Primeiras impressões: Rise, estreia da NBC, aposta no melhor do drama teen

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Com referências que fizeram história no gênero de drama teen, Rise apresenta história de qualidade

Quem é fã de séries sabe que o período da mid season – que engloba estes meses de começo do ano, entre janeiro e abril – é uma época de vacas magras para boas produções. Entretanto, parece que temos uma exceção este ano.

A série Rise foi, até o momento, uma das apostas mais acertadas desta mid season do canal norte-americano NBC. A princípio, a produção chama a atenção pela verdadeira “sopa de referências” que a constitui. Ela conta com elementos de Everything sucks! (Netflix), passando pelo filme Lady Bird – A hora de voar e pelas séries Glee (Fox) e Smash (NBC) e, principalmente, pela clássica Friday night lights (NBC/DirecTv) – tendo até o mesmo criador: Jason Katims. No entanto, as referências não se traduzem como cópias. A série acha o próprio caminho – mesmo que a abertura e o estilo hand cam (câmera na mão) ainda apertem os corações dos mais fãs de FNL.

Rise conta a história de Lou Mazzu (Josh Radnor, isso mesmo, o Ted, de How I met your mother), um professor de literatura que decide se arriscar na direção do teatro da escola de ensino médio em que trabalha. Formada por estudantes com problemas que vão além dos típicos da adolescência (como alcoolismo, orientação sexual e pobreza), o Sr. Mazzu pensa que o teatro é uma forma de auxiliar os jovens a ter uma forma de expressão e profissionalização. Entretanto, o caminho não vai ser tão fácil assim.

Crédito: StarTribune/NBC – O desafio do diretor em montar um espetáculo é a base de ‘Rise’

Além de enfrentar o conservadorismo da comunidade e do corpo acadêmico com a adaptação de uma peça musical pouco convencional, o maior desafio do Sr. Mazzu é ter que entender os problemas daqueles adolescentes, que, no final das contas, serão o futuro da sociedade.

Crítica de Rise

Rise não chega às vias de fato da discussão sobre os tiroteios em escolas públicas – que faz parte da agenda norte-americana atualmente –, mas fica aquela impressão de que esse é um objetivo tangente à história, que expõe de forma clara o quanto angustiada e oprimida está a próxima geração daquele país.

Crédito: Peter Kramer/NBC – Robbie Thorne (Damon J. Gillespie) tem de lidar com a pressão de ter uma mãe doente ao mesmo tempo em que assume a responsabilidade de uma peça de teatro e a liderança de um time de futebol americano

O maior drama da série parte da própria casa de Mazzu, com o filho alcoólatra. Outros enredos paralelos envolvem a estrela da peça, como Lillette Suarez (Auli’i Cravalho) que tem que lidar com a mãe e o caso extraconjugal dela com o treinador de futebol da escola, e o problema do carismático Maashous (Rarmian Newton), que morava na escola por não ter um lar e acaba sendo “adotado” pelo diretor.

O piloto parece até ser um pouco atropelado por todos esses dramas, mas logo no começo do segundo episódio (para os que se interessaram pela história, ainda dá tempo de fazer uma maratona, já que ela ainda está no terceiro capítulo) a linha narrativa da atração começa a ser melhor delineada e tudo vai se encaixando.

Naturalmente, a série não é perfeita, e para os que buscam originalidade, o incômodo será maior, pois grande parte da história é permeada pelos clássicos clichês do gênero de drama teen, como as músicas com o discurso no final e o clássico romance entre a garota tímida e o capitão do time de futebol.

Crédito: HollywoodReporter/Internet – Vai ter casal clichê, sim. E se reclamar, vai ter mais!

Contudo, fora essas limitações, Rise é uma boa aposta, que consegue o mínimo que todas produções televisivas deveriam almejar: entreter e passar uma importante mensagem.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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