O legado do mestre Woo

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Severino Francisco

O mestre Woo nos deixou em novembro do ano passado, aos 93 anos. Sempre que passava pelo gramado da 104/105 Norte, eu o observava com os discípulos fazendo movimentos leves, rítmicos, suaves e harmoniosos. Ele realizou um trabalho extraordinário de doação do tai chi, gratuitamente, para todos, sem perguntar em que candidato vota ou para qual time torce.

E eu me perguntava: será que, depois de sua morte, o legado do mestre permanecerá? Mas eis que recebo a informação que estudantes do curso de enfermagem da UnB visitarão a Praça da Harmonia Universal na segunda-feira para conhecer as atividades práticas integrativas e complementares em saúde. Não é um mero passeio; a atividade está incluída nas disciplinas Saúde do Adulto e Pessoa Idosas e Vivências IV, que visa ampliar a compreensão acerca do cuidado. E o objeto final é incorporar essas práticas ao SUS.

Eu penso que se essa prática se espraiasse pelas escolas, pelos hospitais e pelas empresas, tudo ficaria melhor. Faço tai chi há mais de 30 anos e posso dizer que isso mudou a minha vida. Não é milagre. O exercício do tai chi melhora a respiração, ativa a circulação e oxigena as células. A arte de respirar é um dos segredos da vida saudável. O ânimo para enfrentar os desafios cotidianos melhora.

Mas voltemos ao mestre Woo. Ele insinuou a cultura chinesa em Brasília, a partir de 1974, quando desceu do bloco e começou a fazer tai chi nos gramados. A princípio, parecia um Dom Quixote chinês em peleja contra inimigos invisíveis. No entanto, quando as pessoas chegavam perto, experimentavam, compreendiam, sentiam o benefício imediato e ele conquistou uma legião de discípulos.

Mestre Woo ensinou a linhagem do Being Tao, de sabedoria e prática, na Praça da Harmonia Universal, fundamentada no tai chi chuan e no ti kung. Ela é balizada pelo avanço do conhecimento global, promove a saúde integral, a fraternidade e a paz. O legado do mestre Woo permanece vivo na Praça da Harmonia Universal, no gramado da Entrequadra 104/105 Norte, me informam os amigos-discípulos de Woo.

Todos os dias, em gratidão aos ensinamentos que receberam do mestre Woo, os voluntários oferecem, gratuitamente, as práticas do tai chi e do ti kung. A maioria vai porque recebeu o abraço e o acolhimento do fundador da Praça da Harmonia Universal. Não têm a pretensão de ostentar a sabedoria e o brilhantismo do mestre, mas se sentem inspirados por ele e felizes de doarem um pouco do que aprenderam. A cada dia, mais pessoas participam da comunhão do tai chi.

Para José Carlos Natal, atual presidente da Associação Being Tao, o legado do mestre Woo é tão abrangente quanto o número de pessoas que foram tocadas, individualmente ou coletivamente, por sua aura de fraternidade, saúde e paz.

O tai chi é um caminho. E o mestre Woo, mais do que ensinar movimentos, nos ensinou a viver esse caminho, sopra Priscila Andreghetto, voluntária. Seu legado não está apenas na memória, mas nos corpos que praticam, nas consciências que despertam e nas relações que se tornam mais harmoniosas a partir desse ensinamento. “Seguimos, portanto, cultivando com responsabilidade, respeito e verdade aquilo que recebemos. O legado continua vivo porque foi transmitido como essência. Mestre Woo nos ensinou a não depender dele, mas a encontrar o Tao em nós mesmos. E é isso que permanece.”

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