Verde ardente

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil

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Foto: veja.abril.com

 

Obviedades são como almas de outro mundo. Só são vistas por indivíduos dotados de percepções acima da média, com uma espécie de paranormalidade. São, nesse caso, aquelas pessoas capazes de enxergar além do que parece ser à primeira vista, esmiuçando o objeto com os olhos e as lupas de um especialista. O dramaturgo e jornalista, Nelson Rodrigues (1912-1980), costumava dizer que só os gênios enxergam o óbvio. Ou, em outras palavras, a obviedade é ululante.

Com essa premissa, fica evidente que o período estendido de quarentena fornece somente, àqueles dotados de olhos para enxergar, a oportunidade única de avaliarem, com precisão, o mundo e a sociedade em volta. A virose, ao proporcionar a espetacular chance de uma espécie de retiro espiritual forçado, tem facultado a muitos a experiência de uma revisão do mundo, da humanidade e sobretudo das diversas e intrincadas relações que amarram esses dois sujeitos num destino comum, mas que dá ao planeta a vantagem de naturalmente prescindir dos terráqueos.

O mesmo não se pode dizer da espécie humana, umbilicalmente ligada à Terra e dela totalmente dependente para sobreviver. Espoliada e degradada pelos humanos, há muito o planeta vem emitindo sinais claros de esgotamento do modelo de exploração imposto pela sociedade de consumo. Na realidade, e os constantes alertas de cientistas e ambientalistas vão nesse sentido, o planeta já não consegue mais repor ou renovar os recursos naturais extraídos de modo irracional e, pior, sem quaisquer critérios ou preocupações com as futuras gerações.

Pouco tempo antes de os eventos que conduziram a pandemia de características bíblicas, a agenda mundial vinha se ocupando dos fenômenos do aquecimento global e de todo o stress que o meio ambiente vinha apresentando. Os prognósticos, com base científica, de um futuro sombrio para toda humanidade, caso persistisse o modelo atual de exploração, vinham sendo observados paulatinamente por alguns países mais comprometidos com a agenda ambiental do que outros.

Infelizmente, no rol dos países que passaram a dar pouca importância a essa agenda, o Brasil passou a ser o destaque internacional. Ao contrário dos países desenvolvidos, o Brasil, por força do poderoso lobby do agronegócio e do grande apoio que esse grupo fornece ao atual governo no Legislativo, passou a empreender uma agenda própria, voltada mais para o interesse imediato dessa classe do que ao atendimento de questões ambientalistas.

Para essa turma, que também inclui os extrativistas de minérios e madeiras na Amazônia, o meio ambiente nada rende comparado a outras atividades. É justamente essa agenda suicida que o atual governo resolveu adotar, forçando o Brasil a nadar contra a correnteza mundial e contra as evidências de que o planeta pede socorro. As queimadas na Amazônia, as invasões de terras indígenas e os desmatamentos nunca foram tão intensos como agora. O Alerta tem sido feito tanto por monitoramento de satélites, como por denúncias que não param de chegar.

Aproveitando o período de pandemia e quarentena, quando os brasileiros estão alarmados e aflitos em preservar a própria vida, os habituais depredadores, inclusive bancados com o dinheiro de poderosos grupos estrangeiros, estão agindo livremente, promovendo um saque ao país. O governo, para quem esses grupos são importantes para o “processo de desenvolvimento”, faz vistas grossas, ou seja, não enxerga o óbvio.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Se queres provar-nos que és competente em agricultura, não o proves semeando urtigas.”

Georg Christoph Lichtenberg, filósofo, escritor e matemático alemão.

Georg Christoph Lichtenberg. Imagem: wikipedia.org

 

Sempre burocrático

Cartório do 4º ofício, na Asa Norte, quadra 504, anuncia pelo site que é possível fazer agendamento. Ao tentar marcar data e hora, a instrução é que o interessado vá pessoalmente agendar o atendimento no próprio cartório. Chegando lá, recebe um papel para marcar data e hora ou opta por enfrentar a fila.

 

Ruim

Avaliação dos usuários em relação ao aplicativo do BRB é nota 2. Quem tenta abrir uma conta pelo celular simplesmente não consegue. Como o caso do cartório comentado acima, exige, na realidade, a presença do cliente.

 

 

Cidade fantasma

Se, antes da pandemia, andar pelo Setor Comercial Sul já era desolador, aquele mesmo cenário está se estendendo pelas áreas comerciais da cidade. Até um site já foi criado com a lista de restaurantes fechados por toda a cidade. Veja no link Vendo Restaurantes.

Restaurante fechado na quadra 405 Sul. Foto: Blog do Ari Cunha

 

Covid-19

Um túnel de ozônio. Foi assim que a fábrica da Klabin resolveu manter seus colaboradores protegidos. Veja a seguir.

 

 

Megafone

Comemorações do Dia Internacional da Enfermagem usam o microfone para pedir melhores condições de trabalho.  Reconhecimento é bom, mas dar condições no trabalho é fundamental.

Cartaz publicado no perfil oficial do Governo do DF no Instagram

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E vive, também, como sede do governo, como centro convergente do país, como cidade, como comunidade. Antes, quando os blocos não estavam habitados, reclamavam contra a falta de choro de crianças, a falta de cheiro de bife nos corredores. Hoje, os que não querem ver a obra, dizem que a acústica faz com que se ouça o choro da criança vizinha, e há quem reclame contra o cheiro de bifes nos corredores de serviço. (Publicado em 06/01/1962)

O Brazil não merece o Brasil

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Foto: revistadeagronegocios.com

 

Para turbinar a escalada de preços, aumento de demanda mundial por alimentos, restrições de ofertas e outras incógnitas de difícil solução, o aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas elevam às alturas tanto as incertezas sobre o futuro como os preços do pão de cada dia.

Além dessas variáveis de características globais, pode ser acrescentado ainda o aumento exponencial da população mundial, acima dos sete bilhões de habitantes. A maioria sem recursos e com fome, muita fome. O agronegócio envolve uma cadeia de produção, que pode ser dividido em três grandes atividades básicas. Num primeiro patamar estão os grandes produtores de insumos como sementes transgênicas ou híbridas), adubos químicos e agrotóxicos e as empresas que fabricam as máquinas agrícolas.

No segundo estágio estão os produtores propriamente ditos, que aram a terra, adubam, plantam, pulverizam as plantações e colhem as safras, e que dentro do mundo fabuloso do agronegócio, se assemelham aos antigos peões ou trabalhadores da roça e que, obviamente, ficam com a menor parte do lucro ou com os prejuízos.

Num terceiro estágio estão outras enormes atividades, responsáveis pela recepção da produção, armazenamento, distribuição dos produtos para o mercado interno e externo, além das indústrias de transformação dos alimentos para a produção de óleos, rações, combustíveis, etc. Existe ainda um outro setor ligado a esse estágio que é mercado financeiro, que transforma os alimentos em ações a serem vendidas nas bolsas, especulando e elevando os preços dos alimentos.

Quem controla a primeira etapa, dos insumos, são multinacionais gigantescas e oligopolistas como a Monsanto-Bayer; Dow-Dupont e a Syngenta-Chem China-Adama, além dos dois fabricantes de máquinas como a Jhon Deere e New Holland. No estágio final da distribuição logística está outro pequeno grupo de multinacionais como a ADM; Bunge; Cargil e Dreyfuss. Finalmente na etapa final ficam as indústrias de alimentos, também formada por um conjunto de multinacionais poderosas com a Nestlé, Kraft, Coca-Cola, Unilever, Pepsico e outras.

A parte verdadeiramente nacional dentro do vasto mundo do agronegócio é formada por empresas brasileiras e familiares que trabalham, como se diz, da porteira para dentro. Por fora agem as multinacionais que ficam com a maior parte dos lucros. O governo, que conduz uma economia com uma das maiores cargas tributárias do planeta, fica com a outra parte gorda. Também os bancos e financeiras cuidam de lucrarem especulando com alimentos. O que sobra mal dá para pagar os custos de produção.

Correndo por fora desse gigantesco mercado podem ser encontrados ainda outros que direta ou indiretamente acabam lucrando com o agronegócio. São especuladores de todo o tipo, políticos das bancadas ruralistas e lobistas prontas a colherem o que não plantaram. Para os produtores, que formam a parte verdadeiramente nacional do agronegócio e que realmente são os responsáveis por colocar diariamente alimentos no prato de milhões de brasileiros, há ainda um indicador preocupante que é a possibilidade de venda de extensas áreas agricultáveis à estrangeiros conforme prevê o projeto (PL 2963/2019).

Quando isso acontecer, todo o agronegócio vai estar nas mãos de estrangeiros, internacionalizando em 100% todo o setor. Nesse ponto o governo perderá totalmente a capacidade de regular e fiscalizar o setor. Nesse estágio da evolução acelerada do agronegócio os brasileiros perderão a posse da terra o que pode marcar o início de um outro país, um Brasil com Z.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:            

“A consciência fala, mas o interesse grita.”

Jules Petit-Senn, de Genebra. Poeta.

Imagem: Reprodução da Internet

 

 

Regulado

Dado interessante divulgado pelo Ipea. Ipea: trabalho doméstico é exercido por mulheres mais velhas. Em 2018, 80% das domésticas no Brasil tinham entre 30 e 59 anos.

Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

 

 

Aos poucos

É possível ver por Brasília diversos meios de transporte elétricos. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, do Observatório do Clima, apontam para 430 milhões de toneladas de resíduos no ar no ano passado. Desse total, 48% foram emitidos por transportes.

Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

 

 

Consumidor

Foi uma catástrofe geral o trabalho de encomendas para o Natal na padaria Pães e Vinhos do Lago Norte. Uma fila enorme, pessoas alteradas com o atendimento sofrível e muitos produtos pagos com antecedência não estavam prontos na hora marcada.

Foto de viajante enviada por: Vinny491, em agosto de 2019 (tripadvisor.com)

 

 

SUS

Sem fonte de custeio, não foi possível aprovar o projeto do deputado Marconi Perillo que garantia a oferta de sangue, hemoderivados, medicamentos e demais recursos necessários para o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças, a todos os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Imagem: Reprodução da Internet

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Rush do Trânsito, contra o excesso de velocidade nas avenidas de Brasília. O dr. Valmores Barbosa voltou disposto dos Estados Unidos. (Publicado em 13/12/1961)

Ameaça à nossa espécie

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Foto: g1.globo.com/jornal-nacional

 

Nessa quinta-feira, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou um importante relatório, onde cientistas de várias partes do mundo e em diversas áreas do conhecimento concluem que o desmatamento e a atividade agropecuária estão entre os maiores responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa, responsáveis diretos pelo chamado aquecimento global.

De acordo com esse documento, 23% das emissões desses gases, ou mais de um quinto de todos poluentes ambientais, são gerados apenas nessas duas atividades. Com isso, o planeta vai perdendo a capacidade de absorver cada vez menos CO², que se concentra na atmosfera, impedindo que o calor se dissipe, o que provoca o aumento na temperatura em toda a Terra.

Para os cientistas, é importante que haja um controle em âmbito mundial com a participação conjunta de todos os países para que a redução de emissões desses poluentes possa impedir, a tempo, uma séria crise climática onde todos, sem exceção, sofrerão os efeitos. Apesar do mutismo do atual governo e de sua clara posição em favor do agronegócio e da expansão das fronteiras agropecuárias, esse novo documento, lá fora, irá aumentar a pressão de muitos países sobre o Brasil.

A importância econômica atribuída pelo governo federal ao agronegócio, juntamente com o aumento visível do desmatamento em enormes áreas do País, vem paulatinamente transformando o presidente Bolsonaro no maior vilão atual do meio ambiente. O pior é que suas declarações intempestivas não ajudam a melhorar essa avaliação. Com isso, o que pode ocorrer, no médio prazo, é um embargo dos países importadores de grande parte da produção nacional de grãos e carne.

A preocupação dos cientistas é que tanto a diminuição da cobertura verde natural do planeta, como a utilização constante das terras para um plantio do tipo industrial, acabe por afetar e diminuir a capacidade dos solos de se regenerarem, deixando-os esgotados, o que abriria o caminho para a desertificação de largas porções de terras.

O desmatamento é também um problema sério e que o atual governo tenta driblar com a demissão de cientistas, como ocorreu agora no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para os cientistas, a perda na capacidade de fotossíntese, ocasionada pelo desmatamento crescente, irá aumentar, a níveis alarmantes, a concentração de CO² no planeta. O alerta do IPCC, que em nosso país, tem tido, por razões óbvias, pouca divulgação, afirma que a exploração dos recursos naturais do planeta já alcançou patamares sem precedente em toda a história humana, com as atividades dos terráqueos afetando mais de 70% de toda a superfície terrestre.

Desse total explorado, afirmam os ambientalistas, um quarto dessas áreas, está a caminho da degradação irreversível. Dessa forma, o empobrecimento dos solos, reduzindo sua capacidade de absorver carbono, irá afetar diretamente a produção de alimentos num futuro próximo, o que poderá gerar grandes ciclos de fome e de desabastecimento.

O cenário pintado pelos cientistas, embora tenebroso e realístico, com base em dados concretos, deveria merecer maior atenção de nosso governo, não apenas porque nosso país está no centro das atenções mundiais, mas, sobretudo, em razão de que esse é um problema que ameaça diretamente nossa espécie.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Se eu te disser a origem, você não vai acreditar na fonte, se eu revelar a fonte, você vai duvidar do autor.”

Sir Hob, embaixador inglês do século XVI, no Sacro Império Romano e na Flandres.

 

 

 

Para cobrar

Vamos ver como será o cumprimento da promessa do subsecretário de Integração de Ações Sociais sobre a “fábrica de empregos”, promessa do governo em profissionalizar alunos de baixa renda e prepará-los para o mercado de trabalho.

Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

 

 

Balaio de gatos

Parece que ainda não é definitivo, mas o TTNorte é um descalabro em matéria de trânsito. Carros que precisam virar à esquerda de repente se deparam com a interrupção da via, curvas onde os motoristas disputam lugar colocando em perigo as motos que ultrapassam de repente.

Foto: brasiliadefato.com.br

 

 

Agenda

Com o patrocínio do FAC, o livro e exposição em Cordel, que tratam sobre rotina de profissionais da enfermagem, serão apresentados ao público a partir de 15 de agosto, quinta-feira, às 18h, no Ernesto Cafés Especiais (115 Sul). Já no dia 20 do mês, terça-feira, ela segue para o Restaurante Carpe Diem (104 Sul). Por lá, o livro será lançado às 19h. O lançamento é um evento livre para todos os públicos.

 

 

Visita

Recebemos a visita de Teikichi Kikuchi, velho amigo de Ari Cunha que, entre lágrimas e risos, nos contou as aventuras nos bons tempos de Brasília.

 

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A Caixa Econômica de Brasília está desenvolvendo todo o esforço possível, para aprontar o protocolo de financiamento de residências e casas comerciais da Asa Norte, para os comerciantes que se mudaram da Cidade Livre. (Publicado em 28/11/1961)