O que esperar de Os testamentos, sequência da obra que deu origem à série The handmaid’s tale

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O livro é a continuação da saga de O conto de aia, de Margaret Atwood. Narrativa de Os testamentos pode ser caminho a ser seguido na série

Demoraram mais de 30 anos para que a escritora canadense Margaret Atwood finalmente escrevesse e lançasse uma sequência para O conto da aia (1985), uma das obras de maior sucesso dela. Ainda em 2019, chegou às livrarias Os testamentos, segundo livro da saga. O material surge devido aos inúmeros pedidos dos fãs, tanto da versão literária, quanto da versão televisiva — The handmaid’s tale, que estreou em 2017 no Hulu e já teve três temporadas exibidas, enquanto uma quarta é aguardada para ser lançada entre abril e junho deste ano –, além de um momento em que a autora realmente ajudou que poderia acrescentar algo à narrativa.

“Antes de se tornar palavras na página, Os testamentos foi escrito em parte nas cabeças dos leitores de seu antecessor, O conto da aia, que não paravam de perguntar o que tinha acontecido após o fim daquele romance. Trinta e cinco anos é um bom tempo para se pensar em respostas possíveis, e as respostas mudaram tanto quanto mudou a sociedade, e conforme possibilidades se tornaram realidades. Os cidadãos de muitos países, inclusive os Estados Unidos, estão atualmente sob muito mais pressão do que estavam há três décadas”, justificou Margaret Atwood na seção de agradecimentos de Os testamentos.

A obra, composta por 447 páginas, se passa 16 anos após a retirada da bebê Nicole da república de Gilead, acontecimento demonstrado na série The handmaid’s tale. Como a própria Atwood diz, também na parte de agradecimentos, a sequência serve para retratar um pouco de como foi a queda de Gilead, situação abordada no final do primeiro livro. “Os testamentos foi escrito para responder a essa pergunta (como foi a queda de Gilead?). Totalitarismos podem desmoronar de dentro para fora, à medida que deixam de cumprir as promessas que os levaram ao poder; ou podem ser atacados de fora para dentro; ou ambas as coisas. Não há fórmulas incríveis, já que muito pouca coisa na história é inevitável”, explicou.

Diferentemente de O conto da aia, em Os testamentos o leitor acompanha três relatos, em vez de um, que explicam a situação atual de Gilead até a sua derrocada. O primeiro de uma personagem descrita como uma tia que escreve os seus “testamentos” em Ardua Hall, espécie de sede onde ficam as tias. Os dois outros são depoimentos de duas meninas que tiveram contato com regime de Gilead: a testemunha 369A, diretamente de dentro da república, enquanto a testemunha 369B, de fora, já no Canadá.

Alguns dos fatos do livro se diferem da série. A começar pela saída de Nicole de Gilead. No seriado, cabe a Emilly (Alexis Bledel) o papel de levar a filha de June (Elisabeth Moss) para o Canadá. No livro, a saída é contada de outra forma. Mas nada que chegue a comprometer a trama. Outra diferença está em uma personagem que está nas duas obras — tanto na série, quanto no livro. Para não dar spoilers, basta dizer que, na versão televisiva, ela tem uma profissão, e na obra, outra. Isso ajuda a justificar melhor algumas atitudes da personagem.

Os testamentos é uma leitura rápida. Por não identificar, num primeiro momento, as personagens, isso instiga o leitor a seguir em frente, principalmente, porque é possível especular de quem são esses relatos. A obra faz uma boa conexão com a série, dependendo de acontecimentos de The handmaid’s tale e também abrindo caminho para o futuro do seriado. A sequência é um ótimo agrado aos fãs, um complemento para aproveitar o universo seriado, além de um alento de que há jeito sim de vencer regimes totalitários.

Serviço
Os testamentos
De Margaret Atwood. Tradução: Simone Campos. Editora Rocco, 447 páginas.

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