Tá brincando vale pelo carisma de Otaviano Costa, mas poderia ser um quadro do Caldeirão

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Primeiro programa solo de Otaviano Costa na Globo, o Tá brincando! se apoia no apresentador. Leia a crítica!

Semana passada, Otaviano Costa estreou o primeiro e tão sonhado programa solo dele na Globo, o Tá brincando!. A atração é semanal e vai ao ar aos sábados, antes do Caldeirão do Huck.

Otaviano é bom apresentador, tem carisma e se comunica bem com o público. Precisa gritar um pouco menos no microfone, é bem verdade, mas pode ter sido apenas um nervoso pela estreia. Também seria bom dosar os elogios aos convidados ー no estilo Faustão, ele exagerou. Mas, Otaviano está bem longe de ser um problema para o Tá brincando!.

O Tá brincando! foi apresentado ao público como uma competição entre ex-atletas que estão com mais de 60 anos de idade e participantes jovens. Cada programa traz uma dupla de participantes que enfrenta três provas, cada uma valendo R$ 5 mil. O problema está justamente nas provas. Na estreia, uma empolgante (!) corrida de bicicletas ergométricas. Foi estranho ver Otaviano torcendo contra o participante que se inscreveu no programa e a favor dos ex-atletas.

Sem sair do lugar e com um discurso que corre o risco de reforçar o preconceito que a atração parece querer combater, o Tá brincando! tem muito mais a cara de um quadro do Luciano Huck do que a de um programa solo. O próprio nome da atração, repetido ora em tom de desafio, ora como um deboche pelo apresentador e pela plateia, passa essa dualidade de sentido.

Otaviano Costa a lado dos veteranos da estreia do Tá brincando!

Há méritos no Tá brincando!. O maior deles talvez seja o quadro Os experientes. Ali, sim, o discurso inflamado dá lugar a uma bela história de vida. Contada de uma maneira breve, é verdade. No primeiro episódio, Otaviano saltou de paraquedas ao lado de um médico de 80 anos. Simples, o quadro emocionou, embora tenha sido curto.

Otaviano poderia ter escorregado no melodrama, já que o personagem teve a infância sofrida, mas mostrou que isso pode ser contado de uma maneira alegre, pra cima. Os experientes (nome melhor do que Tá brincando!, inclusive) merece ter mais espaço nesse programa vespertino que mais parece uma brincadeira sem graça.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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