
Deve ser votado no plenário do Senado importante projeto aprovado pela Câmara dos Deputados sobre a semana de conscientização sobre o TDAH. Trata-se do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, que merece atenção, principalmente, dos pais e mestres. Muitos lidam com crianças com TDAH sem conhecer o diagnóstico.
Foto: colegiodosjesuitas.com
Livros
Duas ótimas notícias. Aberta, a Biblioteca Nacional está com a frequência cada vez maior. Com livros, internet e salas de estudo à disposição dos interessados. Os 1.500 livros doados pelo Boulevard Shopping para crianças carentes estão sendo devorados pela criançada. Sem oportunidade de manusear livros, as crianças agraciadas com a doação estão descobrindo um mundo novo.
Foto: agenciabrasilia.df.gov
Filósofo
Muito interessante o registro de Ari Cunha na história de Brasília, que pode ser lida abaixo. Ele sugere a numeração das áreas da cidade, exatamente como são hoje. Essa é a nossa responsabilidade. Ter cuidado com a capital, desde o primeiro dia de vida.
História de Brasília
Assim, as quadras da W-3 teriam a numeração das superquadras, correspondentes em centenas. Seria assim: superquadra 105, superquadra 305, na W-1 e Quadra 505 e 705, na W-3. (Publicada em 10/02/1962)
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Foto: AFP / EVARISTO SA e AFP / Fabrice COFFRINI
Imensas são as responsabilidades, principalmente os deveres, daqueles, que em função do cargo de representação, dado pelo voto popular, são alçados à condição de chefe da nação. Não é por outra razão que os presidentes da República, no caso do Brasil, concentram grande soma de poder. Infelizmente, não são poucos, em nosso país, aqueles que, uma vez atingida essa condição extraordinária, veem-se muito aquém dessa missão, transformando-se, depois de empossados, em verdadeiros anões políticos, reféns das circunstâncias ou totalmente entregues às forças que os circundam.
Não é um cargo para muitos e, talvez, por isso mesmo, muitos têm fracassado, levando todo o país de roldão para crises que parecem se perpetuar no tempo. A história política de nosso presidencialismo, desde sua implantação à força em 1889, apresenta uma tal sequência ininterrupta de crises que não seria exagero dizer que esse sistema de governo ainda não disse a que veio, nem conseguiu acertar as contas com o passado, quando expulsou, de forma violenta, a família real do país.
A razão para essas crises contínuas reside, como é do conhecimento de muitos, na falta de preparo dos postulantes para exercer cargo tão instável e delicado. A vantagem da monarquia, se é que isso é possível, diante da mediocridade de figuras que desfilaram como presidentes da República, é que, naquele regime, o futuro indicado por laços consanguíneos recebia uma longa e detalhada preparação prévia antes de assumir como soberano.
A verdade é que temos experimentado, em mais de um século, uma sequência enorme e penosa de presidentes da República totalmente despreparados para a função e seguimos nessa toada, onde a única exigência ou pré-condição para atingirem esse posto é dada pelo instrumento do voto. O mesmo acontece para outros cargos no Executivo, no Legislativo e, em certos casos, para a mais alta corte de justiça do país. No lugar dos mais bem preparados, temos os mais espertos. Convenhamos que isso não é um critério que vá levar, ao poder, os cidadãos mais bem preparados e aptos a exercê-lo.
Para um alienígena que por aqui aportasse, soaria estranhíssimo termos exigências curriculares para varredores de rua e não termos as mesmas cobranças para aqueles que ocuparão o comando da nação. A coisa fica ainda mais absurda quando verificamos que estamos nos aproximando de 2022, quando, mais uma vez, teremos que escolher entre dois possíveis candidatos já demasiadamente conhecidos, testados e reprovados por suas performances.
Não há aqui necessidade de termos uma bola de cristal para sabermos que estamos diante de uma nova crise que virá, caso qualquer um desses dois nomes que aí estão em destaque nas pesquisas assumam, de novo, a presidência da República. São as imperfeições inerentes ao regime democrático, diriam uns. Dirão outros que essas são, na verdade, as imperfeições graves de um sistema eleitoral no qual o eleitor é apenas um detalhe incômodo e indispensável para o dia da votação e, depois disso, é deixado de lado e esquecido.
O fato de estarmos em meio à mais uma crise, agravada agora por uma pandemia devastadora, não nos impede, em momento algum, de estarmos preparando o próximo pleito de 22, apenas para darmos continuidade às nossas tribulações infindas. Seria própria da democracia também essa espécie de masoquismo político, que faz com que os cidadãos permaneçam atados a um sistema que parece render apenas crises cíclicas?
A frase que foi pronunciada:
“A vontade é a única coisa do mundo que quando esvazia tem que levar uma alfinetada.”
Mafalda
Ilutração: Quino
Sonho
Tomara que a equipe do governador Ibaneis não apenas continue com as obras de melhoramento da W3 Sul, mas estenda essa sua iniciativa também para a W3 Norte, visando, quem sabe, num futuro não muito distante, integrar, para os pedestres, essas duas importantes vias comerciais da capital, formando uma só avenida, iluminada, limpa e atrativa para os empresários, turistas e para a população.
Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília
Concreto
Caso o atual governador consiga, o que tem parecido impossível até aqui, que é a revitalização desse importante eixo, esquecido e abandonado no tempo, essas obras representarão um marco do seu governo, capaz de gerar um novo e amplo fluxo econômico da cidade, castigada por uma pandemia prolongada e impiedosa.
Foto: mobilize.org.br
História de Brasília
Está trabalhando ativamente a Associação Profissional dos Jornalistas do Distrito Federal, para que sejam financiados os carros dos seus associados. Os primeiros entendimentos com o cel. Jofre, informa a secretaria da Associação, foram realizados com bastante êxito. (Publicada em 08/02/1962).
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Incêndio na Cinemateca Brasileira. Foto: REUTERS
Ao longo dos últimos 5 mil anos, desde que surgiram as primeiras civilizações conhecidas no vale dos rios Tigre e Eufrates, na chamada Mesopotâmia, a memória cultural, legada a outros povos, tem sido o fator preponderante para o lento e progressivo desenvolvimento da humanidade. Sem essa herança, por certo, estaríamos ainda praticando a caça e a coleta de alimentos e nos abrigando em cavernas naturais.
Há aqueles que ainda acreditam que, sem a transmissão desses conhecimentos técnicos e culturais, feitos por nossos ancestrais, a raça humana poderia até ter desaparecido da face da Terra, tal é a importância desse processo para a sobrevivência de nossa espécie. Desde cedo também, muitos povos aprenderam que a melhor tática para dominar uma nação eleita como inimiga era destruir, primeiro, seus traços culturais, tornando-os sem identidade histórica e, portanto, esvaziados de alma e à mercê dos conquistadores e de seus costumes.
A destruição da Biblioteca de Alexandria em, aproximadamente, 48 a.C, consumida por um gigantesco incêndio durante a guerra civil romana, constitui-se, por suas características simbólicas, um marco e um exemplo histórico que dá início a essa estratégia de guerra que visa conquistar outros povos pela destruição de suas bases culturais, varrendo do mapa quaisquer traços que possam ligá-los ao passado e a suas memórias.
A lista de ataques a nichos culturais, onde uma variedade de povos, ao longo dos séculos, armazenavam seus conhecimentos técnicos e culturais, sobretudo com o avanço da escrita, é extensa e tem contribuído, a seu modo, para apagar e tornar tênues muitos conhecimentos, pesquisas e textos que seriam de enorme importância para todos e, quiçá, para um melhor conhecimento de nosso mundo atual. De lá para cá, a estratégia de destruir a cultura daqueles que são alvo de dominação nunca deixou de existir, e por um motivo simples: trata-se de um método de grande eficácia e que rende resultados aos conquistadores.
Do processo de aculturação, quando a cultura de um povo é modificada pela aproximação de outra mais forte, até o chamado etnocídio ou genocídio cultural, quando a destruição de qualquer traço remanescente de cultura passa a ser o método empregado em larga escala. Ao longo do tempo, essa tem sido a medida empregada pelos tiranos em toda parte e lugar. O Brasil, por se estabelecer, desde o século 16, como o país, por excelência, onde três culturas, de três continentes distintos, vieram a se amalgamar para o surgimento do que seria uma nova civilização, é um bom exemplo desse processo que vai da aculturação ao etnocídio.
Embora a expressão etnocídio seja recente, surgida por volta de 1943, o processo de aniquilamento de outra cultura tem sido usado com muita frequência, à luz do dia e bem debaixo dos olhos de todos. Não se enganem, até mesmo o desleixo proposital das autoridades públicas, a quem é atribuída, inclusive, a obrigação de cuidar dos diversos centros culturais, pode, muito bem, ser enquadrado como crime.
Só que estamos no Brasil, um país surreal, onde o que menos as autoridades possuem são responsabilidades com o patrimônio público, ainda mais quando esse patrimônio é formado pela memória cultural. Em país algum desenvolvido, a sequência quase ininterrupta de sinistros de toda a ordem que vêm consumindo nosso patrimônio artístico e cultural seria aceita como normal e sem a punição exemplar dos responsáveis, diretos e indiretos. Há muito, sabe-se que um povo sem cultura é um povo sem um futuro decente pela frente. A não ser que esse futuro seja formado por escombros e cinzas do passado.
Quando, na noite de 10 de maio de 1933, os nazistas e seus simpatizantes promoveram uma grande queima de livros em diversas praças públicas espalhadas por várias cidades alemãs, simultaneamente, sabiam muito bem o que estavam fazendo e com que propósito final. Essa limpeza dos bancos de memória, por meio da destruição da literatura, incitada até pelos diretórios acadêmicos de estudantes, visavam a “purificação radical” do espírito, libertando-os da alienação.
Onde se queimam os livros e a cultura, de certo, são queimados, também, os homens, sobretudo os livres, diria o filósofo de Mondubim. Quando se verifica entre nós a quantidade de prédios históricos que abrigavam inestimáveis tesouros de nossa cultura e que foram totalmente consumidos pelo fogo e pelo descaso, dá para pensar que alguma força maligna possa estar por detrás dessas tragédias.
A lista é imensa e vergonhosa. Do Museu Nacional, na zona Norte do Rio de Janeiro, que veio abaixo com mais de 20 milhões de itens da nossa história, passando pelo Teatro de Cultura Artística de São Paulo, pelo Instituto Butantan, pelo Memorial da América Latina, pelo Museu de Ciências Naturais da PUC de Minas Gerais, pelo Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios, pelo Museu da Língua Portuguesa, pela Cinemateca Brasileira em 2016 e, agora, em 2021, depois de sofrer com alagamentos severos. Tudo compõe essa triste relação do descaso e da desmemória.
Pior é que, para todos esses acontecimentos trágicos aos brasileiros, não se ouviu nem uma palavra ou explicação plausível. A esses destroços se juntam as dezenas de galerias de arte, de teatros e de outros espaços públicos de cultura, fechados e abandonados. Todo esse acervo e os edifícios tornados sucatas formam o retrato acabado de uma nação cujos governantes, na melhor das hipóteses, não ligam para aspectos da cultura — isso quando não tramam para simplesmente destruí-la sob os mais inconfessáveis pretextos.
A frase que foi pronunciada
“A imprensa livre é o olhar onipotente do povo, a confiança personalizada do povo nele mesmo, o vínculo articulado que une o indivíduo ao Estado e ao mundo, a cultura incorporada que transforma lutas materiais em lutas intelectuais e idealiza suas formas brutas.”
Karl Marx
Retrato de Karl Marx (1818–1883). Foto: John Jabez Edwin Mayall – Instituto Internacional de História Social.
Memória
Muito bem lembrada, por João Vicente Costa, a história de Brasília sobre o Sr. Jerônimo e D.ª Victória Abbadia Bezerra e Silva (viveu até os 102 anos), que vieram para Brasília em 1956 e ajudaram, com muito trabalho, a construir Brasília. Eram um dos primeiros moradores de onde seria a capital do país. Donos legítimos de muitos hectares. Que fique o registro desse casal que abraçou a nova capital com entusiasmo.
Bomba
Publicada no jornal da universidade de Berkeley, na California, entrevista com Joel Moskowitz, que é pesquisador da Escola de Saúde Pública e diretor do Centro de Saúde Familiar e Comunitária da UC Berkeley. O professor aponta os perigos da radiação dos aparelhos de celular e o efeito que o uso prolongado pode causar às células humanas. Veja o texto em português a seguir.
–> Moskowitz: A radiação do celular é prejudicial, mas poucos querem acreditar
Por Anne Brice , Berkeley News | 1 ° DE JULHO DE 2021
A grande maioria dos adultos americanos – 97% – possui algum tipo de celular, de acordo com o Pew Research Center . (Foto de Susanne Nilsson via Flickr)
Por mais de uma década, Joel Moskowitz , pesquisador da Escola de Saúde Pública da UC Berkeley e diretor do Centro de Saúde Familiar e Comunitária de Berkeley, tem procurado provar que a radiação de telefones celulares não é segura. Mas, disse ele, a maioria das pessoas não quer ouvir.
“As pessoas são viciadas em smartphones”, disse Moskowitz. “Nós os usamos para tudo agora e, de muitas maneiras, precisamos que funcionem em nosso dia a dia. Acho que a ideia de que eles estão potencialmente prejudicando nossa saúde é demais para algumas pessoas. ”
Desde que os telefones celulares chegaram ao mercado em 1983, eles passaram de dispositivos desajeitados com má recepção para smartphones multifuncionais elegantes de hoje. E embora os telefones celulares sejam usados por quase todos os adultos americanos , pesquisas consideráveis sugerem que o uso a longo prazo apresenta riscos à saúde por causa da radiação que emitem, disse Moskowitz.
Joel Moskowitz é pesquisador da Escola de Saúde Pública e diretor do Centro de Saúde Familiar e Comunitária da UC Berkeley. (Foto da Escola de Saúde Pública)
“Celulares, torres de celular e outros dispositivos sem fio são regulamentados pela maioria dos governos”, disse Moskowitz. “Nosso governo, no entanto, parou de financiar pesquisas sobre os efeitos da radiação de radiofrequência na saúde na década de 1990”.
Desde então, ele disse, a pesquisa mostrou efeitos biológicos e de saúde adversos significativos – incluindo câncer no cérebro – associados ao uso de telefones celulares e outros dispositivos sem fio. E agora, disse ele, com a quinta geração da tecnologia celular, conhecida como 5G, há um motivo ainda maior para preocupação .
O Berkeley News conversou com Moskowitz sobre os riscos à saúde da radiação de celulares, por que o assunto é tão polêmico e o que podemos esperar com o lançamento do 5G.
Berkeley News: Acho que devemos abordar o quanto essa pesquisa é controversa. Alguns cientistas afirmam que essas descobertas são infundadas e que não há evidências suficientes de que a radiação do celular seja prejudicial à saúde. Como você responde a isso?
Joel Moskowitz: Bem, em primeiro lugar, poucos cientistas neste país podem falar com conhecimento de causa sobre os efeitos da tecnologia sem fio na saúde. Portanto, não estou surpreso que as pessoas sejam céticas, mas isso não significa que as descobertas não sejam válidas.
Um grande motivo pelo qual não há mais pesquisas sobre os riscos à saúde da exposição à radiação de radiofrequência é porque o governo dos EUA parou de financiar essa pesquisa na década de 1990, com exceção de um estudo de roedores de $ 30 milhões publicado em 2018 pelo National Institute of Environmental Health Sciences ‘Programa Nacional de Toxicologia, que encontrou “evidências claras” de carcinogenicidade da radiação do celular.
Em 1996, a Federal Communications Commission, ou FCC, adotou diretrizes de exposição que limitavam a intensidade da exposição à radiação de radiofrequência. Essas diretrizes foram elaboradas para evitar o aquecimento significativo do tecido devido à exposição de curto prazo à radiação de radiofrequência, não para nos proteger dos efeitos da exposição de longo prazo a baixos níveis de radiação de radiofrequência modulada ou pulsada, que é produzida por telefones celulares, sem fio telefones e outros dispositivos sem fio, incluindo Wi-Fi. No entanto, a preponderância de pesquisas publicadas desde 1990 encontra efeitos adversos biológicos e para a saúde da exposição de longo prazo à radiação de radiofrequência, incluindo danos ao DNA.
Mais de 250 cientistas, que publicaram mais de 2.000 artigos e cartas em periódicos profissionais sobre os efeitos biológicos e à saúde de campos eletromagnéticos não ionizantes produzidos por dispositivos sem fio, incluindo telefones celulares, assinaram o International EMF Scientist Appeal , que pede advertências e limites de exposição mais fortes. Portanto, há muitos cientistas que concordam que essa radiação é prejudicial à nossa saúde.
Ouvi você falar pela primeira vez sobre os riscos à saúde da radiação de telefones celulares em Berkeley em 2019, mas você tem feito essa pesquisa desde 2009. O que o levou a fazer essa pesquisa?
Eu entrei neste campo por acidente, na verdade. Durante os últimos 40 anos, a maior parte da minha pesquisa se concentrou na prevenção de doenças relacionadas ao tabaco. Eu comecei a me interessar pela radiação de telefones celulares em 2008, quando o Dr. Seung-Kwon Myung, um médico cientista do National Cancer Center da Coreia do Sul, veio passar um ano no Center for Family and Community Health. Ele estava envolvido em nossos projetos de cessação do tabagismo e trabalhamos com ele e seus colegas em duas revisões da literatura, uma das quais abordou o risco de tumor pelo uso de telefones celulares.
Naquela época, eu não acreditava que a radiação do celular pudesse ser prejudicial. Porém, por ter dúvidas de que a radiação do celular pudesse causar câncer, mergulhei na literatura a respeito dos efeitos biológicos da radiação de micro-ondas de baixa intensidade, emitida por celulares e outros dispositivos sem fio.
Depois de ler muitos estudos de toxicologia animal que descobriram que essa radiação poderia aumentar o estresse oxidativo – radicais livres, proteínas do estresse e danos ao DNA – fiquei cada vez mais convencido de que o que estávamos observando em nossa revisão de estudos em humanos era de fato um risco real.
Enquanto Myung e seus colegas estavam visitando o Center for Family and Community Health, você revisou estudos de caso-controle que examinaram a associação entre o uso de telefone celular e o risco de tumor. O que você achou?
Nossa revisão de 2009 , publicada no Journal of Clinical Oncology , descobriu que o uso pesado de telefones celulares estava associado ao aumento da incidência de câncer no cérebro, especialmente em estudos que usaram métodos de maior qualidade e estudos que não tiveram financiamento da indústria de telecomunicações.
No ano passado, atualizamos nossa revisão , publicada no Jornal Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública , com base em uma meta-análise de 46 estudos de caso-controle – o dobro de estudos que usamos em nossa revisão de 2009 – e obtivemos resultados semelhantes. Nossa principal conclusão da revisão atual é que aproximadamente 1.000 horas de uso vitalício do celular, ou cerca de 17 minutos por dia em um período de 10 anos, está associado a um aumento estatisticamente significativo de 60% no câncer cerebral.
Por que o governo parou de financiar esse tipo de pesquisa?
O setor de telecomunicações tem o controle quase total da FCC, de acordo com a Captured Agency , uma monografia escrita pelo jornalista Norm Alster durante sua bolsa de 2014-15 no Centro de Ética da Universidade de Harvard. Há uma porta giratória entre a filiação à FCC e pessoas de alto nível na indústria de telecomunicações que já dura algumas décadas.
A indústria gasta cerca de US $ 100 milhões por ano fazendo lobby no Congresso. A CTIA , que é o maior grupo de lobby de telecomunicações, gasta US $ 12,5 milhões por ano com 70 lobistas. De acordo com um de seus porta-vozes, os lobistas se reúnem cerca de 500 vezes por ano com a FCC para fazer lobby em várias questões. A indústria como um todo gasta US $ 132 milhões por ano em lobby e fornece US $ 18 milhões em contribuições políticas para membros do Congresso e outros no nível federal.
A influência da indústria de telecomunicações sobre a FCC, como você descreve, me lembra da indústria do tabaco e do poder da publicidade que ela tinha ao minimizar os riscos de fumar.
Sim, existem fortes paralelos entre o que a indústria de telecomunicações fez e o que a indústria do tabaco fez, em termos de marketing e controle de mensagens para o público. Na década de 1940, as empresas de tabaco contrataram médicos e dentistas para endossar seus produtos a fim de reduzir as preocupações de saúde pública sobre os riscos do fumo. O CTIA atualmente usa um físico nuclear da academia para garantir aos formuladores de políticas que a radiação de microondas é segura. A indústria de telecomunicações não apenas usa o manual da indústria do tabaco, mas é mais econômica e politicamente poderosa do que as Big Tobacco jamais foram. Este ano, a indústria de telecomunicações gastará mais de US $ 18 bilhões em publicidade de tecnologia celular em todo o mundo.
Você mencionou que os telefones celulares e outros dispositivos sem fio usam radiação de radiofrequência modulada ou pulsada. Você pode explicar como os telefones celulares e outros dispositivos sem fio funcionam e como a radiação que eles emitem é diferente da radiação de outros eletrodomésticos, como um microondas?
Basicamente, quando você faz uma chamada, você tem um rádio e um transmissor. Ele transmite um sinal para a torre de celular mais próxima. Cada torre de celular possui uma célula geográfica, por assim dizer, na qual pode se comunicar com telefones celulares dentro daquela região geográfica ou celular.
Em seguida, essa torre de celular se comunica com uma estação de comutação, que então procura para quem você está tentando ligar e se conecta por meio de um cabo de cobre ou fibra óptica ou, em muitos casos, uma conexão sem fio por radiação de microondas com o ponto de acesso sem fio . Então, esse ponto de acesso se comunica diretamente por meio de fios de cobre por meio de um telefone fixo ou, se você estiver ligando para outro celular, enviará um sinal para uma torre de celular dentro da célula do receptor e assim por diante.
A diferença é o tipo de radiação de microondas que cada dispositivo emite. No que diz respeito aos telefones celulares e Wi-Fi e Bluetooth, existe um componente de coleta de informações. As ondas são moduladas e pulsadas de uma maneira muito diferente do seu forno de micro-ondas.
Quais são, especificamente, alguns dos efeitos à saúde associados à exposição de longo prazo à radiação de radiofrequência modulada de baixo nível emitida por dispositivos sem fio?
Muitos biólogos e cientistas do campo eletromagnético acreditam que a modulação de dispositivos sem fio torna a energia mais biologicamente ativa, o que interfere em nossos mecanismos celulares, abrindo canais de cálcio, por exemplo, e permitindo que o cálcio flua para a célula e para as mitocôndrias dentro da célula, interferindo em nossos processos celulares naturais e levando à criação de proteínas de estresse e radicais livres e, possivelmente, danos ao DNA. E, em outros casos, pode levar à morte celular.
Em 2001, com base na pesquisa epidemiológica biológica e humana, os campos de baixa frequência foram classificados como “possivelmente carcinogênicos” pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde. Em 2011, o IARC classificou a radiação de radiofrequência como “possivelmente carcinogênica para humanos”, com base em estudos de radiação de celular e risco de tumor cerebral em humanos. Atualmente, temos consideravelmente mais evidências que justificariam uma classificação mais forte.
Vamos falar sobre a quinta geração da tecnologia de celular, conhecida como 5G, que já está disponível em áreas limitadas nos Estados Unidos. O que isso significa para os usuários de celular e que mudanças virão com isso?
Pela primeira vez, além do micro-ondas, essa tecnologia vai empregar ondas milimétricas, que têm frequência muito maior do que as micro-ondas usadas pelo 3G e 4G. As ondas milimétricas não podem viajar muito longe e são bloqueadas por neblina ou chuva, árvores e materiais de construção, então a indústria estima que precisará de 800.000 novos locais de antenas de celular.
Cada um desses sites pode ter antenas celulares de vários provedores de telefonia celular, e cada uma dessas antenas pode ter microarrays consistindo em dezenas ou mesmo centenas de pequenas antenas. Nos próximos anos, nos Estados Unidos, veremos a implantação de cerca de 2,5 vezes mais antenas do que o uso atual, a menos que os defensores da segurança sem fio e seus representantes no Congresso ou no sistema judiciário parem com isso.
Como as ondas milimétricas são diferentes das microondas, em termos de como elas afetam nossos corpos e o meio ambiente?
A radiação de ondas milimétricas é amplamente absorvida na pele, nas glândulas sudoríparas, nos nervos periféricos, nos olhos e nos testículos, com base no corpo de pesquisas que tem sido feito em ondas milimétricas . Além disso, essa radiação pode causar hipersensibilidade e alterações bioquímicas nos sistemas imunológico e circulatório – coração, fígado, rins e cérebro.
Ondas milimétricas também podem prejudicar insetos e promover o crescimento de patógenos resistentes a medicamentos, portanto, é provável que tenham alguns efeitos ambientais generalizados para os microambientes ao redor dessas antenas celulares.
Quais são algumas coisas simples que cada um de nós pode fazer para reduzir o risco de danos causados pela radiação de telefones celulares e outros dispositivos sem fio?
Primeiro, minimize o uso de telefones celulares ou sem fio – use um telefone fixo sempre que possível. Se você usa um telefone celular, desligue o Wi-Fi e o Bluetooth se não os estiver usando. No entanto, quando estiver perto de um roteador Wi-Fi, seria melhor usar seu celular no Wi-Fi e desligar o celular, porque isso provavelmente resultará em menos exposição à radiação do que usar a rede celular.
Em segundo lugar, a distância é sua amiga. Manter o celular a 25 centímetros de distância do corpo, em comparação com um décimo de polegada, resulta em uma redução de 10.000 vezes na exposição. Portanto, mantenha o telefone longe da cabeça e do corpo. Guarde seu telefone em uma bolsa ou mochila. Se você tiver que colocá-lo no bolso, coloque-o no modo avião. Envie mensagens de texto, use fones de ouvido com fio ou viva-voz para fazer chamadas. Não durma com ele próximo à sua cabeça – desligue-o ou coloque-o em outro cômodo.
Terceiro, use o telefone apenas quando o sinal for forte. Os telefones celulares são programados para aumentar a radiação quando o sinal é fraco, ou seja, quando uma ou duas barras são exibidas em seu telefone. Por exemplo, não use o telefone no elevador ou no carro, pois as estruturas metálicas interferem no sinal.
Além disso, incentivo as pessoas a aprenderem mais sobre os mais de 150 grupos locais afiliados ao Americans for Responsible Technology , que estão trabalhando para educar os formuladores de políticas, incitando-os a adotar regulamentos de torres de celular e limites de exposição que protegem totalmente a nós e ao meio ambiente dos danos causados por radiação sem fio.
Para dicas de segurança sobre como reduzir a exposição à radiação sem fio do Departamento de Saúde Pública da Califórnia e outras organizações, Moskowitz recomenda que os leitores visitem seu site, saferemr.com , Physicians for Safe Technology e Environmental Health Trust.
Limão e limonada
Trifill e Lupo foram as empresas brasileiras que mais apostaram na fabricação de máscaras. A Lupo está perto dos R$200 milhões de faturamento com a venda de máscaras tanto para adultos quanto para crianças.
Foto: lupo.com
Negligência
Resta saber se a empresa pouco caprichosa que está fazendo a reforma no asfalto do Lago Norte, ao lado do Iguatemi, vai consertar os estragos já feitos nas calçadas, gramado e meios-fios.
Prata da casa
Toninho Pop é uma das vozes mais conhecidas da cidade. Na imprensa desde menino, Toninho é um arquivo vivo da história do jornalismo em Brasília.
Mais uma
Suspensa a produção de soja no DF até setembro. Todos as áreas de produção devem estar vazias para prevenir da Ferrugem Asiática. O “vazio sanitário” foi adotado também por mais 13 Estados.
Foto: Pixabay
História de Brasília
Resta que a Novacap tome a si a providência de restaurar os mercadinhos, entregando-os a quem queira vender barato e com fartura. Não é o que está acontecendo atualmente. (Publicado em 06.02.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Foto: PF/Divulgação
Não é nada fácil a vida de delegados, juízes, promotores ou quaisquer outros profissionais da justiça, que fazem, da lei, o objetivo central de suas funções, e que por, força do cargo, se veem obrigados a residir e exercer suas tarefas na imensa e nada amistosa região amazônica.
Há muito se sabe que essa região e, sobretudo, os milhares de quilômetros de fronteira seca, entre o Brasil e os países da América Latina, representam um teste para todo profissional da justiça, incluindo policiais e militares, devido aos perigos e desafios que ocorrem rotineiramente naquela parte do Brasil. Esses abnegados profissionais da justiça sabem muito bem que estabelecer os ditames da lei numa região selvagem e hostil pode lhes custar a própria vida.
Quadrilhas numerosas e fortemente armadas e com ramificações variadas na sociedade e no establishment local fazem desse trabalho uma missão para poucos. O intenso comércio ilegal de produtos das mais variadas espécies, capaz de enriquecer um indivíduo da noite para o dia, é um chamariz natural para toda sorte de aventureiros e de gente disposta a tudo para fazer fortunas fáceis.
Definitivamente esse não é um lugar seguro para operadores da justiça ou outros profissionais medrosos. São inúmeras as histórias de juízes e outros operadores da justiça que passam 24 horas do dia sob intensa proteção policial, dormindo cada noite num lugar, muitas vezes na própria delegacia, porque ousaram enfrentar o crime organizado da região. Mesmo assim, muitos deles perderam a vida ao primeiro descuido.
Fosse esse o único perigo que enfrentam, ainda estaria tudo sob controle. O pior, nesse mundo sem lei, é que muitas vezes o inimigo se esconde do lado de dentro da muralha, sob a forma de um policial cooptado pelo crime ou mesmo de empresários e políticos cujas fortunas provêm muitas vezes de atividades ilícitas e outras empreitadas ilegais rendosas.
O perigo maior para todo o xerife honesto que se aventura nesse faroeste caboclo é saber identificar o verdadeiro chefão e operador dessas quadrilhas, que agem como fantasmas na noite, mas que deixam um rastro de destruição e mortes por todo o lado. Escondidos nas mais altas posições sociais e institucionais locais, esses cidadãos insuspeitos utilizam do status que alcançaram para dar livre trânsito ao trabalho das quadrilhas, quer facilitando-lhes o exercício do crime, ou livrando-lhes da perseguição da justiça.
Usam da influência que possuem para dinamizar e dar uma certa aparência legal a seus negócios escusos. Da exploração ilegal de madeira, ouro, pedras preciosas, minérios raros, até do furto e exportação de espécies exóticas da flora e fauna é que vêm boa parte dessas fortunas mal explicadas, além, é claro, do contrabando de armas e drogas. Com essa gente poderosa e com trânsito livre na capital e no Poder, todo o cuidado é pouco.
Qualquer bisbilhotice maior que possa revelar ou mesmo indicar a possibilidade da existência desses negócios escusos, operados por essa elite local, pode custar aos representantes da justiça ou o cargo, com sua transferência imediata e sem aviso prévio ou motivo, ou, em último caso, a cabeça do próprio ousado. É essa a realidade que há décadas temos naquela parte do Brasil e que muitos fingem não enxergar.
A frase que foi pronunciada:
“Ninguém é dono da multidão, ainda que creia tê-la dominada.”
Eugène Ionesco
Eugène Ionesco. Foto: wikipedia.org
Será
Leitora nos envia um lembrete. Alguém está monitorando o Sr. Deputado Jean Willys?
Jean Willys. Foto publicada em seu perfil oficial no Instagram.
Amplidão
Estava mesmo precisando de uma boa reforma, o Setor de Rádio e TV Sul. Parte tão antiga da cidade estava esquecida no tempo. Novas calçadas dão conforto e segurança aos pedestres e motoristas.
Foto: Renato Alves/Agência Brasília
Sempre Verde
Um quadro iluminado, na avenida W3, que definia a velocidade ideal para o motorista pegar todos os sinais abertos era de uma tecnologia simples e ideia inteligente. O acidente de ontem na W3 mostra que, se ainda existisse o aparato, as pessoas estariam mais seguras.
Prova cabal
Uma casa sem hierarquia vira anarquia. Um povo sem instituições que se respeitem perde todo o respeito pelas regras. É o caso do lockdown. STF, STJ, PGR, Governo Federal e governo local não se entendem e o cidadão fica completamente perdido. Estamos definitivamente sem segurança jurídica.
Charge do Amarildo
História de Brasília
Outro dia, o sr. Ibrahim Sued dizia em sua coluna sobre um baile no qual não serão aceitas máscaras: para quê, se somos mascarados o ano inteiro? (Publicada em 31.01.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Arte: bbc.com
Duas eleições, quase simultâneas, disputadas em dois países diferentes e com a participação, de pelos menos, 100 milhões de eleitores, terão, cada uma de acordo com suas consequências específicas, o condão de, direta ou indiretamente, influenciar o pleito para as próximas disputas ao cargo de presidente da República do Brasil em 2022.
Tanto os resultados da eleição para a presidência nos Estados Unidos quanto os derivados dos pleitos municipais apontarão, ao menos, que direções tomarão as disputas daqui há dois anos. Isso por uma razão até singela: o presidente Jair Bolsonaro, cuja a velocidade da língua supera à do raciocínio lógico, já declarou, aos quatro ventos, sua predileção por determinados candidatos, rompendo, quem sabe, um ensinamento básico da escola política, que orienta discrição em momentos incertos e imprevisíveis como estes.
Apuradas as urnas nesses dois mundos distantes e em razão de opções fora da hora, o cidadão brasileiro saberá, com certa antecipação, quanto de horizonte de mandato resta ao atual presidente. A depender desses resultados, interno e externo, restará ao presidente do nosso país, enveredar por onde sopra o vento ou se aventurar a lutar contra as águas turvas do destino. Por certo, o presidente Bolsonaro percebe essa encruzilhada armada à sua frente.
A depender de sua capacidade de adaptação aos fatos novos, todo o restante de seu mandato e, quiçá o próximo, estará delineado bem debaixo de seus olhos. A oposição também sabe da importância desses dois pleitos realizados agora e já se articula com aquilo que eventualmente sobrou dela nesses últimos anos, para melhor chegar em 2022.
Talvez o mais surpreendente, em meio a esses cenários que ocorrem dentro e fora do país, seja o fato de que, mesmo sob o regime severo de uma pandemia que vai minando qualquer possibilidade de recuperação da economia mundial e, particularmente, da nossa, o governo brasileiro segue sua trajetória de campanha política ininterrupta, desde 2018.
Quem sabe a mobilização inédita, havida nos Estado, para atrair o eleitorado, mesmo sob a condição de voto facultativo, não desperte também, aqui no Brasil a mobilização dos cidadãos, submetidos ao regime de voto obrigatório discutir a tecnologia utilizada das eleições. Aplicativos para telefones celulares, redes da internet em comunicação direta com o planeta, aparelhos sofisticados capazes de alcançar qualquer uma das mais altas torres de vigilância, onde são observados por um mundo de sentinelas atentos.
Toda a parafernália eletrônica seria apenas para servir de ferramenta de fiscalização e não como possibilidade de exercer o direito do voto. Basta observar que o país, por hora, mais poderoso do mundo não adotou a urna eletrônica. Acredita no voto pelos Correios, mas não em uma urna eletrônica.
O cidadão exerce a democracia de modo que, se houver qualquer dúvida pelo pleito, é possível a recontagem de voto a voto, cédula a cédula de votação. Decidindo, o STF, de que essa eleição será sem o voto impresso, com as fundamentações baseadas em papéis de casca de ovo, num veredito pra lá de discutível, dadas as severas desconfianças que pesam sobre as urnas eletrônicas, todo o cuidado é pouco, principalmente quando já se conhece o potencial de nossos políticos para contornar as barreiras da lei para impor seus próprios desígnios.
Diversas iniciativas visando aumentar a transparência de todo o pleito já estão disponíveis para serem baixados nos celulares dos eleitores. O mais atual, chamado de Barômetro da Corrupção, é capaz de fornecer, por enquanto, informações sobre eventuais processos na justiça de mais de 850 políticos. Trata-se de uma ferramenta preciosíssima para peneirar aqueles candidatos enrolados com a lei. Esse mesmo aplicativo será capaz, em breve, de fornecer informações completas sobre a folha corrida de mais de sete mil candidatos que estarão disputando as próximas eleições. Ou seja, toda a vida pregressa dos postulantes estará disponível a um toque do celular, possibilitando, ao eleitor, possuir, em tempo real, o dossiê de seus candidatos, enquanto aguarda na fila de votação.
Existe, ainda, à disposição do eleitor, o aplicativo Ranking dos Políticos, que acompanha a performance de cada um dos 513 deputados e dos 81 senadores e que já conta com mais de um milhão de seguidores nas redes sociais. Cientistas políticos concordam que o surgimento dessas ferramentas contribui de forma positiva nas eleições, municiando os cidadãos com perfil fiel dos postulantes, melhorando, significativamente, a transparência das eleições.
A frase que foi pronunciada:
“Essa iniciativa levará a uma grande fraude eleitoral. A eleição de 2020 foi fraudada.”
Presidente norte-americano Trump sobre o voto pelos Correios.
Sem respeito
Provavelmente, o espaço Panorama tem atormentado a vida dos vizinhos que pagam o IPTU mais caro da cidade. No último fim de semana, um trio elétrico impediu o descanso, como dizia o filósofo de Mondubim, ao redor de 7 léguas. Estranho nisso tudo é que há lei para o silêncio, mas nem todos cumprem. Talvez porque tenham a certeza de que órgãos de fiscalização de Brasília para esse fim são parciais, incompetentes, ineficientes e inócuos.
Mais uma
Cachorros de grande porte na rua sem focinheira é mais comum de se ver do que se imagina. Também não há fiscalização.
Foto: canaldopet.ig.com
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Provavelmente não se realizará agora o concurso para médicos no IAPC. É voz corrente que a sua realização se efetivará somente depois da aprovação do projeto 620. (Publicado em 19/01/1962)
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Foto: jornaldocomercio.com
Como organismo vivo, a ampliar os mecanismos que conduzem e moldam cada indivíduo, a sociedade também parece apresentar suas múltiplas facetas psicológicas, carregando, em seu sentido coletivo, os mesmos traumas e outros problemas que desenham a personalidade de cada um de seus membros.
Talvez, essa característica seja o ingrediente que diferencia as nações, já que resultaria, ela mesma, do amálgama de seus indivíduos. Existem, de fato, uma consciência e uma psicologia coletiva, abordadas tanto por Durkheim (1858-1917) como por Karl Marx (1818-1883). Sob esse ponto de vista, é possível afirmar que, no cerne das grandes questões que parecem inquietar o mundo atual, estariam as mesmas características psicológicas que determinam as fases ou as diversas idades que experimentam cada indivíduo ao longo de sua existência.
Em outras palavras, seria como se a humanidade, nesse limiar do século XXI, estivesse deixando, para trás, o que seria sua fase de adolescência, ingressando, a duras penas e com grande relutância, na idade adulta, onde a realidade parece perder as cores da fantasia, apresentando o mundo como ele é: repleto de desafios e de responsabilidades.
Seria esse despertar para a maturidade mais traumático para as sociedades do que é para o indivíduo? Eis aí uma questão que caberá às atuais gerações decifrar, antes que maiores erupções sociais conduzam o mundo a um estado permanente de convulsões. Depois de deixar o próprio planeta quase exangue, depauperado em seus recursos naturais e em pleno estado de aquecimento global acelerado, os desafios apresentados à humanidade só podem ser, de fato, enfrentados caso ela consiga, definitivamente, adentrar para sua fase adulta, quitando os débitos deixados por séculos de incúria consumista e desenfreada do passado.
Quer queiramos ou não, o século XXI parece empurrar a humanidade para a encruzilhada onde ela terá que, por si própria, decidir que tipo de rumo seguir para garantir a perpetuação de vida sobre o planeta. Não é tarefa pequena, pois irá requerer maturidade muito maior que as gerações anteriores e só poderá ser levada, a bom termo, por pessoas e lideranças sérias e comprometidas com essa que é uma questão global e urgente.
É essa nova cultura, que só pode ser apreendia por via da consciência coletiva, que necessitam as sociedades para resolver esse grande quebra-cabeças que têm pela frente. O problema é que, quando ainda se assiste, por toda a Europa, os entreveros seculares envolvendo cristãos e muçulmanos, questão essa vinda de um passado longínquo de cruzadas, em que professores e fiéis são degolados em plena luz do dia, em nome de crenças religiosas e outros dogmas pueris, a luz vermelha apontando que a humanidade ainda insiste em viver sua infância se acende e, com isso, cresce o temor de que ainda não estamos devidamente preparados para esse século e seus enormes desafios.
A frase que foi pronunciada:
“E quando dois grupos de crentes combaterem entre si, reconciliai-os, então. E se um grupo provocar outro, combatei o provocador, até que se cumpram os desígnios de Allah. Se, porém, se cumprirem (os desígnios), então reconciliai-os equitativamente e sede equânimes, porque Allah aprecia os equânimes.”
Alcorão 49:9
Foto: islambr.com
Anatel
Bixby é um sistema incomum encontrado nas últimas gerações de telefones da Samsung. É estranho porque o dono do telefone sempre teve autonomia para escolher ou não pelo funcionamento dos assistentes da marca do aparelho. Mas, atualmente, o Bixby foi recriado sem a opção fácil e acessível de eliminá-lo. Caso a se pensar.
Imagem: samsung.com
A Hora do Mução
Quem quiser compreender porque é tão fácil enganar o nosso povo com promessas precisa assistir esse programa. Impulsionado por algum conhecido da vítima, que entrega o apelido odiado, ou mesmo brincando com trotes, é possível atestar a inocência e bondade das pessoas por esse país adentro. Rodrigo Vieira Emerenciano conhece essa essência. Mas a usa apenas pelo deleite de ver as pessoas irritadas ou humilhadas.
Ritmo calculado
Mais uma produção acadêmica do professor Bohumil Med. Com a provocação “O ritmo é exato ou não há ritmo”, Bohumil anuncia o lançamento do libvo de 220 páginas com 45 aulas. Veja, no blog do Ari Cunha, como adquiri-lo.
Personagem
Lá estava, em uma farmácia do Paranoá, seu Ataíde Pereira das Neves. De Papai Noel da cidade até cozinheiro do presidente JK. Vindo de Recife, em 1957, o pioneiro é homenageado por todos os lados.
Arte
Galeria no Pátio Brasil expõe trabalhos de artistas da cidade. Os trabalhos foram selecionados por Stella Lopes.
Desde sua inauguração, a PÁTIO GALERIA tem recebido exposições individuais de vários artistas, como as de AKIMI WATANABE, ALESSANDRA FRANÇA, CARLOS WOLFGRAM, DONIZETTI GARCIA, ERNESTO SOUZA, FERNANDO RABUJA, FRANCISCA NZENZE MEIRELES, LOURENÇO DE BEM, MALU PERLINGEIRO, MÁRCIA ROSA, MÁRCIO BORSÓI, MÔNICA CUNHA, PAULO MAURÍCIO, PERPE BRASIL, SALMA S. MANZANO, SANAGÊ CARDOSO, SOCORRO MOTA, SONNIA GUERRA, SOUZA, STELLA LOPES, THÉA SISSON e VLADIMIR CÂNDIDO.
Na PÁTIO GALERIA podem ser encontradas também gravuras de ATHOS BULCÃO, CARIBÉ e MONICA BARKI, assim como pintura de ANTONIO POTEIRO e escultura de MANUEL ANDRADE.
A galeria trabalha, também, com reproduções em papel e em canvas (Fine Art), fotografias, múltiplos, gravuras e aquarelas originais. Os artistas interessados em ocupar os espaços expositivos devem enviar portfólio e proposta para contato.patiogaleria2019@gmail.com
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Novos padrinhos para as árvores da W-3: J.J. Sabriá, que fez o primeiro jardim particular em sua quadra, Itabrás Utilidades Domésticas, Panair do Brasil e Vicente Ferrer Corrêa Lima. Continue telefonando para 2-2803 e adote uma árvore da W-3, se é que o senhor mora ou trabalha naquela avenida. (Publicado em 17/01/1962)
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Ilustração: reprodução da internet (PC)
Nossa Carta Magna, promulgada em 1988, diz em seu art. 61, § 2º que: “A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles”. Com esse entendimento, ficaria garantido à população o poder de propor novas leis para o país.
Obviamente que as exigências impostas por essa norma, de no mínimo 1% do eleitorado, mais a adesão de 0,3% do eleitorado de ao menos cinco estados, torna essa tarefa mais difícil, pois exigiria, por baixo, uma coleta de assinaturas de algo em torno de 1,5 milhão de cidadãos. Ocorre, no entanto, que esse não é, nem de longe, o maior entrave para que essas leis possam vir a ser implementadas de fato. Cumpridas essas exigências constitucionais quanto à coleta dessas assinaturas, é que começam as dificuldades para que virem leis. Nesse ponto, o calhamaço com a proposição de iniciativa popular, contido em dezenas de caixas de papelão, chega à Câmara dos Deputados, onde, por seu volume e pelo apelo popular que desperta em milhões de brasileiros, é recebida com pompa e circunstância, com a presença do presidente da Casa, imprensa, parlamentares favoráveis ou nem tanto.
O assunto vira manchete de jornais e, por alguns dias, a notícia chama a atenção de todos. Passados estes instantes de brilho, ficam nesse ringue de luta apenas aqueles que verteram sangue, suor e lágrimas para verem essas leis transitarem, a passos de tartaruga, pelos longos e labirínticos corredores do Congresso.
Quando o projeto popular não mira assuntos que, de alguma maneira, venham a interferir no status quo político, existe esperança de que possa seguir em frente. Caso contrário, a sobrevida de uma proposta dessa natureza é curta. Este, por exemplo, é o caso das Dez Medidas contra a Corrupção, de iniciativa do Ministério Público Federal (MPF), de 2015, que, já no ano seguinte, conseguiu a assinatura e a aprovação de mais de 2 milhões de cidadãos em todo o país.
Aquele projeto, chamado pacote, contendo as medidas que a população gostaria de ver aprovadas para acabar com o flagelo secular da corrupção em nosso país, foi, nas palavras do relator da matéria naquela ocasião, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), “dizimado”, transformando-se numa espécie de “meia medida”, tal era o número de parlamentares com problemas com a Justiça e que poderiam vir a serem condenados por leis por eles mesmos aprovadas.
Com a introdução de uma emenda que criava o crime de abuso de autoridade, os deputados, de réus, viraram vítimas, ameaçando integrantes do próprio Ministério Público. A maioria dos implicados na Lava Jato, comandada pelo PP e pelo PT, saiu vitoriosa e desfigurou, por completo, as medidas de saneamento da vida pública do país. Não é à toa que essa prerrogativa que garantiria a proposição de leis pela população e que poderia ser um grande avanço no aperfeiçoamento de nossa democracia, ao ser desfigurada, acabou com o sonho de milhões e gerou um estado tal de desânimo no país, que a sociedade deixou de lado essa possibilidade contida na Constituição, por absoluta falta de garantias de que ela possa avançar em meio à uma representação política com essa folha corrida.
Não é por acaso, também, que desde a aprovação da Carta Magna contendo essa prerrogativa apenas quatro projetos de iniciativa popular foram transformados em lei. Não estranha que, ainda no século XVI, Camões tenha dito que: “Leis em favor dos reis se estabelecem. As em favor do povo só perecem.”
A frase que foi pronunciada: “Só pode haver democracia quando o dinheiro não puder ser gasto na política”
Imran Khan, político, jogador de críquete e autobiógrafo.
Imran Khan. Foto oficial da Casa Branca por Shealah Craighead.
Novidade
Dados de consumidores são utilizados de forma quase livre. De repente, o e-mail aparece cheio de publicidades enviadas por gente estranha. O telefone toca em qualquer horário com vendas indesejadas. A Lei Geral de Proteção de Dados chegou para dar a privacidade necessária mantendo informações pessoais em sigilo. Passa a vigorar em agosto de 2021.
Ilustração: EBC
Cultura
Tutti Choir, conduzido por Daniel Souto de Moraes, prepara-se para o I Encontro de Coros Tutti Internacional que vai acontecer entre 23 e 25 de outubro deste ano. Seis países já confirmaram e dezenas de cidades também participarão.
Foto: educacao.go.gov
Verdade dói?
Recebemos a seguinte informação: para acabar com os demônios da corrupção, só com exorcismo mesmo. O ministro Tarcísio instalou uma delegacia da Polícia Federal dentro de seu gabinete para investigar obras que ofereçam qualquer suspeição. Isso é um golpe duro contra a corrupção que funcionava dentro do Ministério, cujas obras sempre foram envolvidas por fraudes gigantescas. Assista no link “Exorcismo”: Tarcísio de Freitas contra o leviatã da corrupção.
https://www.youtube.com/watch?v=rzkjBF2pxoU
Inteligência humana x Inteligência artificial
Em temps nde os jornlstas não pdiam escrver o que precsavm por kauz da cnsur, tud era lido pelos olhs umans. Hoj temos ess artfíc de driblr os robôs qu localizm as notcis indesjds. Assi podmos falar livrmnt sbre os chnezs, sobr o fcebk, seraz expirn, e tnts outr assnts contrvrsos. O que começou como uma brincadeira no Departamento de Ciência Cognitiva da Universidade de Cambridge, Inglaterra, agora é coisa séria.
Foto: universidadedointercambio.com
História de Brasília
Uma prova do rigor com que o ministro da Agricultura deseja ver apurado o caso da venda de fotografias pelo funcionário do SPI José Fernando Cruz é o fato de que o próprio diretor daquele Serviço se encontra em Campo Grande, organizando uma nova expedição para apurar o ocorrido. O ministro da Agricultura, falando com um deputado seu amigo, confessou-se “impressionado com as bandalheiras dentro do ministério”. (Publicado em 17/01/1962)
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Na avaliação do nobre professor de direito Ives Gandra Martins, a prisão preventiva traz a insegurança jurídica e tem, infelizmente ou não, sido eficaz nesses casos envolvendo gente poderosa, defendida pelos mais caros e influentes escritórios de advocacia do país. Não fosse esse instrumento, um tanto excepcional em tempos igualmente excepcionais, operações como a própria Lava-Jato, não teriam prendido nem os mais inocentes dos doleiros e outros lavadores de dinheiro público.
Somos humildemente forçados a discordar da balizada opinião do articulista quando diz que a prisão preventiva equivale ao linchamento público. Por certo, houve casos extraordinários em que a prisão preventiva pode não ter sido necessária, mas em se tratando de uma sequência fabulosa de crimes de corrupção ocorridos em série, num encadeamento hierárquico de comando sem igual, tal medida foi até pequena diante do que ficou comumente alcunhado por crime de lesa-pátria.
A propósito desse ponto, lembramos de uma intervenção histórica feita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, quando na ocasião do indulto assinado pelo então presidente Michel Temer, disse o seguinte: “Há uma crença, que eu considero equivocada, a propósito da corrupção. E acho que nós precisamos é qualificar isso nesse momento brasileiro, é um equívoco supor que não seja assim, porque corrupção mata. Mata na fila do SUS. Mata na falta de leitos. Mata na falta de medicamentos. Mata nas estradas que não têm manutenção adequada. A corrupção destrói vidas que não são educadas adequadamente em razão da ausência de escolas, eficiências de estrutura e equipamentos. O fato de o corrupto não ver nos olhos a vítima que ele produz, não o torna menos perigoso. A crença de que a corrupção não é um crime grave e violento, de que os corruptos não são perigosos, nos trouxe até aqui, a esse quadro sombrio, em que recessão, corrupção e criminalidade elevadíssima nos atrasam na história e nos retém como um país de renda média que não consegue furar o cerco.”
O fato que demonstra que nem mesmo a prisão preventiva tem o condão de, em nosso país, ter o efeito esperado até pelos cidadãos de bem, é que a grande parte dos criminosos envolvidos nessa sequência endêmica de delitos de corrupção, estão hoje em liberdade ou em prisão domiciliar, o que vem a ser o mesmo.
Também balizado para falar de prisão preventiva, já que foi um dos defensores desse instrumento no caso extraordinário da Lava-Jato, o ex-procurador chefe da Operação Deltan Dallagnol disse: “É difícil descobrir a corrupção. Quando descoberta, é difícil prová-la. Provada, difícil que o processo não seja anulado. Não anulado, demora mais de uma década e prescreve. Não prescrito, a pena é baixa e é indultada no Natal. Se sobra alguma pena e é aplicada a um poderoso, ele adoece e vai para casa”. É o que temos assistido nestes últimos anos e parece ser o que veremos com mais frequência daqui para frente, com o desmanche anunciado da Lava Jato. Obviamente que o professor Ives Gandra tem toda a razão quando diz que o Judiciário deve ser um poder técnico e não um poder político e ideológico como se vê hoje em nosso país.
Essa metamorfose, principalmente da mais alta corte põe em risco nossa democracia e nos coloca na iminência de uma ditadura da magistratura, mesmo sabendo que esse é um poder que pode errar por último, não dando chance alguma de uma revisão ou de um mea-culpa.
Felizmente, o professor reconhece que nos tempos de seu saudoso mestre Canuto havia realmente harmonia e independência entre os Poderes. Eram outros tempos. Um outro Brasil, talvez até mais ético e simples que o atual.
A frase que foi pronunciada: “O homem não é apenas um ser que sabe, mas é também um ser que sabe que sabe.”
Teilhard de Chardin, foi um padre jesuíta francês. Teólogo, filósofo e paleontólogo.
Reconhecimento Depois de enfrentar os buracos na pista dos trechos 7 e 8, os moradores do Lago Norte registram os agradecimentos ao administrador Marcelo Ferreira da Silva pelo recapeamento do asfalto da década de 60. Sempre com a assessoria atenta, resolve os problemas da comunidade um a um.
Conexão Mulheres Essa é uma boa pauta. Em novembro, no dia 9, às 17h, Laura Ferraz, especialista em empreendedorismo, vendas e inovação e Flávia Chaves, especialista em desenvolvimento humano lançarão o grupo de networking exclusivo para mulheres que querem alçar voo gerenciando o próprio talento. Veja mais detalhes. As inscrições são gratuitas.
–> Empreender com sucesso e de forma colaborativa em plena pandemia do novo coronavírus é possível. Essa é a proposta do grupo CONEXÃO MULHERES – Brasília, iniciativa que será lançada em encontro on-line na próxima quarta-feira, dia 9 de setembro, às 17h, com inscrições abertas a empresárias ou profissionais liberais interessadas no tema e residentes em Brasília. O link para inscrições está disponível em https://forms.gle/X1tVrxeRQ47H5pG37.
Coordenado por duas mulheres inquietas, Flavia Chaves – especialista em desenvolvimento humano, palestrante e mentora – e Laura Ferraz – especialista em empreendedorismo, vendas e inovação – o grupo quer impulsionar o empoderamento feminino no Distrito Federal e, para isso, irá oferecer um ambiente propício para o networking, o desenvolvimento profissional e pessoal, por meio de uma metodologia exclusiva de ativação e inovação.
“A iniciativa tem o objetivo de fortalecer o espírito de sororidade nos negócios locais entre as mulheres, ampliar a rede de relacionamento das empresárias e possibilitar a troca de experiências entre elas”, explica Laura Ferraz, que agrega ao projeto sua experiência de mais de 10 anos nas áreas de desenvolvimento de novos negócios, gestão comercial e gestão da inovação em empresas.
“Queremos reforçar a autoestima das mulheres e ajudá-las a descobrir o próprio potencial para gerar renda de forma sustentada, conciliando a vida profissional com outras tarefas de cuidados com a casa e filhos”, completa Flávia Chaves, Diretora da FCF Consultoria e Treinamento, onde trabalho com metodologia exclusiva para o desenvolvimento de líderes e empreendedores.
Além de promover a interação constante, o grupo também prevê encontros mensais, de forma on-line, em horários compatíveis com a rotina das participantes.
Serviço Lançamento do grupo CONEXÃO MULHERES – Brasília Data: 9/11/2020, 17h Inscrições gratuitas pelo link https://forms.gle/X1tVrxeRQ47H5pG37
Proatividade Grande problema do piscinão do Lago Norte são os bares na beira da estrada. O consumo de álcool é intenso, o que deixa a EPPN uma pista de alto risco. O local, que permanece cheio todos os dias de pandemia, carece de policiamento e testes de bafômetro.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA Pois bem: vou dizer agora ao coronel, que por causa disto, a agência foi punida. Retiraram de lá o único teletipo que fazia com que os telegramas da gente chegassem ao destino, e no mesmo dia. O funcionário que retirou o teletipo disse que “era provisório”, e acrescentou que era por que do DTUI não dava a linha telefônica. Não é verdade. O DTUI tem o máximo interesse em manter o teletipo no aeroporto. (Publicado em 16/01/1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Vice-presidente da República Hamilton Mourão. Foto: portalmatogrosso.com
Ficasse apenas no discurso retórico de que a agenda ambiental era um estorvo para o crescimento do país, cuja a economia é puxada pelas riquezas produzidas pela agropecuária, o presidente Bolsonaro não teria feito muito diferente do que fizeram seus predecessores. Mas a inexperiência somada à jactância, que lhe é habitual, fez o presidente ir mais além e, numa demonstração de que pretendia se unir aos radicais do agronegócio e com isso angariar simpatias de uma forte bancada dentro do Congresso, partiu para a ação prática. Com isso, promoveu um desmonte significativo em todos os órgãos de controle envolvidos com a questão ambiental, inclusive aqueles ligados aos povos indígenas. Ibama, ICMBio, Funai e outros importantes institutos foram sensivelmente enfraquecidos, esvaziados ou simplesmente extintos.
Uma verdadeira razia foi promovida contra todos os órgãos ligados à agenda de meio ambiente, a maioria, sob o pretexto de que esses organismos de Estado estavam demasiadamente loteados por pessoas e partidos de esquerda. A avaliação, um tanto forçada, seguia, ipsis litteris, as recomendações feitas pelo poderoso lobby do pessoal ligado ao bilionário e pragmático agronegócio. Para essa turma endinheirada e com forte amparo dentro do Legislativo, as investidas legais dos órgãos de controle ligados à proteção do meio ambiente e dos povos indígenas, constantemente, vinham se chocando com os projetos e com as ambições desses grandes pecuaristas, colocando entraves à expansão, sem limites, desse grupo.
As safras recordes, juntamente com a larga produção de proteínas, que colocavam o Brasil como uma potência agropecuária, eram motivos de sobra para colocar o país sob a tutela direta do agronegócio. A própria balança de exportações reforçava a tese de que o agronegócio, que trazia bilhões em divisas para o país, deveria ter primazia sobre toda e qualquer outra estrutura do Estado. A caça às bruxas, promovida nos organismos de controle ambientais ao atender aos interesses desses e de outros grupos que vieram se juntar ao novo governo, deram os resultados esperados internamente e a curto prazo.
Mas o que esse pessoal e o próprio governo não esperavam, e sequer sonhavam, é que além desses resultados imediatos de desmantelamentos dos órgãos de fiscalização do meio ambiente, viessem outras consequências também, até em maior proporção, só que de forma negativa e prejudicial à economia do país. A política ambiental promovida pelo governo, de arrasa terra, fez não só aumentar o desmatamento e as queimadas por todo país, que atingiram níveis de crescimento recorde, como acabaram por chamar atenção do resto do mundo, justamente numa época em que parte da humanidade busca resgatar o que restou do planeta Terra.
Na contramão da história, e tendo pela frente um enorme passivo no meio ambiente, o presidente Bolsonaro corre agora contra o relógio, depois que investidores de todo o mundo começaram a ensaiar a retirada do Brasil do rol de países merecedores de investimentos.
Por outro lado, graças à pressões internas, muitos países, principalmente da Europa, onde o presidente acreditava ter fechado um grande acordo de livre comércio, começaram a rever suas posições e boicotar os produtos made in Brazil. A moratória, proposta agora pelo coordenador do Conselho da Amazônia, vice-presidente Hamilton Mourão, proibindo incêndios, de forma absoluta, por até 120 dias em toda a região da Amazônia e do Pantanal, insere-se num conjunto de medidas, tomadas às pressas, para tentar reverter o verdadeiro estrago promovido pelo atual governo e que colocaram o Brasil na vexaminosa posição de maior vilão mundial do meio ambiente. Há muito, a agenda ambiental ganhou importância em âmbito mundial, e só o atual governo não enxergou essa evidência e agora corre contra o tempo.
A frase que foi pronunciada:
“Os seres viciosos seriam muito fortes, se o mal que levam consigo não bastasse para destruir o seu próprio veneno.”
Albert Delpit, romancista e ator dramático francês
Albert Delpit. Foto: wikipedia.org
Venezuela 1
Artista, Leda Watson conta, depois de ler a coluna intitulada Aos nossos irmãos venezuelanos, que esteve naquele país para ministrar um curso de gravura, em Caracas, por volta de 1996. Ficou entusiasmada com a Universidade, seus professores, alunos e estrutura funcional. O país parecia de 1º mundo e o curso e a exposição foram um sucesso.
“Palacio de las Academias”, antiga sede da Universidade de Caracas, também abrigou a Biblioteca Nacional. Foto: wikipedia.org
Curiosidade
Ari Cunha, mais ou menos em 1973, deu uma nota sobre uma mulher que tinha sido torturada grávida. Antes de ter sido julgado pelo Superior Tribunal Militar, foi informado pelo então presidente da Venezuela, Rafael Caldera, que aquele país estava de portas abertas para recebe-lo. Definitivamente eram outros tempos.
Arquivo Pessoal
Sensacional
Veja a seguir várias dicas de filmes sobre parto. Aspectos dos mais diversos abordados. Cada filme com uma linha de pensamento. Desde o parto humanizado até os problemas sustentados por médicos, da rede particular de saúde, em estimular o parto não natural.
Alcance
Chegam, em Alto Paraíso, casos do Covid. A comunidade pacata, que só ouvia falar em pandemia, agora começa a ficar preocupada e atenta às regras de distanciamento e uso de máscaras.
Foto: reprodução
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Faça suas compras no comércio de Brasília, mas consulte sempre duas casas antes de se decidir. Há os que exploram, e que você deve punir com sua ausência. (Publicado em11/01/1962)