Proposta pede concurso público para ministros do STF e TCU

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“Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos.” (Montesquieu)

Manda a prudência que decisão judicial não deve ser discutida, apenas cumprida. Mas, não obstante a validade da teoria tripartite dos Poderes da República para a consolidação do Estado de Direito, o fato é que as seguidas crises políticas experimentadas nesses últimos anos pela democracia em nosso país têm suscitado a discussão sobre os fenômenos da “politização da justiça” versus a “justicialização da política”.

Para os especialistas no assunto, as interpenetrações de decisões têm provocado constantes ruídos entre os poderes, facilitando e dando mais combustível para o desequilíbrio e a desarmonia entre essas instituições, com prejuízos claros ao funcionamento do governo e a toda a sociedade. Com as recentes decisões adotadas pelas cortes superiores, o nível de ruído entre os poderes foi elevado ao máximo, com troca de acusações e farpas para todos os lados.

Preocupado com a possibilidade dessas rusgas descambarem para o esvaziamento dos poderes, alguns parlamentares e mesmo juristas de renome têm apresentado propostas para deixar patentes as fronteiras institucionais entre os atores de modo a aperfeiçoar todo o sistema, em nome, obviamente, da almejada estabilidade política. Para ter ideia do grau de desentendimentos a que chegamos, opondo até membros de um mesmo poder, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles protocolou, com o constitucionalista Marcelo Neves, novo pedido de impeachment no Senado contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, a quem acusam de crime de responsabilidade em diferentes ocasiões.

Também corre contra esse ministro um abaixo-assinado com quase 700 mil assinaturas com as mesmas acusações: “atitudes suspeitas no exercício do cargo de ministro do STF”. Anteriormente, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros já havia arquivado dois pedidos de impeachment contra Gilmar por “ofender os princípios de impessoalidade e celeridade processual em julgamentos no STF”. Naquela ocasião, Renan teria afirmado: “Não cabe ao Senado, como já fizemos em outras oportunidades, processar e julgar o ministro por condutas atinentes exclusivamente ao cargo que ocupa e nos exatos limites de seus poderes”.

Atento a essas situações, o senador Reguffe (sem partido) apresentou projeto de emenda à Constituição estabelecendo que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Contas da União (TCU), além dos conselheiros desses tribunais nos estados, sejam selecionados mediante concurso público de provas e títulos e nomeados para mandato de cinco anos.

Na justificativa, o senador por Brasília lembrou que a PEC tem como objetivo homenagear o princípio de independência dos poderes. Para o senador, “urge que preservemos esses órgãos extremamente relevantes e sensíveis de influências político-partidárias”.

 

A frase que não foi pronunciada

“Quando não se quer resolver um problema, basta montar uma comissão para estudá-lo.”

Tancredo Neves, político brasileiro

 

Na pista

» Muita gente já sabia que algo ia mal com Guido Mantega. Chegou-se a acreditar que ele mudaria para o prédio onde trabalhava o acupunturista que lhe servia. Aliás, servia e serve muita gente do Executivo. Um quiroprata famoso na cidade também atendia um juiz. E, na ficha em cima da mesa, aparecia: pescoço. Jean Leloup descreve que problemas acontecem quando o elo entre a cabeça e o coração se rompe e vem a angústia. Fica tudo cerrado, fechado na garganta.

 

Coerência?

» Ao mesmo tempo em que é contra a reforma trabalhista, o Partido dos Trabalhadores recruta jornalistas. Mas só como PJ ou terceirizado. Nada de assinar carteira.

 

História de Brasília

Com esse desastre, confirma-se a excelência do desenho que os franceses deram para seus aparelhos a jato, destacando-se o fato de as turbinas serem localizadas a ré. (Publicado em 29.9.1961)

Violência nas escolas é igualmente culpa de todos

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Com mais um episódio de extrema violência ocorrida em uma escola pública do DF, fica a questão: quantas mortes mais serão necessárias para que a sociedade, em conjunto com as autoridades, comece a tomar providências urgentes, antes que esses fenômenos brutais acabem por transformar nossas escolas em zonas abertas de conflitos armados?

Desta vez, a morte visitou o Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns, no Itapoã, quando roubou a vida do estudante Gidenilton Lacerda, de 26 anos. Amanhã, poderá ser a vida de qualquer outro, de um professor ou outra pessoa que põe em risco a segurança pessoal ao se atrever a frequentar uma dessas pobres escolas públicas, perdidas e esquecidas em algum canto da periferia de Brasília.

No Plano Piloto, o fenômeno da violência também é recorrente. Levantamento feito pela Secretaria de Segurança do DF mostrou que, em 2016, 20 escolas públicas concentraram 22% dos crimes ocorridos no ambiente escolar. Gama, Guará, Taguatinga, Samambaia, Plano Piloto, Planaltina e Ceilândia apresentaram os maiores índices de violência. Boa parte dessas ocorrências tem como autores pessoas que circundam as escolas, tanto de dia quanto de noite. Brigas ao término das aulas são marcadas com frequência. Facas e outras armas brancas aparecem cada vez mais nas confusões.

Espaços comunitários, como bibliotecas, são depredados e incendiados. Professores são cada vez mais ameaçados diretamente, inclusive diretores desses estabelecimentos. Muitos docentes, diante da violência frequente, têm abandonado a carreira ou entrado para as estatísticas de profissionais afastados por problemas nervosos.

O consumo de todo tipo de drogas também tem sido comuns. De alguma forma, nossas escolas estão reproduzindo os episódios de violência detectados a todo instante no país. É patente ainda que os programas postos em prática pelos responsáveis diretos pela educação pública não tem obtido os efeitos projetados, limitando-se a repetir erros e falhas do passado, sem que os problemas tenham, ao menos, diminuído.

Enquanto a sociedade não entender que esses fenômenos são da responsabilidade de todos coletivamente e de cada um, individualmente, não haverá solução à vista. Lições e exemplos de sucesso na melhoria da qualidade do ensino público vêm de diversas parte do mundo. No Japão, os alunos e responsáveis cuidam das escolas como se fosse a própria casa, limpando, pintando, consertando, refazendo e decorando os recintos que, afinal, é onde os jovens passam a maior parte do tempo da vida.

O sentimento de pertencer àquele lugar específico, àquela comunidade onde está a sua escola dá, a todos, um sentido de responsabilidade e carinho pelo lugar. Em tudo o que diz respeito à escola, a comunidade deve participar, se integrar, até de forma obrigatória, já que ali está investido parte de seus impostos.

Quando as mazelas que atingem a sociedade adentram as escolas, é sinal de que a situação chegou a seu ponto de limite. Ou agimos agora com energia, dentro das normas da melhor pedagogia e didática, ou correremos o risco de transformar nossas escolas em reprodutórios de indivíduos violentos e sem limites. Nesse sentido, é importante destacar também o papel fundamental que as artes, tão deixadas de lado em nossas reformas do ensino, exercem na humanização e no reflorescimento dos jovens cidadãos.

 

A frase que não foi pronunciada

“Experimente explicar para um estrangeiro a briga dos petistas contra o vice-presidente escolhido pelos petistas. É meio sinistro.”

Cicerone adolescente

 

Às claras

»Cabe ao Estado brasileiro ter coragem e firmeza para instalar bloqueadores de celulares nas unidades prisionais. Não o faz porque quem manda nas cadeias são as organizações criminosas. Enquanto isso, a sociedade paga pelos crimes.

 

História de Brasília

A versão de que o avião já vinha com incêndio na turbina não é verdadeira. Estava mecanicamente perfeito, e o fogo surgiu depois do atrito dos metais no concreto da cabeceira da pista. (Publicado em 29.9.61)

Brasília, modelo de sustentabilidade

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Brasília, mas precisamente o chamado Plano Piloto, por seu desenho urbano racional e revolucionário, poderia, com maior facilidade do que qualquer outra cidade brasileira, se transformar na capital modelo de sustentabilidade, não só do país, mas do mundo.  Para isso, bastaria empenho firme e planejado dos futuros governos locais e da população para, em uma década ou um pouco mais,  substituir a frota de veículos, que circula no Plano Piloto, movida a combustível fóssil, por energia solar ou outra fonte de tecnologia não poluidora. Poderia também, com empenho e planejamento, instituir o transporte público em todas as áreas da cidade, eliminando os engarrafamentos e os seguidos acidentes de trânsito.

Poderia, por sua configuração urbana, eleger a energia solar como principal fonte de energia da capital, começando pelos prédios públicos. Poderia, com maior facilidade, incentivar a captação de águas das chuvas em cada quadra residencial, estocando e distribuindo essas reservas nos meses de estiagem.

Como anteriormente pensado, pelo próprio Lucio Costa, cada unidade residencial deveria caminhar para a autossuficiência na produção de hortaliças e frutas, transformando e adaptando as áreas verdes para receber hortas comunitárias e pomares de diversas culturas. Mais do que o modernismo nas linhas arquitetônicas, Brasília necessita agora nestes tempos de mudanças climáticas e de crise hídrica, revolucionar o modo de vida dos habitantes da cidade, dando exemplos de que é perfeitamente possível transformar a cidade em um lugar moderno e adaptado aos novos tempos.

Vista e admirada do espaço pelos astronautas que orbitam a Terra a bordo da Estação Espacial, o Plano Piloto tem todas as condições para alçar o voo sonhado pelos idealizadores e se tornar a capital da ecologia, abolindo velhos vícios e adotando modelos exemplares nos processos de reciclagem, reaproveitamento de matérias-primas, eliminando os lixões e os desperdícios, e preservando toda e qualquer fonte de água. Poderia valorizar, incentivar e premiar ideias que ajudem na preservação do meio ambiente e na adaptação dos habitantes da capital a um mundo que passa por mudanças rápidas. Ideias, como as defendidas pela economia do compartilhamento de bens, também podem ser incentivadas a partir das escolas. Aliás, é nas escolas que todo esse movimento transformador tem de ser semeado o quanto antes, porque os frutos dessa revolução só serão colhidos de fato daqui a muitos anos.

 

A frase que foi pronunciada

“Não concordo com uma só palavra do que dizeis. Mas lutarei, até o fim, pelo vosso direito de dizê-las.”

Voltaire, escritor e filósofo francês

 

Retorno

» Para quem tenta chegar à Rodoviária Interestadual da parte norte da cidade, precisa andar quilômetros para retornar. Isso porque a engenharia não quis fazer um retorno com recuo. Mal calculado.

 

Benesses

» Tramita, no Senado, projeto de lei, de autoria do senador Roberto Rocha, estabelecendo regime jurídico próprio para Áreas Especiais para Desenvolvimento Turístico. O PLS foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente. Facilidade de acesso a portos e aeroportos internacionais e autorização para prestadores de serviços terem isenção de impostos vários e contribuições. A proposta segue para a Comissão de Assuntos Econômicos.

 

Todos os lados

» Aumenta a pressão. De um lado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que do jeito que está não dá para ficar, e arremata: “Se a pinguela continuar quebrando é melhor atravessar o rio a nado”.

De outro, Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB, afirma que o presidente Temer precisa provar inocência o mais rápido possível.

 

Talento

» Gustavo Rocha, acompanhado de Raquel Marques ao piano, apresentará o Concerto de Formatura na categoria Canto Lírico. Renata Dourado e Francisco Bento Júnior são os cantores convidados. Amanhã, às 20h, no Teatro da Escola de Música de Brasília, na 602 Sul.

 

Posse

» Limongi registra que foi empossado o novo superintendente da Suframa, o engenheiro e advogado Appio da Silva Tolentino.  Substitui a economista Rebecca Garcia.

 

História de Brasília

Não há informação oficial, mas foi erro de cálculo do piloto. Há a alegar a névoa seca, desta época do ano, que forma bolsas de vácuo a baixa altitude, mas os passageiros não sentiram nenhum vácuo. O avião ia para um pouso normal, quando sofreu o acidente. (Publicado em 29/9/1961)

Universalizar a produção de energia elétrica é a saída

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Pelo disposto na Lei nº 9.991, de julho de 2000, “as concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, setenta e cinco centésimos por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico e, no mínimo, vinte e cinco centésimos por cento em programas de eficiência energética no uso final”.

Por esse critério, investimentos em outras formas de produção de energia ainda demandarão muitos anos para apresentarem resultados minimamente satisfatórios. Embora a Resolução Normativa nº 482, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), permitindo a instalação do sistema solar fotovoltaico e a utilização dessa energia pelas concessionárias, esteja em vigor há cinco anos, ainda é extremamente tímida a utilização dessa forma modalidade de geração de energia elétrica no Distrito Federal.

As razões vão desde o alto custo ainda cobrados por esses equipamentos individuais até, e principalmente, o desinteresse que tem demonstrado o Governo do DF e do restante do país, com o desenvolvimento e universalização dessa nova forma de geração de energia. Não se compreende que, numa época em que boa parte das usinas hidroelétricas do país se queixa dos baixos volumes de água em suas represas, ainda não existam incentivos significativos para a expansão e a popularização dos painéis solares a exemplo do que vem sendo realizado em larga escala em outras partes do mundo.

Para alguns entendidos no assunto, o motivo estaria no receio de que as empresas que operam na geração e distribuição de energia tradicionais estariam receosas de perderem mercado e, portanto, renda, com a popularização dos painéis solares individuais. Para se ter uma ideia o primeiro gerador fotovoltaico do DF foi instalado, conforme reconhece a própria CEB, apenas em 2011, na Embaixada da Itália. À época, houve insistência do governo daquele país, que estava interessado em reduzir gastos no consumo de energia de sua representação.

Além de não interessar ao GDF e muito menos aos representantes da população com assento na Câmara Distrital, a CEB cuida para que a instalação desses equipamentos nas residências se submetam a processo burocrático que obriga o consumidor a exportar a energia gerada excedente à rede, cobrando uma Taxa de Disponibilidade, acrescida ainda da Taxa de Iluminação Pública (TLP).

Não se compreende ainda a razão de o GDF postergar o estímulo a todos os prédios públicos da capital para que sejam alimentados exclusivamente por energia solar. De preferência vislumbrando o princípio da economia, não odo lucro. A prioridade agora deveria ser a produção de energia abundante, barata e limpa e não a lucratividade e os altos salários dos burocratas dessa empresa.

 

A frase que foi pronunciada

“Meu silêncio não está à venda”

Eduardo Cunha, em depoimento à PF

 

Falta de concorrência

Ao comprar uma passagem aérea, o consumidor brasileiro paga pelo assento(se for internacional), paga pelo despacho da bagagem e paga para se alimentar(se for Latan)

 

Ação e reação

Fazia tempo que uma quadrilha atuava nos clubes da cidade furtando objetos náuticos e de academias. O delegado Fernando César Costa estudou o caso e percebeu que os meliantes agiam onde havia brecha na segurança. Pouco tempo depois, a Polícia Civil conseguiu surpreender os criminosos e prendê-los.

 

Coincidência macabra

“Sua terrorista” são as palavras umbilicais que ligam o PT aos militares que a torturaram. A conclusão foi constatada com o ataque contra Míriam Leitão em um voo doméstico, em que delegados do Partido dos Trabalhadores a molestaram verbalmente.

 

História de Brasília

Com a abertura do paraquedas, o aparelho sofreu o impacto, saindo da pista. O comandante ainda o manteve sob meio controle, enquanto o engenheiro de vôo desligava os contatos e a bateria, para evitar faíscas que provocariam explosões. (Publicado em 29/9/1961)

 

Dispersão do dado em torno da média amostral

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

 

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Sem dúvida nenhuma, o julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficará marcado na história recente do Judiciário brasileiro como o episódio que, nesses dias, deixou nua quão delicada é a fronteira que separa as filosofias do direito e da política. Nesse sentido, quando a busca pelo equilíbrio legal das partes e a ideologia, fundada nas simpatias partidárias, se defronta numa Corte, o que se tem são decisões que buscam adaptar a letra da lei a um momento político específico, de modo a não contrariar nem um nem outro.

De toda forma, o que fica patente é que o modelo atual de indicação dos magistrados, por políticos ocupantes do Poder Executivo, para as altas cortes, é extremamente prejudicial à própria Justiça porque retira dela sua peça fundamental que é a credibilidade ética de cada magistrado. O mesmo se pode dizer da feitura de leis casuísticas por parlamentares alvos de ações no próprio Judiciário. Que qualidade de lei universal pode ter uma norma que contraria a igualdade de todos ante a Justiça e que é feita sob medida para atender determinada classe de políticos em instante específico?

São questões que têm como origem a independência dos Poderes e terão reflexos sobre o cidadão comum, constantemente contrariado com as decisões das cortes superiores. Tem-se, assim, nos julgamentos de casos polêmicos, o embate entre juízes que acaba se dando entre aqueles alçados a essa condição pelos políticos de ocasião, para atuarem nessa esfera como advogados de defesa de seus benfeitores e dos demais.

A contaminação política presenciada em outras esferas do poder e mesmo fora dele, como é o caso do empresariado, encontra no Judiciário seu ponto de ebulição, destruindo e esvaziando essa instituição de sua função precípua. A exemplo da obra de Gabriel García Márquez, guardada a devida distância entre o brilho desse romance e a nossa realidade desanimadora, o que se viu no julgamento do TSE foi o presidente da sessão pressionado pelas seguidas aspas abertas e fechadas, a todo o momento, pelo relator do processo.

 

A frase que foi pronunciada

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto.” Albert Einstein

 

Curiosidade

»Prédio da administração de Pedrinhas fica do lado de fora do presídio. Crime organizado versus Estado desorganizado. A ação de criminosos invade os espaços deixados pelas autoridades brasileiras por todo o país. Marcola, com 2 mil livros lidos, deu aula sobre o sistema paralelo e até sobre a necessidade que o sistema principal tem em se prender nas vísceras do crime.

 

Vagas

»Fica uma sugestão para o uso do estacionamento do anexo da Presidência da República. Enquanto faltam vagas para o Senado, a dica seria, preferencialmente, o uso pelos funcionários da Presidência. Há dezenas de vagas ociosas principalmente pela manhã que poderiam, sem prejuízo, ser compartilhadas com o Senado.

 

História de Brasília

Isso porque a faísca do primeiro contato do alumínio com o solo já havia atingido as turbinas, e o incêndio começara. Sem trem de pouso, o aparelho foi se arrastando até que o comandante abriu o paraquedas, responsável pela paralisação rápida do avião. (Publicado em 29/9/1961)

 

 

  Tapando rombos

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

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Empresas públicas no Brasil não conhecem o regime de falência por um detalhe simples: por mais que suas dívidas e passivos sejam astronômicos e por mais que tenha cometido desatinos financeiros e mesmo trapaças contábeis, sempre haverá o aporte de recursos necessários para socorrer os caixas arrombados. Esses recursos extras e salvadores, obviamente, serão extraídos compulsoriamente dos contribuintes, via aumento de impostos, taxas e outras modalidades arrecadatórias impostas pelo governo de plantão. Esse parece ser o caso da Terracap, a empresa imobiliária do governo.

Dessa vez, o tombo financeiro é de R$ 1,5 bilhão. O tremendo assédio político sobre a empresa, utilizada para todos os fins, sobretudo para render lucros aos mandatários do alto escalão, retirou completamente o sentido e a importância originária para a capital, transformando-a, isso sim, em mais um elemento do custo Brasília, ao lado da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

A ingerência indevida da classe política sobre as estatais só tem produzido nos últimos anos manchetes e mais manchetes de escândalos, transformando-as de assuntos de interesse da comunidade, em assuntos de páginas policiais. Mas, como a memória da população é escassa e os recursos abundantes, fica fácil para os seguidos governos resolver a questão da insolvência dessas empresas e instituições com a aporte de recursos fáceis retirados, à fórceps, dos pagadores de impostos.

Para tanto o leão da Secretaria da Receita é adestrado para correr atrás apenas da população (classe média), deixando de lado os grandes devedores e aqueles que, do alto de suas funções públicas, usam das prerrogativas da impunidade do cargo para cometer crimes de toda a ordem.

O reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é um bom exemplo desse socorro providencial decretado pelo atual governo para tapar buracos de empresas como a Terracap. Com reajuste que pode chegar a mais de 100%  — isso numa época de crise econômica e de altos índices de desemprego —, o IPTU incidente sobre quase um milhão de imóveis aumentará o caixa do governo, que, assim, poderá contar com mais recursos para tampar rombos, como o verificado na Terracap, envolvida no caso policial relativo à construção do inoperante Estádio Mané Garrincha. Esse aumento, é claro, vem na esteira de outros para socorrer um Estado, que se sabe, falido financeira e moralmente.

 

A frase que foi pronunciada

“O mais radical dos evolucionários vira conservador o dia seguinte à revolução.”

Hannah Arendt, filósofa e escritora alemã

 

Roleta-russa

No Lago Norte, a caminho do Paranoá, onde haverá a captação da água do lago, as placas da obra foram instaladas a poucos metros da pista onde circulam os carros a 80km/h. Não é preciso ser vidente para atestar o perigo durante os meses de julho e agosto, quando o vento é forte no DF. Em outras obras no balão do Paranoá e na Caesb, placas enormes foram arrancadas pelo vento. A diferença agora é que quem dirigir nessa área corre risco de morrer.

 

Sem força

Paulinho da Força teve suspensos os direitos políticos por determinação da desembargadora do Tribunal Regional da 3ª Região Consuelo Yoshida. O deputado foi acusado de improbidade pela má utilização dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador.

 

Novidade

Por convenção coletiva de alguns sindicatos, mães que acompanham filhos menores em internações terão esse direito reconhecido. A CLT é extremamente injusta nesse sentido, já que permite à criança a presença da mãe em caso de doença por apenas três dias ao ano.

 

História de Brasília

Quando ele atingiu a pista, propriamente dita, já estava com os pneus rompidos, e o que o comandante fez foi arrear o trem de aterrissagem para que o aparelho não deslizasse durante muito tempo. (Publicado em 29/9/1961)

  Pobre de nós

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Pobre de nós que acreditamos no noticiário diário que mostra um país, recém-saído de uma ditadura, e já atolado em uma infinidade de escândalos que se sucedem à um ritmo alucinante. Pobre de nós que continuamos sofrendo e acreditando nas mentiras da mídia golpista que imputa aos treze anos de governo petista, todas as agruras que o país através essa agora. Pobre de nós que acreditamos que operações policiais, como a Lava Jato irá provocar o romper de um novo modelo político para o país. Pobre de todos nós que acreditamos que juízes como Sérgio Moro irão lavar a honra de brasileiros despojados do mínimo de cidadania desde 1500.

Pobre do Lula e do seu partido, execrado tão impiedosamente pela imprensa. Pobre do Partido dos Trabalhadores, tão vilipendiado. Pobre do José Dirceu, do Palocci, do Vacari. Pobre do Joesley e do Wesley, empresários tão empreendedores, massacrados pela população invejosa. Pobre do Congresso, ao qual todos os deslizes são atribuídos. Pobre daqueles que acreditam a democracia como o único meio de se atingir a cidadania plena. Pobre da Polícia Federal e do Ministério Público.

Pobre do ex-deputado Eduardo Cunha, acusado de forma cruel por crimes, que todos sabemos, seria incapaz de cometer. Pobre de sua mulher, impedida de frequentar lojas de grife, por uma população invejosa e sem recursos. Pobre dos traficantes do morro e das cidades, acusados e impedidos de prosseguir em seus rentáveis negócios, por força de uma sociedade mesquinha. Pobre da Oderbrecht, enxovalhada, sem piedade, pelo noticiário diário.

Pobre dos antigos diretores da Petrobrás, escolhidos para serem bodes expiatórios de situações que reconhecemos ilusórias e falsas. Pobre do presidente da república, alvo de insinuações maldosas. Pobre de seu ministério. Pobre da Dilma, tão eficiente e dedicada que acabou despertando a ira de muitos. Pobre do MST e do MTST, tão incompreendidos e difamados. Pobres dos vândalos que queriam incendiar a capital, incompreendidos e reprimidos com tanta firmeza. Pobre do BNDES, um banco tão empenhado em promover com farta distribuição de recursos a campões nacionais e democracias sul americanas e afinal, alvo de críticas injustas. Pobre dos militantes que não conseguem vencer a corrupção e apelam a favor de uma luta sangrenta contra quem trabalha para construir a vida e a sociedade. Pobres dos pobres, que estão nesta condição por vontade própria e preguiça. Pobre das elites, apontadas, falsamente como concentradoras de renda.    Pobre do Brasil, que só está nesta condição, por força de um destino que é só seu. Pobre de nós que somos tão pobres de espírito e não cremos que nossos líderes haverão de salvar a pátria.

A frase que foi pronunciada:

“A atitude das pessoas também ocupa várias dimensões no espaço. Uma dimensão quando ela está frente a frente, outra quando não está mais. Depois como ela interpreta sobre o que ouve e vê e por último, o que ela tem dentro de si e desconhece.”

Dona Dita

Relaxa!
Esse mundo dá voltas. Aquela Marta Suplicy que teve o orçamento do Ministério cortado quando era do PT é agora presidente da Comissão de Assuntos Sociais, onde será votada a Reforma Trabalhista.

Bravíssimo

“Canta que te fa bene” – Ainda repercute o encontro de coros italianos em Brasília. Se depender de apoio do embaixador Antonio Bernardini muitos outros coros virão à capital. Ele cantarolou todas as músicas. Essa é a interação que qualquer coral deseja.

Leitura

“Mata Branca” de autoria de Frederico Flósculo está à venda na mão do autor ou pelos Correios. Pela Internet o autor é localizável.

Plenário

O deputado Augusto Carvalho registrou repúdio às campanhas maciças que tentam denegrir o Hospital da Criança de Brasília José Alencar. Aliás quando alguém se propõe a trabalhar nesse país, é violentamente atacado. A cultura de só fazer o que der vantagens pessoais é o que tem valido.

Elementar

Ficou fácil saber que político tem relação estreita com Joesley Batista. É só pesquisar os dias de churrasco.

Visibilidade

Ostomizados são pessoas que, por cirurgia, têm um caminho alternativo no corpo para a saída de fezes e urina ou também para a respiração e alimentação. Trata-se de uma comunidade invisível que agora levantou a voz na Câmara Legislativa do DF para ser enxergada e respeitada. “Esse é um tema hermético e específico, mas que tem um impacto imenso na vida dessas pessoas. Precisamos conhecer a situação, do que precisam, quanto custa”, elogiou a iniciativa o deputado Wasny de Roure

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Confirmamos, na íntegra, a versão ontem veiculada nesta coluna. O baque forte que os passageiros do “Caravelle” sentiram, foi quando o avião bateu antes da pista, no cascalho da cabeceira. (Publicado em 29.09.1961)

Adeus ao espelho d’água

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Seria impossível hoje repetir a epopeia da construção de Brasília, principalmente nos moldes como foi feita no final dos anos cinquenta do século passado. As razões são inúmeras, a começar pela dimensão da obra, pelo sítio escolhido, pela fabulosa movimentação de terras que se seguiu para o nivelamento das grandes áreas centrais da capital, pelo assoreamento de diversos curso d’água, pela derrubada de extensas áreas nativas de cerrado e por diversas outras transgressões e crimes contra o meio ambiente.

Brasília existe hoje, porque na época não existiam códigos de preservação da natureza e muito menos informação sobre o delicado equilíbrio dos biomas e de questões sobre o aquecimento global. Do ponto de vista da atual legislação e do entendimento que temos hoje sobre fenômenos como o efeito estufa, do conhecimento da importância do cerrado para a formação das principais bacias hidrográficas do país e sobretudo sobre os alertas acerca da crescente escassez de água potável, a implantação de Brasília cometeu uma série contínua dos mais graves crimes ambientais que se tem notícia.

Obviamente que não se pode julgar o passado, mas é possível aprender com os erros cometidos e corrigir futuros rumos. No entanto, entre nós, não parece que tenhamos aprendido coisa alguma com os erros passados. Prosseguimos na mesma rota de destruição da natureza ao nosso redor, apesar saber que isto irá comprometer gravemente as gerações futuras.

Cada pequeno gesto e ação que perpetramos contra o meio ambiente irá se somar aos grandes e irreversíveis estragos que tornarão nosso planeta um lugar cada vez mais inóspito para o próprio ser humano. Neste sentido não é possível compreender que o Lago Paranoá continue a sofrer cotidianamente agressões de todo o tipo.

Quem atravessa a ponte do Braguetto, no sentido Norte/Sul, já pode observar, do lado direito, que o plácido e belo espelho d´água, formado pela contribuição das águas do Rio Bananal, a cada dia que passa vai desaparecendo, dando lugar ao mato. Assoreado pelas construções do Setor Médico Norte, pela construção do bairro Noroeste e agora pelas obras do Trecho de Triagem Norte (TTN), essa pequena bacia natural está desaparecendo e todas as nascentes ao redor estão também com os dias contados.

O avanço do progresso, feito de forma apressada e sem maiores estudos prévios e preocupações ambientais, está destruindo, diante de todos, esta parte bucólica do Lago Paranoá e que compõe o que os ambientalistas chamam de corredor ecológico.

O governo, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, faz cara de paisagem e não toma providências. A obra do TTN, que para muitos irá livrar aquela saída dos constantes engarrafamentos é, na visão dos urbanistas experientes neste assunto, apenas um remendo provisório que, em pouco tempo apresentará os mesmos problemas de represamento do trânsito nas horas de pico.

Estudiosos dessa matéria sabem que quanto mais se alargam e duplicam as pistas, mais carros aparecem para congestioná-las, num ciclo sem fim. A solução, que seria a implantação de transporte público de massa, não é, sequer, pensada. Enquanto as obras paliativas e a poeira avançam, a natureza vai recuando silenciosamente. Até quando?

 

A frase que não foi pronunciada:

“A personalidade do homem determina antecipadamente o grau da sua fortuna.”  Schopnhauer

Humano

Há que se registrar a hombridade do ministro Barroso em reconhecer e se desculpar sobre uma frase infeliz que disse. Foi um fecho de luz em um período de transição para o Brasil.

 

Arte

Recebemos um convite de Heloise Velloso presidente da ACEHU para conhecer o trabalho realizado em São Sebastião para meninas de 10 a 14 anos em situação vulnerável. Mais Arte! é o nome do projeto que abriga as crianças em ambiente de paz, música, fotografia e teatro. Totalmente gratuito à comunidade, o Mais Arte! é mantido pela Associação de Assistência Cultura e Educação Humana, ACEHU, entidade sem fins lucrativos.

 

Ciência

Um rapaz cumpria pena alternativa em uma instituição filantrópica de Brasília. Ele havia dado um murro no homem que o chamou de macaco. Ao ser questionado se havia se arrependido do feito ele disse com convicção. Passaria minha vida toda dando murros em preconceituosos e trabalhando aqui. Com o maior prazer. Dados: 1,2 mil pessoas cumprem pena em postos de trabalho no GDF, órgãos federais, empresas privadas e do terceiro setor.

 

Inoperância

Por falar em cumprimento de pena, a ONG mexicana Conselho Cidadão pela Seguridade Social Pública e Justiça Penal apresentou um ranking das cidades mais violentas do mundo. Um dado interessante é o nível de impunidade. Para os homicídios a impunidade no Brasil é estarrecedora. Em 92% dos casos de morte não há punição para o criminoso.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Resultado geral do acidente com o Caravelle: não houve perdas de vida, havendo, entretanto, perda total do aparelho. (Publicado em 28.09.1961)

Tretas e tetas das estatais

Publicado em ÍNTEGRA

Desde 1960

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha e MAMFIL

Tudo o que já foi dito nas centenas de milhares de páginas sobre a crise que se abateu sobre a Petrobras e que culminou com a instalação da maior investigação criminal de todos os tempos, reunida na Operação Lava-Jato, caberia completamente numa singela e despretensiosa fotografia tirada à época do anúncio oficial da descoberta do pré-sal.

Não se trata aqui de uma foto extraordinária por suas qualidades técnicas ou artísticas e que ganharia um desses concursos de melhor fotografia do ano, mas o que se tem imprimido para a posteridade é o registro exato de um instante que retrata, como nenhum outro, o momento em que o governo Lula, vergando o uniforme laranja da estatal, parecia ter tocado no mais alto do céu quando contempla extasiado as mãos, cobertas pelo ouro negro, vindo das profundezas abissais do pré-sal.

As falas ufanistas que se seguiram à visita ao campo de petróleo naquela ocasião se perderam confirmando o dito latino “verba volant, scripta manent”. O que está escrito, em forma de imagem, impressa no papel é a quintessência de 500 anos de história do Brasil, mostrando a apropriação parasitária do Estado pelas elites dirigentes e políticas de qualquer matiz ideológico, se é que isto tem algum sentido por aqui.

A cantilena patriótica “o petróleo é nosso” é entoada por políticos, burocratas e sindicalistas e quer dizer exatamente isso mesmo. Agora vem a público o balancete da estatal Correios, registrando um rombo, em 2016, de R$ 2 bilhões, atribuído, pelos dirigentes, ao plano de saúde da empresa, que, por incrível que pareça, detém o monopólio do setor em todo o território nacional.

A solução encontrada pelos políticos que parasitam a estatal é, obviamente, aumentar os preços dos serviços, numa ponta, e eliminar uns 20 mil funcionários, em outra, por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV), trazendo, para cobrir o caixa arrombado dos Correios, parte significativa dos salários pagos aos pobres carteiros e a outros empregados da base da pirâmide da empresa. Também no caso da estatal dilapidada, ficaram para registro impresso da história, as imagens do então subchefe de Assuntos Parlamentares, Waldomiro Diniz.

Em 2004, esse assessor direto de José Dirceu foi filmado enfiando displicentemente na algibeira do paletó um volumoso maço de dinheiro recebido, como propina de um contraventor conhecido e enrolado com a polícia. Não precisa ir buscar muito longe exemplos dessa razia promovida por políticos e sindicalistas nas estatais para demonstrar que o modelo do tipo capitalismo de Estado ou capitalismo cartorial é danoso para o cidadão e para o país.

A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), outrora rica e poderosa, detentora da maioria das áreas públicas do DF, depois de sucessivos governos e de seguidos casos de corrupção e de grilagem oficial, apresenta agora aos brasilienses um rombo em suas contas de R$ 1,5 bilhão, ocasionados , em grande parte pelos desvios sofridos durante a construção do Estádio Mané Garrincha.

No caso da Terracap que, segundo o noticiário, bem como Metrô, Caesb e CEB, fez a alegria de muitos políticos na capital, não existem imagens mostrando os gatunos diretamente com a mão na cumbuca. As provas, nesse caso, são bem mais concretas e podem ser vistas na forma de um enorme estádio, que não tem serventia alguma para os brasilienses. É concreto. Cada uma das centenas de colunas é uma homenagem ao descaso e à incúria, perfiladas para a posteridade.

 

A frase que não foi pronunciada

“Eu desencorajo um culto de personalidade.”

Newt Gingrich, ex-membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos

 

Cheiro estranho

O pessoal que conhece o Sindilegis aconselha: aceite toda conversa, mas só depois de conferir o passado de quem estiver envolvido no assunto. Enquanto Câmara e Senado compartilham conhecimento e se unem pela economia no gasto público, membros do Sindilegis começam nessa segunda-feira tentativas estranhas para se separarem em dois sindicatos: um da Câmara e outro do Senado.

 

João 15:16

Passando por uma escola vi um rapaz com Jesus estampado em uma camiseta. Curiosa pela desarmonia do visual, perguntei o que o fez ter tanta fé a ponto de usar uma camiseta que ninguém ali usava. Como se nos conhecêssemos há muito tempo, ele disse com honestidade: “Pedi para minha mãe parar de ir à igreja. Ela disse que Deus era mais importante que eu. Daí concluí: então, Ele deve ser bom mesmo. Passei a ir com ela e gostei”.

 

História de Brasília

Para que não haja dúvida em futuro, nem exploração no presente, seria conveniente que a DAC concluísse rapidamente esse inquérito, e desse a público o seu resultado (o que faria pela primeira vez) para que todos ficassem conhecendo os motivos do desastre. (Publicado em 28/9/1961)

A importância do ensino da arte

Publicado em ÍNTEGRA

 

Desde 1960

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha e MAMFIL

Já houve quem vaticinasse com absoluto propósito: fora das artes, não há salvação possível para o indivíduo e muito menos para a humanidade. Para alguns antropólogos, é a faculdade de produzir arte, de abstrair e de interpretar os signos do mundo que diferencia o homem racional do restante dos animais. Em maio, completou um ano da aprovação da Lei 13.278/16, que incluiu o ensino de artes visuais, dança, música e teatro nos currículos das escolas públicas e privadas de todo o país.

Na ocasião, a lei estabeleceu prazo de cinco anos para que as escolas pudessem se adequar às novas diretrizes, promovendo a adequada formação de professores desses conteúdos. “Esse é um projeto que só traz vantagens, ao incluir o ensino da arte nos currículos das escolas. Sem isso, não vamos conseguir criar consciência 0nem ensinar aos nossos jovens a deslumbrar-se com as belezas do mundo, o que é tão importante como fazê-los entender, pela ciência, a realidade do mundo”, avaliou o relator da matéria, senador Cristovam Buarque.

De lá para cá, apesar dos esforços, pouca coisa mudou. O prazo para a capacitação do pessoal que vai trabalhar os novos conteúdos ainda está correndo. O que mais tem preocupado os especialistas em educação artística não é tanto a formação técnica de professores, mas a falta dos envolvidos no processo da noção sobre a importância do estudo das artes para a compreensão do mundo ao redor e suas consequências para a formação de nova mentalidade diante da avalanche de informações e imagens que tem invadido a vida moderna.

“A arte não é babado cultural, nem é enfeite para pendurar na parede”, ensina a professora Ana Mae, uma das maiores especialista em arte-educação do país, para quem a introdução do ensino das artes nas escolas poderá ampliar não só a inteligência dos alunos, mas principalmente a capacidade perceptiva que eles aplicarão em qualquer área da vida. A arte, ensina Mae, envolve, além da inteligência e do raciocínio, o afetivo e o emocional. “Não se conversa sobre sentimentos nas escolas”, lamenta a educadora, lembrando que as atividades artísticas estimulam o senso de coletividade e de trabalho em grupo.

A escritora e intelectual norte-americana Camille Paglia, da Universidade de Artes da Filadélfia, no livro mais recente, Imagens cintilantes, afirma que: “O olho sofre com anúncios piscando na rede. Para se defender, o cérebro fecha avenidas inteiras de observação e intuição. A experiência digital é chamada interativa, mas o que eu vejo como professora é uma crescente passividade dos jovens, bombardeados com os estímulos caóticos dos aparelhos digitais. Pior: eles se tornam tão dependentes da comunicação textual e do correio eletrônico que estão perdendo a linguagem do corpo”.

De acordo com Paglia, para sobreviver a essa “era da vertigem” em meio a tanta poluição visual, precisamos de foco e de “reaprender a ver”. Para tanto, a pensadora propõe salvar as crianças, oferecendo a elas a oportunidade de percepção por meio da contemplação da arte. O exemplo das escolas-parques, idealizadas e erguidas pelo educador Anísio Teixeira, apresentou, de forma revolucionária, a ideia, avant garde do ensino integral, em que o aprendizado das artes era parte importantíssima do currículo e ferramenta essencial para entender a cultura, o país, o mundo e, principalmente, conhecer a si próprio, que é onde tudo começa e acaba.

 

A frase que foi pronunciada

“A personalidade tem o poder de abrir muitas portas, mas o caráter deve mantê-las abertas.”

Autor desconhecido

 

Susto

»Como tudo no Brasil, só é definitivo o que for provisório. Depois de vários investidores aplicarem em LCI (Letra de Crédito Imobiliário), a regra mudou. O mínimo para investimento passou de mil reais para R$ 80 mil.

A fuga segue a direção do Tesouro Direto.

 

Nadar

»Não é a primeira vez que se vê jacaré no Lago Paranoá. Considerando que, desde a década de 70, visitantes do Pantanal trazem filhotes de jacarés e levando em conta que o réptil vive 70 anos, é melhor ter mais gente do Ibram navegando pelo lago.

 

Maior índice

»O deputado Alberto Fraga protestou no Plenário contra o TJDFT, que, segundo o deputado, tem ignorado a Lei 9.099.  Diz o parlamentar que a vantagem dessa lei é acelerar os atendimentos de ocorrência policial de baixo potencial ofensivo. Os termos circunstanciados devem ser lavrados pela PM, que está na rua fazendo a prevenção. A briga se dá a partir da Associação de Delegados que não reconhece da PM como autoridade policial. Quem perde nessa briga é o cidadão. O número de carros arrombados na cidade aumentou nos últimos meses e nada tem resolvido. Nem registrar ocorrência, nem procurar pelo socorro dos policiais militares.

 

História de Brasília

Resta enaltecer o trabalho dos funcionários da Varig, como de todas as demais companhias, que providenciaram tudo que estivesse a seu alcance, contanto que a tragédia diminuísse ao mínimo.(Publicado em 28.9.1961)