Maria Fernanda, com os filhos Felipe e Guilherme (Foto: Arquivo pessoal)
maior Maria Fernanda, com os filhos Felipe e Guilherme (Foto: Arquivo pessoal)

“Cheguei a escutar que jamais seria aprovada porque teria um filho”

Publicado em Concursos

Promotora vence preconceitos e prova que maternidade não é impedimento, mas sim estímulo para alcançar sonhos

A maternidade pode ser uma benção para as mulheres, mas nem sempre é vista assim pela sociedade. O fato de ser mãe, ainda mais com filhos pequenos, é encarado com preconceito pelo mercado de trabalho. No serviço público não é diferente. Além de existir concursos que não aceitam mulheres ou que restringem sua participação, existem editais que não aceitam candidatos com filhos. A luta diária para se provar capaz de trabalhar e ser mãe é uma realidade de muitas. Às vésperas do Dia das Mães, o Papo de Concurseiro dá voz a uma dessas mulheres, Maria Fernanda Balsalobre, que sonhava em ser promotora, mas foi desacreditada por muitos quando engravidou do primeiro filho. O que eles não contavam é que sua determinação e força viriam de onde eles menos esperavam. Confira abaixo o depoimento dela: 

 

Decidi, logo depois de me formar no curso de direito, que seria promotora de Justiça. Sempre gostei de direito constitucional e me fascinava aquela instituição cuja atribuição era ser a grande guardiã da Constituição Federal e dos direitos e garantias fundamentais. Entendi que era exatamente aquilo que queria fazer por toda a vida. Orgulhosa do meu sonho e cheia de coragem para concretizá-lo, comecei a estudar para concursos públicos da área, e logo percebi que o caminho não seria tão fácil quanto eu pensava.

Fui uma aluna mediana na faculdade, então a ideia de ter que saber tudo de todas as matérias me assustava bastante, já que em relação a muitas matérias a minha sensação era a de que eu não sabia absolutamente nada. Sequer sabia por onde começar os estudos e o planejamento.

Entendi rapidamente que o que eu tentava fazer outras pessoas já haviam feito e de forma fantástica. Passei então a conversar com diversos primeiros colocados dos mais variados concursos, para entender como fizeram, e pedia orientações e dicas. Sabendo exatamente como eles haviam se preparado, eu pouparia muitos erros na minha preparação.

Passei pouco mais de seis meses estudando, com o apoio financeiro de minha família. Depois desse período, comecei a trabalhar em uma assessoria jurídica, e tive, pela primeira vez, que conciliar estudos, trabalho e pós graduação.

Partindo da minha própria pesquisa sobre métodos de estudo e concursos, aliada à reflexão sobre meus erros e acertos (e dos amigos próximos) e orientações de aprovados bem classificados, cheguei a um método de estudo que me permitiu ótimos resultados em pouco tempo. Após pouco tempo trabalhando na assessoria jurídica, fui aprovada, entre os 10 primeiros colocados, no concurso para analista do Ministério Público do Estado de São Paulo. Assumi o cargo e continuava trabalhando e estudando, sempre com o meu grande sonho à vista.

 

Foi então que, aos 26 anos, em meio à preparação para o concurso de ingresso ao Ministério Público, engravidei do Fefê. Para minha grande surpresa, notei que muitas pessoas passaram a me olhar com ar de pena e cheguei a escutar, inclusive de familiares, que jamais seria aprovada agora que teria um filho. Ouvi que “deveria me contentar com o cargo de analista, que já era muito bom para quem tinha um filho”. Infelizmente, acreditei que seria impossível. Parei de estudar durante a gravidez, vendo cada vez mais aquele sonho, que já estava tão perto, se distanciar.

Contudo, quando Felipe nasceu e me olhou com aqueles olhinhos tão doces, eu logo entendi que eu e minha pequena dupla poderíamos chegar exatamente aonde quiséssemos. Tinha como analista um horário de trabalho que me permitia ficar com o filhote a manhã inteira. E, à noite, quando voltava do trabalho e ele dormia, eu estudava. Foi assim por muitos meses, todos os dias. Ele dormia. Eu estudava.

Fefê nasceu em outubro de 2011. Em 2012 prestei o concurso para o ingresso no Ministério Público. Durante as diversas fases ouvi, tantas vezes, que jamais conseguiria, já que “a carreira não via com bons olhos a mulher que já tinha filhos”. Decidi que usaria todo esse desestímulo dos outros para me motivar, e assim foi. À véspera da prova oral, um professor me disse (sem que eu perguntasse) que minha aprovação seria quase impossível, pois “mulher que tem filhos não se dedica à carreira”. Mas, como a vida também é feita de boas surpresas, encontrei uma Banca Examinadora composta por profissionais da mais alta cultura, inteligência, decência e sensibilidade.

Maria Fernanda, no dia da posse no cargo de promotora, com o filho Felipe, no colo (Foto: Arquivo pessoal)
Maria Fernanda, no dia da posse no cargo de promotora, com o filho Felipe, no colo (Foto: Arquivo pessoal)

Fui aprovada em segundo lugar no concurso de ingresso ao Ministério Público. Durante a minha posse, minha pequena dupla, que havia aprendido a andar havia pouco tempo, saiu do colo do meu pai e foi até o local em que eu estava, na primeira fila do salão, e permaneceu no meu colo durante toda a cerimônia. Nada mais justo.

Posso dizer que a receita para a aprovação é só uma: estratégia, motivação e método de estudo. Além disso, é preciso aprender a se interessar pelo que está estudando. E ter calma, entendendo que é apenas um caminho, que a aprovação virá, e todo o esforço terá valido a pena.

Hoje vejo que a maternidade, ao contrário do que ouvi tantas vezes durante a minha preparação, muito me ajudou. Fez com que eu amadurecesse profundamente e me tornou mais focada, segura e confiante. Se eu consigo criar um ser humano, o que eu não consigo fazer? Também no exercício da minha profissão, sinto que a maternidade me traz uma atuação madura, responsável, sensível e humana.

Aprendi, com alegria, que as carreiras públicas hoje são absolutamente plurais, e já deixaram para trás os preconceitos em razão das condições pessoais dos concursandos. Pode ser mãe, pode ter tatuagem, pode ser surfista, pode ser sedentário, pode ser pai, pode ser solteiro, pode ser extrovertida, pode ser tímido etc.

Aprendi, também, que todos enfrentamos grandes dificuldades, mas que a coisa mais linda da vida é ter coragem de lutar por um sonho. Se há espaço para sonhar, é possível realizar.

Após a aprovação, passei a ajudar amigas e amigos na preparação para as provas, ensinando o meu método inteligente de estudo, assim como me ensinaram quando precisei. Hoje, além me dedicar muito à carreira, cuidar dos filhos, da família e fazer esporte, passei a ajudar também os amigos virtuais, dando dicas e orientações para o estudo. Espero, de coração, que todos alcancem o grande sonho. Só não vale desistir.

Maria Fernanda Balsalobre Pinto
Promotora de Justiça – MPSP

  • Debora Freitas

    Parabéns, Doutora Maria Fernanda. Orgulhosa demais de ser mulher, de ser mãe, de ser estudante e profissional. Sim, é muito difícil conciliar tudo, mas eu acredito que aprender sempre é o caminho e não vou desistir. Quando engravidei do meu segundo filho aos 19 anos de idade também ouvi de muitos familiares que minha vida havia acabado, mas estava só começando: faculdade, trabalhos, pós-graduação, mestrado… tanto ainda viria. Obrigada filhos por me dar forças sempre! Parabéns a todas as mamães e a minha que também é uma grande mulher!

    • Maria Fernanda

      Muito obrigada pelas palavras doces, Debora!! Mamaes unidas sempre! Rs beijao

  • Edvania Feitosa Bernardes

    Que lindo exemplo, Parabéns Doutora Maria.
    Estou na luta para concursos há algum tempo, mais ainda sem sucesso. Sou dona de casa, casada e tenho uma filha de 7 anos (que é meu presente de Deus). Gostaria de saber como entro em contato com senhora para ter acesso a suas dicas e orientações pois acredito possam me ajudar bastante.

    • Maria Fernanda

      Muito obrigada, Edvania! Filhos sao sempre um grande presente mesmo! Haja coracao pra caber tanto amor, nao? Segue o instagran… é @mariafernandabalsa
      Beijao!

  • Dani

    Fiquei curiosa. Que método ela usou para passar no concurso? Ela disse que conversou com os primeiros colocados e com eles aprendeu um metodo que fez ela passar no concurso. Vcs podiam fazer outra entrevista com ela, para q ela possa falar mais sobre esse metodo q ela usou. Muitos concurseiros se interessariam em saber mais sobre isso.

    • Revolta

      Ela ja respondeu

      Posso dizer que a receita para a aprovação é só uma: estratégia, motivação e método de estudo. Além disso, é preciso aprender a se interessar pelo que está estudando. E ter calma, entendendo que é apenas um caminho, que a aprovação virá, e todo o esforço terá valido a pena.

    • Joao Carlos Silva

      Situações de pressão é o melhor estímulo!

    • rodrigo camargo

      verdade, me expliquem, por favor, como se deu esse processo de tietar os “eleitos”? tudo bem, vamos por parte, às premissas: pode dar certo todo o esforço. Não obstante, e aí? houve ou não algum preconceito, ao ingressar no serviço publico por ser branca, de classe media, de traços finos, bla, bla, bla….automaticamente eu ja mostro a varios amigos aqui em bsb, pois é um tanto ritículo, desculpe;;;;eu quero ver uma pessoa de traços lambrosianos, paupérrima, filha de cortadores de cana, escravos de coronéis, passando por verdadeiro preconceito. Ah! e mais uma vez: sorry! eu não caio nessa hipocrisia de vcs. O povo já se encheu da casta de vcs.

    • Maria Fernanda

      Oi, Dani! Comecei a falar sobre isso no instagran…veja lá quando puder… é @mariafernandabalsa
      Beijao!

      • Dani

        Oi. Vou dar uma olhada. Obrigada. :)

  • rodrigo camargo

    Numa boa, eu refleti um tanto sobre esse assunto nessa noite e cheguei à conclusão de que não passa de uma bobagem. Explico: uma moça, de traços finos, europeizados, paulistana, argumentando que teria, de algum modo, sofrido algum tipo de “preconceito”, e vai assim mesmo, entre aspas, pois é situação risível. Olehm só a hipótese: sofrifo situação de preconceito, obseverm, publico, um apessoa do topo da hierarquia estatal, que percebe mais de 20.000,00 reais de salários, fora os penduricalhos, apelido gentil para a imoralidade imposta por estes crápulas do estado, para tentarem, sem exito algum, justificar a sua ambição eterne pelos dinheiros alheios, que, vorzmente e sem vergonhamente, esses sujeitos , literalmente, roubam, isso mesmo, ROUBAM, em caixa maiuscula, roubam dos ” contribuintes”, escravos, vamos lá. vsmos dicutir testes, eu derrubo quluer escravocrata do governo, de quaer dos governos, TODOS CRAULAS, LADROES. EU TENHO ESTUDO DE SOBRA PRA DISCUTIR COM QQ ENGRAVATADO PEDANTE DE QQ PODER DESSA REPUBLIQUETA SAFADA.

  • Ana Li

    “Hoje, além me dedicar muito à carreira, cuidar dos filhos, da família e fazer esporte, passei a ajudar também os amigos virtuais, dando dicas e orientações para o estudo.”

    Alguém sabe onde ela dá essas dicas? Será blog ou facebook?

    • Ana Carolina Vieira Fernandes

      Também gostaria de saber.

    • Maria Fernanda

      Oi, Ana!! Td bem? Comecei a falar sobre os estudos no instagran…veja la qdo puder… é @mariafernandabalsa
      Beijao!

      • Ana Li

        Obrigada! Seguirei sim. Bjo e mais sucesso para você!

  • rodrigo camargo

    SE NAO TIVER PRECONCEITO, INVENTA SE. PODE SOBEVOAR A CASA DA MINHA FAMILIA, VAMOS DISCUTIR TESES, E NÃO PODER, POIS VCS SABEM MUITO BEM QUE A SOCIEDADE NÃO É EMPODEIRADA, NÃO MESMO. E OUTRA: EU NAO TENHO MAIS MEDO DA SUA OPRESSAO E DA SUA POMPA E CIRCUSTANCIA. VCS SAO DESSARAZOADOS, EU TENHO CONHECIMENTO DE SOBRA

  • rodrigo camargo

    SE QUISEREM SABER QUE EU SOU, RODRIGO CAMARGO, BACHAREL EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS PELA UNIVERSIDADE CATOLICA DE BRASILIA, SEM MEDO ALGUM DOS HIPOCRITAS ESTATAIS QUE ESCRAVIZAM S PESSOAS INOCENTES DO POVO. PRA CIMA DE MOI NÃO!

  • rodrigo camargo

    PRECONCEITO POR TER TIDO FILHOS E INGRESSADO NO SERVIÇO PÚBLICO. RIDÍCULO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! queria ver se fosse de uma familia que tivesse retronado ao fogaço a lenha, e nao por romantismo, mas por ncessidade, ai sim, sobrevivendo com um terço de salario minimo, aí sim eu quero ver!!!!!!!!!!!!!!!! e venham logo bater à minha residencia, vamos logo discutir teses seus hipocritas

  • rodrigo camargo

    esse pais é ,de fato, uma idiocracia. vcs vão se fuder com os militares, e eu espero por isso ansiosamente.

  • Thame M Araujo

    instagram, galera!

  • HugoL

    História bonita, porém o texto conta duas mentiras, a primeira é dizer que tem concursos que não aceita mulheres, a segunda é que também não aceita mulheres com filhos. Se fosse uma redação para concursos já tinha zerado. Acho que não precisava inventar nada, a história da moça por sí só já ErA suficiente pra chamar à atenção do leitor.

    • https://www.facebook.com/peterssonbarros Petersson Barros

      Concursos militares, principalmente Policias Militares, restringem o número de mulheres, de acordo com a lei. Sobre filhos não conheço algum exemplo.

      • HugoL

        Exato, restringe, mas não proíbe de participar do certame. Há um quantitativo menor, mas ainda participam.

        • Ricardo 38

          Na minha visão, é uma proibição sim. Tem concursos para policial militar que só abrem vagas para homens e outros que abrem para ambos, com restrições.Ou seja , no certame que é só para homens, está clara a proibição. E concurso para fuzileiro naval? É só para homem. Ou seja, proibem mulher. Não estou levando em consideração os motivos, que existem, óbvio. Estou afirmando que sim, há concursos que proibem a participação feminina. Também já vi edital da Marinha Mercante, onde o candidato (homem apenas) teria que ser solteiro ( subentende-se, sem filhos).

  • Bruno

    A melhor coisa na vida de um concurseiro é a posse, em segundo é calar a boca de muito filh0 da p$t@ por aí.

  • Ricardo 38

    Parabéns, parabéns, parabéns! Sou pai dedicado de 2 pequenos e estou estudando…seu exemplo é um estímulo e tanto pra mim.Só consigo estudar depois das 23 h. Mas vou chegar lá.

  • Rachel Balsalobre

    Olá a todos e todas. Estou aqui para deixar minhas palavras de incentivo, força e solidariedade a todos que se manifestaram aqui e que tbem estão nesta dura maratona do concurso, seja qual for.
    Como mãe da Maria Fernanda, quero mencionar de novo uma coisa que acho que ela não destacou tanto: é uma vontade férrea, uma determinação absurda e e uma capacidade imensa de se esforçar. Ela sempre foi assim, mas se superou para o concurso, pq alem de tudo, ainda passou em segundo lugar, apenas um ou dois décimos atrás do primeiro. Então, meus jovens, é isto mesmo q ela falou: muita dedicação e esforço, mas depois vale a pena!
    Ah! E aproveito para dizer que NÃO estou entre os familiares que disseram que ela não iria mais conseguir, pq tinha engravidado. rsrs… Pelo contrário, nunca duvidei dela e sempre soube que a chegada do Felipe e do Guilherme representaram uma bênção enorme!
    Boa sorte e todos! Muita fé, muita força!
    Rachel