
VISTO, LIDO E OUVIDO
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A confirmação da falência da Oi, em 25 de agosto de 2026, é um símbolo além do desfecho de uma novela corporativa que já dura mais de uma década. Tratamos aqui do maior caso empresarial do período recente no Brasil: um grupo que chegou a acumular cerca de 164 mil credores e um patrimônio líquido negativo superior a R$ 22 bilhões, depois de ter voltado à recuperação judicial em 2023 com dívidas que já ultrapassavam R$ 43 bilhões. Entre a primeira decretação de falência, em 2025, a suspensão por recursos e a confirmação definitiva, um ano e meio se passou, tempo suficiente para que a estrutura da empresa se deteriorasse ainda mais, para que credores perdessem qualquer esperança de recuperação integral e para que o país inteiro assistisse, em câmera lenta, ao fim de uma das maiores companhias de telecomunicações que já existiram por aqui. O problema é que a Oi está longe de ser um caso isolado.
A falência é o fim
Ao reunir os processos mais relevantes de falência e recuperação judicial iniciados desde 2023, um padrão preocupante se desenha: setores inteiros da economia brasileira varejo, têxtil, metalurgia, aviação, papelaria, brinquedos, logística vêm sendo empurrados para dentro dos tribunais em busca de proteção contra seus próprios credores. Saraiva, símbolo do livro e da cultura de varejo no país, teve a falência decretada em 2023 após descumprir seu plano de recuperação, com uma dívida próxima de R$ 675 milhões. A Itapemirim Transportes Aéreos viveu um processo tão conturbado que teve a falência decretada e, na sequência, anulada pela Justiça, um vaivém que por si só denuncia a fragilidade dos mecanismos de recuperação empresarial no país. Falência e recuperação judicial não são sinônimos. A falência é o fim: a liquidação dos ativos, o encerramento da atividade. A recuperação judicial, ao contrário, é uma tentativa de sobrevivência, um pedido de socorro protegido por lei para renegociar dívidas sem fechar as portas. Confundir as duas coisas, como tantas vezes acontece nas redes sociais, infla números e distorce o diagnóstico. Mas a ressalva não deve servir de conforto.
O problema
Uma recuperação judicial é, por definição, o reconhecimento formal de que uma empresa não consegue mais honrar seus compromissos sem a proteção da Justiça. E o que os números mostram é que esse reconhecimento está se tornando cada vez mais comum. Basta olhar a lista de empresas que recorreram à recuperação judicial nos últimos anos para perceber que não se trata de casos pontuais de má gestão. Bombril, símbolo doméstico há décadas. A 2W Ecobank. A Cia. de Tecidos Santanense e a Teka, dois nomes históricos da indústria têxtil nacional. A Paranapanema, após uma longa crise no setor de metais. A Rossi Residencial, arrastando dificuldades do mercado imobiliário. E, já em 2026, um conjunto de marcas que fazem parte do dia a dia de milhões de brasileiros: as Casas Bahia, o recém-formado Grupo Toky que reúne Tok&Stok e Mobly , a rede de móveis Marabraz e a centenária fabricante de brinquedos Estrela, que apresentou plano para reestruturar uma dívida superior a R$ 109 milhões.
Consequências
Há também um efeito cascata que raramente entra nas manchetes: cada empresa em recuperação judicial carrega consigo uma rede de fornecedores, prestadores de serviço e credores menores que dependem daqueles pagamentos para sustentar seus próprios negócios. Os 164 mil credores da Oi não são uma abstração estatística são empresas e pessoas que, em algum grau, também terão seus planos financeiros afetados pela demora e pelo desfecho do processo. Multiplicar esse efeito pelas dezenas de empresas hoje em recuperação judicial dá uma ideia do tamanho da onda de segunda ordem que ainda está por vir, mesmo que nenhum novo pedido seja protocolado a partir de hoje. O Brasil tem instrumentos legais razoavelmente sofisticados para lidar com empresas em dificuldade a própria existência da recuperação judicial como alternativa à falência é prova disso. O problema é o uso recorrente dessas ferramentas como último recurso em um ambiente de juros altos, burocracia tributária pesada e instabilidade regulatória que segue penalizando desproporcionalmente quem mais precisa de previsibilidade para planejar investimentos de longo prazo.
Futuro
Entrar em 2027 com esse quadro ainda em aberto sem sinais claros de redução estrutural do custo de crédito, sem simplificação tributária efetivamente implementada e sem um ambiente de negócios mais previsível parece apostar que os próximos nomes na lista não sejam mais companhias de médio porte, mas grupos ainda maiores, com efeitos ainda mais amplos sobre emprego, arrecadação e confiança do mercado. Pior do que entrar 2027 com esse conjunto de problemas é querer arrastar e anistiar para o próximo ano os personagens que tornaram essa calamidade possível.
A frase que foi pronunciada:
“Ao optar por trocar princípios preciosos por impulsos inúteis, muitas vezes arruinei minha alma para financiar meu ego.”
Craig D. Lounsbrough
História de Brasília
Foi aí que a reunião transformou-se numa solenidade, usando da palavra o advogado da defesa Newton Antunes, e, a seguir, o promotor Sebastião Barbosa. Foi uma solenidade de grande civismo .(Publicada em 25.05.1961)

