‘The pitt’ ressuscita os tempos áureos das séries médicas

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Nova aposta da Max, The pitt revive a melhor forma de ER e reapresenta o melhor das séries médicas na TV

As séries médicas nunca foram unanimidades. Lá atrás, ainda em 1994, uma das percussoras do gênero, ER sofria diversas críticas da imprensa especializada. Seja pelo estilo procedural (ou seja, que tinha episódios com narrativas independentes) ou pelo estilo e ritmo mais gráfico para as quintas-feiras de uma das maiores emissoras dos Estados Unidos, a NBC. Anos depois, já na década de 2000, Grey’s anatomy foi outro grande destaque no gênero, contudo, focada mais no drama pessoal e em relacionamentos do que fato com o contexto da medicina.

Até hoje, diversas outras produções médicas estreiam todos os anos. A maioria passa batida, sem deixar muitas marcas. Mas não parece ser o caso de The pitt. A nova estreia da Max apresentou nos dois primeiros episódios um fôlego de narrativa e clareza de roteiro que deve ressuscitar o gênero para os eternos fãs do filão.

Escrita e criada por R. Scott Gemmill, The pitt teve um processo de desenvolvimento singular. A priori, a ideia do trio John Wells (showrunner e produtor de ER), Noah Wyle (que estrelou ER por mais de uma década) e Gemmill era fazer uma continuação de ER.

O projeto, entretanto, foi negado pela NBC —que detém os direitos de ER. A solução foi partir para outro argumento. E graças a Deus, porque nasceu o maior trunfo de The pitt: a temporada “em horas”.

Formato entrega o ritmo que o gênero cobra

Fazer uma série médica é difícil especialmente pelo ritmo mais intenso que o gênero cobra. Em contrapartida, tal velocidade, por vezes atropela histórias e enredos.

The pitt achou uma solução: o formato da temporada. À lá 24 horas, cada episódio apresenta 1 hora de um turno de 15 horas (o número de episódios de uma temporada).

O formato não é confuso, pelo contrário, entra como uma luva na rotina do hospital fictício Pittsburgh Trauma Medical Hospital. Wyle interpreta o Robby, o chefe da ala de traumas do centro médico. O local foi apelidado de “the pitt”, ou seja, “o buraco”, pela rotina caótica e de baixo orçamento.

Bem distante do tom galã de John Carter em ER, agora Wyle consegue entregar um ótimo Robby descrente com a profissão e cheio de traumas.

O elenco coadjuvante também é bem calibrado, com personagens bem definidos e que sabem entrar e sair sem causar muito incomodo.

O DNA de ER é algo que faz parte da trama de The pitt e isso é ótimo. É como se a nova produção usasse o melhor e corrigisse os erros da produção “original”.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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