Pelos fim dos privilégios

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Por suas peculiaridades históricas, o Estado brasileiro adotou, desde a primeira Constituição republicana de 1891, o instituto do foro privilegiado. Na redação de todas as constituições posteriores, foi mantido o mesmo dispositivo, ora reduzindo a abrangência, ora ampliando o leque de indivíduos que só podem ser processados pelas Cortes superiores.

De posse dessa proteção institucional, a princípio pensada para dar amparo àqueles que exercem cargos e funções de relevância para o Estado, as mais iníquas ações foram sendo praticadas ao longo do tempo, sem que seus autores fossem, sequer, incomodados pela Justiça.

As exceções, claro, existiram, mas em números insignificantes. Aos juízos de primeira instância ficam as pessoas e os crimes comuns. Essa situação de diferenciação perante a Justiça criou tantas e tamanhas distorções, com privilégios exacerbados, que levou o Estado à atual situação, em que as principais lideranças políticas nacionais nos Três Poderes tiveram, têm ou terão contas a ajustar nos tribunais.

Propostas de Emenda à Constituição, como a PEC 470/2005, têm sido apresentadas para a apreciação dos legisladores, mas, impreterivelmente, escorregam para o fundo da gaveta e lá são deixadas. Em tempos de crise, sob o calor dos acontecimentos e da agitação das ruas, o tema volta momentaneamente à luz. Com a posse agora do novo presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso, mais uma vez foi mencionado o fim do foro privilegiado para parlamentares e para ninistros do Supremo Tribunal Federal.

Para Veloso, a situação atual, com tantas investigações de autoridades com prerrogativa de foro, transformou a própria atribuição do STF, que em princípio é de zelar pela Constituição, em Corte de primeira instância. “O STF, que tem função nobilíssima, que é a guarda da Constituição, termina sendo absorvido com questões criminais, que deveriam ser colocadas para juízes de primeiro grau”, afirma o presidente da Ajufe.

É bom lembrar que os quase 13 mil juízes de todo o país também têm foro privilegiado. A nova leva de juízes, muitos com mestrado e doutorado realizados em países que não aderem aos princípios do direito romano, como é o caso dos EUA e de parte da Europa, começam a despertar para dispositivos, antes estranhos à nossa legislação (caso da Teoria do Domínio do Fato e da Cegueira Deliberada) que poderão trazer sangue novo ao nosso ordenamento jurídico, excessivamente complacente e cheio de labirintos recursais e salvadores.

Para um país que, eternamente, almeja compor com as nações do primeiro mundo, um passo inicial seria a abolição pura e simples desses privilégios legais, tornando letra viva o que diz a própria Constituição em vigor: “Todos são iguais perante a Lei”.

A frase que foi pronunciada

“Eu proporia que se substituíssem todos os capítulos da Constituição por: Artigo Único — Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara.”

Capistrano de Abreu

Barbaridade

Em uma escola de Ceilândia, um aluno passa portão adentro montado em um cavalo, vendendo drogas e armado. Essa é a Pátria Educadora? Por isso faltam professores. E, se hoje falta educação, o futuro é sombrio.

Danos morais

Um buraco no gramado da UnB, na saída do Departamento de Música, deixou a pianista Duly Mittelstedt em repouso absoluto por uma semana.

Solidariedade

Uma campanha pela internet propõe aos motoristas do DF deixarem no carro um casaco e um cobertor para ser doado a qualquer momento. “Com certeza você vai encontrar alguém precisando” diz a mensagem espalhada para vários grupos.

História de Brasília

Há um “esquema político”, igual a essas “soluções honrosas” ou a esses “dispositivos de segurança”, segundo o qual todos os governadores que terminarão mandatos no próximo ano serão eleitos por Estados próximos, por meio barganha eleitoral. (Publicado em 7/9/1961)

Pelo fim do modelo podre

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Com a instalação formal, no Senado, do colegiado que analisa o processo de impeachment da presidente Dilma, o Brasil assiste, pela segunda vez, ao rito político e desestabilizador da defenestração de um chefe do Executivo, com todas as possíveis consequências que esse movimento traz para a estabilidade democrática. Mais uma vez, a República é tocada por mecanismos extraordinários de emergência, que, em última análise, paralisam o país, provocando sérios abalos na estrutura econômica e social.
Aqueles que cuidam do ordenamento jurídico e institucional do país precisam abordar a questão de forma honesta. Como é possível que, em pouco mais de duas décadas, os brasileiros se veem em voltas com o mesmo dilema do impeachment? Eis aqui uma questão de resposta simples, mas de dificílima solução. A repetição da história, como tragédia ou ópera bufa, expõe certa teimosia burra — característica talvez de nossa formação histórica e cultural — de insistir no erro, na esperança de que dessa vez dê certo. Por que ainda não nos livramos de crises como esta, já que conhecemos, por experiência, o que nos levou até ela?
Com a promulgação da Constituição de 1988, restou aos legisladores a importante tarefa de cuidar da regulamentação e aperfeiçoamento das muitas leis infraconstitucionais restantes. Entre esses institutos, ficou pendente conjunto de reformas vitais para o país, que nunca foi objeto de atenção do Congresso. A mais importante dessas revisões era justamente a reforma política. Considerada a mãe de todas as reformas, por sua importância no alicerce do Estado, ela foi adiada sine die, embora seja remédio eficaz para crises desse tipo.
No que diz respeito aos partidos, a inclusão das cláusulas de barreiras, que impossibilitaria o surgimento de tantas legendas de aluguel, seria o primeiro passo. Outras medidas, como o voto distrital, aproximariam o eleito do eleitor e o instituto do recall, e propiciariam a retirada do político que contrariasse os interesses do votante. Isso seria também de grande significado para nosso ordenamento partidário. O sistema eleitoral também deve ser modificado, acabando com as caríssimas campanhas, movidas a milhões de reais, e permitindo, inclusive, o lançamento de candidatos sem partidos. Só essa medida daria fim ao antigo sistema político plutocrático, que favorece o candidato endinheirado.
O fechamento da máquina pública à sanha dos políticos, com a entrega de todos os cargos de importância a pessoas egressas das universidades, exclusivamente por meio de concurso, seria outra medida necessária para aperfeiçoar nossa democracia. Muitos outros novos mecanismos deveriam ser introduzidos, mas, para isso, seria preciso começar, o mais rapidamente possível o processo de reforma política, antes que um terceiro processo de impeachment venha a acontecer em breve.

A frase que não foi pronunciada

“Foro privilegiado transformou Supremo em Corte criminal”
Roberto Veloso, o novo presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)

Posse
» Amanhã, Roberto Veloso toma posse no Clube Naval de Brasília. Ele comandará a associação por dois anos. Dados oficiais da PGR dão conta que, no âmbito da Operação Lava-Jato, o Supremo mantém sob sua responsabilidade 134 políticos.

Sem brincadeira
» Perdem as donas de casa que não aproveitam as redes sociais para voltar ao velho boicote. No lugar disso, o brasileiro usa a internet para trazer bem-humoradas piadas sobre o assunto. Desde a sugestão de um pacote de feijão para o Dia dos Namorados, joias com pedrinhas de feijão, ou até ostentar feijão nos dentes, para mostrar que se está comendo bem. Enquanto isso, a justificativa para o aumento exorbitante no preço do feijão é a instabilidade do clima. Se existe um clima culpado por esse aumento, entenda-se o político.

Brasilianista
» Thomas Skidmore morreu nos Estados Unidos, aos 83 anos, no sábado. Seu nome remete aos anos 60 no Brasil. Era ele um dos primeiros a saber sobre as transformações políticas no país. Brasil de Getúlio a Castello foi o seu livro mais vendido. Em 2009, o intelectual deu entrada em um pensionato para idosos.

Estranho
» O Hospital do Gama com vários registros no fim de semana de pacientes com vômito e diarreia. Sem febre e sem dor no corpo. Uma família inteira foi atingida pelo estranho fenômeno. Sem morar na mesma casa, sem comer a mesma coisa e sem beber a mesma água. Apenas três escaparam. Sem muita preocupação em pesquisar a razão, os médicos diagnosticaram como virose.

História de Brasília
Entre as pessoas que mais empurraram os outros para abraçar o sr. João Goulart, estava o sr. Bonaparte Maia, deputado que não comparece senão ao guichê, e que não se sabe porque, estava com as autoridades, no meio da pista, para receber o presidente da República. (Publicado em 7/9/1961)
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Corrupção e cegueira

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Durante o julgamento da Ação Penal 470, conhecida como mensalão, ganhou destaque, não só entre os ministros do Supremo Tribunal Federal, mas em todo o mundo jurídico, a discussão sobre a chamada Teoria do Domínio do Fato, desenvolvida pelo alemão Claus Roxin. Naquela oportunidade o então procurador-geral, da República, Roberto Gurgel, pediu a condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, evocando a justificativa de que, embora não houvesse pistas concretas que levassem ao envolvimento direto do ex-ministro, por sua posição no governo, ele teria controle e se beneficiaria dos resultados finais do ilícito. A tese serviu também para dar maior relevância às nomeadas provas indiretas, o que foi chamado de “delito associativo”.

Para o ministro Lewandowski, que à época atuou como revisor da AP 470, a Teoria do Domínio do Fato só pode ser aplicada num momento de exceção ou para organizações criminosas que atuem à margem da ordem jurídica. “não basta supor que alguém tinha ciência do delito cometido”, disse o ministro. De toda a forma, nesse caso Lewandowski foi voto vencido; e a maioria dos réus, condenada.

A Operação Lava-Jato, que veio na sequência, revelou que os crimes contra o patrimônio público não só não haviam cessado com aquela punição exemplar, como, ao contrário, prosseguiram sem interrupção e com maior contundência ainda.

Enquanto o Brasil todo assistia ao vivo o julgamento da AP 470 pela televisão e pelo rádio, nos bastidores do governo, corria solta a distribuição farta de propinas, irrigando pessoas e partidos, com muito dinheiro público desviado. A novidade agora, em termos de tese, é que, na Operação Lava-Jato, vem ganhando destaque no Judiciário a Teoria da Cegueira Deliberada (Willful Blindness Doctrine).

Criada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, por essa tese, também chamada de Teoria da Avestruz, os agentes do crime fingem não enxergar a ilicitude da procedência de bens, direitos e valores ilegais, com o intuito de auferir vantagens. Dessa forma, o que a Justiça busca é punir o agente que se coloca, propositalmente, em estado de desconhecimento ou ignorância, buscando distância dos fatos e de pessoas envolvidas, com vistas a obter vantagens lá na frente. É o que popularmente compreendido por “se fingir de morto”.

A Teoria da Cegueira Deliberada passou a ser empregada, então, nos casos em que o Estado consegue produzir provas robustas acerca do real conhecimento do réu sobre os fatos criminosos. Em São Paulo, os promotores de Justiça José Carlos Blat, Cássio Conserino e Fernando Araújo têm usado a Teoria da Cegueira Deliberada para acusar o ex-presidente Lula por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. “O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva tem a sua conduta implicada no delito de lavagem de dinheiro à medida que deliberadamente desconsiderou a origem do dinheiro empregado no Condomínio Solaris do qual lhe resultou um tríplex”, dizem os promotores.

É de se destacar que tanto a Teoria do Domínio do Fato quanto a Teoria da Cegueira Deliberada foram trazidas para o entendimento da Justiça brasileira — fundada nos princípios do direito latino romano — por uma nova geração de juristas que estudaram ou fizeram pós-graduação em direito nos países anglo-saxônicos, onde essas teses têm amparo e aceitação. Uma vez introduzidas e aceitas por nossas Cortes, propiciarão verdadeira revolução nos nossos costumes, acenando com a possibilidade de pôr fim à secular cultura da impunidade e da corrupção generalizada.

A frase que foi pronunciada

“Eu encaro a corrupção e a impunidade como monstros. São como o Leviatã de Hobbes, que devem ser combatidos por uma sociedade forte e bem estruturada. Somente a civilidade e a educação outorgam poderes a um povo para decapitar a hidra.”

Murilo Américo da Silva, internauta

Fagote

Hary Schweizer ainda levita com o concerto da aposentadoria. Homenagens da orquestra Claudio Santoro aos anos de dedicação. Elogios por todos os lados. O que Brasília espera é que Hary continue brindando a cidade com seu talento e maestria. O contato continua pelo site www.haryschweizer.com.br

História de Brasília

Sobre esta mesma nota, recebi um telefonema extremamente desaforado, e quero, deste canto de página, dizer que sou vítima da mistura de sangue, sou vítima da raça indefinida, tenho, naturalmente, os meus complexos, e sou vingativo. Perdoem-me o defeito, mas garanto o que disse. (Publicado em 7/9/1961)

Lei do Silêncio

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Segundo dados divulgados pela Associação de Bares, Hotéis e Restaurantes do DF, cerca de 14 mil pessoas perderam o emprego nos últimos anos por ação direta da chamada Lei do Silêncio (Lei 4.092/2008) promulgada pela Câmara Legislativa local. Apenas no período entre os meses de janeiro a março deste ano, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), responsável pela fiscalização e cumprimento da lei, efetuou 102 autuações, das quais 71 eram advertência e 31 eram multas que, no caso podem variar de R$ 200 a R$ 20.000. Dos estabelecimentos notificados, 32 são bares e 13 são igrejas ou templos religiosos.

Em 2015, foram 392 autuações do órgão com base na Lei do Silêncio. Ao todo, foram 314 advertências, 64 multas simples, 11 interdições parciais com multa e três interdições totais com aplicação de multa. De acordo com a legislação em vigor, o controle da poluição sonora, resultante de atividades urbanas e rurais estão regulamentados e descritos em 32 artigos da Lei 4.092, e visam proibir a perturbação do sossego e bem-estar público da população pela emissão de sons e ruídos que ultrapassem os limites de 55 decibéis, durante o dia, e 50 decibéis, à noite. Pela proposta apresentada agora pelo distrital Ricardo Vale (PT-DF), esses limites foram reajustados para cima.

Os novos índices passam de 65 decibéis para 75 decibéis durante o dia, e de 55 decibéis para 70 decibéis, à noite. A alteração, aumentando o volume de decibéis, é justificada pelos apoiadores da proposta — já em fase final de votação — se adequa à nova realidade vivida pelos bares e restaurantes da cidade, que, na grande maioria, extrapolam os limites sonoros impostos pela lei de 2008. Com ou sem alteração, o fato é que os moradores das áreas próximas de bares, restaurantes e igrejas, tanto do Plano Piloto como de outras regiões administrativas, estão em pé de guerra contra o barulho desses estabelecimentos.

Alguns moradores, como é o caso dos da SQN 408, constantemente reclamam da superaglomeração de bares barulhentos naquela região. Dizem que os estabelecimentos atraem muitos indivíduos que passam a utilizar a quadra para consumirem drogas, urinar nos jardins, superlotar os estacionamentos, e não deixam os moradores dormirem à noite, principalmente nos fins de semana. Algumas pessoas reclamam que a exposição negativa do bairro, tem influenciado na queda dos preços dos imóveis e muitas simplesmente preferem mudar para outras localidades mais tranquilas e silenciosas.

Para os proprietários desses estabelecimentos, o que está em jogo são centenas de empregos. Neste impassecabem ainda algumas rodadas de negociações para que o reajuste no volume sonora e outras posturas urbanas, que são sempre bem-vindas, possam resultar em ganhos para ambas as partes. Afinal, Justiça é, acima de tudo o equilíbrio entre as partes.

A frase que foi pronunciada
“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”

Carlos Drummond de Andrade

BCE

» Nosso reconhecimento ao trabalho dos gestores e diretores que mantêm a Biblioteca da UnB. Aberta à comunidade diariamente, conta com segurança, internet, banheiros e locais de estudo perfeitamente limpos. Manter este espaço que recebe milhares de estudantes todos os dias, até tarde da noite, nessas condições, merece os aplausos dos frequentadores.
Anvisa

» Apesar de os suplementos alimentares serem fundamentais para o desempenho de um atleta, assusta o fato de adolescentes, sem nenhuma recomendação médica, possa adquirir creatina, dilatador de veia, cafeína concentrada, termogênico, entre outros. A maior fiscalização deve partir de dentro de casa, já que não há limitações de consumo.
Adeus, Cerrado

» Começa a preocupar a comunidade do Lago Norte a retirada da cerca de proteção do parque entre a região e o Balão do Torto. Pelo andar da invasão sorrateira, em breve tratores destruirão novo parque para substituir o verde por concreto.
Vans piratas

» Certos da falta de punição, os condutores de vans piratas voltam com tudo para as ruas do Distrito Federal. Um perigo para os passageiros e motoristas de Brasília, uma vez que, para eles, vale tudo pelo dinheiro. O deputado distrital Rodrigo Delmasso (PTN), o mesmo que elaborou um projeto de lei proibindo o Uber em Brasília, realizou uma audiência pública para estudar a volta desse tipo de transporte
à capital federal.

História de Brasília
Errata: Na última nota da coluna de ontem, onde se lê “ou”, leia-se “e”. Trata-se da penúltima palavra da última nota. (Publicado em 7/9/1961

Crise e reforma

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No ciclo eterno, que alterna períodos de bonanças e crises, existe um longo espaço intermediário entre ambos que deve ser obrigatoriamente preenchido com reajustes necessários e adequados ao bom funcionamento da gigantesca roda do destino. Na capa da prestigiosa revista inglesa The Economist veio a imagem de um Cristo Redentor transformado em foguete. O fato ilustra bem os dois momentos distintos de nossa breve história. Num primeiro momento, Cristo decola rumo ao espaço com a manchete “Decolou”(Take off). Era a fase da bonança estampada na revista em 2009. Quatro anos depois (2013), a publicação mostraria o mesmo Cristo como um foguete que, depois de perder o rumo, se arremete contra o solo. A manchete dessa vez perguntava: “O Brasil estragou tudo?” (Has Brazil blown it?).

Entre a subida ao céu e a descida vertiginosa aos vales profundos da terra, houve longo intervalo de quatro anos que, curiosamente, coincide com o primeiro mandato da presidente Dilma. Foi justamente nesse espaço intermediário que não foram tomadas as medidas necessárias para evitar o colapso da grande crise que experimentamos hoje.

Com o afastamento do piloto do comando da aeronave Brasil, voltamos ao ponto de origem, ou seja, vamos reconstruindo, parafuso a parafuso, cada peça da aeronave. Pelas contas da nova equipe, necessitaremos de alguns pares de anos apenas para retornar ao ponto de partida. Perdemos tempo e recursos preciosos. Mas, se os ajustes econômicos adequados estão sendo alinhavados de forma correta por uma equipe de alto nível, o mesmo não se pode dizer com relação aos consertos e reparos urgentes que precisam ser operados na esfera política.

É unânime entre os mais diversos analistas que sem a reforma política estaremos condenados a retornar eternamente ao ponto de partida. Como no mito de Sísifo, levamos a pedra imensa morro acima, e vemos inertes rolar novamente ladeira abaixo. O chamado presidencialismo de coalizão deu seguidos sinais de esgotamento.

“O parlamento e os partidos ostentam níveis baixíssimos de confiança por parte dos cidadãos”, diz o cientista político Nuno Coimbra, ao mencionar a Operação Lava-Jato que desnudou a “distribuição de recursos não legais para se manter bases de apoio”. Para ele, “momentos de grandes crises, apesar dos problemas concretos que geram, podem, entretanto, também ser ocasiões em que agendas críticas são avançadas, conseguindo romper com restrições impostas pelos vários interesses contrários envolvidos”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também tem chamado a atenção para momentos como este que vivemos. “É preciso estar atento aos custos das campanhas. O gasto exorbitante, além de afrontar os mais pobres, contradiz o compromisso com a sobriedade e a simplicidade que deveriam ser assumidas por candidatos e partidos,” diz o texto da CNBB, que reforça a tese de que “a crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos Poderes da República, restaure a credibilidade das instituições, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais”.

Claudio Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, reforça a tese de que “o sistema político-eleitoral brasileiro inclui distorções que afetam gravemente a representação democrática. As camadas populares são subrepresentadas e as oligarquias são super-representadas. Esse é o problema central. Qualquer debate que se trave em torno do assunto precisa centrar-se nesse tema e apenas subsidiariamente em outros”.

Para o filósofo e professor da Unicamp Roberto Romano, “o primeiríssimo ponto é pela ação da opinião pública e da população mais politizada, radicalizando o que já tem sido feito, por exemplo, com a Lei de Improbidade Administrativa, com a Lei da Ficha Limpa. Mas é urgente democratizar por dentro os partidos políticos”. Há, nas cabeças pensantes deste país, uma unanimidade clara quanto à reforma política. O ponto aqui é, por que então não é levada a cabo de uma vez por todas?

“Vem pra Caixa você também”

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Tantas vezes repetido ao longo dos anos, o mote da propaganda — e, por isso mesmo, gravado no imaginário de muitos brasileiros — rendeu frutos enquanto as regras do mercado livre eram respeitadas e valiam para todos os agentes econômicos indistintamente. Fundada em 1861, pelo imperador dom Pedro II, a Caixa Econômica, desde o início, atuou como agente prestadora de serviço de natureza social, sendo considerada instituição de apoio às políticas públicas. É essa mesma instituição — considerada o maior banco público de toda a América Latina, detentora de volume recorde de capital e de respeitabilidade no mercado mundial — que vive hoje dias difíceis, com sua credibilidade posta à prova.

O longo período, por mais de 10 anos, em que a Caixa foi irresponsavelmente usada para financiar o projeto político do governo petista resultou num processo que levou ao encolhimento do banco e à perda de seu maior patrimônio, que é a confiança dos milhares de correntistas por todo o país. Apenas no primeiro trimestre de 2016, o lucro da Caixa diminuiu, R$ 838 milhões, ou 46% menos em relação ao mesmo período de 2015. Segundo o balanço divulgado pela instituição, esse resultado negativo se deu por conta do aumento na inadimplência e pela diminuição das operações de crédito. O patrimônio, que mede se a instituição está capitalizada, também encolheu em 2,9% no período.

Para fazer frente a estes tempos de vacas magras, o banco reduziu o número de funcionários de 100 mil para 97 mil. O fundo de pensão dos funcionários (Funcef) teve, em 2014, um rombo de R$ 2,3 bilhões, o que obrigou os gestores a cobrar dos participantes taxa adicional de 2,3% sobre as contribuições, e que pode se estender por longos 17 anos.

Em 2015, a projeção é de que o rombo tenha batido na casa dos R$ 5 bilhões. É bom lembrar que esse deficit foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e que terminou indiciando 145 pessoas — obviamente nenhum político. Entre os investimentos suspeitos pelos controladores do Fundo, estão negócios com a Sete Brasil, empresa criada para administrar sondas de perfuração da Petrobras e que está no olho do furacão da Operação Lava-Jato por negócios para lá de suspeitos.

A situação da Caixa, segundo analistas, é dramática. Fala-se em aportes de emergência na casa de R$ 25 bilhões para evitar a quebra do banco. As chamadas pedaladas fiscais que levaram ao processo de impeachment da presidente Dilma comprometeram a saúde financeira da instituição a tal ponto que provocaram ao pânico até entre os pequenos poupadores. No primeiro trimestre, os saques da caderneta de poupança somaram R$ 24,05 bilhões, o que representou uma corrida dos correntistas para tirar seus recursos do banco. O volume desses saques foi o maior já registrado em 21 anos.

Os números negativos que, aliás, perpassam todas as empresas e instituições públicas da era petista, ainda não foram devidamente contabilizados pelo governo interino. Novas auditorias estão em andamento, e é possível que os números reais apareçam e demonstrem a necessidade de submeter a instituição a sério processo auditoria para o soerguimento a longo prazo.

A frase que não foi pronunciada

“O caráter de alguém, para mim, não está na cara, na altura, na cor da pele, no penteado, nas joias, na força ou na posição social. Esta rara qualidade só existe em homens justos, dignos, que honram suas raízes e, acima de tudo, têm seu valor. Nada nem ninguém pode comprar um homem íntegro e honesto.”

Joaquim Barbosa

Treinador

Pedro Denadai nos pede a divulgação do portal www.hayaiassessoria.com.br. O ponto forte de seu trabalho é transformar o seu hobby em renda.

São Paulo

Ainda não veio para Brasília o 6º Congresso Internacional da Câmara Brasileira do Livro Digital. Muita gente é reticente a esse tipo de leitura. Quando Ariano Suassuna foi apresentado ao livro digital ficou encantado com o dicionário disponível. Por curiosidade, ele procurou as palavras Ariano Vilar Suassuna. O corretor do dicionário buscou Ariano Vilão Assassino. Ninguém conseguiu convencê-lo a ficar com a novidade.

Novidade

» A Câmara dos Deputados aprova substitutivo a projeto de lei do Senado que determina rotulagem de alimentos sobre a presença de lactose. Uma iniciativa simples dessas trará economia fenomenal para o país. Pessoas com intolerância a lactose e a glúten pagam com a saúde a falta de uma política pública.

História de Brasília

A situação era normal, mas depois, um carro e outro sob os pilotis, e o que vemos hoje, é um carro de praça rodando sobre a grama que custa o sacrifício de zeladores, e vale a alegria dos moradores pelo seu verde em plena seca. Energia, sr. Isaias. Vamos evitar os abusos. (Publicado em 7/9/1961)

Lei Geral das Estatais e a nova dinâmica

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com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL

Com a suspensão, determinada agora, de qualquer nomeação para cargos de diretoria das empresas públicas até que o Congresso aprove a Lei Geral das Estatais (LGE), o presidente Michel Temer pode estar esboçando, talvez, novo projeto para substituir o modelo viciado e oneroso do chamado presidencialismo de coalizão. Se for esse o intuito, a nação agradece. Mas, de toda forma, esse é apenas um primeiro passo no longo caminho para desmontar um dos mais nefastos modelos de governabilidade inventado em todos os tempos e que está na raiz dos principais casos de corrupção que têm chegado ao conhecimento da sociedade.

A indicação política para o preenchimento de cargos de direção nas estatais — feita pela miríade de partidos com assento no Congresso — tem sido, desde a redemocratização do país, a principal moeda em troca do apoio político às propostas do Executivo. Caso seja aprovada, a LGE poderá catalisar o processo de reforma política, adormecido há tempos nos escaninhos do Legislativo, provocando, por indução, outras mudanças necessárias para a modernização do Estado. Ao sujeitar a nomeação aos requisitos da LGE, o presidente Temer também se livra do desgaste e das pressões dos partidos para lotear o governo.

Foi preciso, no entanto, que o país chegasse à beira do precipício para que novas medidas fossem exigidas. Mais do que uma salvação nacional, a adoção da LGE, significa, neste momento, a salvação do próprio governo interino, obrigado a demitir ministros e outros auxiliares, envolvidos em problemas com a Justiça.

Ainda é cedo para afirmar, mas pode estar com os dias contados o modelo do toma lá dá cá. De saída, serão atingidos mais de mil cargos de diretoria das estatais. A intenção é de que sejam indicados para esses cargos, apenas profissionais com alta qualificação técnica e, de preferência, que pertençam aos quadros da empresa. De toda forma, isso não garante as melhores práticas, quando se lembra de que Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa eram também dos quadros da empresa (Petrobras) e deu no que deu.

É preciso, portanto, cautela e cercar as empresas públicas de mecanismos que assegurem o que os administradores modernos chamam de compliance (governança corporativa) e que tem sido posta em prática na maioria das grandes empresas mundo afora. Ponto positivo na lei a ser votada ainda na Câmara dos Deputados é o que impede que ministros participem do conselho administrativo das empresas. Pela nova lei, as empresas serão obrigadas a se submeterem a processos rígidos de transparência, com prestação de contas, bem como de fiscalização por outros órgãos. Além da proibição da participação de ministros nos conselhos, os dirigentes de partidos, pessoas com cargos em organização sindical e titulares de mandatos no Poder Legislativo, mesmo licenciados, estarão impedidos de compor o conselho dessas empresas. Blindar essas empresas da sanha dos políticos pode ser o começo de um novo tempo. A conferir.

A frase que não foi pronunciada

“Creio na vitória final e inexorável do Brasil, como nação.”

Juscelino Kubitschek

Encontro

Belas lições aos alunos de direito passadas no Seminário de Carreiras Jurídicas, que ocorreu, ontem à tarde, no UniCeub. A mesa era composta pelos doutores Juliano Costa Couto, Betina Gunher, Julio Hott, Roberto Freitas Filho e Andrea Golmia. A meninada acompanhou atenta a realidade de quem dedica a vida ao direito e à Justiça.

Esclarecimento

Moradores de condomínios em processo de regularização começam a recolher assinaturas para pedir investigação. Eles denunciam a Terracap de grilar terras. Há, inclusive, uma pessoa que se une à causa provando que teve a moradia desapropriada para a construção da ponte no Lago Norte e hoje ocupam o local.

Falta entendimento

Se estiver à direita, não pare no sinal. Desta vez foi o leitor Paulo Silva que dá a ideia. Talvez uma seta pintada no asfalto, na faixa da direita, esclareça aos motoristas sobre a direita livre na entrada das primeiras quadras pares no Lago Norte. Apesar de várias placas sinalizando a curva livre, ainda há motoristas que param no semáforo impedindo a passagem de quem vai entrar à direita.

História de Brasília

O serviço distribuído com a rubrica do capitão Montezuma, no Rio, dá dois telegramas, um de Montevidéu e outro de Pequim, quando se sabe que essa agência não atua no exterior (Publicado em 5/9/1961)

Mané, medalha de ouro da corrupção

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com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br  Colaborou: MAMFIL

Construído para ser um dos palcos dos jogos da Copa do Mundo de 2014, o Estádio Mané Garrincha, com capacidade para 72.788, é, de longe, o monumento aos esportes mais polêmico e desnecessário já construído no país.

Com uma média de US$ 11,4 mil gastos por assento, o estádio consumiu mais de US$ 830 milhões para ser erguido e se coloca em primeiríssimo lugar quando o assunto é o mais caro de todas as arenas construídas para receber os jogos da Copa. Em relação às arenas mundiais, é apontado como o terceiro estádio mais caro do mundo.

A enorme fortuna vinda do contribuinte enterrada numa obra gigantesca, em pleno coração da capital, até hoje não justificou o investimento e, pior, vem dando sucessivos prejuízos para os cofres públicos.

Sua manutenção custa ao contribuinte R$ 700 mil mensais. A monumentalidade da obra, projetada totalmente fora dos parâmetros estéticos da arquitetura da capital, chama a atenção de todos que passam naquela localidade por seu volume pesado, apoiado por dezenas de colunas, que lhe conferem um aspecto de objeto inerte, monstruoso e fechado.

A altura do monumento também não respeitou os prédios em volta, o que acabou conferindo a esse mastodonte de concreto uma importância que absolutamente não possui nem para o governo nem para a cidade nem para sua arquitetura desengonçada.

Não bastassem essas características para torná-lo um autêntico elefante branco, essa arena foi erguida numa cidade que não tem nem nunca teve tradição no futebol. Não possui times de expressão nacional e os poucos que se arriscam nessa modalidade não conseguem atrair público para assistir a seus jogos.

A situação beira o surreal: um estádio dessa magnitude, erguido numa localidade onde o futebol praticamente inexiste, em uma cidade onde a população padece de boa educação, boa saúde, segurança e transporte.

Só é possível uma explicação para um fato tão inusitado quando se suspeita que por trás dessa construção tenha ocorrido grandes volumes de propinas e outras modalidades do esporte da corrupção e desvio de dinheiro em obras públicas. Atletismo com a corrida da corrupção onde a disputa se resumia em saber quem levava mais vantagens às custas de uma população inanimada ou talvez uma luta de boxe em que a ética e a moral sucumbiram no primeiro round. Pode-se pensar também num salto ornamental no qual não há como fugir da lei. Da lei da gravidade e se esborrachar como partido.

Para não ter que arcar com todo esse gasto desnecessário, a equipe do governador Rodrigo Rollemberg, que herdou o paquiderme, tratou logo de mudar de finalidade, dando ao estádio a possibilidade de explorar outras fontes comerciais, como a criação de sala de cinema, teatro, academia, casa de shows. Mesmo essas atividades, pelas características de arena da obra, não parecem ter futuro promissor.

Enquanto a solução comercial não surge ou mesmo as sanções penais dos autores desse monumento não acontecem, o estádio continuará a ser palco da selvageria de torcidas organizadas vindas de fora e que transformam aquela arena no que ela é de fato: um monumento ao desperdício e palco de luxo para a violência no futebol, dominada hoje por facções e hordas criminosas.

A frase que não foi pronunciada

“ Vamos afundar o Brasil ou vamos refundar o Brasil?”

Sem ouvir direito a pergunta, alguém quis saber a resposta e também não entendeu.

Leitor

“Saiam do seu mundinho estreito e obtuso e estudem a questão dos meios de comunicação em outros países antes de escreverem bobagens. Assina Wonder Braga.” Apesar de o remetente do e-mail criado ser Wander Braga. Pode ter sido um erro de digitação. Vamos aguardar a resposta sobre a que países ele se refere. A coluna trazia na abertura o título TV chapa branca. Sr. Wonder ou Wander. Esse é um espaço democrático, onde quem pensa diferente e assina que diz é bem-vindo.

Sem tempo

Érica Vivian Leal Gonçalves, estudante, nos diz que está revoltada com o passe estudantil – DFTrans. Sem tempo para encarar a fila, está pagando R$ 12 por dia. A reclamação se estende à falta de publicidade sobre a entrega da documentação, prazo estendido para o dia 2 de junho para o recadastramento

Release

Informação importante para os pais e professores. Estudo da Organização Mundial da Saúde conclui que 32 milhões de crianças vivem com algum tipo de perda auditiva, que em muitos casos poderia ser prevenido. O baixo rendimento escolar, a troca de sílabas durante a pronúncia das palavras e a aparente timidez nem sempre querem dizer que a criança não quer estudar. O problema pode ser a audição.

Absurdo

Renato Mendes Prestes nos pede divulgação no seguinte. O restaurante Scenárius, que fica no Setor Comercial Sul, atendeu com qualidade e esmero seus clientes durante 21 anos. Precisou encerrar as atividades pela falta de segurança na área, assim como o fator determinante: a cracolândia do SCS.

História de Brasília

Daqui, um aviso aos gaúchos: não ponham seus carros no gramado da Câmara dos Deputados. Ela está seca, porque é natural no cerrado. Nas primeiras chuvas, ficarão novamente verdes, se você não puser carros em cima. (Publicado em 07/09/1961)

Tevê chapa-branca

Publicado em ÍNTEGRA

Desde 1960

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL

Mais uma polêmica envolvendo o governo interino de Michel Temer está no ar, ou melhor, fora do ar. Trata-se da recondução do jornalista Ricardo Melo à presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A determinação foi feita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli em caráter liminar, até o julgamento do mérito da ação pelos membros do tribunal. Melo tinha sido exonerado por Temer, em 17 de maio, que nomeou para seu lugar o também jornalista Laerte Rimoli. Houve um princípio de rebelião na empresa, com a eminência de substituição geral dos muitos nomes indicados pelo Partido dos Trabalhadores para comandar a EBC.

Apesar de o estatuto da empresa apontar para possível independência editorial da emissora, o fato é que ao longo da última década a estatal foi utilizada sistematicamente para fazer propaganda do governo. O uso dessa empresa como agência de propaganda dos ocupantes do Palácio do Planalto e de seu partido vinha chamando a atenção de todo mundo, tanto que a emissora era tratada como uma tevê chapa-branca, concebida nos mesmos moldes do antigo Departamento de Imprensa de Propaganda (DIP) do governo Getúlio Vargas, criado em 1939.

Criada em 2007 para coordenar as emissoras de televisão e rádio públicas federais, a EBC engloba, além da TV Brasil, a TV Brasil Internacional, rádios EBC (Rádios Nacional do Rio de Janeiro, AM e FM de Brasília, da Amazônia e do Alto Solimões, rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro e rádio MEC AM de Brasília), Agência Brasil, Radioagência Nacional e Portal EBC, além de prestar serviços para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República produzindo o canal TV NBR e o programa de rádio A voz do Brasil.

A criação da empresa veio, dentro do esforço que o governo Lula de “democratização dos meios de comunicação” — que na nova linguagem petista significava justamente o contrário —, favorecer as mídias que atuavam em favor do governo e contra toda manifestação da oposição. Como tevê chapa-branca que é, com Dilma ou Temer, o que a empresa estatal não conseguiu, ao longo de sua existência, foi manter-se dentro dos padrões e das exigências do livre mercado. Nesse setor a competição é feroz e altamente profissional.

A EBC, no máximo, conseguia a proeza de ser traço na audiência. Desprezada pelo público em geral, a empresa é mais um encargo desnecessário posto nas costas do contribuinte, que tem que arcar com os altos custos para manter uma TV que ninguém vê. Seja Laerte ou Melo, o melhor que o governo Temer tem a fazer, aproveitando a pendenga, é entregar a emissora para quem conhece do métier, privatizando essa e outras fontes de despesa que não interessam ao cidadão nem, principalmente, ao contribuinte.

A frase que foi pronunciada

“Quando recebo uma injúria, preciso erguer a minha alma tão alto que a ofensa não chegue até mim.”

René Descartes

Release

Um dos maiores especialistas em desenvolvimento e aplicação de lasers do país, o médico Rafael Nunes dá um passo importante para posicionar o Brasil como polo científico e tecnológico. Ele inaugura na próxima semana, em Belo Horizonte, o Centro Avançado de Ensino e Pesquisa para capacitar profissionais e fomentar a pesquisa da medicina estética. Na capital federal, o cirurgião plástico já tem trazido técnicas de ponta e exclusivas para a Clínica Dr. Laser, localizada na 107 Norte, onde atende.

Comida boa

Restaurantes comunitários vão ser valorizados na crise. Ainda com preços baixos, o governo pretende aumentar a oferta com mais refeições e pratos especiais em datas comemorativas.

Teias

Setores Fantasma Sul, Fantasma Local Norte. O número de lojas fechadas dá um ar doentio aos setores de comércio. Placas, faixas, telefones informando o fim dos negócios. A situação reflete o futuro sombrio que desponta.

Rios mortos

André Carvalho nos informa que, depois de seis meses do desastre em Mariana (MG), as condições de fiscalização das barragens de mineração em todo o território brasileiro preocupam sobremaneira o DNPM. Sem condições de monitorar as 662 barragens, o crime ambiental ocorrido em Mariana poderá se repetir.

Sucata

Desde maio de 2001, documentos registrados pelo Tribunal de Contas da União alertam para a situação de sucateamento do DNPM. Na página 9.490 do Diário do Senado Federal está à mostra dos quase 15 anos de denúncia para essa situação que mesmo depois da morte de um rio, continua a mesma.

História de Brasília

Amanhã começarão a chegar aqui os primeiros carros com a chapa RS. São parte do ritual e do rodízio por que vive a cidade. (Publicado em 7/9/1961)

Passado e amassado

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com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br

 

No realismo fantástico em que se transformou a política brasileira na última década, nada mais causa espanto. Até mesmo o retorno melancólico de Dilma Rousseff à Presidência da República, com direito a foguetório, fanfarra e tudo mais. Ocorre que o martelo não foi batido e Dilma ainda é uma presidente afastada. Fala-se em revisão de alguns votos no Senado. Basta, para tanto, que dois dos 55 votos dados em prol do impeachment sejam modificados.

O governo do presidente interino Michel Temer tem dado alguns tropeços na largada, hesitado em algumas medidas, perdido ministros, aumentado salários fora de hora. Se, pelo lado jurídico, o processo que respaldou o impeachment está bem amarrado tecnicamente, o mesmo não ocorre com o trâmite político da questão, em que a variável humana é colocada ao sabor do momento em que a Operação Lava-Jato se encontra.

À medida que as investigações avançam sobre os políticos, pode haver um recuo no voto de um ou de outro parlamentar. Paira a nuvem da incerteza sobre a votação final. As gravações mostrando os diálogos de Sérgio Machado abriram brecha de luz sobre todo o processo. Pelo menos é o que creem os petistas.

As manifestações populares que varreram o governo Dilma para fora do Palácio do Planalto também são uma incógnita. A questão é: haveria espaço para pressão popular contra um rito estritamente legal que trouxesse Dilma de volta ao Executivo? Observadores têm chamado a atenção para uma possível carta na manga escondida pela presidente, que seria a promessa de convocar a antecipação de eleições gerais, tão logo voltasse ao poder. Esse recurso extraordinário serviria para passar uma borracha no passado de muita gente, inclusive, no da própria presidente que, hipoteticamente, seria substituída e absolvida do processo político de afastamento.

Nas oportunidades em que ela precisa falar em público, a presidente tem martelado que o governo de Michel Temer empreenderá cortes profundos nos programas sociais. O que ela não explica e esconde da audiência é que, se esses cortes forem feitos de fato, é porque os cofres públicos estão vazios. Ademais, o enxugamento de muitos programas sociais foi feito ainda durante seu segundo mandato, por imposição da frágil realidade dos números. Para as plateias encantadas, Dilma tem repetido o latinório de que a direita golpista e neoliberal vem impondo um retorno ao passado e que os mais prejudicados serão os menos favorecidos.

Esse discurso de que se ensaia volta a um passado de angústias e aflições escamoteia o fato de que o regresso da querida ao Poder Executivo é, em si, repetição do mesmo modelo que já arruinou a Venezuela e ameaça se repetir no Brasil. O que Dilma não compreende e seus companheiros não aceitam é que eles são parte de um passado que a nação, a duras penas, tenta esquecer.

A frase que foi pronunciada:OK

“Fofoqueiros alimentam as injúrias, os justos pedem provas.”

Karl Nesh

Release

Recebemos convite para o Arraiá do Dotô, que vai acontecer para a imprensa. O presidente da AMBr, Luciano Carvalho, estará presente e à disposição para falar de assuntos como a crise no setor de saúde do DF e o excesso de exames pedidos nos consultórios. A festa junina da Associação Médica de Brasília será no próximo dia 11, na própria associação.

Concorrência

Comunicação importante sobre a parceria entre os Correios e EUTV. A experiência foi bem-sucedida em Angola. O presidente dos Correios, Heli Siqueira de Azevedo, aduz que a empresa pretende disponibilizar planos de serviços e ofertas próprias, de acordo com o perfil do público. “Nossos clientes são os usuários de nossa rede de atendimento de quase

12 mil pontos em todo o território nacional. É esse público que pretendemos atender com esse novo serviço. Somando a capilaridade e a força da marca Correios com a expertise e a disposição da EUTV em prover serviços inovadores e de forte apelo para o público de baixa renda, essa parceria reúne todos os elementos para ser um grande sucesso.”

Lá vem

Por falar em Angola, um título de matéria da rádio Atividade, da Jovem Pan, chama a atenção: “Lava-Jato mostra que Brasil, Angola e Portugal são mais que países-irmãos, são irmãos metralha”. Esse poço de corrupção é mais fundo que o pré-sal!

História de Brasília

Brasília sofre sempre as influências de origem. Na mudança, eram os cariocas. No governo, eram os mineiros, depois, os paulistas, e agora, os gaúchos. (Publicado em 7/9/1961)