Série Lov3 busca o caminho da comunicação

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Série nacional Lov3 toca com coragem em um tema recorrente na sociedade moderna: a comunicação. Leia a crítica da produção que estreia sexta-feira (18/2)!

A comunicação é a grande chave da sociedade atualmente. Vivemos uma era em que queremos falar sobre tudo e de todos. Mas quantos de nós estamos dispostos a ouvir? E não só a ouvir o outro. Quando paramos para nos ouvir, para nos conhecermos melhor, para entender primeiro e respeitar depois as necessidades dos nossos próprios corpos e almas?

Como quem não quer nada, a série nacional Lov3 chega nesta sexta-feira ao catálogo da Amazon Prime Video para discutir, principalmente, essas questões. Mas a produção, que tem roteiro de Felipe Braga e Rita Moraes e direção de Mariana Youssef, Gustavo Bonafé e Felipe Braga, está longe de ser uma sessão de terapia maçante ou uma série daquelas “cabeça”, convidativas a uma esticada no sofá da sala.

Lov3 segue o caminho estranho e delicioso da leveza para nos conduzir a essas discussões. Somos de cara apresentados à família em torno da qual gira a ação: os pais em pé de guerra e da separação depois de 30 anos, Baby (Cris Couto, ótima em cena) e Fausto (Donizeti Mazonas), e os filhos, Ana (Elen Clarice) e os gêmeos Sofia (Bella Camero) e Beto (João Oliveira). À primeira vista, nos chama a atenção a falta de conexão entre eles. Estão todos juntos, mas separados, não há liga. O público pensa que saca de cara as relações problemáticas ali entre Baby e Ana, entre Sofia e Beto ou na solidão de Fausto, por exemplo.

Mas nada é tão na cara assim em Lov3. A série é de sutilezas, esclarecidas aos poucos em texto, gestos, olhares, num ritmo às vezes corrido demais, talvez para fisgar a audiência jovem. Isso fica longe de comprometer o alcance da complexidade da questão, diga-se. Aos poucos, vamos percebendo as semelhanças. Estão todos em busca de um caminho próprio e morrem de medo de perceber o óbvio: esses rios vão desembocar no mesmo mar.

Esse caminho próprio, muitas vezes, passa por uma crise de identidade que pode levar Sofia a querer ser o quarto elemento de um trisal, Ana a rediscutir o formato de sua relação e abrir o casamento com Artur (Drayson Menezzes) e Beto a sair do mundo de pegação dos aplicativos de relacionamentos gays e encarar um namoro.

No início, o foco está no outro, aos poucos, ele se volta ao trio. A entrega de Elen Clarice, Bella Camero e João Oliveira é notável não só pela quantidade de cenas de sexo (bem dirigidas, por sinal), mas pela transformação dos personagens durante a série. Nem sempre é fácil que, em seis episódios, consigamos perceber isso. É interessante também notar que Lov3 não traz um final fechado para os personagens (segunda temporada à vista?), o que deixa claro que a vida é cíclica e tudo bem que seja assim.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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