VISTO, LIDO E OUVIDO – Relações contaminadas

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Criada por Ari Cunha desde 1960

jornalistacircecunha@gmail.com

com Circe Cunha e Mamfil

         Um dos passivos, e talvez um dos mais nefastos, gerados pelos treze anos de governo petista, com suas pretensões extemporâneas de reerguer o Muro de Berlim, pulverizado com o fim da União Soviética, incidiu, sobremaneira sobre as relações exteriores do Brasil com o restante do mundo.

         A  nova reorientação nessas relações imposta de cima para baixo, desprezando mais de um século de experiências acumuladas nesse complexo ofício, fazendo o país voltar as costas para seus antigos parceiros, mais do que desconstruir, da noite para o dia, esse intrincado relógio, levou-nos à uma posição  de  unilateralidade, de onde passamos a enxergar apenas parceiros ligados e simpáticos ao governo de turno. Com isso, foi estabelecida uma nova metodologia nas relações com o exterior, onde o que importava agora não eram os benefícios reais para o Brasil, mas uma construção abstrata que fazia do Brasil uma espécie de farol a guiar o imenso transatlântico à deriva que se tornou o mundo bipolarizado depois de 1989.

         Obviamente que numa posição como essa, os ônus para o Brasil em suas relações com o restante do mundo, seriam, como a prática assim confirmou, muito maiores. O que amainou e tornaria esses estragos um pouco menores, num primeiro momento, foram fatores alheios à essa reorientação de viés ideológicos e mais fincados no mundo real e representados, principalmente  pelo boom nos preços das commodities.    Não fosse por esse momento insólito, propiciado pelas exportações de produtos in natura, e que traria  um certo alívio nas finanças públicas, dificilmente o Brasil suportaria a continuação dessa orientação requentada de terceiro mundismo.  Como parte didática desse novo Ministério das Relações Exteriores que nascia, artificialmente,  de fora para dentro, foi providenciada uma espécie de cartilha ou catecismo a ser seguida pelos profissionais desse métier.

         Até mesmo o titular da pasta, num gesto inusitado e sintomático, filiou-se ao partido do governo, transformando-se num executor, dentro do ministério, das diretrizes do partido, alheio, portando, aos interesses do Estado. O preço pago pelo País, por conta dessa nova reorientação poderia até ser medido em termos quantitativos, como, por exemplo, no atraso do programa espacial, no que diz respeito ao mercado de satélites de telecomunicações, entre outros passivos. É de se salientar também que para os planos puramente materiais de nosso País, o novíssimo modelo adotado pelas relações exteriores, resultou numa transferência de bilhões de reais, por meio de um  BNDES ardilosamente remodelado para atuar no exterior, aos países que comungavam o mesmo credo e que, como é sabido, não honraram , até hoje esses “empréstimos”.

          Os prejuízos mais significativos, e talvez mais duradouros viriam com a perda de credibilidade perante o mundo, construída, a duras penas,  ao longo de mais de um século de diplomacia. Deu no que deu.

A frase que foi pronunciada:

“Antes mesmo das reformas política, tributária e previdenciária, o Brasil precisa é de uma reforma psicanalítica”.

Nelson Motta, jornalista brasileiro

Belo dia

Uma beleza passar o dia no Jardim Botânico. Belas trilhas para seguir pedalando. O porteiro e outros funcionários muito educados, brinquedos diversificados para a meninada, latas de lixo para manter o ambiente saudável. Apenas os banheiros estão em estado deplorável. Velhos e sem manutenção. Com pouca verba é possível uma restauração. Nenhuma depredação no local.

Institucional

Um batalhão de servidores públicos do Judiciário, do Legislativo e do Executivo tanto federal quanto distrital aposentado. São pessoas experientes que muito tem a contribuir com o país e com a capital. É hora de termos um conselho de notáveis para ser ouvido pela sociedade.

Regras

Governador Ibaneis Rocha disse que população não admite o pagamento de um salário de R$ 17 mil para o jardineiro da Novacap. Quem não deveria admitir é o GDF. A Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) faz pente fino nas folhas salariais das empresas públicas e cargos de diretores também extrapolam a linha do bom senso quanto ao pagamento. O que vai ser feito não foi anunciado.

Exposição

Hoje e amanhã Felipe Morozini (A cidade inspira – Palavras) e Jean Matos (Pulso), apresentam Itinerante em Casa. Na Praça Central do Casapark. No blog do Ari Cunha mais detalhes.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA 27/07/2019

Lamentamos o ocorrido, e louvamos a atitude da Sousenge, prometendo pagamento de cem por cento. Gente honesta, que se meteu num bom negócio, que de uma hora para outra se transformou, por causa do governo inimigo de Brasília, em grandes dificuldades. (Publicado em 25/11/1961)

Democracia direta

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26/07/2023  Correio Braziliense | COLUNAS | 11

VISTO, LIDO E OUVIDO – Democracia direta

Criada por Ari Cunha desde 1960

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com Circe Cunha e Mamfil

 

Ao longo da história, a democracia tem evoluído de modo mais lento do que as sociedades exigem. Há, desde sempre, múltiplos desafios significativos para garantir uma verdadeira participação política igualitária para todos os cidadãos capazes de envolver todo no destino comum do país. Embora com algumas críticas, a participação direta na gestão pública tem sido apontada como um caminho possível. Trata-se de uma abordagem importante para enfrentar os desafios atuais e construir sociedades mais justas e inclusivas. A desilusão com o modelo de representação atual, quando se verifica que os políticos estão mais interessados em resolver suas regalias e seus problemas imediatos, tem levado alguns teóricos a insistir num maior envolvimento da população no governo.

A participação direta requer o envolvimento ativo dos cidadãos nas decisões políticas e na vida pública, sem depender, exclusiva e excessivamente, dos representantes eleitos. Só que isso parece requerer muito trabalho e esforço, além de exigir uma sociedade mais dinâmica e disposta para enfrentar os desafios de governar. De toda a forma, os ingredientes para que isso ocorra de modo racional existem, podendo ser alcançados por meio dos tradicionais mecanismos como plebiscitos, referendos, assembleias populares, audiências públicas e outras formas de consulta direta à população.

Razão para que isso aconteça o mais breve possível existe aos milhões. A participação direta é importante e pode promover uma democracia mais efetiva, inclusiva e com maior igualdade. A participação direta do povo na gestão do país permite que todos os cidadãos tenham a oportunidades iguais de expressar suas opiniões e, com isso, influenciar mais fortemente as principais decisões políticas, sobretudo aquelas que afligem os cidadãos. Esse modelo é, especialmente, relevante para grupos minoritários e marginalizados que, muitas vezes, têm suas vozes ignoradas ou sub-representadas nos processos políticos tradicionais.

Empoderamento cívico é fundamental para sustentar uma democracia sadia. Permitir que os cidadãos participem ativamente do processo político, de forma direta, incentiva o senso de responsabilidade de cada um. Não por outra razão, em países, onde os cidadãos se envolvem mais ativamente no governo e se engajam mais nos assuntos do Estado, alcançam maiores resultados positivos na vida de todos. Esperar que tudo seja feito apenas pelo governo, tem sido um dos pontos fracos de nossa democracia e razão de nossas crises institucionais cíclicas.

A população colocada à margem de tudo o que se passa na gestão pública contribui ainda para que os casos de corrupção aconteçam repetidamente. Quanto mais mal informados sobre os bastidores do poder, mais e mais os cidadãos têm sua vida afetada de forma negativa. O lema que deveria ser adotado por todos os brasileiros doravante poderia ser: “Nada do que ocorre no Estado e no governo me é estranho”.

A vida comunitária depende da vontade de participação de cada um na gestão da coisa pública. Não é segredo para ninguém a afirmação de que a participação direta de todos permite que as pessoas estejam mais envolvidas nas questões políticas do dia a dia e, portanto, tenham acesso às informações relevantes para tomarem decisões in loco e para o bem das comunidades. Isso pode levar a políticas mais bem fundamentadas e melhores resultados para a sociedade como um todo.

O combate à corrupção e clientelismo podem ser sensivelmente reduzidos com a participação direta de todos, minorando o poder concentrado em mãos de poucos e, com isso aumentando a transparência nas decisões políticas. Também a chancela democrática, com a maior inclusão dos cidadãos na tomada de decisões políticas, pode aumentar a legitimidade das próprias políticas públicas, uma vez que elas são resultado da vontade expressa dessa mesma população.

Apesar de seus benefícios, a participação direta também enfrenta desafios, como a necessidade de garantir que as informações sejam acessíveis a todos, evitando a manipulação de opiniões e garantindo que todos os segmentos da população sejam devidamente representados. No entanto, com a adoção de tecnologias adequadas e o compromisso das instituições democráticas em valorizar a participação direta, é possível avançar em direção a sociedades mais justas e inclusivas. O problema é que nossos políticos, principalmente aqueles que adquiriram a condição de políticos profissionais, dificilmente deixarão que isso aconteça. A democracia direta parece ser um risco apenas para aqueles que fazem da política um meio de vida. A democracia que queremos é aquela que nós temos que lutar por ela. Luta, portanto, é uma missão indelegável.

 

» A frase que foi pronunciada

“A Constituição é a bíblia daqueles que têm fé na democracia.”

Whelchess

 

» História de Brasília

Ontem, estivemos em Goiânia, na sede da CELG, e participamos do interesse dos seus técnicos na solução do problema. Estão todos voltados para a segunda etapa da Cachoeira Dourada, mas nada podem fazer, senão as obras civis, que estão bem adiantadas. (Publicada em 22/3/1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO –  Língua de sogra

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         Diz com muita propriedade o Salmo 52 que os peixes morrem pela boca e os homens pela língua. Infelizmente esse é um alerta que poucos têm dado ouvidos, sobretudo a classe política de nosso país, historicamente sempre ávida por marcar posições através daquilo que dizem. Servisse de guia e de orientação a ser seguida, muitos contratempos poderiam ser evitados, sobretudo aqueles que acabam gerando crises institucionais.

          Não é de hoje que as crises políticas que abalam o país e que de certo modo atrapalham o pleno desenvolvimento da nação, são geradas por falas mal pensadas ou saídas da boca sem passar antes pelo cérebro. A verborragia é a arte dos parlapatões ou dos boquirrotos. Espremidas e peneiradas pela razão e o bom senso, não sobram, senão salivas. Mas pelo mal que, por séculos, têm causado ao país e aos brasileiros, as falas soltas deveriam ser detidas a tempo de não aumentarem nossos infortúnios, que não são poucos.

         Para quem se detém em analisar o que nossas lideranças políticas dizem a torto e a direito e de modo despretensioso, o que deixam escapar, sem querer, e o que dizem é aquilo que gostariam de fazer de fato. Para os parlamentares e os que vivem da fala e do discurso, a tarefa de exercitar a mente para educar a língua é sempre um trabalho difícil, mas necessário.

         Curioso que temos nesse momento histórico em que vivemos, dois personagens, situados em lados extremos da política, e de tão antagônicos, praticamente se tocam em similitude quando a questão é verborragia e a língua solta. Lula e Bolsonaro são dois grandes parlapatões da atual cena política nacional, e por esse destempero vocal, transformados num misto de vício e mania, já foram muito além do razoável e já causaram diversos danos a si e aos cidadãos desse país. A diferença aqui é que a frouxidão de Lula com a língua parece se estender também para uma lassidão no campo da ética.

         Esses personagens falam, como se diz, pelos cotovelos e se mostram também, nas entrelinhas quem são. De Bolsonaro, pode-se dizer, perdeu a eleição em novembro de 2022, em parte pela sua verborragia durante seu mandato, comprando brigas e intrigas desnecessárias, indispondo-se com a Stablishment e outros próceres do sistema, queimando pontes e causando conflitos, que ao final vieram lhe prejudicar, colocando parte da imprensa, do Judiciário e do Parlamento contra seu governo. O problema aqui, aliado a língua solta, era o excesso de franqueza e de sentimentos contraditórios que percebia em seu entorno e que foram potencialmente elevados, depois da tentativa de assassinato e seus efeitos físicos posteriores, que passou a experimentar com esse atentado.

         De fato, Bolsonaro foi o personagem mais atacado em toda a história de nossa República e ainda segue colhendo infortúnios e perseguições de todos os lados. Mesmo tendo sobrevivido à uma verdadeira guerra, travada em diversas frentes contra ele, Bolsonaro, conseguiu a proeza de se tornar querido junto a grande parcela da população brasileira, por onde transita com facilidade e sempre cercado de grande multidão.

         Lula, Lula, Lula, como dizia José Dirceu, com reticências cheias de histórias mal contadas, tornou-se um personagem folclórico da história política brasileira, justamente por sua língua solta que parece dançar  dentro da boca. Trata-se aqui de um verdadeiro Macunaíma, o herói sem caráter, o encantador de serpentes incautas. Lula vive hoje, por seus malabarismos passados, a contradição de ser, talvez, o único presidente da República que não pode transitar tranquilamente em vias e praças públicas. De tanto que fala, pode-se inferir que nesse personagem ímpar, estão irmanados diversos outros personagens. Sua língua destrambelhada parece comandada por diversas entidades distintas. Foi com essa lábia toda que construiu seu itinerário político e com ela se mantém em pé até hoje. Seu retorno à vida política nacional, não foi obra apenas sua. Foi resgatado do fundo do poço por um Judiciário açoitado pela língua de Bolsonaro.

          Hoje a língua solta de Lula causa transtornos na cena nacional e internacional. Diz o que diz e depois se desdiz com a mesma facilidade. Pena que durante os debates políticos transmitidos pela TV, a regras demasiadas estreitas não permitiram que esses dois personagens pudessem duelar livremente, numa batalha de línguas, mais afiadas que espada espartana, mais venenosas que língua de sogra.

A frase que foi pronunciada:

“O problema com ela é que ela tem o poder da fala, não o poder da conversa.”

George Bernard Shaw

Lei Distrital

Uma só festa na Torre Digital foi capaz de incomodar Asa Norte, Lago Norte e Paranoá sem que as autoridades tomassem providências para evitar reincidência. Bastava aplicar a lei do Silêncio, já que a festa foi da tarde do dia anterior até 6h da manhã do dia seguinte. Talvez a solução seja uma lei impondo que todo responsável por festa rave, ou similar, seja obrigado a distribuir fones de ouvido para cada convidado, assim como se faz com os óculos em filmes de 3 dimensões. Que curtam a festa com seus próprios ouvidos, sem incomodar quem paga os impostos em dia.

História de Brasília

O pessoal de portaria é arrebanhado (há exceções) entre os operários das obras, e é incapaz de dar uma informação, de manter asseada uma entrada, de zelar pelo bloco. (Publicada em 21.03.1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO –     O preço da cervejinha

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         É da quintessência humana a dubiedade, o Eros e o Tânatos, a matéria e o espírito. Nessa relação dupla cabem ainda a mentira e a verdade, balanceadas de acordo com caráter de cada indivíduo. Portanto não chega a ser estranho a observação de que o ser humano é, por natureza, um criador e mesmo propagador do que se chama hoje fakenews.

         Quem nunca espalhou uma mentira, mesmo sem querer, atire a primeira pedra. Desse modo, fôssemos seguir à risca o que ordena, de modo absoluto o Inquérito das Fakes News, como pensado, proposto e executado, de modo impositivo pelo Tribunal Superior Eleitoral, todos os brasileiros, sem exceção, deveriam ser arrolados no citado documento inquisitorial. O problema aqui é a referida peça ser lançada também contra os amicus curiae e todos os áulicos. É o que dizia no passado, Stanislaw Ponte Preta :” Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”.

 Talvez o primeiro a constar nesse Index Prohibitorum seja  mesmo o atual aquele que repete o mote, “ninguém nesse país, em tempo algum…” Essa figura pública produziu um conjunto tão assombroso de fakenews como o partido que ocupa. Temos que ser coerentes e isentos. De tão impensável essa situação, temos que nos ater o que a realidade nos apresenta, ou seja, um rol de réus, todos eles formados por pessoas ligadas, de algum modo , as oposições.

          Aos amigos tudo. Aos inimigos os rigores de uma lei feita sob medida para eles. Fosse essa uma questão crucial e real para nossa moribunda República, encalacrada num passado que não passa, haveria modos de nos livrar dos arames farpados ou das cercas eletrificadas do Judiciário. O caso aqui é que as fakenews, nem de longe são mais nocivas do que sua co-irmã, os Crimes Virtuais, que a cada minuto lesam, de modo sério e sem punições, 3 brasileiros ou mais, de acordo com as estatísticas apresentadas pelo Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

         Este é de fato um inimigo real da nação, mas que infelizmente não merece tanto destaque por parte das altas cortes, transformando-se apenas em números e estatísticas. Enquanto todos os esforços da lei estão voltados para os fictícios inimigos políticos de uma democracia relativa, os crimes virtuais lesam a população indefesa. Do ano passado para cá esse tipo de crime teve um aumento de quase 40%, registrando quase 2 milhões de ocorrências. Só em golpes na modalidade eletrônica, foram mais de 200 mil. Note que esses números estão subnotificados, sendo que na realidade esse montante possa a ser próximo do dobro.

         Há ainda nesse rol de crimes reais, o golpe do Pix. Observe ainda que boa parte desses crimes contra o cidadão é decorrente daquela modalidade, lembrada de modo suspeito pelo atual presidente, de indivíduos que roubam celulares “para tomarem uma cervejinha”. Quanta misericórdia com o mal feito. Também no caso dos celulares, há registros de mais de um milhão roubados por ano. Haja cerveja.

          Na verdade, o que é fake, são as fakenews. O crime virtual é que passa ileso, sem ser percebido pelas autoridades. O mesmo ocorre agora com o endurecimento da posse de armas pelo cidadão. as Autoridades se esmeram em retirar as armas das mãos do cidadão de bem, que se proteger da violência endêmica, mas em momento algum fazem menção de retirar o arsenal de guerra das mãos do crime organizado. Alguma coisa não cheira bem nessa nossa República.

A frase que foi pronunciada:

“A Constituição é a Bíblia daqueles que têm fé na democracia”

Whelchess

INSS

Toda iniciativa que vise desburocratizar deve ser bem recebida. Com o primeiro cadastro bem detalhado e com a presença do idoso para a identificação biométrica, o transporte público, que terá o mesmo aparato para identificar as digitais do passageiro poderá servir de prova de vida para o INSS. A agência Brasil publicou a fala de Alessandro Stefanutto sobre o assunto: “Estamos nos articulando com a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (DF) para que um assegurado nosso, ao passar por uma catraca [de ônibus ou metrô] em que haja identificação biométrica, faça sua prova de vida”.

E a conta, ó!

 No ParkWay ainda há postes acesos durante todo o dia.

História de Brasília

Ontem estivemos em Goiânia, na sede da CELG, e participamos do interesse dos seus técnicos na solução do problema. Estão todos voltados para a segunda etapa da Cachoeira Dourada, mas nada podem fazer, senão as obras civis, que estão bem adiantadas. (Publicada em 22.03.1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO –   Um novo papel institucional

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Criada por Ari Cunha desde 1960

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com Circe Cunha e Mamfil

Uma das muitas consequências, não previstas na atual Carta de 88, da  transformação do Supremo Tribunal Federal de “departamento técnico especializado em questões constitucionais” para ser  “um poder político na vida dos brasileiros”, como afirmou o ministro e próximo presidente dessa corte,  Luís Roberto Barroso, não é tanto o respaldo dado  pelo voto do cidadão, que é condição sine qua non para o exercício político, mas o surgimento de uma nova instituição, que por suas novas atribuições, ou auto atribuição, como quer o togado,  não seria nem uma coisa nem outra.    Ou isso ou aquilo, como ensinou a poetisa Cecília Meireles: “Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva”. O novo papel dessa corte na vida dos brasileiros, quando se sabe que seus membros são indicados pelo presidente da República, entraria na “vida dos brasileiros” como penetra à serviço exclusivo do chefe do Executivo. Na realidade, seu novo papel ou importância como instituição, seria diminuído, passando a ser apenas um órgão chancelador da vontade do Executivo. Perderia, portanto, sua independência, contrariando o que manda a própria Constituição. Contribuiria ainda para a desarmonia entre os poderes, ofendendo, mais uma vez a Carta de 1988. Em suma contribuiria para o aumento das crises institucionais, já que a democracia é instituída pelo voto.

A Teoria Tripartite dos Poderes, como imaginado a milhares de anos por Aristóteles em sua obra “A Política” e posteriormente reforçada pelo iluminista Montesquieu no século XVIII, seria lançada no lixo, sem uma nova tese à altura. O que se quer, não é o que o povo quer. Dito isso fica a dúvida: haverá salvação para o Estado Democrático de Direito com um modelo como esse? Ser ou ser, eis a questão.

Na prática o que se tem, nesse momento conturbado na vida dos brasileiros, é a ação dessa Corte como um poder político. Essa nova performance da alta corte, como mostram os ânimos da população, não tem sido bem acolhida pela nação e por boa parte dos parlamentares e daqueles que verdadeiramente representam os eleitores desse país.

A judicialização política, estaria na base dessa “nova concepção do Supremo”, com o Congresso perdendo, por vontade própria a capacidade de legislar e de resolver internamente suas disputas e diferenças. Indo ainda mais profundamente nas causas primeiras, estaria na ausência de uma reforma política séria, as razões que levam hoje o Supremo a reivindicar um novo papel institucional.

Se existe, de fato, uma culpa por esse processo de desestruturação da República, ela é coletiva e recai também sobre o eleitor. O certo é que com essa nova estrutura do Supremo, manifestada pelo ministro Barroso, mais do que um remendo para nossa República, ela é mais um elemento a contribuir para a instabilidade política do país.

A inanição do Congresso, por ação de seus presidentes, também concorre para essa situação. Para o atual governo, essa nova posição ansiada por membros dessa alta corte é tudo o que ele mais desejava, já que conta com maioria quase absoluta na composição dessa instituição. Para a oposição, essa é uma situação que mais e mais nos aproxima de países como a Venezuela, onde a Suprema Corte foi totalmente controlada pelo governo local.

A frase que foi pronunciada:

“A Constituição é a Bíblia daqueles que têm fé na democracia”

Whelchess

 

INSS

Toda iniciativa que vise desburocratizar deve ser bem recebida. Com o primeiro cadastro bem detalhado e com a presença do idoso para a identificação biométrica, o transporte público, que terá o mesmo aparato para identificar as digitais do passageiro poderá servir de prova de vida para o INSS. A agência Brasil publicou a fala de Alessandro Stefanutto sobre o assunto: “Estamos nos articulando com a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (DF) para que um assegurado nosso, ao passar por uma catraca [de ônibus ou metrô] em que haja identificação biométrica, faça sua prova de vida”.

 

E a conta, ó!

No ParkWay ainda há postes acesos durante todo o dia.

História de Brasília

Ontem estivemos em Goiânia, na sede da CELG, e participamos do interesse dos seus técnicos na solução do problema. Estão todos voltados para a segunda etapa da Cachoeira Dourada, mas nada podem fazer, senão as obras civis, que estão bem adiantadas. (Publicada em 22.03.1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO – Modelo de governança

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         Segue, sem fim, a saga do loteamento político na Esplanada dos Ministério e adjacências, num modelo de governança, que todos já sabem que não terminará bem, mas ainda assim é perpetuado apenas para gaudio dos partidos e para a desespero da nação, que reconhece nessa prática apenas a retalhamento do Estado e sua entrega aqueles que nada ou pouco devolvem algo de bom para o país.

         Eis aí a nossa sina cíclica e razão do nosso atraso estendido pelo tempo afora. A moeda, nessa dança macabra das cadeiras é o voto. Um voto que deveria ser lastreado na vontade do eleitor e não na concupiscência de seus falsos representantes. Por detrás desse poderio das legendas partidárias, que tornam nosso país ingovernável, estão, além dos fundos bilionários eleitorais e partidários, as tais emendas secretas e outros descaminhos impostos ao Orçamento público.

         Por não haver quem possa cortar o mal pela raiz, extraindo dessa miríade de partidos os recursos suados da nação, haveremos de padecer ainda por muito tempo. A reforma política, que com certeza não virá jamais, deveria ser o carro chefe de todas as reformas, inclusive a tão trombeteada reforma fiscal.

         Começamos pelo fim, votando o que deveria ser a última de nossas preocupações, como quem começa a casa pelo telhado. Insanidade. Agora e mais uma vez, chega a ameaça velada do infiel Centrão, dizendo que não aceitará qualquer cargo no governo. Deseja essa bancada inconfidente, posições de destaque dentro do organograma do Estado. Não um posto qualquer, mas uma sinecura que lhe renda poder e aumente sua capacidade de interferir no governo e nas finanças públicas. Só não vê quem quer.

          Entre o governo e eleitorado, faltando ainda alguns anos para as próximas eleições, o Centrão e outras bancadas da pressão, ficam com que lhes indicam os caciques das legendas. Tudo acordado em reuniões de líderes. Abrigar esse e outros partidos no governo, de acordo com fórmula desenhada depois da Constituinte de 1988, tem sido motivo de escândalos desde sua origem, forçando o governo a reformas ministeriais cíclicas e sempre piores.

         O presidencialismo de coalizão não tem dado certo, por que força, os governos a ter que construir a cada legislatura, uma base política confiável. Acontece que uma base congressista fiel, realmente devotada aos interesses da nação, é peça rara. O que existe de fato é uma espécie de coalizão de líderes, com vistas ao fortalecimento de suas bancadas.

É um jogo circunscrito, que começa e termina dentro das esferas de poder e que só se estende à nação, quando seus efeitos negativos forçam a população a arcar com custos dessas costuras mal ajambradas. Fossem contabilizados, em números e cifras, quanto custa para o contribuinte a obtenção de votos garantidos no Legislativo, veríamos que a cada votação de interesse do governo e de sua base, os eleitores vão ficando cada vez endividados.

         Existe sim uma coalizão, que é a do poder. Nesse patamar, onde estão as principais lideranças políticas do Estado, existe de fato essa coalizão, fora dessa esfera fechada, só existe o vácuo. Não tarda e toda essa estrutura erguida para permitir o chamam de governabilidade, será, mais uma vez rompida, como um ovo que eclode de dentro para fora.

         O que irrompe desse ovo disforme, logo toma espaço nos noticiários policiais, vai à Justiça e desaparece num passe de mágica e é esquecido, dando lugar a um novo governo e à uma nova coalizão.

A frase que foi pronunciada:

“Tudo o que parece óbvio deve ser questionado”

Dieter Rams

INSS

Toda iniciativa que vise desburocratizar deve ser bem recebida. Com o primeiro cadastro bem detalhado e com a presença do idoso para a identificação biométrica, o transporte público, que terá o mesmo aparato para identificar as digitais do passageiro poderá servir de prova de vida para o INSS. A agência Brasil publicou a fala de Alessandro Stefanutto sobre o assunto: “Estamos nos articulando com a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (DF) para que um assegurado nosso, ao passar por uma catraca [de ônibus ou metrô] em que haja identificação biométrica, faça sua prova de vida”.

História de Brasília

Com isto, outros municípios goianos, notadamente Anápolis e Goiânia, sofrem, igualmente, as deficiências que são agravadas com o aumento de consumo em Brasília. Nós consumimos 10 mil quilowates e há momentos em que este consumo chega a 16 mil, provocando distúrbios em todo o sistema elétrico. (Publicada em 22.03.1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO –   Quando a política se veste de poesia

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Criada por Ari Cunha desde 1960

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com Circe Cunha e Mamfil

         Notícia dando conta de que a Procuradoria Geral da República (PGR) determinou que redes sociais enviem dados completos de todos os brasileiros que seguem o ex-presidente Bolsonaro (PL) em suas plataformas, pegou todos de surpresa, inclusive os políticos que apoiam o atual presidente.

         De acordo com o que foi divulgado, a solicitação foi enviada para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A repercussão da notícia fez com que a PGR explicasse a iniciativa publicando no portal: “Carlos Frederico Santos – subprocurador-geral da República, coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos e autor do pedido – esclarece que “impõe-se dimensionar o impacto das publicações e o respectivo alcance. Jamais iria investigar milhões de pessoas, seria até impossível fazer isso”, explica. Ele lembra ainda que, além dos admiradores ou aficcionados do ex-presidente, há pessoas que o seguem por curiosidade, informação, motivação profissional, acadêmica ou interesses diversos. “Só há um investigado neste caso: o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro”, conclui.

         Mesmo com o recesso no Legislativo, diversos deputados e senadores manifestaram preocupações com a medida, além, é claro, da defesa do próprio ex-presidente. Alguns políticos chegam a afirmar que a PGR esperou o recesso do Legislativo para encaminhar esse pedido, a fim de evitar manifestações contrárias dos parlamentares e com isso aumentar, de modo generalizado as repercussões sobre essa medida excepcional.

          Para aqueles que acompanham mais essa ação movida contra o ex-presidente pelo atual governo e pelo Judiciário, trata-se de uma manobra ampla visando cercar, por todos os lados, não apenas o ex-mandatário, mas todos aqueles que o apoiam. Se for acatada ipsis litteris, essa medida inusitada e muito bem articulada internamente entre a PGR, STF e o TSE, irão receber algumas dezenas de milhões de informações sigilosas, que num autêntico Estado Democrático de Direito, seria impensável e mesmo ilegal.

         No pedido consta ainda que essas plataformas informem a quantidade de visualizações, curtidas, compartilhamentos, comentários e outra informações métricas. Também está incluído nesse pedido da PGR, que essas mídias eletrônicas forneçam cópias dos vídeos que contenham críticas e ataques às urnas eletrônicas, publicadas nas redes sociais do ex-presidente.

          De acordo com a própria PGR o objetivo dessa medida visa “fundar uma análise objetiva do alcance das mensagens, vídeos e outras manifestações publicadas por Bolsonaro nas redes sociais”. Infelizmente aqueles órgãos de vigilância, que a anos dizem lutar a favor da liberdade de expressão, como garantida pela Constituição, e que se dizem independentes e destemidos, estão agora mudos e surdos sobre uma medida que fere frontalmente o exercício da livre manifestação do pensamento.

          Os apoiadores do ex-presidente que se somam aos milhões, denunciam que essa medida é apenas a primeira de uma série que virá em seguida visando o monitoramento político, em larga escala, em nosso país. Basta estudar a Venezuela que está na comissão de frente. É a tal história já conhecida por muitos: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim…” Aqueles que hoje festejam medidas como essa e fazem troça dessa perseguição, por questões ideológicas, lembrem-se que no fim do poema de Eduardo Alves da Costa, todos acabarão por ter o mesmo destino justamente porque não disseram nada.

A frase que foi pronunciada:

“Até que um dia/ o mais frágil deles /entra sozinho e nossa casa, rouba-nos a luz e,/conhecendo nosso medo,/ arranca-nos a voz da garganta./ E já não podemos dizer nada.”

Eduardo Alves da Costa

Lembrete

A Carta Constitucional de 1988 deu ao Ministério Público ganhos tanto em abrangência como em densidade normativa. Nesse ponto deu a essa instituição um maior protagonismo político, passando o MP de defensor do Poder e do governo, para defensor da sociedade.

Detalhe

Ao vincular o Ministério Público ao Estado Democrático de Direito, voltando-o basicamente para a defesa das liberdades individuais, a Carta de 88 conferiu ao MP um papel de defesa da sociedade contra possíveis investidas do Estado e do governo.

Mistério

Portanto é de estranhar que agora o mesmo MP se volte contra a população, justamente aquela enorme parcela que passou a apoiar , livremente o ex-presidente nas redes sociais.

História de Brasília

As interrupções que têm havido, ultimamente, são provenientes da queda de produção de Cachoeira Dourada. O rio subiu demais, diminuindo a capacidade de produção. Daí, as constantes quedas da rêde que liga Brasília. (Publicada em 22.03.1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO – O antípoda da República

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         Numa República, que faça jus ao nome e que objetive a universalização do bem público, não caberia, por razões óbvias e éticas, a existência de cargos e outras sinecuras no serviço público, do tipo vitalício. O próprio sentido da vitaliciedade já desconfigura a República, naquilo que ela possui de mais característico, que é a impessoalidade e o interesse comum.

         Ao assenhorear-se de um cargo vitalício, todo e qualquer indivíduo, adentra para um mundo onde as leis naturais, que regem outros homens, já não possui mais sentido. Nesse ambiente, distante anos luz de qualquer sentido republicano, o tempo cuida de amalgamar o cargo, a função e o próprio indivíduo, transmutando tudo num só elemento, onde já não é possível separar e distinguir sujeito e objeto.

          O cargo e a função vitalícia representam não só o antípoda da República, como cuida de desmaterializá-la, desmoralizando-a frente a sociedade. Ao transplantar esse modelo próprio da antiga monarquia, para a República, o que o instituto da vitaliciedade conseguiu, foi a contaminação da correta e isenta prestação dos serviços públicos com elementos personalistas, distantes, pois, aos interesses dos cidadãos.

          Ao mesmo tempo em que se afasta das necessidades dos cidadãos e da própria ética pública, a vitaliciedade faz da máquina pública um mecanismo à serviço das elites. Para além de servir como instrumento de impunidade para aqueles que eternamente esses cargos, a vitaliciedade cria, aos olhos de todos, cidadãos de primeira e de segunda classe, tornando esses privilegiados e outros, aos quais protegem, blindados pelo manto de intocabilidade, livres de quaisquer punições, mesmo que cometam crimes não condizentes com o cargo que ocupam.

         Quando apanhados em crimes e delitos de grande repercussão, dos quais os cidadãos comuns jamais se livrariam, esses eternos senhores são punidos com aposentadoria compulsória, recebendo salário integral e outras prebendas como reparação a expulsão do paraíso.

         Esperar que qualquer sentença judicial, transitada em julgado, venha por fim à esse caso é esperar pelo o que jamais irá acontecer. A vitaliciedade de uns acoberta e protege a vitaliciedade de outros e todos vivem felizes para sempre, nessa terra do nunca em que se transformou os cargos vitalícios.

         As razões são sabidas: todos esses cargos levam o contemplado à uma espécie de paraíso na terra, onde as mordomias são infinitas, as obrigações são poucas e os castigos não acontecem. De vitalício para uma República bastaria a ética.

A frase que foi pronunciada:

Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos

Nelson Rodrigues

Empatia

Ninguém vê mais em Brasília cavalos puxando carroças cheias de material de reciclagem. Sofriam de maus tratos e exaustão. As instituições que protegem os animais fizeram e aconteceram. Agora é lei. Nada de cavalos carregando peso, sem alimentação adequada e tratados com tanta indignidade. No lugar deles ficaram seres humanos, que agora carregam sozinhos o peso dos carros improvisados que lhes dão o sustento.

Crime

Outro caso é a lei de trânsito, onde há a proibição de o motorista colocar o braço para fora do carro. A não ser que seja caminhão de lixo. Nada previsto na legislação neste caso. Aí sim, é permitido que seres humanos pendurem o corpo na parte externa do veículo faça sol, venha a lua ou faça chuva.

De Brasília

Pouca gente sabe que as primeiras missas da igreja Nossa Senhora de Guadalupe aconteciam no apartamento de Dona Cora Monção, no 5º andar do bloco A da quadra 312 Sul. Enquanto a construção não estava pronta a comunidade da redondeza se apertava no apartamento para ouvir a homilia e receber a hóstia.

História de Brasília

Quando Cachoeira Dourada foi construída, em 1953, ainda não se falava em Brasília. Por isto, a usina foi projetada para uma linha de 200 quilômetros, e 132 mil volts. Com Brasília, essa linha passou a ser de 400 quilômetros, e de 220 mil volts. (Publicada em 22.03.1962)

VISTO, LIDO E OUVIDO – Campo minado

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Não há hoje um único cidadão de bom senso capaz de apostar um centavo furado no futuro de uma América do Sul, onde os cartéis do narcotráfico cuidam,  cada um a seu modo, de destruir os alicerces políticos, econômicos e sociais de muitos países do  continente. Para piorar uma situação, que em si mesma já é pra lá de caótica, existe ainda,  comprovadamente, associações veladas entre esses cartéis do crime e alguns no comando de seus  países, como é o caso específico da Venezuela, onde os observadores dizem ser impossível  distinguir as fronteiras que separariam as legendas políticas do crime organizado.

O poderio econômico e de fogo dessas organizações tornam fáceis os acessos ao poder. Quando não  compram os políticos e até legendas inteiras, simplesmente os eliminam. O número de crimes contra a  vida, principalmente daqueles que ousam enfrentar esses cartéis ou questionar o próprio ,  ocorrem aos milhares a cada ano.

A maioria, por questões óbvias, não são sequer investigados. Os problemas em países como a  Venezuela, Equador, Nicarágua, Colômbia, Peru e muitos outros é que a imprensa livre é uma  instituição em processo acelerado de extinção. Há um número incerto e alto de jornalistas que  perdem a vida a cada ano ao investigar a infiltração do crime organizado dentro do Estado.

Nesses países, como no Brasil, tornou-se comum o financiamento de campanhas políticas pelo crime  organizado. A eleição dos candidatos ligados aos cartéis do crime é um processo também  comprovadamente em andamento. O reforço e consolidação do chamado Narco-Estado é uma realidade. Em  alguns desses países do nosso continente, a presença dentro dos s de elementos ligados às  quadrilhas criminosas vem acontecendo há algum tempo e tornam a realidade em um num misto entre  o que é oficial e legal e entre o que é oficioso e ilegal.

Mesmo as forças armadas, como no caso da Venezuela, estão, segundo os serviços de inteligência de  vários países, mortalmente infiltradas por criminosos, que não se intimidam em usar o aparato  militar para dar proteção às atividades dos cartéis. A situação é de alarme. Correndo por fora  desse caos institucional, os guerrilheiros que atuam no combate aos s também engrossam as  fileiras para destruir os poderes constituídos.

A questão toda é que a Europa, os Estados Unidos e outros países do planeta injetam bilhões de  dólares na compra e no financiamento desses narco-cartéis . Enquanto o consumo de drogas pelo  mundo continuar numa trajetória ascendente, os cartéis do crime continuarão agindo para destruir  países e sociedades inteiras.

Também, a facilidade de comunicação, trazida pela internet ajuda não só na organização e na  logística do tráfico, como colabora para abrir caminhos seguros para o escoamento da produção de  centenas de toneladas de cocaína produzidas pelos países sul americanos. O Brasil não está fora de  rota da morte.

A Região Amazônica é hoje um corredor natural para narcotraficantes, que contam com apoio local do  crime organizado que age naquela área. Outro fator que aumenta a produção e, consequentemente, o  poderio desses cartéis do crime é dado pela integração internacional de muitas facções de  traficantes, que parecem ter criado uma espécie de multinacional das drogas.

 

» A frase que foi pronunciada

“Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo.”

Carl Jung

 

Atitude

» Enfim os pedidos dos moradores da Asa Norte foram atendidos pelo Detran. A Operação Sossego  apreendeu 15 motos, que trafegavam pelas calçadas e com escapamento alterado para fazer mais  barulho.

 

 Consciência

» Proposta interessante do ex-r José Serra vai à sanção presidencial. O projeto torna lei a  negociação prévia antes de multas em estabelecimentos pela Vigilância Sanitária. Em caráter de  alerta, a solução é cobrada em um espaço de tempo. Caso não seja cumprida, daí sim, vem a multa.

O flautista do Planalto

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com Circe Cunha e Mamfil

Desde a redemocratização, ocorrida nos anos oitenta, o chamado presidencialismo de coalizão, vem ganhando fôlego, sem que ninguém faça nada para impedir que essa descaracterização da nossa República, tome corpo e engula o governo e com ele o chamado Estado Democrático de Direito.
Trata-se como já foi dito aqui neste espaço, de uma espécie de governo paralelo, que arrasta o país para beco sem luz das inconstitucionalidades e do vale tudo. Visto como deve ser, de corpo inteiro e sem arremedos, o presidencialismo de coalizão tornou-se, assim como as ditas emendas secretas, não apenas num reduto e valhacouto para bancadas como o Centrão, mas num verdadeiro aleijão a parasitar o Estado, numa simbiose, que parece nutrir Legislativo e Executivo e a mantê-los fornidos com a inesgotável fonte de recursos públicos.
A bancada conservadora, eleita em grande número pela população, para dar fim a esse e a outros vícios, parece que vai, pouco a pouco, aderindo a esse modelo desvirtuoso, certo de que o reencontro com eleitorado e as cobranças que virão ainda estão léguas de distância no tempo. Enganam-se esses deputados e mesmo senadores de primeira viagem, ao acreditarem que boa parte desse eleitorado deixará barato essa traição aos princípios republicanos.
A nova bancada, eleita graças aos ventos de renovação provocados pelo governo do ex-presidente, nem bem disseram ainda ao que vieram e já passam a engrossar o cordão do Centrão, atraídos, como camundongos, para a ratoeira farta do atual dono dos cofres públicos. PP, PL, Republicanos e outras siglas sem ideologia ou boas intenções, que aí estão para banquetear-se, vão sendo cooptadas pelo o que eles chamam de negociações políticas de bastidores, mas que na realidade se resumem ao cheiro inebriador do dinheiro e das vantagens.
Obviamente que esse é um assunto, que por suas nuances despudoradas e mal cheirosas, não deve ser tratado como ele é de fato, mas de modo eufemístico e deleitoso, como acordos de bancada ou de lideranças e coisas do gênero. O loteamento e a ocupação de estatais e de outras empresas públicas são a moeda de troca, assim como a liberação de emendas.
Não há espírito público algum nesses acordos. Tudo é ilegitimamente legal, embora não conste, uma linha sequer desses absurdos, nos alfarrábios da lei. O balcão de negócios se movimenta a todo vapor, tendo como maquinista alguém como muita experiência nesse ramo. A linguagem, cheia de eufemismos da política e fartamente noticiadas nos jornais Brasil afora, comprova a movimentação nesse mercado aberto.
 Se não é desse modo, então vejamos: “Lula fará uma contraproposta para agradar e integrar o PP e o Republicanos no Governo. (Estadão, 14 de julho) . “O presidente da Câmara entregou o prometido na votação” (idem). “Lula aproveita as férias no Congresso para esticar a corda na negociação com o Centrão.”(idem). “Centrão assume o Turismo e busca mais espaço na Esplanada.” (Correio Braziliense, 14 de julho). “Lula defende ministra da saúde após pressão do Centrão: ‘tem ministros que não são trocáveis’”. (O globo, 14 de julho). “Lula manda recado ao Centrão na sanção do Mais Médicos” (Folha de SP, 14 de julho).
Um modelo de gestão como este que aí está, deslanchando suavemente bem debaixo do nariz da população, seguramente jamais trará algo de bom para o futuro da população e na melhor das hipóteses resultará naquilo que vemos desde 1500.
A frase que foi pronunciada:
“Quando os extremistas extraem concessões das democracias em questões de princípio, seja por chantagem ou terror, as democracias não têm muito tempo sobrando. “
Philippe Val, jornalista francês
Atitude
Enfim os pedidos dos moradores da Asa Norte foram atendidos pelo Detran. Motociclistas que guiam pelas calçadas, escapamento alterado para fazer mais barulho. A operação Sossego apreendeu 15 motos.
Proposta interessante do ex-senador José Serra vai à sanção presidencial. O projeto torna lei a negociação prévia antes de multas em estabelecimentos pela Vigilância  Sanitária. Em caráter de alerta a solução é cobrada em um espaço de tempo. Caso não seja cumprida, daí sim, vem a multa.
História de Brasília
A solução seria a segunda etapa de Cachoeira Dourada, já iniciada, por sinal. Mas não ficará pronta antes de 1965, isto se o Banco do Brasil autorizar, logo, a importação do material necessário. (Publicada em 22.03.1962)