Extrema-direita de Portugal defende controle de preços e limite de margem de lucro

Publicado em Economia

Crítica feroz do socialismo e do comunismo e apoiadora do capitalismo, a extrema-direita de Portugal está defendendo controle de preços, limitação de margem de lucros das empresas e fiscalização do Estado para “evitar fraudes e especulação”. Segundo o presidente do Chega, André Ventura, essas medidas, somadas à redução de impostos incidentes sobre bens essenciais, serão fundamentais para diminuir a inflação no país europeu, que está na casa dos 9% ao ano.

 

“Os preços, segundo a Deco (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) atingiram níveis recordes em vários produtos, o que começa a colocar em causa, de forma severa, o nível econômico das famílias. Só para termos uma ideia, há informações de que, em grande parte das famílias, a taxa de esforço para o pagamento das casas passa de 80%”, disse.

 

Para Ventura, o governo do primeiro-ministro António Costa deveria zerar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dos produtos essenciais que compõem a cesta básica portuguesa, limitar a margem bruta de lucro dessas mercadorias em 15% e monitorar, todos os meses, o comércio, de forma a evitar reajustes abusivos.

 

É como se Portugal adotasse um modelo semelhante aos vistos no Brasil nos anos de 1980, quando intervenções na economia eram corriqueiras, a ponto de surgirem os fiscais do Sarney. “Conjugando essas três medidas, será possível o governo ter a capacidade de agir de forma articulada”, ressaltou Ventura.

 

Na avaliação do deputado de extrema-direita, é preciso ser rígido na punição de empresários que não repassarem a redução de impostos para os preços aos consumidores, para não se repetir o que ocorreu na Espanha e em outros países europeus que adotaram tal medida. O IVA foi zerado, mas os reajustes continuaram.

 

“É verdade que, na Espanha e em outros locais onde essa medida foi aplicada, os resultados não foram os esperados. Mas o governo tem mecanismos de controle, que podem envolver até o Ministério Público”, assinalou Ventura. Ele espera que suas propostas sejam consideradas por Costa, que deve anunciar, nesta sexta-feira (24/03), um pacote de ajuda às famílias e às empresas para lidar com a inflação.

 

O presidente do Chega também defende reajustes reais nos salários de servidores públicos. Ele tem se aproximado dos sindicados de várias categorias como forma de ampliar o apoio ao partido. Diante das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, os trabalhadores se sentem desprotegidos. Ventura usa do discurso populista para ampliar o descontentamento com o governo socialista.

 

E a estratégia parece estar dando certo. Segundo as últimas pesquisas, em apenas um ano, o Chega quase dobrou as intenções de votos, saindo de 7% para 13% do eleitorado. O partido já tem a terceira bancada do Parlamento, com 12 deputados.