Sob pressão tem a temporada mais emotiva

Compartilhe

Sem perder o foco na crítica social, quinta temporada de Sob pressão traz os médicos doentes — física ou psicologicamente — após um período olhando apenas para os outros

Uma das séries mais fortes de produção da Globo/Globoplay, a médica Sob pressão chegou à 5ª temporada. Quatro episódios já estão liberados na plataforma de streaming. A cada quinta-feira, mais dois vão chegando. A ideia é que, desta vez, a produção, infelizmente, não chegue à tevê aberta, assim como, erroneamente, aconteceu com a segunda temporada da também ótima Segunda chamada. Coincidentemente ou não, são duas séries com forte pegada social.

A quinta temporada de Sob pressão é, sem dúvidas, a mais emotiva até agora. Convém separar os lenços e se preparar, pois lágrimas brotarão de olhos mais sensíveis. Não é que a crítica ao sistema de saúde pública do país tenha dado lugar à emoção. Ela continua lá, com a mesma contundência de sempre.

Mas nós estamos mais próximos dos dramas pessoais dos médicos que dão o sangue no Hospital Edith de Magalhães. Nos primeiros episódios, por exemplo, Evandro (Julio Andrade) retoma os laços com o pai, Heleno (Marco Nanini), depois de mais de 20 anos; e Décio (Bruno Garcia) tem que resolver se se muda do país para acompanhar o namorado, Kleber (Kelner Macedo), ou se eles terminam o namoro, já que Kleber descarta um relacionamento a distância. Outros dramas foram adiantados (calma! O spoiler não virá daqui) e anunciam que sofrimento é o que não faltará a nossos heróis de carne e osso.

Marco Nanini como Heleno, pai de Evandro

E nem aos pacientes deles. Em meio aos problemas de saúde, eles enfrentam a precariedade da rede pública de saúde. Evandro e Carolina (Marjorie Estiano, ainda melhor no papel) têm que se virar para transformar instrumentos e atender todas as demandas. Parentes de doentes estão sempre prontos a protestar pelo direito deles de atendimento de qualidade.

Quem acompanha Sob pressão sabe que as participações especiais são um capítulo à parte. Logo na estreia, Lázaro Ramos brilha e emociona como os gêmeos Michel e Davi; Marco Nanini dá show com as várias faces de Heleno, paciente de Alzheimer; e Leonardo Bittencourt se firma como um bom nome da geração dele como o residente Paulo, que poderia se tornar um personagem fixo e oferecer contraponto a Charles (Pablo Sanábio, que cresce a cada temporada).

Sob pressão se faz cada vez mais necessária, seja para se emocionar, seja para abrir os olhos para problemas da saúde pública. Em especial, esta temporada serve para que olhemos para os médicos, que nesses dois anos tanto olharam por nós.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

Posts recentes

‘Euphoria’ não está tão ruim quanto dizem

Terceira e última temporada da produção na Max apresenta quase uma nova série para a…

3 dias atrás

‘Beauty in Black’ e o prazer de uma boa vilã

Desde que a segunda temporada de Beauty in Black chegou à Netflix — há pouco mais…

6 dias atrás

Conheça a história central de “Quem ama cuida”, a próxima das nove

Com Letícia Colin vivendo mocinha justiceira, a novela das 21h da TV Globo tem assinatura…

1 semana atrás

Análise: Mais que a originalidade, ‘Três Graças’ vence coroando a autenticidade

A novela original superou o aguardado remake de Vale tudo, lamentavelmente desconfigurado por Manuela Dias  Patrick…

3 semanas atrás

A onipresença de Belo na telinha

O ano de 2025 foi do cantor, que se lançou como jurado de reality, ator…

3 semanas atrás

Análise: Prisão de Gerluce escancara a saudade que o público estava do novelão

É nesse ponto que Três Graças se afirma como um novo marco da teledramaturgia. A…

3 semanas atrás