Renan negociou renúncia de Dilma para ela ser candidata ao Senado pelo PDT do Rio Grande do Sul

Publicado em Economia

POR LEONARDO CAVALCANTI

 

Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), levaram a Dilma Rousseff um assunto caro à petista: a renúncia antes da votação do impeachment no plenário da Casa. A estratégia negociada nos bastidores do mundo político brasiliense seria posta em prática na ida dela ao Congresso na segunda-feira, 24h antes do desfecho do processo. Os termos do acordo chegaram a ser detalhados.

 

A partir da proposta apresentada a Dilma, ela, durante o discurso no plenário do Senado, anunciaria a renúncia do cargo de presidente da República. Com o gesto da petista, caciques de partidos mais próximos tentariam evitar a soma de 54 votos pelo impeachment na terça-feira, o dia marcado para a votação. Os fiadores da negociação chegaram a considerar que Dilma deveria aceitar os termos.

 

Na cabeça de parte dos aliados da presidente, a renúncia seria — ao contrário do que a própria petista considerava — uma saída honrosa que, na pior das hipóteses, garantiria a manutenção dos direitos políticos, caso o processo do impeachment fosse derrubado no plenário. Um dos argumentos era de que, no futuro, Dilma pudesse sair do PT, buscar filiação no PDT e até mesmo voltar a se candidatar em 2018. Interlocutores de Renan chegaram a falar de uma disputa ao Senado pelo Rio Grande do Sul.

 

Distância

 

Nos últimos dias, os aliados de Dilma viram os caciques petistas buscarem distância do processo de impeachment e do martírio da presidente afastada. Vide a recusa da Executiva do PT, que, por 14 votos a dois, decidiu enterrar a proposta de Dilma de realizar um plebiscito de novas eleições. A ação de Rui Falcão, presidente da legenda, selou de maneira deselegante a relação tempestuosa entre os dois.

 

Originária do PDT, Dilma nunca teve uma convivência pacífica com os petistas. No primeiro ano do mandato, ainda em 2011, a imagem de “faxineira” passou a ser vinculada à da presidente por ela ter tirado do ministério parte da tropa indicada pelo antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Os movimentos irritaram a cúpula do partido, que chegou a considerar que Dilma jogava contra o ex-presidente.

 

Nos últimos meses, o mais fiel escudeiro de Dilma foi o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. O hoje advogado da presidente afastada acabou atacado por petistas ao longo da gestão por supostamente não conseguir segurar a atuação da Polícia Federal contra os integrantes da Esplanada. A crítica, por mais estapafúrdia, foi tão devastadora que Cardozo chegou a colocar o cargo à disposição da presidente.

 

Ataques

 

Os dois movimentos — a decisão da executiva e a fritura contra Cardozo —, caso combinados no tempo e no espaço, mostram como os petistas trataram Dilma e os principais assessores com certo desprezo e, porque não, em alguns momentos, ódio. No passado, tais ataques chegaram mesmo a influenciar a militância, que só voltou às boas com Cardozo recentemente, quando ele virou advogado.

 

Além de Cardozo, Dilma se cercou de pessoas que nunca foram vistas com bons olhos por integrantes do partido, como Aloizio Mercadante e Kátia Abreu. O apoio público à presidente deu-se mais por uma simples tentativa de manutenção dos cargos na Esplanada dos Ministérios do que afinidade política. A própria Dilma nunca esperou muito mais do PT, até pela forma que comandou o governo ao longo de seis anos.

 

A tentativa de negociação com Dilma sobre a possibilidade de renúncia foi interrompida com a negativa da presidente para a proposta. A petista teria que fazer um exercício para explicar algo que sempre negou. Além disso, não teria a garantia completa sobre uma vitória no plenário 24 horas depois da renúncia. Para quem acompanhou as tratativas, a recusa inicial inviabilizou qualquer retomada de um eventual acordo, que levaria tempo para ser maturado por outros senadores.

 

Brasília, 20h25min

11 thoughts on “Renan negociou renúncia de Dilma para ela ser candidata ao Senado pelo PDT do Rio Grande do Sul

  1. duvido que ela renúncia,quem já comeu o pão que o diabo amassou em 64 isso ai é fichinha….O SENADO VAI FICAR NA HISTORIA COMO O SENADO DO GOLPE….E ELA COMO A MULHER DE FERRO…

    1. Comeu pão nenhum !
      Dilma nunca levou nem um peteleco que seja no Regime Militar.
      Esse negócio de “Muié di Ferro” é também invenção do “Partidão”.

    2. Não sofreu um arranhão nos governos militares. Mas assaltou bancos, matou pessoas inocentes, inclusive seus próprios companheiros, é como todo esquerdista, mentirosa, farsante, traidora, incompetente, nunca dialoga.

  2. Queria entender e saber o que é golpe: Retirar uma “presidente democraticamente” eleita” através do impeachment (que é previsto na constituição federal) ou se reeleger “negando informações” sobre a real situação do país (não divulgando dados da economia, escondendo dados oficiais, etc.) como foi feito? Iludindo milhares de eleitores dizendo que “estava tudo bem”. A “marolinha” do governo anterior, foi crescendo…agora é um baita tsunami…

  3. Realidade do PT que ninguém comenta, mas é real:
    Dirceu era o cérebro pensante.
    Ele pensava e Lula executava e a Dilma observava.
    Dilma, nem pensava, nem executava.
    Dirceu, preso, parou de pensar.
    Lula, sem pensar muito, colocou Dilma para pensar e executar.
    Dilma, sem pensar muito, executou demais.
    Faltou planejamento macro.
    Agiram mais no micro.
    Num Brasil gigante pela própria natureza, o barco começou a naufragar.
    Desgoverno, desconstrução:
    Resultado catastrófico:
    País desacreditado, rebaixado. Faltou crédito nacional e internacional.
    Dirceu preso…Lula indiciado, réu.
    Dilma indiciada, ré.
    Saída nada honrosa: IMPEACHMENT.
    Isso não é golpe: é despreparo para governar, falta de planejamento, incapacidade
    prática para gerir uma Nação.
    Já votei no PT… lamentavelmente!

    1. Pura perseguição política, isso você não fala, não enxerga isso quem não quer! José Serra PSDB-SP é acusado de receber 23 milhões de reais em propina no exterior e o Eduardo Cunha PMDB-RJ e sua esposas valores muito maiores, mas vocês só falam do PT, incrível a “cegeira” de vocês!

      1. Eu sou anti-pt e acho correto o que você está dizendo.. Porém você precisa entender que nesse momento é foco total no PT.. Até eles caírem.. São 13 anos de aparelhamento e incompetência com o dinheiro público.

        Quem quer derrubar o PT não vai cair na ladainha dos petralhas, de jogar diversos nomes no noticiario e desviar o foco deles.. Não vou falar de Cunha agora, nem de Serra.

        Quando o PT cair eu posso pedir a cabeça dos outros.

        Vale lembrar que primeiramente penso no Brasil e peço a cabeça de quem realmente está atrapalhando o país, pela ordem correta. 🙂

    2. Sempre pensei por essa perspectiva, também. O Lula foi boneco ventríloquo do Dirceu e o Governo e a pilantragem funcionou perfeitamente, por competência do segundo. O A Dilma foi boneca ventríloquo do Lula (pois os Dirceu já estava preso) e o governo e pilantragem desmoronou, por incompetência de ambos.

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