Catarse olímpica

Publicado em ÍNTEGRA

Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL

 

 

Fizeram-nos crer no que éramos e o no que não éramos. Acreditamos na farsa. Revelada a verdade, relutamos ainda em tirar a fantasia e continuar sendo o que sempre fomos: um povo ilhado, órfão de um Estado e em busca de um governo confiável.

A catarse, ou purgação, experimentada pelos brasileiros teve seu ponto alto nas ruidosas manifestações de rua. Ali, em praça pública, foram despidos, pela primeira vez e de forma espontânea, na vista de todos, os trapos de nossa indigência política. Nossos representantes não nos representam, diziam os cartazes.

A Copa do Mundo e agora as Olimpíadas foram providencialmente trazidas até nós e insufladas na população em meio a um ambiente de ufanismo triunfalista que vigorava no país de então. Fazia parte da propaganda massiva do governo acender o espírito nacionalista. A Copa foi a nossa Ilhas Malvinas, usada como pretexto para esconder os vícios de um governo que agonizava.

O mesmo foi feito com os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Foram arquitetados da mesma forma que Hitler fez em 1936 para mostrar ao mundo a superioridade da raça ariana. Déspotas, desde sempre, têm se servido dos esportes para iludir a população com vitórias efêmeras e sem sentido. De que adianta saltar mais alto, correr, nadar, pular, saltar, dar piruetas se o que importa, de fato, são os rankings de bem-estar social?

Mais proveitoso e duradouro é ser campeão em cidadania. Melhor para a sociedade ter medalha de ouro em saúde. Subir ao pódio mais alto em educação. A foto de um morador de rua dormindo sob a placa dos Jogos Olímpicos que anuncia um novo tempo diz tudo.

Com as entranhas do governo populista evisceradas pela Operação Lava-Jato, a nação vai descobrindo aos poucos que o primeiro a ser apanhado nos exames de doping foi justamente o governo, que organizou a festança mediática.

Nas investigações que prosseguem há uma certeza: da mesma forma que ocorreu com a Copa em 2014, as Olimpíadas foram organizadas para que as grandes empreiteiras fossem as grandes campeãs do torneio. Passado para trás nos dois eventos internacionais, cabe ao povo, enlutado com a roubalheira, fazer o papel de bom anfitrião e esconder a lágrima.

A frase que foi pronunciada
“Quem quer que esteja fisicamente bem preparado pode fazer coisas incríveis com seu corpo. Mas quem junta a um corpo em forma uma cabeça bem cuidada é capaz de feitos excepcionais.”

Alexandre Popov, melhor nadador da Olimpíada de 1996

Dada a partida

» Neste exato momento começa pelo país o lançamento de candidatos interessados em disputar cargo de prefeito, vice-prefeito ou vereador. Entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, em alguns estados haverá convenção partidária. É nesse frágil espaço de tempo que cada candidato deveria
passar por um “escâner
de vida pregressa”.
É a hora

» Todo partido escolherá na convenção, entre os filiados, quais serão os candidatos a prefeito, vice-prefeito ou vereador, além dos números e dos nomes que serão identificados nas urnas eletrônicas. Nesse momento também será decidido se haverá coligações ou não.
Legendas

» Por falar nisso, no início do ano, amparados pela Constituição, a janela para troca partidária em março deste ano permitiu mais de 90 mudanças entre legendas na Câmara dos Deputados.
Jogadas

» A janela para troca partidária aberta pela promulgação da Emenda Constitucional 91/16 já permitiu a mudança de partido de 92 dos 513 deputados federais. A emenda, promulgada em 18 de fevereiro, abriu um prazo de 30 dias para os parlamentares mudarem de legenda sem perder o mandato. PMDB, PT e PSDB perderam deputados, enquanto
o PP ganhou.
Mais partidos

» Segundo o Supremo Tribunal Federal, os mandatos não pertencem aos candidatos, e sim aos partidos. Por isso, há a liberdade de trocar de legenda, desde que entregue o mandato. A exceção se dá quando a saída é para um partido recém-criado. Nesse caso, não há prejuízo do cargo.

História de Brasília
Doutor João Goulart, Brasília é uma experiência que lançou o Brasil no exterior. Brasília deu ao brasileiro a confiança em si mesmo que ele havia perdido. Brasília substituiu o Jeca Tatu pela personalidade do Candango. Respeite isto, doutor Jango, e todos seremos gratos. (Publicado em 10/09/1961)

O perigo do medo da verdade

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